Biografia do Pe. Américo

 

Américo Monteiro Aguiar, mais conhecido por "Pai Américo", nasceu em Galegos, Penafiel, a 23 de Outubro de 1887. Sentindo desde novo vocação para padre, não conseguiu a autorização do pai, que o encaminhou para o comércio. Trabalhou em Moçambique dos 18 aos 36 anos, e só aos 41 foi ordenado padre, em Coimbra, após ter contactado com outros seminários, que lhe negaram a entrada, por causa da sua idade. Contactando com um número grande de rapazes que viviam uma vida de miséria e abandono, teve a ideia de os ajudar. Primeiramente organizou colónias de férias com alguns desses rapazes. Por fim, começou a pensar numa ajuda mais duradoura.

 Conseguiu uma casa em Miranda do Corvo, em 7 de Janeiro de 1940, onde acolheu alguns rapazes. Depois surgiram outras. Três obras conseguiu erguer: Casas do Gaiato, Património dos Pobres e Calvário, esta para doentes incuráveis. Consumiu a vida sacerdotal no apoio aos pobres, procurando tirá-los da miséria, com o auxílio dos que consciencializou para o essencial dever cristão de «amar em obras e em verdade». Foi um pedagogo da Caridade, um renovador de mentalidades. Seu guia – o Evangelho; seu único Mestre –Cristo; sua grande tribuna – "O Gaiato", jornal por ele fundado.

Correu o país a pedir ajuda para a sua Obra e a dirigir as diversas casas por ele fundadas. Encontrou a morte, num desastre de viação, a 16 de Julho de 1956.

Testemunhos vivos

Padre Américo no coração de seus filhos

    Poderia pensar-se que, tendo falecido há já 45 anos, o Padre Américo Monteiro de Aguiar estivesse mais ou menos esquecido. Mas não foi isso que testemunhei no dia 15 de Setembro, em que tive contacto com a Casa por ele fundada, em 1940, em Miranda do Corvo. Já há bastantes anos que não ia lá, mas um acantonamento de fim de semana com jovens que se preparam para receber o crisma já em Outubro próximo, a quem quis mostrar uma realidade familiar diferente da deles, proporcionou-me o contacto com a actualidade da obra daquele pedagogo e "pai dos pobres".

    São 96 rapazes que se albergam sobre aquelas paredes da Casa do Gaiato de Miranda, um deles com apenas dois anos. Não sei como é possível orientar tanta gente nova ao mesmo tempo e na mesma casa e sei que o P. João, sobre quem recai tanta responsabilidade, tem uma vida superocupada e desgastante. Por crianças da casa e um ou outro gaiato mais velho, foi-me referida a organização das suas vidas. É uma casa aberta, não usa grades e portões fechados, onde cada um tem a sua tarefa a cumprir. Os mais velhos orientam os mais novos. Há que arrumar e limpar a casa, tratar dos animais e dos campos. Ali não há a mãezinha que faz tudo, enquanto os meninos brincam ou andam na rua. São os utentes que fazem as tarefas que lhe estão distribuídas. Tratam de fazer as camas e limpar a casa, de vestir e calçar os mais novos e de os orientar. E não se pense que se descuidam os deveres escolares. A aposta da Obra é que todos estudem e tirem cursos. Convencer os rapazes nem sempre é fácil. Mas há antigos gaiatos que são doutores, engenheiros, professores e até juízes. Muitos outros têm bons empregos, onde são considerados por colegas e patrões. O objectivo da Obra do Gaiato é preparar os rapazes para os lançar na vida. E felizmente quase sempre o faz com êxito.

    No dia seguinte, e por feliz coincidência, estive na Senhora da Piedade de Tábuas com antigos "Gaiatos". O mais velho que ali estava falou-me com emoção das colónias de férias promovidas pelo P. Américo, ainda antes de fazer aquela Casa de Miranda. O P. Américo tinha sido para ele o "Pai". E um outro dizia que ele tinha sido o seu "Pai" e a sua "Mãe". Abençoado P. Américo e seus continuadores.