Alcino Simões mar 04

Declaração de risco na aprendizagem
Requisição do professor para o aluno

Esta é uma ideia para não ser aplicada.
Os riscos são maiores do que os lucros.
Mas vale a pena pensar nela.

 

O aluno responsabiliza-se pelos actos que podem prejudicar a sua aprendizagem ou a dos outros? Como pode o professor fazer com que o aluno se responsabilize? Apela aos pais? Apela ao bom senso do aluno (apesar de não se saber dizer o que é o bom senso)?

Pensando sobre isto lembrei-me que o rótulo de mau professor pode ser aplicado sem que nada lhe possa valer. Basta que os alunos não queiram aprender.

Os médicos têm uma solução airosa.
Quando um doente está perante uma operação perigosa, é costume o médico apresentar-lhe um papel em que o doente retira toda a responsabilidade ao médico.
Serve para salvaguardar o médico das eventuais ocorrências nefastas quando intervêm na saúde do doente.

 

De igual modo se justifica que o professor actue quando está perante um aluno que não quer aprender.
O professor poderá aplicar qualquer estratégia educativa que o aluno não aprenderá.
Para o aluno aprender, não basta a acção do professor.
Porque a aprendizagem exige uma participação sistemática, activa e concentrada do estudante. 

Exemplos:

- O aluno recusa realizar as tarefas educativas propostas.

- O aluno desenvolve acções que prejudica, notoriamente e frequentemente, a aprendizagem dos outros.

- O aluno tem uma assiduidade ou uma pontualidade fracas.

- O aluno não utiliza os materiais didácticos.

Nestes casos, o professor não deve ser responsabilizado pela não aprendizagem do aluno. Para salvaguardar a sua posição profissional idónea, poderá requerer que o aluno assine uma declaração do tipo:

"Venho por este meio declarar que, frequentemente, os meus comportamentos põem em risco a aprendizagem minha/dos outros (riscar o que não interessa).  Por este motivo, o ensino desenvolvido pelo professor e as condições disponibilizadas pela escola não podem ser consideradas causas do eventual insucesso meu/dos outros (riscar o que não interessa).
Professor _____________________________
Escola _______________________________
Local ________________________________
Ao dia ___ do mês _______ do ano ____/__
Nome do aluno _______________________, nº ___, turma ___, ano ___
Assinatura do aluno _____________________________________________
Assinatura do Encarregado de Educação _____________________ __/__/__
 

Daquilo que pensou ...

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Comentários:


 

15 mar 2004 [Isabel Marques -  izebel@mail.pt]
É uma ideia fantástica, nunca me tinha lembrado disto.
Mas nos dias que correm faz bastante sentido, pois numa sala de aula há alunos que não estão minimamente interessados em aprender, nomeadamente Matemática.
Desculpam-se que nunca perceberam, também não é agora que vão perceber. E de facto não, pois não fazem o mínimo de esforço.
Nem mesmo quando o Estado está a pagar uma bolsa de formação, entre outros encargos. Isto passa-se com formandos de Cursos de Formação Profissional, que já foram alunos das nossas escolas públicas e que mudaram de tipo de ensino por diversas razões, as quais nós conhecemos perfeitamente. Ou quando muito
imaginamos.
E a culpa, de tudo, é de quem? Dos professores.
Infelizmente, talvez seja, uma vez que muitas vezes caímos no grave erro de não salvaguardar determinadas situações.
Resposta
:
A preguiça é um problema humano. Se tivéssemos uma fórmula mágica, seria fabulástico.
Mas somos apenas professores: aprendizes de feiticeiros na mente dos alunos.

 

 

8 mar 2004 [Cristina Neves - nc.neves@prof2000.pt]
Eu já proponho, mas sem aplicar...
Sempre que um aluno está notoriamente desinteressado pela aula, eu dirijo-me a ele e questiono-o se está desinteressado. No caso de ele confirmar, digo-lhe para trazer um papel assinado pelo pai (ou a caderneta) a justificar que não quer saber do assunto para nada.
Daí para a frente a responsabilidade será dele.
E não o incomodarei mais.
Resposta:
Professora Corajosa!
Gostaria de ver isso aplicado...

 

 

7mar2004 [Aníbal Gonçalves - aag@prof2000.pt]
Não seria conveniente incluir um "campo" para o encarregado de educação tomar conhecimento?

Resposta
:
Sim, acho uma excelente ideia.
E, talvez fosse bom a assinatura do delegado de turma e/ou outros alunos, bem como de especialistas (médicos, psicólogos, ...) oportunamente chamados a intervir.

 

 

7 mar 2004 [Fernando Lacerda - lacerda@mail.prof2000.pt]
Sobre a ideia do documento, em si mesmo, parece-me que a 1ª grande questão que se coloca é a de o fundamentar sob o ponto de vista teórico. O que não penso que seja difícil. A aprendizagem baseia-se em compromissos e estes obrigam a deveres (na sequência dos direitos, claro).
Por outras palavras, a questão de base é a fundamentação teórica e a sua articulação com os princípios educativos subjacentes na Lei de Bases.
Resolvida esta 1ª questão, deverá, então, estudar-se a sua aplicação prática.
É exequível? Sempre? E se o aluno se recusar a assinar, como pode ser persuadido/obrigado a fazê-lo? etc.?
Finalmente, que ganhos com a medida? Só(!) a ilibação do professor?
Não que isto seja pouco, mas em termos educativos ficará frágil a sustentação da ideia...
Resposta:
Este meu texto surge como uma provocação para reflectirmos sobre o que se poderá fazer para que os alunos aprendam mais e melhor na aula.
O teu comentário leva-me a recordar quão frágil e precioso é o equilíbrio que se instala numa aula:
- Uma rigorosa análise e avaliação de um aluno exigiria a participação de uma equipa de especialistas (desde o psicólogo até ao assistente social). Duvido, sinceramente, que um único professor tenha o conhecimento suficiente para tomar uma decisão sobre a qualidade de aprendizagem de um aluno, mesmo que ele tenha negativa nos seus teste;
- O professor nunca tem certezas absolutas sobre a eficácia e/ou eficiência do seu método;
- O professor não consegue demonstrar que as estratégias que aplica a um dado aluno são as melhores;
- Caso o aluno pudesse ser responsabilizado pela sua fraca aprendizagem (que eu acho ser a parte mais difícil) em que medida este papel/declaração viria melhorar a sua aprendizagem? Pois que, o mais importante num professor é que o aluno venha a ser um cidadão activo e interveniente na sua comunidade.

 

 

6mar2004 [José Paulo Vasconcelos - jpaulo@mail.prof2000.pt]
Sinceramente, acho que esta é uma ideia PARA SER aplicada!
Gostei! Da reflexão e da declaração. Vou pensar nisso (seriamente) para aplicar no próximo ano lectivo!
Resposta:
Sobre o texto que escrevi, existem alguns inconvenientes não desprezíveis ao aplicar uma coisa destas na aula:
1) O aluno não pode escolher o professor;
2) O professor não pode escolher o aluno;
3) O professor nunca tem a certeza de que o seu método é o mais adequado para aquele aluno;
4) O aluno pode estar a passar uma fase transitória, logo ultrapassável com outras intervenções.
E poderia continuar.
Mas a verdade, verdade, é que apetece aplicar.
Mas não podemos, ... ainda!
Não achas??
 

Simões, Alcino. (1998-200?, Mar 2004). Declaração de risco na aprendizagem. Folha do alcino. http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/ensinacao/autoriza.htm 
alcinosimoes@yahoo.com

 

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