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Biografia do Pe. Américo
Conseguiu uma casa em
Miranda do Corvo, em 7 de Janeiro de 1940, onde acolheu alguns rapazes.
Depois surgiram outras. Três obras conseguiu erguer: Casas do Gaiato,
Património dos Pobres e Calvário, esta para doentes incuráveis.
Consumiu a vida sacerdotal no apoio aos pobres, procurando tirá-los da
miséria, com o auxílio dos que consciencializou para o essencial dever
cristão de «amar em obras e em verdade». Foi um pedagogo da Caridade,
um renovador de mentalidades. Seu guia – o Evangelho; seu único Mestre
–Cristo; sua grande tribuna – "O Gaiato", jornal por ele
fundado. Correu o país a pedir ajuda para a sua Obra e a dirigir as
diversas casas por ele fundadas. Encontrou a morte, num desastre de viação,
a 16 de Julho de 1956. Testemunhos
vivos Padre
Américo no coração de seus filhos Poderia pensar-se que,
tendo falecido há já 45 anos, o Padre Américo Monteiro de Aguiar
estivesse mais ou menos esquecido. Mas não foi isso que testemunhei no
dia 15 de Setembro, em que tive contacto com a Casa por ele fundada, em
1940, em Miranda do Corvo. Já há bastantes anos que não ia lá, mas um
acantonamento de fim de semana com jovens que se preparam para receber o
crisma já em Outubro próximo, a quem quis mostrar uma realidade familiar
diferente da deles, proporcionou-me o contacto com a actualidade da obra
daquele pedagogo e "pai dos pobres". São 96 rapazes que se albergam sobre aquelas
paredes da Casa do Gaiato de Miranda, um deles com apenas dois anos. Não
sei como é possível orientar tanta gente nova ao mesmo tempo e na mesma
casa e sei que o P. João, sobre quem recai tanta responsabilidade, tem
uma vida superocupada e desgastante. Por crianças da casa e um ou outro
gaiato mais velho, foi-me referida a organização das suas vidas. É uma
casa aberta, não usa grades e portões fechados, onde cada um tem a sua
tarefa a cumprir. Os mais velhos orientam os mais novos. Há que arrumar e
limpar a casa, tratar dos animais e dos campos. Ali não há a mãezinha
que faz tudo, enquanto os meninos brincam ou andam na rua. São os utentes
que fazem as tarefas que lhe estão distribuídas. Tratam de fazer as
camas e limpar a casa, de vestir e calçar os mais novos e de os orientar.
E não se pense que se descuidam os deveres escolares. A aposta da Obra é
que todos estudem e tirem cursos. Convencer os rapazes nem sempre é fácil.
Mas há antigos gaiatos que são doutores, engenheiros, professores e até
juízes. Muitos outros têm bons empregos, onde são considerados por
colegas e patrões. O objectivo da Obra do Gaiato é preparar os rapazes
para os lançar na vida. E felizmente quase sempre o faz com êxito.
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