Texto de Apoio Planificações |
". . . Não existe nenhuma entidade genérica a que se possa dar o nome de o professor eficiente. A eficiência do ensino deve antes ser considerado em relacção a um professor determinado lidando com determinados alunos, num determinado ambiente, enquanto procura alcançar determinadas metas de ensino. "
( in Pophan e Baker, sistematização do ensino)
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Planificar?
Sempre que se inicia um empreendimento mais ou menos complexo, tendo em vista alcançar determinadas metas, torna-se importante fazer uma previsão da acção a ser realizada. Esta provisão servirá como vector director que oriente a acção.
No que se refere ao domínio da educação, esta necessidade torna-se cada vez mais importante. Planificam-se os conteúdos a leccionar ao longo de um ano lectivo, planificam-se as unidades temáticas, planificam-se as aulas, planificam-se as visitas de estudo, planificam-se as actividades de área escola, planificam-se as actividades do director de turma, planificam-se . . .
Devido à natureza e acção a que se refere, cada planificação tem um momento próprio para ser realizada.
Ao iniciar um ano lectivo, é importante que o professor tenha uma perspectiva abrangente sobre o processo ensino-aprendizagem a desenvolver ao longo do ano, tanto no que diz respeito especificamente à sua disciplina como, de uma forma geral, à acção das várias disciplinas consideradas como um todo na acção educativa.
Para isso, antes do início das aulas a primeira preocupação do professor deve consistir em delimitar globalmente a acção a ser empreendida ao longo de todo o ano escolar, isto é, em elaborar a planificação a longo prazo.
Antes do inicio do ano lectivo e durante o seu desenrolar, é necessário elaborar planos a médio prazo correspondentes a cada unidade de aprendizagem consideradas no plano a longo prazo.
Durante o ano lectivo e focalizando a acção que se desenrola no contexto da turma, é necessário elaborar planos a curto prazo de pequena amplitude correspondentes às acções que no dia-a-dia vão concretizar os diferentes conteúdos dos planos a médio prazo.
É de necessário salientar que o facto de se elaborar um plano é tão importante quanto é importante ser-se capaz de o pôr de lado. Uma aula deve "acontecer", ser viva e dinâmica, onde a trama complexa de inter-relacções humanas, a diversidade de interesses e características dos alunos não pretende ser um decalque do que está no papel.
Mas isto não significa de modo algum que se perca o fio condutor que existe numa planificação. Significa é que ele não pode ser rígido, mas sim flexível ao ponto de permitir ao professor inserir novos elementos, mudar de rumo, se o exigirem as necessidades e/ou interesses do momento.
Planificar Para Quem ?
| PARA
O ALUNO
PORQUE |
- Sabe o que está a fazer, porquê e para quê; - Adquire hábitos de organização (apercebe-se da organização do trabalho do professor) ; - Intervém activamente na realização do trabalho, reflecte, discute, propõe soluções, reformula com o professor o trabalho programado; - Tem consciência do seu próprio progresso; - Auto avalia-se comparando o que realiza e o que estava programado realizar. |
| PARA
O PROFESSOR PORQUE |
- Organiza o trabalho verdadeiramente em função do papel formativo da disciplina; - Reflecte sobre os conteúdos e métodos de trabalho e materiais mais adequados à aprendizagem; - Controla e faz ajustamentos permanentes de acordo com as necessidades e interesses dos alunos; - Distribui o tempo lectivo de acordo com as metas de aprendizagem que pretende atingir; - organiza as suas actividades não lectivas em função dos critérios de eficácia pedagógica; - Participa activamente na gestão democrática da escola. |
| PARA
A ESCOLA PORQUE |
- Torna possível um trabalho consciente de todos os docentes; - Permite uma distribuição mais eficaz do tempo, do espaço e das tarefas; - Permite coordenação interdisciplinar; - torna as reuniões em momentos de coordenação útil de trabalho e não com perca de tempo; - torna possível uma gestão democrática porque todos participam, porque conhecem os problemas existentes e empenham-se na sua resolução. |
| PARA
OS PAIS PORQUE |
- Dá-lhes a possibilidade de saber o que os seus filhos aprendem, porque e para quê; - Podem acompanhar o trabalho dos filhos; - Apercebem-se do empenhamento dos professores em realizar um trabalho de qualidade; - Participam com mais consciência nas actividades que a escola organiza para os encarregados de educação; - Empenham-se em contribuir para melhorar a relação família escola. |
| PARA
ASOCIEDADE
PORQUE |
- A escola , com os meios de que dispões, responde o mais eficazmente -ossível às necessidades educativas da sociedade e contribui para: - A aquisição de saber e instrumentos de aprendizagem que sirvam de apetrechamento de base para a inserção na vida prática e para estudos subsequentes; - Desenvolvimento da autonomia e sociabilidade; - Sensibilização a valores subjacentes a uma melhoria de qualidade de vida; |
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Planificar a Longo Prazo Como ?
Tarefas |
|
Referências |
| · Análise do programa da disciplina, tendo em consideração os conteúdos não leccionados em anos anteriores · Divisão e ordenação do programa emunidades didácticas a serem desenvolvidas |
TRABALHO DE GRUPO |
Programa do M.E. Livro adoptado |
| · Definição dos objectivos a atingir pelos alunos em cada unidade · capacidades a desenvolver · atitudes a fomentar · conhecimentos a adquirir |
TRABALHO DE GRUPO |
P.E.C. ( Projecto Educativo Concelhio) P.E.E. (Projecto Educativo de Escola) Programa do M.E. Legislação Outros livros |
| · Definição das estratégias a implementar· Encadeamento de actividades tais como
· área-escola · visitas de estudo · Definição dos processos de avaliação · Calendarização dos conteúdos ao longo doano de acordo com o tempo disponível |
TRABALHO INDIVIDUAL COM INTERCÂMBIO DE EXPERIÊNCIAS A NÍVEL DO GRUPO E DA ESCOLA |
Legislação Outros livros Alunos Turmas Relatórios de anos anteriores Diagnósticos |
Para realizar uma planificação a longo prazo deve-se :
- reunir documentos, tais como, programas, planificações de anos anteriores e livros;
- marcar as férias, feriados e momentos de reuniões intercalares
- calcular o número de aulas disponíveis ao longo do ano;
- analisar cuidadosamente os textos do programa;
- analisar as características gerais da população escolar;
- organizar e ordenar os conteúdos em blocos - unidades de ensino - de modo que cada bloco
constitua um todo coerente de aprendizagem a realizar, definindo os objectivos gerais que
deverão ser alcançados;
- identificar os conteúdos que, em principio, prestam-se a um tratamento interdisciplinar;
- escolher as estratégias adequadas e o mais variadas possível;
- distribuir, aproximadamente, o tempo disponível pelas diversas unidades temáticas.
Planificar a Médio Prazo Como?
As linhas orientadoras na elaboração destes planos são em tudo semelhantes às definidas para os planos a longo prazo. Consiste em planificar uma unidade de ensino, percorrendo as seguintes etapas:
- identificação e ordenação dos conteúdos;
- definição dos objectivos correspondentes aos conteúdos;
- identificação dos conteúdos pré-requesitos necessários à aprendizagem a desenvolver e dos
novos conceitos;
- definição das estratégias a implementar mais adequadas à situação pedagógica e aos
objectivos a atingir;
- identificação dos materiais e dos recursos físicos e humanos existentes;
- definição dos modos (técnicas) de avaliação;
- distribuição das aulas pelos diferentes conteúdos;
Após a planificação estar completa começa-se a elaborar os eventuais materiais necessários, tais como a ficha de objectivos, a ficha de trabalho, a ficha de exercícios, objectos do quotidiano, panfletos, cartazes, . . .
Planificar a Curto Prazo Como?
Consiste na planificação de cada aula. Onde se definem todos os pormenores essenciais à sua docência tais como
- sumário,
- novos conceitos a ser leccionados, conceitos pré-requeridos, encadeamento adequado
- objectivos que os alunos deverão atingir,
- estratégias ( ou a suas descrições),
- introdução mais apropriada (exemplos do quotidiano, jogo, paralelismo com outros conteúdos, trabalho de grupo, sugestão de actividade, conteúdos pré-requeridos),
- tipo de exercícios, grau crescente de dificuldade,
- desenhos que se devem representar e como os representar,
- materiais necessários à aula,
- linguagem específica a utilizar, observações pertinentes,
momentos de questionação/avaliação,
- tempo a distribuir pelas diversas tarefas,
- T.P.C.,
- referencias pedagógicas, . . .
É fundamental que o professor tenha sempre presente uma visão de conjunto e da inter-relacção dos elementos constituintes do programa, de modo que cada situação de ensino-aprendizagem constitua uma peça de um todo.
Os planos a longo prazo constituem o suporte organizador dos planos a médio prazo. E estes constituem o suporte dos programas a curto prazo.
Qualidade de um Plano
» Coerência » Adequação » Flexibilidade
» Continuidade » Precisão » Riqueza
Conteúdos de um Plano
Na planificação de unidades de ensino certas necessidades impõem-se de imediato a selecção de conteúdos e a selecção e definição de objectivos.
Na selecção dos conteúdos é fundamental tomar em consideração algumas regras básicas:
- Não eliminar temas fundamentais para a coordenação vertical;
- Considerar como primordiais os temas importantes para a compreensão do conjunto;
- Distribuir os conteúdos em função do tempo disponível e proporcionalmente à sua importância;
- Procurar o equilíbrio entre a transmissão de saberes e o desenvolvimento de capacidades.
Objectivos de um Plano
Na escolha dos objectivos colam-se algumas questões.
Que aprendizagens se devem propor?
Que conhecimentos, aptidões e atitudes se deseja que os alunos adquiram e desenvolvam?
As fontes utilizadas pelos professores , na selecção e definição dos objectivos resultam fundamentalmente da análise:
- da sociedade que o programa pretende servir;
- do educando a que se dirige;
- do universo da cultura disponível, organizada em programas disciplinares.
Da primeira análise resultam os objectivos referentes a atitudes, aptidões e conhecimentos requeridos para a vida do indivíduo em sociedade e para o desempenho de funções necessárias ao progresso da comunidade.
A segunda análise permite identificar os objectivos necessários ao desenvolvimento pessoal dos alunos, bem como aqueles conhecimentos ou aptidões que ainda não possuem mas necessitam desde que correspondam ao seu desenvolvimento.
Da terceira análise resultam objectivos relacionados com a aquisição e compreensão de conteúdos científicos ou tecnológicos.
Perante esta multiplicidade de opções que se colocam na selecção dos objectivos, será necessário encontrar um equilíbrio entre objectivos referentes à aquisição de conteúdos culturais e científicos e os respeitantes a aptidões sociais.
No entanto na procura deste equilíbrio de todas as perspectivas, nunca o professor deve perder de vista os interesses do educando - destinatário por excelência de todo o processo educativo.
Classificação dos Objectivos
Não há uniformidade quanto à designação dos diferentes objectivos. Relativamente ao grau de generalidade ou especificidade com que podem ser enunciados.
A) Objectivos gerais/ metas ou finalidades educativas são objectivos extremamente genéricos, que podem ser interpretados e concretizados de muitas e variadas maneiras.
B) Objectivos gerais de disciplina situam-se mais próximos do processo ensino-aprendizagem. No entanto revestem-se de alguma ambiguidade e limitam-se a conteúdos particulares de uma disciplina.
C) Objectivos específicos representam aprendizagens mais simples, susceptíveis de serem adquiridos a curto prazo e cujo enunciado é claro não dando lugar a ambiguidade de interpretação.
Um objectivo específico pode ser enunciado em termos comportamentais, isto é, indica um comportamento observável que o aluno deve revelar.
A seguinte sequência pode exemplificar estes três tipos de objectivos.
- conhece os sólidos geométricos;
- indica um sólido geométrico;
- define pirâmide quadrangular regular
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