CASA TÍPICA
DA
M U R T O S A
 
 
 

Aparecem numa área bem delimitada do Concelho da Murtosa e apresentam certos pormenores característicos muitos definidos, que as distinguem e individualizam numa categoria à parte.
 
 

Esta área é bastante reduzida em tais casas. E por isso merecem a nossa atenção não só pela beleza e interesse de alguns desses pormenores, mas também pela sua integração na paisagem natural e humana local.

Estas casas apresentam-se sob três formas diversas.

 
 
As casas deste tipo têm a forma rectangular, dividida em cozinha e sala, as quais se encostam em cada extremidade da fachada principal; à frente dois quartos pequenos, que deixam entre si o alpendre.

O telhado da casa é a quatro águas, duas pequenas triângulares nas fachadas de topo, e duas maiores, nas fachadas largas, atrás e à frente; o último alpendre prolonga-se de modo a cobrir os dois quartos pequenos que têm o tecto inclinado.
 

 
 

 
 

Incluem casas com uma organização mais diferenciada, com um simples acrescento nas traseiras, que, em relação ao corpo central principal, se desenvolve simétricamente e de modo semelhante ao corpo frontal das casas do 1º tipo, que se mantém.

A casa fica formada por esse corpo frontal, estreito, compreendendo, como naquelas, o alpendre e os dois quartos iguais aos daquelas; pelo corpo central principal, onde continua a situar-se a sala; pelo corpo da retaguarda, estreito como o fontral, que compreende duas alcovas, no alinhamento da sala e abrindo para ela a cozinha, que na generalidade das casas, para ali se deslocou; no corpo central, o lugar desta é ocupado por uma divisão de arrumações, contígua à sala, que se chama despensa ou sala do meio. Cada uma das alcovas tem um postigo rasgado nas traseiras da casa, alto, de modo a poder evitar os olhares indiscretos de quem passa fora.

No telhado nota-se o prolongamento de ambas as águas maiores, cobrindo os corpos da frente e da rectaguarda. Daí a linha quebrada caracteristica do beiral das fachadas laterais, horizontal a meio sobre o corpo central inclinado para a frente e para trás.

O alpendre é geralmente mais comprido que as casas do 1º tipo, e nunca deixa de ter colunas ou esteios sustentando a frechal.

O conjunto da sala e das duas alcovas da retaguarda, constituem um elemento que se generalizou na região, que se encontra mesmo em casas que já não apresentam as características das velhas casas de alpendre.

É o tipo mais desenvolvido destas casas, aparecem com grande frequência, é é formado por um conjunto que compreende uma casa igual às do 1º tipo, à qual se acrescentou encostado a um dos topos, outro corpo rectangular que abriga a saída e as duas alcovas ao fundo, e cuja fachada se segue à fachada do alpendre da casa simples do 1ºtipo. Com um pé direito sensivelmente mais alto, e oferecendo geralmente um ligeiro avanço sobre ela.
 
 
 

Pormenores de construção, caracteres funcionais, nomenclatura:
Nas casas antigas deste tipo, as paredes mestras são de adobos de barro postos ao baixo, com malhetes de pedra intercalados, para lhes conferir maior resistência; os adobos são feitos de barro amassado, moldados em formas de madeira e secos ao sol e ligados com argamassa de cal e areia.

Os barros vinham dos solões ou maninhos, que são terrrenos salgados junto à ria, os quais,por serem de fraca qualidade, dão apenas junco e mau pasto.

As argamassas são de areia amarela de Santo Amaro ou esbranquiçada de Esgueira, que eram trazidos de barco.
 
 

As diversas divisões interiores são de adobos mindões, do mesmo material, mas mais delgados. Todas as paredes são revestidas com argamassa de cal e areia, interior e exteriormente.

Nas casas mais recentes, os adobos de barro foram substituidos por adobos de cal e areia.

Por baixo do beiral correm fortes cimalhas, muito recortadas e por vezes com vários frisos e com cunhais salientes.

O telhado é de telha caleira, chamada telha de Fontela.

O beiral é formado por capas e canudos e é assente na grossa cornija, mesmo nas partes inclinadas.

Nas casas antigas, de adobo de barro, os caboucos, pouco profundos, saem acima do solo uns 20 ou 30 cm e são de lousa ou de pedra vermelha de Eirol.
 Os ares, isto é, as traves e barrotamento do telhados , são de castanho, e o resto em pinho.
Os quartos e salas são forrados, e o forro é sempre direito, não se vendo os tectos. Nos quartos pequenos, dos lados do alpendre, o tecto é inclinado, aconpanhando a água do telhado.

O chão era de terra batida, hoje é assoalhado.

No de terra batida, era coberto com uma camada de junco seco, que se substituia, quando muito moido.

A cozinha é em telha vã, e tem geralmente o chão de terra batida, mas também muitas vezes soalhado ou ladrilhado.

Alpendre- é a verdadeira entrada da casa, com expressão acolhedora e por vezes com proporções armoniosas. Dá sempre imediatamente para a eira, da qual está separado parcialmente por um pequeno muro baixo - o poal- onde assentam as colunas que sustentam o frechal do telhado, e que deixa uma abertura de passagem a um ou aos dois lados.

 
As colunas são feitas de tijoleiras revestidas de argamassa amarela com capiteis de formas singelas e variadas.
Do alpendre entra-se para a sala ou salas e para a cozinha conforme os diversos tipos de casas.
Os quartos pequenos, na grande maioria dos casos, não têm porta para o alpendre. O seu acesso faz-se por portas abertas na sala, na cozinha ou na despensa.

COZINHA- é em telha vã e geralmente térrea, embora apareçam algumas soalhadas ou ladrilhadas a tijolo. A sua iluminação faz-se por um postigo pela rectaguarda. A grande maioria não tem chaminé, saindo o fumo por um respiro que se obtém pelo levantamento de 4 ou 5 telhas. O lareiro ou lareira, encontra-se sempre a um canto. Ela fica ao nível ou ligeiramente mais alto do que o chão, e era de barro.
O forno está geralmente construido num compartimento anexo e contíguo à cozinha, ou no exterior sob o coberto, mas abrigado por uma construção. A sua boca abre sempre para o lareiro.
Existem algumas casas onde o forno se encontra na cozinha, havendo casos em que existe outro mais pequeno na lareira.
É frequente as pessoas não utilizarem a cozinha, preparando e comendo as refeições noutro local, e utilizam a cozinha como sala de costura ou de trabalho, ficando assim preservada, numa propositada aparência de limpeza. É numa segunda cozinha, chamada cozinha velha onde vulgarmente se cozinha, come, e se rezava o terço.
Na cozinha encontra-se, a mesa, armário, caixas para o cereal, mochos diversos, um escabelo ou banco comprido com ripas nas costas e grades aos lados, com assento de levantar, que funciona como uma arca de arrumação; a masseira, a salgadeira, o machão ou espátula para a massa, a bandeja, para bandejar o pão e se fazerem os bolos, a pá, o redoiro, pau com que se mexe o braseiro, o barril e caneco, para a água, o camareiro de madeira para a lavagem dos porcos.

QUARTOS- são soalhados e de tecto forrado. Os da frente têm um janelo de guilhotina, com portadas interiores, voltadas para a eira, sendo um considerado o quarto de nascer o outro o quarto. Os traseiros, têm postigos altos, com vidro único ou frestas com portadas. Abrem para a sala e cozinha ou despensa.

SALA- é a dependência central destas casas, que revela preocupações de luxo. O seu tecto é direito e liso e de forro e em casas muito antigas, decoradas com pinturas. Quase sempre soalhada, havendo algumas ainda de terra batida. Esta sala não é utilizada para quaisquer fins própriamente domésticos, tendo apenas funções cerimoniais, relacionadas com a visita pascal ou com veladas fúnebres.
Existem nichos embutidos muros, que se chamam cantareiras ou copeiras, onde se colocam o cruxifixo, os castiçais e as jarras com flores.
Esta sala, na Murtosa é conhecida pelo nome de Sala do Senhor.
 
 
 
 
 
 

 
 

                                                                                                                TRABALHO REALIZADO:
 
                                                                                                        JOSÉ  RODRIGUES  TURMA: 7ºG
                                                                                                        ARSÉNIO COSTA      TURMA: 8ºD
                                                                                                        ANTÓNIO MARQUES TURMA: 7ºB
 
                                                                                             COM A COLABORAÇÃO DE:
                                                                                                                             PROF: CARLOS DUARTE