Unidade Didáctica - Actividades Económicas

 No final da aula deverás ser capaz de :

- Identificar os diferentes tipos de pesca face ao afastamento da linha da costa

- caracterizar os diferentes tipos de pesca

A pesca e a Aquacultura

A pesca é uma actividade do sector primário. Consiste na extracção, das águas do mar, dos rios, dos lagos e dos viveiros, de recursos alimentares como: peixe, crustáceos, molucos, sal e algas. A aquacultura corresponde à criação de peixes, crustáceos e moluscos, em água doce ou salgada.

 

 

A Gestão do espaço marítimo

 As águas marítimas dividem-se em:

    - águas internacionais;

    - ZEE (Zonas Económicas Exclusivas)

    - Mar territorial

 

Áreas ricas em pescado

A localização das grandes áreas de pesca está relacionada com a riqueza em alimentos que os oceanos proporcionam.

Em primeiro lugar, convém compreender de que maneira alguns factores naturais influenciam a distribuição do pescado. Assim sendo, deve-se destacar:

a) a profundidade - esta é importante para a renovação do oxigénio; contudo, a diminuição da temperatura e da luminosidade em função da profundidade conduz à diminuição do plâncton - seres animais e vegetais minúsculos de que se alimentam os peixes -, pelo que as áreas de menor profundidade são mais ricas em pescado.

b) a temperatura da água e as correntes marítimas - é nas áreas onde se misturam as correntes frias com as correntes quentes e as correntes profundas com as correntes superficiais, bem como nas águas frias e temperadas, que se encontra mais pescado.

 c) a salinidade - há mais espécies a viverem em áreas onde a água é mais salgada,     bem como nos locais onde se misturam as águas doce e salgada.

 

Os factores que influenciam a actividade piscatória

 Plataforma continental

Correntes marítimas

Upwelling

A importância das plataformas continentais

Plataforma continental – porção de oceano em contacto com o continente, com declives suaves e profundidades até 200 metros.

 Características da Plataforma Continental:• A pouca profundidade permite a penetração dos raios solares e consequentemente a fotossíntese das plantas, fonte de fitoplâncton para alimentação dos peixes; Agitação provocada pelas ondas e pelas marés favorece a oxigenação da água, imprescindível à vida marinha; O grau de salinidade não pode ser excessivo, logo o desaguar dos rios na plataforma continental equilibra o grau de salinidade e injectando no mar matéria orgânica e inorgânica que servirá de alimento aos peixes.
 

A importância das correntes marítimas

Corrente marítima – deslocação de grandes massas de água. Podem ser frias ou quentes.

É no contacto entre correntes marítimas quentes e frias que o plâncton (seres microscópicos que estão na base da cadeia alimentar dos oceanos.Existe o plâncton de origem vegetal (fitoplâncton) e o de origem animal (zooplâncton) mais de desenvolve e daí a maior quantidade de espécies piscícolas.

O encontro de correntes marítimas com temperaturas distintas permite concentrar espécies piscícolas com características diferentes.

Correntes marítimas - Upwelling

 Consiste na subida à superfície de aguas profundas e frias carregadas de plâncton. Esta corrente vertical vem compensar a agua superficial mais quente e pobre em nutrientes que o vento empurra para alto mar. A compensação desta agua permite um balanço perfeito muito favorável ao desenvolvimento dos peixes.

O upwelling é uma corrente marítima vertical que se forma sempre que os ventos arrastam as águas superficiais para o largo. Para compensar essa deslocação surgem correntes ascendentes, muito ricas em nutrientes, que são provenientes dos fundos oceânicos e responsáveis pela abundância de pescado. No caso português, sempre que se forma o upwelling, há abundância de sardinha e carapau.

 

Vídeo ilustrativo do que são as correntes marítimas. Neste caso particular, destaca-se a Corrente Quente do Golfo do México.

Analisem o vídeo e identifiquem as zonas de "upwelling", onde a água fria e cheia de minerais sobe pelo Talude Continental até à Plataforma Continental, contribuindo para a abundância de peixe nessas áreas.
 

Consoante a distribuição destes factores no Mundo, podem-se definir as principais áreas de pesca: o Pacífico Norte,  Noroeste e Sudeste do Oceano Pacífico; o Noroeste (Terra Nova), o Nordeste (região da Noruega), o Centro e o Sul (África do Sul) do Oceano Atlântico, (região da Mauritânia), Atlântico Sul (África do Sul) e  Banco peruano, como se pode observar no mapa da figura que se segue.

 Atlântico Nordeste, zona ICES, Região da Noruega.

Atlântico Noroeste (NAFO)- Terra Nova

Atlântico Norte e Nordeste

Atlântico Centro-Leste (CECAF) - Banco canário-sariano (Marrocos, Mauritânia, Guiné-Bissau e Senegal).

Atlântico Sul (Atlântico Sudeste e Sudoeste)- Africa do Sul e banco peruano

Pacífico Norte, Pacífico Noroeste, o Pacífico Sudeste

 

Principais áreas pesqueiras

Principais áreas de Pesca

No que respeita à distância da costa e à duração da permanência no mar, podem-se distinguir os seguintes tipos de pesca:

a) a pesca local ou costeira - corresponde à que se pratica ao longo da costa, em barcos pequenos, utilizando-se técnicas tradicionais;

b) a pesca do alto - realiza-se longe da costa, por um período inferior a oito dias, utilizando embarcações maiores e técnicas mais avançadas;

c) a pesca longínqua - são utilizados barcos  de grande tonelagem, que possuem modernos meios técnicos de captura, como sonares (para a detecção dos bancos de pesca) e radares, processos de conservação e transformação do pescado em alto mar (navios-fábrica), como o uso de frigoríficos. Normalmente, pratica-se em águas internacionais, podendo os navios laborar vários meses sem virem à costa.

 Tendo em conta o desigual desenvolvimento económico dos países, distinguem-se dois tipos de pesca: a pesca tradicional artesanal e a pesca moderna ou industrial.

 

Pesca artesanal                                                      Pesca industrial

 

Podem-se, então, distinguir as seguintes características dentro de cada tipo acima mencionado:

 A pesca artesanal é praticada nos países menos desenvolvidos e em certas comunidades pesqueiras do litoral de alguns países desenvolvidos, enquanto a pesca industrial é praticada pelos países desenvolvidos.

 

A pesca industrial, praticada por navios de maiores dimensões geralmente bem equipados, dispondo de redes potentes, câmaras frigorificas de grande capacidade de armazenamento e outro tipo de infra estruturas, que possibilitam a transformação do pescado, a sua conservação e congelação. Na pesca industrial são utilizadas diversas técnicas modernas, tais como: cerco, arrasto, aspiradores, sondas para detecção dos bancos de pesca

 

Embarcações – Navios Fábrica
O peixe, depois de capturado, é submetido a uma série de operações:
lavagem, corte da cabeça, extracção das vísceras se for o caso disso, o arranque da pele e o corte de filetes. Depois é necessário conservar, dependendo da técnica utilizada do destino do pescado. O que for escolhido para a indústria das conservas tem de ser cozido e colocado em latas com óleo vegetal; se é para produzir peixe fumado, é necessário salgar, secar, defumar; o que se destina à congelação é armazenado em frigoríficos e grandes dimensões. Depois de todas estas operações é ainda preciso pesar e embalar. Tudo isto é, cada vez mais, feito a bordo. Um navio de pesca transformou-se numa verdadeira fábrica flutuante.

As principais técnicas  ou artes de pesca usadas na actividade piscatória são:

Polivalente – utiliza diversas artes;

A deriva, praticada mais próxima da costa por pequenas embarcações e, por isso, com menores capturas.

O arrasto utiliza redes em forma de saco (rede de forma cónica, com uma larga abertura, mantida aberta durante a operação de pesca, ficando retidas as espécies)  que são puxadas muito rapidamente, impedindo que o peixe escape e é dirigida a peixes de profundidade e a crustáceos; bastante eficiente, mas predatória, por capturar peixes jovens e por em causa a preservação das espécies.

O cerco utilizada na captura de cardumes superficiais.  Consiste na pesca que utiliza uma parede de rede sempre longa e alta, que é largada de modo a cercar completamente as presas e reduzir a capacidade de fuga. A rede é colocada em volta de um cardume e o cabo profundo pode ser puxado até formar um saco onde o peixe fica aprisionado.

 

Os países detentores de melhor tecnologia e maior e melhor frota são responsáveis por as maiores percentagens de captura e produção.

 

 Principais produtores de pescado.

Impactes ambientais da actividade piscatória

A actividade piscatória provoca diversos impactes ambientais:

a) a sobreexploração do pescado, em consequência do aumento da população, que exige maiores níveis de captura, e da modernização das técnicas de captura e detecção de pescado utilizadas;

b) a poluição das águas - provocada pela circulação e lavagem  dos tanques dos petroleiros; libertação de substancias tóxicas para o mar

Nos últimos anos, devido à maior procura de pescado, à mudança dos hábitos alimentares e ao aumento populacional, a actividade piscatória intensificou-se. Por outro lado, a pesca praticada por barcos modernos, com técnicas associadas à pesca industrial, como por exemplo a técnica do arrasto, grande capacidade de carga, modernas técnicas de captura, uso de redes de malhagem apertada, tem conduzido à sobreexploração dos mares, encontrando-se muitas espécies em vias de extinção. esta situação ficou tão dramática que a União europeia e a FAO, determinaram quotas de captura, a criação de reservas marinhas interditas, a criação de regulamentos que dizem respeito às técnicas de pesca, a criação de quotas de pesca, entre outras e a adopção de práticas de pescas sustentáveis. Portugal segue estas normas, mas países em desenvolvimento como por exemplo a China, está a tornar os esforços da FAO ineficazes. Para evitar a extinção e aumentar a disponibilidade destes recursos, procede-se a criação de certas espécies em aquacultura (piscicultura), como já anteriormente referido.

Os países desenvolvidos tentam proteger os recursos piscícolas dispondo de uma frota poderosa, capaz de promover a vigilância dos seus mares. Simultaneamente, limitam o volume de capturas nas suas águas, aplicam multas pesadas aos infractores e chegam mesmo a aprisionar embarcações.

Portugal registou uma quebra acentuada na captura de peixe e, consequentemente, um forte declínio da actividade piscatória, que, no entanto ainda é uma importante fonte de rendimento das famílias de algumas localidades do litoral.

Soluções que minimizem os impactos da actividade piscatória

  •  Zona Económica Exclusiva - ZEE;

  •  Implementação de Politicas de Pesca;

  • Tratamento de poluentes (ETAR);
     

pesca1

Aquacultura – uma tentativa de solução para o sector das pescas

A Aquacultura consiste na criação controlada de espécies piscícolas (peixes, moluscos, crustáceos e plantas aquáticas) em viveiros, obedecendo a alguns princípios básicos, como a selecção de espécies adequadas às condições naturais e resistentes a doenças.

A criação de peixes em viveiros – aquacultura – com condições controladas pelo Homem, tanto em água doce como em meio marinho, para colmatar a dificuldade da sua aquisição em quase todo o mundo, tem permitido compensar a falta de pescado que resulta da sobreexploração dos mares e outras causas, contudo o seu desenvolvimento industrial pode  prejudicar o ecossistema, através dos efluentes que são lançados no meio ambiente. Por vezes, estes peixes criados em condições artificiais podem contrair doenças tendo que ser tratados com antibióticos e outros produtos químicos, mas se for praticada com moderação este risco é diminuto. Através desta actividade, várias espécies de pescado chegam aos supermercados em quantidades que não seria possível através da pesca, estes são também mais baratos de que os tradicionais.

 

 A pesca e a aquacultura produzem cerca de 100 milhões de toneladas de peixe por ano.

Cerca de 140 milhões de pessoas dependem directa ou indirectamente da pesca para viver. 

A fauna marinha constitui uma importante fonte de proteínas na nossa alimentação. Em Portugal 24% das proteínas animais provêm da pesca.

O excesso de pesca em muitas áreas do Globo, tem vindo a diminuir a quantidade de pescado disponível nos oceanos. Estima-se que 25% das espécies capturadas estão sobreexploradas.

 A aquacultura, designa o conjunto de actividades respeitantes à cultura de animais e vegetais aquáticos (camarões, ostras, caranguejos, salmões, algas marinhas).

A aquacultura produz cerca de 40 milhões de toneladas de produtos piscícolas em todo o mundo.

Este sector tenderá a evoluir no sentido de ser responsável por uma parcela, cada vez mais significativa, em termos de produção e consumo de produtos piscícolas, quer a nível nacional, que a nível mundial.