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Orientar Para Formar Estágio em Matemática Alcino Simões |
Conferência para professores
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Introdução Funções do Formador Atitudes do formador Organização do Núcleo de Estágio |
Actividades do Formador Actividades dos Estagiários Avaliação De Estagiários |
Introdução
Bem vindos ao útero da nação!
O que é um bom formador de professores?
Como dinamizar e promover espírito de equipa e de trabalho num grupo de professores?
Como incentivar o trabalho e cooperação de um estagiário?
Quais são as funções do formador? Quando e de que forma deve intervir? O que deve ser
apresentado para discussão/actividade a um estagiário? Como apresentar?
Cada vez são exigidas mais funções ao professor para as quais ele tem de responder
oportunamente e em consciência. Um professor não é apenas um transmissor de
informação, mas antes de mais deverá ser um excelente comunicador.
É pertinente que os novos professores de matemática sejam cada vez melhores. Assim, um
novo professor de matemática deverá ter uma orientação personalizada e originária em
alicerces de trabalho, de cooperação e de honestidade.
Tenho sido formador pedagógico de estagiários de matemática desde o ano lectivo 1995/96
na Escola Secundária de Figueiró dos Vinhos. Os estagiários são alunos do curso de
Ensino de Matemática do Departamento de matemática da F.C.T.U.C. da Universidade de
Coimbra. O estágio Pedagógico tem a duração de um ano e corresponde ao quinto (e
último) ano do curso de matemática. Cada estagiário é professor da disciplina de
matemática em duas turmas de anos de escolaridade distintos. O formador é professor
apenas em duas turmas.
Os textos seguintes resultam de uma reflexão acerca do desempenho da função de formador
de professores. Não foi feito um estudo exaustivo acerca deste tema. Mas resulta da minha
experiência, das muitas conversas com professores e de algumas (poucas) recolhas
bibliográficas.
Alguns textos, nomeadamente os Dez mandamentos
para professores de George Polya, são analisados para fomentar a discussão das
estratégias e actividades para os núcleos de estágio. São apresentadas algumas
reflexões sobre as funções do formador, os objectivos da formação, as actividades na
escola, a organização do núcleo de estágio, as observação de aulas, os processos, os
meios de avaliação e os materiais de apoio.
Funções do Formador
Normalmente, um formador não teve a preparação para um desempenho adequado deste
papel. Assim, terá que ser o próprio a procurar informação e formação nesta área,
junto das universidades, outros professores, livros ou acções de formação.
E tem que de encontrar algumas respostas, mais ou menos satisfatórias para as muitas
questões que urge responder.
Que características gostaríamos de ver num formador?
Quais são as funções do formador?
O formador forma personalidades?
O que é exigido ao formador?
Quais são as obrigações do formador?
O formador é o líder natural do núcleo de estágio, queira-se ou não. Assim
como o professor deverá ser capaz de incentivar os alunos, também o formador deverá ser
capaz de criar um empenho honesto no estagiário.
Para ser formador não basta ter conhecimentos da didáctica, da legislação do
sistema educativo e dos procedimentos usuais num ambiente escolar. Também precisa
de saber conhecer os estagiários nas suas mais diversas facetas e, no momento
oportuno, intervir habilidosamente para melhorar os seus desempenhos.

O formador transmite diversos tipos de informação. Mas o objectivo maior é formar na
consciência do estagiário um determinado modelo de conduta, um esquema para futuros
comportamentos na vida profissional.
Cada vez são exigidas mais funções ao professor. E ele tem de responder oportunamente e
em consciência. Um professor não é apenas um transmissor de informação, mas antes de
mais deverá ser um excelente comunicador. Deve estar preparado para se relacionar com
todos os elementos da comunidade educativa (alunos, encarregados de educação,
funcionários auxiliares educativos, membros dos órgãos autárquicos,
empresários, ...). E deve estar minimamente preparado para reagir convenientemente
a todas as sugestões e reacções que provêem das mais diversas origens (pessoas,
livros, legislação, comunicados, televisão, rádio, internet, ...).
Vivemos numa sociedade em que o homem vai alcançando um nível cada vez mais elevado de
desenvolvimento intelectual e de desempenho. As crianças são constantemente estimuladas
pelos media. Os professores de hoje utilizam estratégias e materiais que serão
considerados ridículos ou desnecessários daqui a vinte ou trinta anos.
É pertinente que os novos professores de matemática sejam cada vez melhores. Assim, um
novo professor de matemática deverá ter uma orientação personalizada e originária em
alicerces de trabalho, de cooperação e de honestidade.
O formador ensina um estagiário e não a multidão. Tem em consideração as suas
capacidades, interesses, personalidade, motivações e empenho.
Assim como um professor terá que saber ensinar um aluno, também um formador terá que
saber orientar um estagiário.
O formador é o elo de ligação privilegiado do estagiário com toda a comunidade
educativa. As informações são compiladas e sintetizadas para o estagiário. O formador
auxilia nas relações:
Escola --------------- Universidade
Núcleo --------------- Órgãos da escola
Saber teórico ------- Saber prático
Estagiários ---------- Outros professores
Estagiários ---------- Alunos
Estagiários ---------- Grupo de Matemática

Atitudes do Formador
O formador assume atitudes com vista a atingir um fim último: o sucesso do
estagiário. Mas por vezes não é fácil resolver algumas dificuldades. Surgem
frequentemente questões da didáctica, problemas de disciplina, incorrecções de
pedagogia, necessidades de desenvolver actividades, ...
Para que nunca fique indeciso acerca do que é ou não importante, deve-se partir do
zero. Isto é, o estagiário nada sabe sobre o complexo sistema educativo (que é
quase corresponde à verdade). Tudo deve ser discutido. Tudo deve ser apresentado.
Deixar ao acaso, ou à espontaneidade do estagiário pode acarretar frustrações.
Como motivar os estagiários? O formador terá que mostrar toda a sua sabedoria e
destreza diplomática para orientar o estagiário no caminho do sucesso.
O formador pode não ser o maior. Surgem situações que nunca confrontou ou
nunca reflectiu. Neste caso o formador pede esclarecimentos, informa-se e reflecte
para posteriormente poder apresentar sugestões adequadas.
O formador tem que ser humilde em reconhecer comportamentos incorrectas. E assim servir de
exemplo. Por outro lado, estes comportamentos servem de contra-exemplo para os
estagiários.
Todo o trabalho do estagiário deve ser centrado no pensamento de que Eu trabalho
para os alunos. Quero que eles saibam mais e melhor.
A seguir estão algumas atitudes que o formador pode assumir.
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Servir de exemplo ou de modelo.
Servir de contra-exemplo a nível das atitudes.
Procurar informação sobre tudo.
Promover a criatividade.
Permitir a utilização de diversos materiais, independentemente da sua origem ou originalidade.
Respeitar e valorizar o estagiário como pessoa e como professor.
Responsabilizar o estagiário.
Actuar imediatamente após ter sido solicitado ou ter detectado.
Estar sempre disponível.
Ser aberto a críticas.
Permitir a espontânea e livre discussão.
Favorecer a implementação de metodologias activas e/ou inovadoras.
Valorizar e fazer valorizar atitudes e valores consignadas nos objectivos pedagógicos.
Organização do Núcleo de Estágio
A parte mais difícil da organização é saber propor ou impor regras que permitam um bom
desempenho. Mas também é necessário saber mudá-las.
Como organizar um núcleo de estágio?
Como dirigir os trabalhos com os estagiários?
Como relacionar os órgãos da escola com os estagiários?
Definir objectivos de trabalho e de avaliação de estagiários.
Actividades do Formador
O formador faz e favorece actividades no núcleo e na escola.
Que tipo de materiais são possíveis de desenvolver com os estagiários?
Quais são as actividades que podem e devem ser promovidas?
Preparar o Ano Escolar
Definir estratégias gerais de trabalho e de
orientação.
Conhecer a escola, os seus materiais e os eventuais textos de apoio disponíveis.
Apresentar sugestões de organização de horários do formador e dos estagiários
no Conselho Directivo, de forma que:
as aulas do orientador não sejam cumulativas com as
dos estagiários, pelo menos em dois dias da semana;
existam dois grupos de duas horas lectivas semanais vagas para as reuniões;
existam duas horas lectivas livres no final de um dia para que os estagiários
e formadores de todas as disciplinas se possam reunir.
Estudar o local das reuniões do núcleo de
estágio.
Estudar a melhor forma de funcionamento do estágio.
No primeiro mês
Apresentar aos estagiários a escola, as suas instalações (salas, biblioteca, laboratórios, clubes, ...), os materiais disponíveis, alguns funcionários e o conselho directivo ou órgão de gestão.
Durante o ano
Favorecer que os estagiários assistam a todas as aulas de uma turma (a mais conveniente) do formador.
E ainda...
Actividades dos Estagiários
Na Sala de Aula
O professor também é um actor. E preocupa-se com muitos pormenores tal como um
actor. A motivação dos alunos é tão importante no processo ensino-aprendizagem que,
por vezes, o professor tem de assumir o papel de actor, para enfatizar a matéria a
abordar.
Os estagiários deverão leccionar aulas diversificadas, tanto a nível das
estratégias (exposição, exercícios, trabalho de grupo, trabalho de investigação,
...), como dos materiais utilizados (acetatos, fichas, arames, livro adoptado,
Polya apresenta um método que pretende desenvolver no aluno a criatividade e a
auto-formação.
Imre Lakatos apresenta um modelo de trabalho para a sala de aula Lógica da
descoberta matemática(Hersh p 275-280).
O que faz e como faz um professor na sala de aula? O professor deve fazer com que o aluno
goste de matemática antes de aprender matemática. E isto passa pela motivação dos
alunos e pelas estratégias utilizadas.
A matemática também surge da realidade. Mas há problemas e problemas:
Uma gota mais uma gota é uma gota;
Uma Mona Lisa custa 1 milhão de contos. Quanto custa duas Mona Lisa?
Um pintor pinta uma sala num dia. Outro pintor pinta duas salas num dia. Quanto tempo
demorarão os dois homens a pintar aquela sala?
O
estagiário deve sentir que é o professor da turma e que é ele o responsável pela aula.
Na Escola
Apoiar alunos com dificuldades educativas (A.P.A.)
Dinamização de concursos ou provas de matemática (Matemática-a-pé).
Organização de jantares e convívios de professores.
Organização (preparação, vigilância, correcção, ...) das Olimpíadas de
Matemática.
Elaboração de cartazes de curiosidades ou a nível curricular.
Construção e divulgação de um jornal de matemática.
Organização de uma visita de estudo.
Organização de um clube (de matemática, de fotografia, de rádio, ...).
Avaliação De Estagiários
É o momento mais esperado. Os estagiários estão apreensivos com a
classificação final do estágio pois sabem que poderá influenciar a vida posterior.
A avaliação dos estagiários é contínua. Durante todo o ano o formador vai apresentado
críticas e sugestões de forma a que o estagiário possa melhorar o seu desempenho. Estas
avaliações são essencialmente qualitativas.
Um formador vê-se obrigado a avaliar sistematicamente os seus próprios métodos de
ensino. E, de alguma forma, a avaliação dos estagiários pode estar dependente do
desempenho do orientador.
Eventualmente o formador apresentará uma avaliação qualitativa (e quantitativa?) no final
do primeiro semestre. A avaliação deverá ser devidamente ponderada tendo em
atenção as características de personalidade e o desempenho dos estagiários. Um
resultado francamente positivo poderá favorecer o desleixo ou um maior entusiasmo. Uma
avaliação muito baixa poderá causar revoltas ou, pelo contrário, maior empenho. A
própria estratégia que se utiliza para se apresentar a avaliação poderá ser
determinante para os desempenhos posteriores.
Qual o peso relativo a atribuir a cada parâmetro na avaliação final do estagiário?
Qual deve assumir o maior peso? As aulas? Ou as outras actividades?
Nas aulas
Os professores assistentes de uma aula entram e saem da sala quando os alunos.
Durante a aula permanecem em silêncio e prestam toda a atenção aos diversos pormenores.
Por princípio, o orientador não deve intervir durante uma aula assistida. Pois qualquer
intervenção, mostrará aos alunos que o seu professor não sabe ou que não
manda. O silêncio dos professores assistentes mostra ainda que
respeitam o professor observado, perante os alunos e perante os estagiários.
Na reunião de análise das aulas assistidas, podem ser assumidas algumas
abordagens. O primeiro a falar é o estagiário
que leccionou, depois os outros estagiários e por fim o formador. Qualquer um pode intervir e questionar outros, em qualquer
momento. O Formador tece algumas considerações
que o estagiário, e depois os outros, comentam.
Sobre o processo de conduzir estas reuniões, podem ser seguidas diferentes
opções. O formador apresenta alguns tópicos
que deverão ser desenvolvidos. O formador
discute de acordo com os objectivos da aula a atingir. A discussão inicia-se depois do formador apresentar a
avaliação que efectuou à aula assistida.
No início do ano lectivo, o formador pode não discutir todos os comportamentos (ou
objectivos) que observou nas aulas assistidas. Pode-se começar por discutir apenas os
aspectos relacionados com a postura do professor e da gestão do tempo e dos materiais
utilizados.
Progressivamente serão discutidos todos os outros objectivos e comportamentos.
Qualquer estratégia de condução destas reuniões, deve ter como fim último o
aperfeiçoamento do estagiário.
Em cada aula assistida, o estagiário apresenta uma planificação onde constem:
ano; turma; conteúdo; unidade temática; sumário; pré-requisitos; objectivos;
estratégias; desenvolvimento.
Uma aula deve conter uma introdução, o desenvolvimento, as conclusões, os exercícios e
os eventuais TPC.
Na escola
Tem-se em conta todos as actividades desenvolvidas ao longo do ano e a forma como os estagiários se empenharam.
Participação nas reuniões do núcleo de estagio.
Participação nas reuniões de grupo.
Participação nas reuniões de conselho de turma.
Participação em outras reuniões.
Promoção de actividades.
Participação nas actividades.
Participação em clubes da escola.
Participação e disponibilidade em aulas suplementares ou de apoio.
Relação com os outros.
Responsabilidade.
Pontualidade.
Autonomia.
Análise critica.
Análise autocrítica.
Criatividade.
Iniciativa.
Qualidade.
Exercícios
1
Apresentar um plano anual de trabalho do formador onde estarão referidos os objectivos,
os conteúdos, as actividades, as estratégias e os materiais a utilizar.
2 Analisar os Dez
mandamentos para professores do anexo A e reflectir sobre a sua influência na
formação de professores.
3 Elaborar
uma lista ordenada e comentada, para o formador utilizar durante o ano, sobre:
- actividades extracurriculares que o estagiário pode
desenvolver ou promover;
- legislação;
- temas pedagógicos;
- materiais e instrumentos pedagógicos;
- estratégias para a sala de aula.
4 Reflectir sobre a
estratégia de avaliação (de aulas, ao longo do ano e final) dos estagiários e
construir um esquema conceptual.
5 Reflectir sobre a
estratégia de actuação do formador nas reuniões com estagiários de forma a criar um
clima descontraído e de trabalho.
6 Partindo das fichas e
material de apoio, referidas no anexo B, apresentar críticas e verificar se:
- são úteis;
- são práticas;
- estão completas;
- são explicitas;
- têm boa apresentação.
7 Analisar criticamente os
textos apresentados.
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Simões, Alcino (1997). Registos de orientação
de professores.
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/formar/estagio/estagio/
alcinosimoes@yahoo.com