Alcino Simões 8jul2005 |
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O software educativo vai ser avaliado para auxiliar alunos, professores e pais na sua selecção e utilização.

O Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e Formação (SACAUSEF) é uma iniciativa do Ministério da Educação constituída por uma equipa nacional de professores e outros especialistas em tecnologia educativa. Este sistema vai ser norteado pela Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) em parceria com a Universidade de Évora, o Instituo para a Qualidade na Formação (IQF), a Comissão para a Igualdade e para os Direitos da Mulher (CIDM).
Até agora, alunos, pais, professores, formadores, produtores, comerciantes e investigadores em software educativo apenas podiam contar com a informação tendenciosa das próprias empresas comerciais que pretendiam vender o seu software educativo. Eventualmente, os produtores apontavam o prestígio pela participação num concurso, prémio ou candidatura, normalmente emanado pelo Ministério da Educação.
Com a SACAUSEF, a avaliação efectuada a um software será disponibilizada livremente num site com uma catalogação e textos pertinentes. Pretende-se contribuir para construir uma base de conhecimento científico e pedagógico que esteja acessível a todo o tipo de utilizadores. O que passa pela divulgação de textos e experiências de utilização de software educativo no contexto de aprendizagem, bem como a dinamização da plataforma de comunicação on-line na comunidade de aprendizagem constituída pelos utilizadores.
Acerca das eventuais dúvidas sobre o qué um software
educativo com qualidade, Vítor Teodoro, um dos responsáveis pelo SACAUSEF,
afirma que “um programa é considerado “bom” dependendo da forma como for usado,
privilegiando-se os aspectos pedagógicos em detrimento dos aspectos tecnológicos
(usabilidade, funcionalidade, design,…) que se consideram adquiridos e
operacionais”. Por isso, “a avaliação de um dado software vai centrar-se nos
efeitos do software nos processos de aprendizagem”. Apenas o software educativo
será alvo de observação, considerando que “um software é educativo por ter sido
concebido para esse efeito”, ficando de fora softwares genéricos como o Office
ou o Paint. Para já, privilegia-se o estudo de registos em CD-rom ou DVD e,
posteriormente, vai também envolver sites da Web.
O principal objectivo do projecto SACAUSEF é avaliar, certificar e apoiar a
utilização de software para a educação ou a formação. Entretanto, pretende-se
“identificar características do software educativo com elevado potencial
pedagógico” de entre a grande gama de ofertas disponíveis. A publicação dos
resultados vai “promover a qualidade na produção de software” com vista a o
aproveitamento das potencialidades das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)
no domínio da formação profissional.

Outros países criaram os seus sistemas de avaliação de software, tal como no Reino Unido a TEEM (Teachers Evaluating Educational Multimédia). Portugal está agora a iniciar este processo com o início de uma formação em Março de 2005 de uma equipa de especialistas que vai efectuar a avaliação de software educativo nas diversas áreas disciplinares. Os avaliadores deverão possuir um perfil de exigência com experiência em trabalho educativo, num dado conteúdo e com demonstradas competências fundamentais (leitura e redacção de textos, trabalho colaborativo e cumprimento de prazos). Serão profissionais que desenvolveram práticas pedagógicas inovadoras com as TIC, dispondo de condições de trabalho que lhes permitam planificar e observar a utilização de software educativo por alunos, no âmbito das técnicas de investigação educativa.
A avaliação de um software privilegia os efeitos no processo de aprendizagem provocado pela utilização de cada software educativo num contexto especificado. Isto significa que se tem em consideração a aprendizagem dos utilizadores, a pertinência dos conteúdos, as condições e requisitos dos espaços de utilização e as necessidades e satisfações dos diversos intervenientes.
O modelo de avaliação adoptado é constituído pelas duas fases de descrição/crítica e de avaliação em contexto. Na primeira, são detectados erros, omissões ou riscos e antecipam-se as potencialidades pedagógicas, científicas ou outras. Para isso, recorrem às indicações das fichas de identificação, de catalogação e de avaliação nos domínios técnico, científico, pedagógico, linguístico e atitudes/valores. Estes instrumentos são possíveis de sofrer alterações em qualquer instante, favorecendo uma mutação adaptativa do SACAUSEF.
A fase da avaliação em contexto implica a preparação, realização e avaliação do trabalho educativo em determinado ambiente de aprendizagem. Influenciada pela investigação de Micael Shaughnessy, esta fase considera que “a avaliação de programas educativos deve estar estritamente ligada ao contexto onde é utilizado”.
Dos vários métodos de avaliação, o avaliador irá seleccionar
o mais ajustado perante as condições de que dispõe, definindo as suas próprias
orientações, de acordo com o modelo geral. Assim, o avaliador constrói um “plano
de avaliação de software em contexto educativo”, servindo como um dispositivo de
integração e articulação das TIC no currículo ou plano de formação.
Inicialmente, define um perfil de utilizador, manipula e interage com o
software, analisa eventuais “zonas de convergência curricular” e concebe uma
estratégia ensino-aprendizagem. De seguida, realiza as actividades pedagógicas
do plano e avalia os resultados. Por fim, elabora um relatório a publicitar a
avaliação do software educativo.
A certificação de um software é atribuída após o primeiro estádio de avaliação,
a descrição e crítica por especialistas e/ou professores-avaliadores.
As informações resultantes deste processo estarão disponíveis num site Web de rápido acesso e com um design simples que promoverá a discussão colectiva sobre a utilização e a avaliação de software educativo.
A SACAUSEF pretende contribuir para a credibilidade e
utilização do software educativo como um instrumento de aprendizagem e de
trabalho.
Alcino Simões – 14Jun2005
[ Texto elaborado no âmbito do Curso de Formação de Avaliadores de Software
Educativo Mai-Jul 2005 - Gaia]
[Páginas de serviços de avaliação de software educativo:
Reino Unido - http://www.teem.org.uk/
França -
http://tice.education.fr/educnet/contenus/editeur ]
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Daquilo que pensou ... O que apetece dizer? |
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Comentários:
03Nov2005 [Augusto José Pinheiro da Silva - pinheirosilva@hotmail.com ]
Exmos Senhores da equipa SACAUSEF
Desejo saber o seguinte:
1) Se já operacionalizaram um modelo de avaliação de software educacional e em
que pressupostos teóricos e metodológico (paradigmas e teorias)se fundamentaram
para o implementar?
2) Se já construiram um instrumento de avaliação e quais os intervenientes nessa
avaliação?
3) Quais os parâmetros de avaliação para o instrumento de avaliação.
4) Entram, também, alunos? Se entram, qual o seu papel? Só como avaliadores ou
também como participantes?
5) Que mecanismos de avaliação, em que momentos e ambientes é feita essa
avaliação?
6) Nesse modelo estão previstas as heurísticas de Nielsen?
7) Se já têm algum modelo de avaliação de software, agradecia mo
enviassem. Na qualidade de professor de TIC, gostaria de conhecer, com pormenor,
a estrutura do referido modelo e a filosofia em que basearam. Só conhecendo
poderei estar mais informado e mais consciente dos critérios de selecção do
software educacional a adoptar, na minha escola, com os meus alunos.
Grato pela atenção. Com os melhores cumprimentos e desejos de um bom trabalho e
um bom esclarecimento.
Resposta:
Eu fui formando numa acção do SACAUSEF e também fiz essas perguntas. Obtive
algumas respostas que a seguir exponho.
Mas penso que não sou a pessoa apropriada neste momento para te responder.
Assim, esta mensagem vai para uma das pessoas mais conhecedoras do projecto:
Vitor Teodoro - vdt@mail.fct.unl.pt; Ministério da Educação - sacausef@dgidc.min-edu.pt.
1) Desconheço;
2) Temos instrumentos de avaliação para o avaliador;
3) Espero que alguém te responda;
4) Não está, de momento, considerada a participação de alunos. No entanto, os
avaliadores (que também são professores) devem colocar-se no papel de alunos.
5) Na secretária, o avaliador efectua a avaliação sempre que for solicitado;
6) Não;
7) Não tenho autoridade para o fazer.
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Simões, Alcino. (1998-200?, Jul 2005). SACAUSEF
Promove Software Educativo com Qualidade. Folha do alcino.
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/ensinacao/sacausef.htm
alcinosimoes@yahoo.com