Por arcaísmos entende-se as palavras ou expressões que, embora usadas numa determinada época, acabaram por, com o decorrer do tempo, serem substituídas por outras de sentido idêntico e, ou perderam totalmente o seu campo de referência. devido às transformações que se foram operando no campo científico-tecnológico, na organização social, nas ideologias, etc.
CAUSAS DA ARCAIZAÇÃO DOS VOCÁBULOS:
1. O desaparecimento de instituições, a mudança de costumes e de de objectos, tornaram o uso os termos que lhes correspondiam inusitado: alcaide, bucelário, catapulta, feudal, suserano, vassalo, etc.
2. Substituição de termos por outros de significado idêntico: asinha por depressa; arteirice por astúcia; punçante por pungente; etc.
3. Introdução de expressões eufemísticas: concubina por manceba; parir por dar à luz; tratante por negociante; feder por cheirar mal; etc.
4. Sentido especial dado a certos vocábulos, como: físico = médico; manha = dote de espírito; etc.
Os arcaísmos podem ser encontrados a diversos níveis: na fonética, no léxico, na morfologis e na sintaxe.
a) ARCAÍSMOS Lexicais:
__ abondo = suficiente; __ asinha = depressa; __ cafuso = por acaso; __ coita = aflição, pena, dor; __ ande = daí; __ chus = mais; __ filhar = tomar; __ leixar = deixar; __ nado = nascido; __ palmeirim = peregrino; __ sages = prudente; __ vianda = carne; __ velas = sentinelas; __ etc;b) ARCAÍSMOS FONÉTICOS:
1) O moderno ditongo -ão era outrora representado por -om: amarom, divisom, etc.
2) O hiato era frequente, vindo posteriormente a sofrer crase ou alargamento: seer (hoje ser); poboo (hoje povo); creo ( hoje creio); fea (hoje feia); etc.
3) O sufixo -vel apresentava as formas -vil ou -bil: terribil (= terrível); amávil (= amável); etc.
4) Preservava-se a nasalização do -n- intervocálico, que depois viera a desaparecer: l~ua (lua); ~ua (uma); etc.
c)ARCAÍSMOS MORFOLÓGICOS:
1) O nomes terminados em -or, -ol, -ês, -ote, eram considerados uniformes em género: "mia senhor"; "mulher espanhol"; «a nossa português e casta lingoagem» (António da Cruz e Silva);
2) Algumas palavras tinham género gramatical diverso no Português arcaico:
__ eram femininos: fim, mar, mapa, planeta, cometa;
__ eram masculinos: tribo, coragem, linguagem.
3) O particípio passado da segunda conjugaão era em -udo: perdudo (perdido); temudo (temido) etc.
d) ARCAÍSMOS SINTÁCTICOS:
1) emprego de duas negativas proverbiais: «Ninguém non sabia»;
2) Emprego de «ome» como pronome indefinido (=> a alguém; a gente; idêntico ao "on" francês): «Ome non podia mostrar...»;
3) Uso de "cujo" como interrogativo: «Cuja é esta glória?»;
4) Abundância de pleonasmos: «Oje en este dia»; «Boas bondades»; etc.;
5) Períodos extensos, colocação livre de palavras na frase e pouca acentuação (esta geralmente utilizada em casos que suscitavam ambiguidade de sentido).