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Declaração de risco na
aprendizagem Requisição do professor para o aluno |
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Esta é uma ideia para não ser aplicada.
Os riscos são maiores do que os
lucros.
Mas vale a pena pensar nela.
O aluno responsabiliza-se pelos actos que podem prejudicar a sua aprendizagem ou a dos outros? Como pode o professor fazer com que o aluno se responsabilize? Apela aos pais? Apela ao bom senso do aluno (apesar de não se saber dizer o que é o bom senso)?
Pensando sobre isto lembrei-me que o rótulo de mau professor pode ser aplicado sem que nada lhe possa valer. Basta que os alunos não queiram aprender.
Os médicos têm uma solução airosa.
Quando um doente está perante uma operação perigosa, é costume o médico
apresentar-lhe um papel em que o doente retira toda a responsabilidade ao
médico.
Serve para salvaguardar o médico das eventuais ocorrências nefastas quando
intervêm na saúde do doente.
De igual modo se justifica que o professor actue quando está perante um aluno
que não quer aprender.
O professor poderá aplicar qualquer estratégia educativa que o aluno não
aprenderá.
Para o aluno aprender, não basta a acção do professor.
Porque a aprendizagem exige uma participação sistemática, activa e concentrada
do estudante.
Exemplos:
- O aluno recusa realizar as tarefas educativas propostas.
- O aluno desenvolve acções que prejudica, notoriamente e frequentemente, a aprendizagem dos outros.
- O aluno tem uma assiduidade ou uma pontualidade fracas.
- O aluno não utiliza os materiais didácticos.
Nestes casos, o professor não deve ser responsabilizado pela não aprendizagem do aluno. Para salvaguardar a sua posição profissional idónea, poderá requerer que o aluno assine uma declaração do tipo:
"Venho por este meio declarar que, frequentemente, os meus comportamentos põem
em risco a aprendizagem minha/dos outros (riscar o que não interessa). Por
este motivo, o ensino desenvolvido pelo professor e as condições
disponibilizadas pela escola não podem ser consideradas causas do eventual
insucesso meu/dos outros (riscar o que não interessa).
Professor _____________________________
Escola _______________________________
Local ________________________________
Ao dia ___ do mês _______ do ano ____/__
Nome do aluno _______________________, nº ___, turma ___, ano ___
Assinatura do aluno _____________________________________________
Assinatura do Encarregado de Educação _____________________ __/__/__
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Daquilo que pensou ...
O que apetece dizer? |
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Comentários:
15 mar 2004
[Isabel Marques - izebel@mail.pt]
É uma ideia fantástica, nunca me tinha lembrado disto.
Mas nos dias que correm faz bastante sentido, pois numa sala de aula há alunos
que não estão minimamente interessados em aprender, nomeadamente Matemática.
Desculpam-se que nunca perceberam, também não é agora que vão perceber. E de
facto não, pois não fazem o mínimo de esforço.
Nem mesmo quando o Estado está a pagar uma bolsa de formação, entre outros
encargos. Isto passa-se com formandos de Cursos de Formação Profissional, que já
foram alunos das nossas escolas públicas e que mudaram de tipo de ensino por
diversas razões, as quais nós conhecemos perfeitamente. Ou quando muito
imaginamos.
E a culpa, de tudo, é de quem? Dos professores.
Infelizmente, talvez seja, uma vez que muitas vezes caímos no grave erro de não
salvaguardar determinadas situações.
Resposta:
A preguiça é um problema humano. Se tivéssemos uma fórmula mágica, seria
fabulástico.
Mas somos apenas professores: aprendizes de feiticeiros na mente dos alunos.
8 mar 2004
[Cristina Neves - nc.neves@prof2000.pt]
Eu já proponho, mas sem aplicar...
Sempre que um aluno está notoriamente desinteressado pela
aula, eu dirijo-me a ele e questiono-o se está desinteressado. No caso de ele
confirmar, digo-lhe para trazer um papel assinado pelo pai (ou a caderneta) a
justificar que não quer saber do assunto para nada.
Daí para a frente a responsabilidade será dele.
E não o incomodarei mais.
Resposta:
Professora Corajosa!
Gostaria de ver isso aplicado...
7mar2004
[Aníbal Gonçalves - aag@prof2000.pt]
Não seria conveniente incluir um "campo" para o encarregado de educação
tomar conhecimento?
Resposta:
Sim, acho uma excelente ideia.
E, talvez fosse bom a assinatura do delegado de turma e/ou outros alunos, bem
como de especialistas (médicos, psicólogos, ...) oportunamente chamados a
intervir.
7 mar 2004 [Fernando Lacerda - lacerda@mail.prof2000.pt]
Sobre a ideia do documento, em si mesmo, parece-me que a 1ª grande questão que
se coloca é a de o fundamentar sob o ponto de vista teórico. O que não penso que
seja difícil. A aprendizagem baseia-se em compromissos e estes obrigam a deveres
(na sequência dos direitos, claro).
Por outras palavras, a questão de base é a fundamentação teórica e a sua
articulação com os princípios educativos subjacentes na Lei de Bases.
Resolvida esta 1ª questão, deverá, então, estudar-se a sua aplicação prática.
É exequível? Sempre? E se o aluno se recusar a assinar, como pode ser
persuadido/obrigado a fazê-lo? etc.?
Finalmente, que ganhos com a medida? Só(!) a ilibação do professor?
Não que isto seja pouco, mas em termos educativos ficará frágil a sustentação da
ideia...
Resposta:
Este meu texto surge como uma provocação para reflectirmos sobre o que se poderá
fazer para que os alunos aprendam mais e melhor na aula.
O teu comentário leva-me a recordar quão frágil e precioso é o equilíbrio que se
instala numa aula:
- Uma rigorosa análise e avaliação de um aluno exigiria a participação de uma
equipa de especialistas (desde o psicólogo até ao assistente social). Duvido,
sinceramente, que um único professor tenha o conhecimento suficiente para tomar
uma decisão sobre a qualidade de aprendizagem de um aluno, mesmo que ele tenha
negativa nos seus teste;
- O professor nunca tem certezas absolutas sobre a eficácia e/ou eficiência do
seu método;
- O professor não consegue demonstrar que as estratégias que aplica a um dado
aluno são as melhores;
- Caso o aluno pudesse ser responsabilizado pela sua fraca aprendizagem (que eu
acho ser a parte mais difícil) em que medida este papel/declaração viria
melhorar a sua aprendizagem? Pois que, o mais importante num professor é que o
aluno venha a ser um cidadão activo e interveniente na sua comunidade.
6mar2004
[José Paulo Vasconcelos -
jpaulo@mail.prof2000.pt]
Sinceramente, acho que esta é uma ideia PARA SER aplicada!
Gostei! Da reflexão e da declaração. Vou pensar nisso (seriamente) para aplicar
no próximo ano lectivo!
Resposta:
Sobre o texto que escrevi, existem alguns inconvenientes não desprezíveis ao
aplicar uma coisa destas na aula:
1) O aluno não pode escolher o professor;
2) O professor não pode escolher o aluno;
3) O professor nunca tem a certeza de que o seu método é o mais adequado para
aquele aluno;
4) O aluno pode estar a passar uma fase transitória, logo ultrapassável com
outras intervenções.
E poderia continuar.
Mas a verdade, verdade, é que apetece aplicar.
Mas não podemos, ... ainda!
Não achas??
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Simões, Alcino. (1998-200?, Mar 2004). Declaração de
risco na aprendizagem. Folha do alcino.
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/ensinacao/autoriza.htm
alcinosimoes@yahoo.com