Laboratório de Fotografia

Fotografia:servizio rapido per laboratori conto terzi,minilab,fluorangiografie per oculistica,diagnosi con immagine,laboratorio fotografico professionale in bianco e nero  ,laboratorio immagineUm laboratório de fotografia, tanto pode ser uma instalação muito sofisticada e construída de raíz para esse fim, como uma divisão nas nossas casas. Muitos fotógrafos amadores revelam as suas fotografias na cozinha ou no quarto de banho das suas moradias. Vamos ver que com um pouco de esforço, isso é perfeitamente possível. Basta que sejam cumpridos dois ou três requisitos indespensáveis. Se houver uma divisão da casa que possa servir de laboratório permanente, tanto melhor.

Os requisitos necessários são:

O laboratório deve estar (muito) bem vedado à entrada de luz exterior.

Bem, claro que este ponto todos compreendem. A película fotográfica estraga-se se for exposta à luz ambiente. Para vedar a divisão da casa que se quer utilizar, é só puxar pela imaginação. Qualquer coisa vale. É preciso é que realmente não haja a menor entrada de luz. De noite é muito mais fácil conseguir este objectivo, uma vez que a luz exterior é de muito menor intensidade.

Deve existir uma fonte de água corrente. Aqui está a razão de na maior parte das vezes se utilizar a cozinha ou o quarto de banho.

Se possível, deve haver separação entre a zona húmida e a zona seca. A zona seca é a parte onde está instalado o ampliador e se procede à impressão do papel, marginação, etc. A zona húmida é onde estão as tinas com os químicos e a água corrente. Este requisito não é absolutamente indispensável, mas é altamente aconselhado, pois evita que o papel e os negativos se salpiquem com gotículas de químicos e contribui para a limpeza geral do laboratório.

É indispensável a existência de uma fonte de luz vermelha. A película deve ser manuseada na escuridão total. Contudo o papel fotográfico a preto e branco não é sensível à luz vermelha. Assim, é necessária iluminação desta cor, para se poder trabalhar. (Não, não se imprimem fotografias no escuro, senão como é que se vê o que se está a fazer?)

Ventilação. Convém que o espaço a utilizar tenha ventilação, do tipo exaustor/extractor ou outra, por forma a evitar a concentração dos produtos de revelação no ar.

Convém que o local a utilizar seja o mais possível isento de poeiras.

O aquecimento pode ser necessário de Inverno, pois as baixas temperaturas dificultam sobermaneira a revelação. Atenção aos aquecedores de varas eléctricos que emitem luz em comprimentos de onda que não o vermelho e aos aquecedores "de ventoínha" que levantam muito pó. De Verão também pode ser necessário arrefecer o laboratório, mas isso pode ser mais difícil.

 

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Acessórios:
Tanque de revelação e espiral - existem vários modelos com diferentes capacidades. Basicamente um tanque de revelação é um frasco cilíndrico onde se colocam uma ou mais espirais. O(s) filme(s) são bobinados para dentro da espiral num local sem luz e depois de colocados dentro do tanque de revelação, e o mesmo fechado já se pode acender a luz. Conselho: existem tanques de vários tamanhos, eu aconselho a comprar um tanque que permita revelar mais que um filmes de 35mm de cada vez, assim se se pretender evoluir para outro formato de filme como por exemplo 120, o tanque tambem serve. Tal como o tanque existem espirais que permitem vários formatos de filme.

Provetas graduadas - os químicos necessários a revelação existem em duas formas, pó e líquido. Para se poder utilizar devem ser diluidos em água. Para tal torna-se necessário a existência de uma proveta graduada para que a diluição seja feita o mais correctamente possivel. Conselho: existem químicos com diluições muito diferentes, como tal aconselho a comprarem 2 tipos de provetas graduadas, uma até 500 ml e outra ate 10ml (esta pode ser substituida por uma seringa graduada). Não comprem estas coisas nos hipermercados, pois esse material esta longe de permitir medidas correctas.


Químicos:
São necessarios 2 químicos para se proceder a revelação - o revelador e o fixador. Alem destes dois produtos existem mais dois aconselhados, banho de paragem e agente molhante.

Revelador de Filme - disponível em líquido ou pó. Os reveladores líquidos deve ser diluidos em agua a 20º graus e são de usar e deitar fora. Os reveladores em pó devem ser diluidos em água à temperatura aconselhada pelas suas instrucções de uso. Para estes reveladores é aconselhável ter um frasco para guardar o químico já preparado pois provalvelmente não irá ser usado todo. Os reveladores líquidos podem ainda ser usados de duas maneiras:
  em stock - significa que por exemplo 1 litro de revelador pode ser reutilizado mais que uma vez.
  diluidos - o precesso é o mesmo dos reveladores liquidos.
Conselho: Quando preparar um químico em pó deve faze-lo com alguma entecedencia, eu normalmente preparo o revelador um dia antes de o utilizar. Quando vou guarda-lo no frasco utilizo um filtro de máquina de café para filtrar o líquido obtido. Assim garanto que nenhum pedaco de pó por diluir ira provocar danos no filme.

Fixador - este tanto serve para filme como papel, Este químico é líquido e deve ser diluido. Um litro de fixador serve para fixar vários filmes. Ver as respectivas instruções.

Banho de paragem - é um químico utilizado para interromper a revelação do filme. Caso não se pretenda adquirir este químico pode ser substituido por água.

Agente molhante - provoca a dilatação fisica do negativo de forma a permitir uma secagem mais uniforme. É altamente recomendavel a sua utilização.


Método
Antes de iniciar a revelação propriamente dita é aconselhavel preparar as quantidades necessárias de químicos a utilizar. Essa quimica deve ser utilizada a 20º. É esta a temperatura indicada, outras temperaturas podem ser utilizadas, normalmente superiores de forma a diminuir o tempo de revelaçao. Chamo a atencao que o aumento da temperatura provoca aumento de grão no filme. É conveniente ter as quimicas todas a mesma temperatura de forma a nao provocar choques tÉrmicos na superfície do filme. NUNCA UTILIZAR LÍQUIDOS A TEMPERATURAS SUPERIORES A 30 GRAUS. EM FILME A P&B PODE PROVOCAR A SEPARACAO DA CAMADA SENSÍVEL DE FILME DA SUA BASE.

Podemos considerar que a revelacao de um negativos tem 8 passos:

Bobinagem - consiste na introdução do filme na espiral para ser revelado. Esta é a única coisa que aconselho a alguem que nunca tenha revelado um filme a não fazer sozinho. É neste passo que se fazem danos graves nos filmes. Assim aconselho a quem nunca tenha esperimentado que peça ajuda a alguem que já o tenha feito ou que tente com um filme estragado à luz do dia. É simples de fazer, corta-se a ponta do filme de modo a que o bocado de filme mais estreito desapareçaa. Colocar a ponta do filme na espiral. Apagar a luz e bobinar o filme. Cortar o filme de modo a separa-lo da seu involucro, colocar dentro do tanque e fecha-lo. A partir daqui toda a revelação pode ser feita com a luz acesa.

Pre-lavagem - tem como funcao libertar o filme de uma camada de protecção e prepara-lo para ser revelado. Para tal devemos colocar agua a +- 20º no tanque, agitar e deitar fora. Alguns filmes, como o Ilford, tem essa camada de protecao colorida, por isso é natural que a água saia azul ou verde. Repetir o processo ate que a água saia transparente.

Revelação - começa no instante em que o revelador entra em contacto com o filme. Segundo as intruções do fabricante o filme deve ser revelado durante x tempo. Deve-se agitar o tanque durante o primeiro minuto e no restante tempo durante 10 segundo em cada minuto ou 5 segundos em cada 30 segundos.

Paragem - quando o tempo de revelacao chegar ao fim deve-se retirar o revelador do tanque e substitui-lo pelo banho de paragem ou por água. Eu agito o tanque com o banho de paragem durante 30 segundos e deixo ficar durante 1 minuto mais.

Fixação - após terminar o banho de paragem entra o fixador. O fixador deve ser aplicado durante o tempo descrito nas suas instrucoes e agitado como o revelador.

Lavagem - após a fixacao o filme ja pode estar em contacto com a luz. A fase da lavagem e tão importante como outra qualquer. Eu pessoalmente de inverno aqueço água para fazer a lavagem. Faco do seguinte modo: 2,5 litros de agua aquecidos a 25º, coloco 0,5l de água no tanque, agito durante 1 minuto e deixo reposar 4 minutos, repito a operacao 5 vezes. De verão deixo em água corrente durante 20 minutos.

Agente molhante - aplico a +-25º durante 1 minuto.

Secagem - após o agente molhante NÃO ESCORRO O FILME, colocando a secar preso por uma das pontas num local arejado mas sem poeiras pelo ar. Uma hora depois esta pronto para imprimir. (Nota do Tiago: como a minha água é muito calcária eu escorro o filme, mas só com os dedos, ou então no fim passo-o por água destilada, senão fica manchado).

Negativos com riscas brancas
Resultante de revelação insuficiente. Provavelmente nem todo o filme esteve em contacto com o revelador durante todo o tempo da revelação ou não havia revelador suficiente no tanque. O filme pode ter sido mal introduzido na espiral.

Negativos com riscas pretas
Um sinal que o filme recebeu luz quando se introduziu ou extraiu o filme da câmara. Se todas as riscas se encontram do mesmo lado pode ter acontecido que a tampa do tanque não estava bem fechada.

Negativos com grão
Em geral causado pela existência de luz durante a operação de introdução do filme na espiral.

Negativos transparentes ou finos
Se não existirem regiões pretas no negativo isso quer dizer que a) o revelador estava muito frio, b) o tempo de revelação foi insuficiente ou c) o negativo foi sub-exposto.

Negativos pouco transparentes ou densos
Isso quer dizer que a) o revelador estava muito "quente", b) o tempo de revelação foi demasiado longo ou c) o negativo foi sobre-exposto.

  1. Preparação dos químicos

  2. Colocar os químicos nos tabuleiros de processamento apropriados. Verificar se as pinças correspondem aos tabuleiros. Estes devem ser colocados pela ordem seguinte: Revelador, banho de paragem, fixador, lavagem.

  3. Decidir sobre o tamanho da fotografia deixando uma margem apropriada a toda a volta.

  4. Colocar o negativo no porta negativos (emulsão para baixo). O lado da emulsão não tem brilho!

  5. Colocar o porta negativos no ampliador e ligar as luzes vermelhas.

  6. Esperar o tempo suficiente até os olhos se habituarem à luminosidade existente.

  7. Ligar o ampliador e seleccionar a maior abertura da lente (i.e. f4).

  8. Utilizando a manivela existente no lado direito, ajustar a altura da cabeça de ampliação até ao tamanho de imagem requerido.

  9. Utilizando o manípulo do lado direito do ampliador, rodá-lo de modo a focar a imagem.

  10. Fechar o diafragma da lente para f8 de modo a obter uma iluminação uniforme.

  11. Colocar o filtro vermelho sobre a lente do ampliador.

  12. Em caso de necessidade colocar um filtro de grau 00...5 no porta filtros. Este filtro controla o contraste da fotografia. O grau 00 corresponde ao menor contraste e o 5 ao maior.

  13. Retirar uma folha de papel do invólocro e colocá-la no tabuleiro do ampliador. O lado da emulsão (geralmente brilhante) deve ficar voltada para cima. Ajustar a posição do papel.

  14. Desligar o ampliador. Retirar o filtro vermelho da frente da lente.

  15. Ligar o relógio do ampliador durante o tempo necessário. (Pode realizar um teste de tiras se não souber o tempo correcto).

  16. Transportar o papel para a zona molhada e proceder à revelação, fixação e lavagem.

  17. Introduzir a folha de papel no revelador com o lado da emulsão virado para cima. O tempo de revelação é em geral de 1 a 2 minutos. Agite durante 30 seg. Para agitar incline ligeiramente o tabuleiro, primeiro um lado depois o outro.

  18. Após retirar o excesso de revelador da superfície do papel colocá-lo no banho de paragem durante 5 ou 10 seg. Agitar continuamente. Não agite com as pinças de modo a não riscar o papel.

  19. Transporte o papel para o fixador e espere cerca de 2 minutos agitando periodicamente. Após os primeiros 30 seg. já pode acender as luzes.

  20. Lave o papel em água corrente durante 4 minutos e depois pendure-o para secar.

 

Um dos problemas que quem revela e imprime me casa se depara é com a secagem das imagens impressas. Se bem que com a utilização dos papeis RC este problema diminui muito, quem utiliza papeis FB continua a sofrer com esse problema.

Contrariamente ao que se ve nos filmes, pendurar as impressões para secar é de longe o melhor processo de o fazer. O processo que utilizo passa pela utilização de acessórios baratos e que se calhar todos temos em casa.

Eu utilizo:
  • Uma escova limpa vidros de um automóvel ( não se preocupem que não assaltei nenhum carro")
  • Um pano amarelo daqueles que se usam na cozinha para limpar a agua. ( A cor do pano não é importante )
  • Uma placa de acrílico
  • Uma caixa de cartão desfeita.
Coloco o meu pano amarelo estendido sobre a placa de acrílico. Quando a prova sai da agua é colocada com a imagem virada para cima em cima do pano e do acrílico. Com a escova limpa-vidros é retirada toda a agua, seguidamente viro a imagem ao contrario e volto a passar a escova. Depois coloca a imagem a secar em cima do cartão. O facto da imagem estar em cima do cartão faz com que o cartão "chupe" a agua do fotografia, permitindo assim a sua secagem de forma homogénea.

Quem utiliza papeis FB esta habituado a ver as suas provas todas onduladas após a secagem. Este problema deve-se ao facto de haver zonas que secam mais depressa que outras. Utilizando este processo ira obter provas secas + rapidamente e sem tantas ondulações.

Outra hipótese é substituir o cartão por uma rede. Assim num caixilho de madeira coloca-se uma rede de plástico. ( não pode ser metal pois o metal inferruja e danifica as imagens ). Nessa rede esticada numa esquadria de madeira são postas as imagens a secar. A rede possibilita a circulação de ar por toda a prova ajudando a secagem homogénea da prova.

 

FOTOGRAMAS

Começo por apresentar duas técnicas de criar imagens um pouco diferentes do habitual mas que são extremamente simples de fazer e nem requerem uma máquina fotográfica.

A primeira delas é o FOTOGRAMA. O princípio é muito simples: coloca-se um objecto por cima de uma folha fotográfica e com um ampliador fotográfico expomos a folha o suficiente para ficar completamente preta - excepto nas zona onde os objectos estão, que logicamente receberão menos luz (ou nenhuma).

Refiro ainda que um dos grande percursores desta técnica foi o conhecido fotógrafo MAN RAY, razão pela qual os fotogramas são por vezes chamados de RAYOGRAMAS.


PIN-HOLE

Começo por apresentar duas técnicas de criar imagens um pouco diferentes do habitual mas que são extremamente simples de fazer e nem requerem uma máquina fotográfica.

A segunda destas técnica é o PIN-HOLE - aqui a máquina fotográfica é uma simples caixa com um pequeno buraco por onde passa a luz, dentro da caixa (do lado contrário do buraco) coloca-se papel fotográfico ou negativo. Como o buraco normalmente é muito pequeno, o tempo de exposição é normalmente grande (minutos), mas só é possivel chegar ao valor correcto por tentativas.

A caixa pode ter desde alguns centímetros (por exemplo, uma caixa de fosforos) até vários metros (há quem já tenha feito com salas inteiras!). Como não há objectivas envolvidas no processo é possivel obter imagens panorâmicas com quase 180 graus de abertura e quase sem distorção (as fotos abaixo têm alguma distorção porque a caixa era redonda).

As fotos abaixo foram tiradas com uma caixa de bolachas redonda (com cerca de 30cm de diâmetro) e o buraco tem cerca de 0.5mm. Usei papel fotográfico com cerca de 15x10cm. Escolhi um dia com muito sol, logo o tempo de exposição foi abaixo de um minuto. Como o resultado é em negativo, tive que fazer positivos por contacto.




A mancha no centro é o meu cão, que não se manteve quieto durante
o longo tempo de exposição necessário para a foto ficar bem exposta.
FOTOMETRIA

Para que uma fotografia fique "boa" são necessárias duas coisas básicas: enquadrar bem o que se quer, e medir correctamente a luz existente na cena, para que o negativo receba a quantidade de luz certa. É a esta medição da luz, que se dá o nome de FOTOMETRIA.

A luz é normalmente medida pelo fotómetro da máquina fotográfica ou por um fotómetro de mão. Há dois parâmetros que nos permitem aumentar e diminuir a quantidade de luz que o negativo recebe - a abertura do diafragma, normalmente chamada de f, e o tempo de exposição. Alguns valores comuns:
Cada salto entre valores, adjacentes, destes parâmetros (por exemplo de f1.4, para f2, ou de 1/100s para 1/200s) é chamado um stop. Cada vez que aumentamos um stop, estamos a deixar entrar o dobro da luz na máquina, inversamente cada vez que diminuimos um stop, estamos a deixar entrar metade da luz.

Se estes parâmetros estiverem mal, podem acontecer duas coisas - a foto pode fica sobrexposta (o negativo recebeu luz a mais) ou subexposta (o negativo recebeu luz a menos). Os negativos normalmente têm uma latitude suficiente para se poderem ignorar pequenos erros (depende do tipo de negativo), mas quando o erro é muito grande (por distração ou porque o fotómetro foi enganado por a cena ser "fora do normal") podemos ter o azar de não se conseguir aproveitar nada da foto.

Nos exemplos abaixo está uma foto com exposição correcta e duas incorrectas (propositadamente). As incorrectas têm +3 stops e -3 stops do que a exposição correcta.




Negativo sobrexposto (luz a mais)
f 8 - 1/20s (+3 stops)


Exposição correcta
f 8 - 1/160s


Negativo subexposto (luz a menos)
f 8 - 1/1250s (-3 stops)
PROFUNDIDADE DE CAMPO

Quando focamos algo numa fotografia, é habitual que os outros planos que não nos interessam menos fiquem desfocados. A distância que vai desde o plano focado mais próximo até ao mais afastado é chamada PROFUNDIDADE DE CAMPO.

A profundidade de campo pode ser controlada através da abertura do diafragma das lentes (normalmente apelidado de f). Quanto maior for a abertura do diafragma (f pequeno) menor é a profundidade de campo, chegando a ser apenas alguns milímetros. Inversamente quanto menor for a abertura do diafragma (f grande), maior é a profundidade de campo (podendo ir desde o primeiro plano até ao infinito).

Qual a profundidade de campo que deve usar? Depende do efeito pretendido. Se quer isolar algo do fundo (habitual em retratos) use uma profundidade de campo pequena (f pequeno). Ao invés, se o objectivo é ter tudo focado (por exemplo numa foto a uma paisagem), o f deverá ser o maior possivel.

Repare que nas fotos abaixo as aberturas usadas foram f 2.8, f 5.6 e f 11, logo a primeira é a que tem menos profundidade de campo (apenas o prato está focado) e a última a que tem mais (está tudo focado). Note ainda que para que a luz recebida pelo negativo fosse sempre a correcta, foi necessário ajustar o tempo de exposição para cada uma das aberturas do diafragma.




Pequena profundidade de campo (grande abertura do diafragma)
f 2.8 - 1/640s


Profundidade de campo média (abertura média do diafragma)
f 5.6 - 1/125s


Grande profundidade de campo (pequena abertura do diafragma)
f 11 - 1/30s
TEMPO DE EXPOSIÇÃO

O TEMPO DE EXPOSIÇÃO é o tempo que o obturador da máquina fotográfica está aberto logo a seguir a se premir o disparador. É durante este tempo que o negativo recebe luz e regista a imagem.

O tempo de exposição pode ser muito curto - algumas milésimas de segundo (por exemplo 1/1000s - ou seja 1 milésimo de segundo) até varios segundos ou mesmos minutos. Quanto mais pequeno for o tempo de exposição (obturação rápida) mais "congelados" ficam os objectos fotografados. Contráriamente se a obturação for lenta (tempo de exposição longo) os objectos, se forem a uma velocidade razoável, podem ficar com um efeito de arraste.

O tempo de exposição necessário para congelar algo (ou para fazer o efeito de arraste) difere muito com o que se está a fotografar. Enquanto para congelar um carro de fórmula 1 a 300km/h terá que usar uma obturação muito rápida, para um caracol, (ou mesmo uma pessoa) uma velocidade lenta ou média bastará.

Nos exemplo abaixo as velocidades usadas foram 1/1600s, 1/200s e 1/50s. Repare que enquanto na primeira foto os pingos de água ficaram completamente congelado no ar, na última nota-se perfeitamente o arraste provocado pela baixa velocidade de obturação. Note ainda que para compensar a diminuição da velocidade, foi necessário fechar o diafragma, tendo a profundidade de campo, inevitavelmente, também sido alterada de foto para foto.




Tempo de exposição pequeno (obturação rápida)
f 1.8 - 1/1600s

















Tempo de exposição grande (obturação lenta)
f 11 - 1/50s


Tempo de exposição médio (obturação média)
f 5.6 - 1/200s
PANNING

Quando fotografamos algo que vai a uma velocidade razoável, utilizando um tempo de exposição longo, há tendência para haver um efeito de arraste. Se no entanto acompanharmos o objecto em movimento com a máquina fotográfica durante todo o tempo de exposição, obtemos aquilo a que se dá o nome de PANNING.

Num panning, o objecto em movimento, se bem seguido, fica focado, enquanto que os outros planos ficam com o efeito de arraste devido à obturação lenta. Quanto mais lenta for a velocidade de obturação, maior será o efeito de arraste, mas mais dificil é fazer o panning. A velocidade correcta, para um bom panning, tambem depende muito da velocidade a que o objecto fotografado se está a mover.




f 22 - 1/30s
GRAUS DE CONTRASTE - NEGATIVO NORMAL

Um bom negativo é apenas o primeiro passo para obter uma fotografia boa, o passo seguinte será conseguirmos uma ampliação que satisfaça a ideia da imagem que queriamos criar quando tiramos a foto. Um dos parâmetros mais importantes numa boa ampliação é o contraste.

Acontece que os mais variados factores podem influenciar o contraste que obtemos num negativo - o tempo, o filme que usamos, ligeiras sobre ou subexposições, filtros, etc... Para compensar estes factores utilizam-se diferentes GRAUS DE CONTRASTE quando se amplia uma foto num laboratório (através de filtros no ampliador, papeis fotográficos com caracteristicas diferentes e mais recentemente, num laboratório digital, com opções disponíveis nos programas de tratamento de imagem).

Um NEGATIVO NORMAL é aquele que tem o máximo de tonalidades possiveis sem que no entanto os pretos e os brancos passem a ser cinzentos. Estes são os negativos mais fáceis de tratar, pois permitem melhores ajustes no contraste. Claro que a foto "perfeita" depende do gosto de cada um, mas só quando se sabe controlar bem todos estes parâmetros se consegue aquilo que idealizamos inicialmente.

No exemplo abaixo, um negativo normal foi ampliado com 3 filtros diferentes. No primeiro utilizou-se um filtro suave que reduz o contraste da foto ficando esta com contraste a menos (pode verificar-se facilmente que os pretos e os brancos puros deixaram de existir). A segunda foto é a mais "correcta" - o negativo foi amplicado com um filtro de grau normal ficando assim com as tonalidades correctas. Finalmente na última ultilizei um filtro de grau duro ficando a foto com contraste excessivo.




Grau suave (foto com contraste a menos)
Filtro multicontraste nº 1


Grau normal (foto normal)
Filtro multicontraste nº 3


Grau duro (foto com contraste a mais)
Filtro multicontraste nº 5
GRAUS DE CONTRASTE - NEGATIVO SUAVE

Um bom negativo é apenas o primeiro passo para obter uma fotografia boa, o passo seguinte será conseguirmos uma ampliação que satisfaça a ideia da imagem que queriamos criar quando tiramos a foto. Um dos parâmetros mais importantes numa boa ampliação é o contraste.

Acontece que os mais variados factores podem influenciar o contraste que obtemos num negativo - o tempo, o filme que usamos, ligeiras sobre ou subexposições, filtros, etc... Para compensar estes factores utilizam-se diferentes GRAUS DE CONTRASTE quando se amplia uma foto num laboratório (através de filtros no ampliador, papeis fotográficos com caracteristicas diferentes e mais recentemente, num laboratório digital, com opções disponíveis nos programas de tratamento de imagem).

Um NEGATIVO SUAVE é aquele que tem contraste a menos, notando-se perfeitamente que em vez de pretos e brancos temos apenas cinzentos. Numa amplicação esta falta de contraste pode ser compensada utilizando um filtro (ou papel) de grau duro, que irá aumentar o contraste da foto.

No exemplo abaixo, um negativo suave foi ampliado com 3 filtros diferentes. No primeiro utilizou-se um filtro suave que reduz o contraste da foto ficando esta com contraste ainda mais reduzido (pode verificar-se facilmente que os pretos e os brancos puros deixaram de existir). Na foto do meio utilizou-se um filtro normal, que é ainda insuficiente para corrigir a falta de contraste do negativo. A terceira foto é a mais "correcta" - o negativo foi ampliado com um filtro de grau duro ficando assim com as tonalidades correctas.




Grau suave (foto com contraste a menos)
Filtro multicontraste nº 1


Grau normal (foto com contraste a menos)
Filtro multicontraste nº 3


Grau duro (foto normal)
Filtro multicontraste nº 5
EMULSÕES COMPARADAS

Um dos pontos mais importantes quando vamos fotografar é sabermos escolher o filme mais indicado para o trabalho que vamos realizar. Cada tipo de filme tem as suas características próprias tais com sensibilidade, definição, contraste, etc... Só com alguma práctica é que se descobre quais aqueles de que mais gostamos e quais os mais indicados para cada situação.

A sensibilidade de um filme é medida pela ASA, que normalmente tem valores como 25, 50, 100, 200, 400, 800, 1600, etc... Um filme de ASA 50 terá o dobro da sensibilidade de um de ASA 25, e um de 100 o dobro do de 50, etc... Ou seja, quanto mais alta for a ASA de um filme, menos luz será necessária para fotografar com ele.

Este aumento na sensibilidade é ganho à custa de definição, ou seja, quanto mais sensivel é o filme, mais será o grão que este tem e menor será a ampliação máxima possivel de fazer.

Um filme de ASA 25, será assim indicado para dias de muito sol e em que o objectivo seja fazer grandes ampliações. O filme de ASA 400 é o "todo-o-terreno", pois é normalmente utilizável na maior parte das situações e ainda dá para fazer umas ampliações razoáveis. Finalmente filmes com ASA acima de 1000 serão indicados para tirar fotos com muito pouca luz disponível (quando não se quer usar flash).

Embora quase todos os filmes tenham indicado que são de uma determinada ASA, existem duas técnicas que permitem modificar a sensibilidade deles. A primeira, mais utilizada, é chamada de PUXAR um filme - consiste em, por exemplo, utilizar um filme de ASA 100 como se fosse de ASA 200 (filme puxado 1 stop) ou de ASA 400 (filme puxado 2 stops). O inverso chama-se REDUZIR um filme, por exemplo usar um filme de ASA 100 como se fosse de ASA 50 (filme reduzido 1 stop). Estes métodos são práticos quando fomos apanhados desprevenidos com o filme errado ou para criar efeitos propositados.

O inconveniente de puxar um filme é que este perde definição (fica com mais grão), outro efeito normal de puxar um filme é o aumento do seu contraste. Ao invés, quando um filme é reduzido, o seu contrastre diminui. O número de stops que um filme pode ser puxado muda de filme para filme, mas normalmente consegue-se puxar um filme 2 stops, e reduzi-lo 1 stop, com resultados aceitáveis. Não se esqueça de revelar o filme tomando em conta a alteração que fez (se revela em lojas de fotografia indique claramente a ASA a que fotografou o filme).

Em baixo estão 4 filmes fotografados com 6 ASA's diferentes, ao lado de cada foto está uma ampliação de um pormenor para que se veja a diferença na definição de um para outro (é fácil de ver no papel, mas no ecran às vezes torna-se dificil). Não compensei o contraste de nenhum dos filmes para que se veja bem as defirenças de uns para outros. Todos os filmes foram revelados com revelador Kodak T-Max, excepto o primeiro, em que usei Kodak Technidol.




ASA 25 (Kodak Technical Pan 25)
Filme de muito alta definição (e baixa sensibilidade) que permite grandes ampliações.
Tem um constraste bastante acima do normal.


ASA 100 (Kodak T-Max 100)
Filme de alta definição, indicado para lugares com bastante luz.
Mesmo com a ampliação à direita a definição é quase indestingivel do anterior,
mas o contraste é claramente mais reduzido.


ASA 200 (Kodak T-Max 400 reduzido 1 stop)
Como se pode verificar este filme ficou com o contraste muito diminuido por ter sido
reduzido um stop - repare que os pretos puros deixaram de existir.


ASA 400 (Kodak T-Max 400)
Filme de sensibilidade e definição média (mesmo assim ainda é
dificil ver a diferença para os anteriores em termos de definição, embora no
papel já seja clara a diferença numa ampliação 18x12cm). O seu
constraste normal é um pouco acima do T-Max 100.


ASA 1000 (Kodak T-Max 3200)
Filme de grande sensibilidade, indicado para fotografar com muito pouca luz.
Embora este filme seja designado pelo fabricante como sendo de ASA 3200, a ASA real
deste filme é esta (1000). Repare como já é claramente verificável,
na ampliação ao lado que o grão é bem maior do que nos anteriores.


ASA 4000 (Kodak T-Max 3200 puxado 2 stops)
Aqui está um exemplo de um filme puxado 2 stops, como pode ver o grão e o
contraste aumentaram muito, mas os resultados ainda são aceitáveis para pequenas
ampliações. Segundo o fabricante este filme pode ser puxado até ASA 12000!
ÓPTICA - DISTÂNCIA FOCAL

Mais importante do que termos as máquinas com as últimas técnologias, é termos boas OBJECTIVAS pois são elas que vão ser responsáveis por transmitir as imagens para o filme. O parâmetro principal que define uma lente é a sua distância focal, quanto maior for a distância focal menor será o angulo de "visão" da lente, aumentando assim a sua ampliação.

Uma lente com distância focal de 50mm é chamada de NORMAL pois o seu ângulo de cobertura é muito parecido com o da visão humana. Qualquer lente com mais de 50mm é chamada de TELEOBJECTIVA. Lentes com menos do que 50mm são chamadas de GRANDES ANGULARES. Nota: estes valores são apenas válidos quando se usam máquinas que usem filme de 35mm (a maior parte das máquina são deste tipo) - para médio, grande formato e APS ou valores variam.

Outro parâmetro importante numa objectiva é a sua abertura mínima (valores normais são f1.8, f2.8, f5.6, etc). Quanto mais pequeno for este valor, menos luz será necessária para fotografar com ela, e normalmente também melhor será a lente. Uma regra prática que permite calcular o tempo de exposição minimo com que se consegue fotografar sem tripé com uma dada lente é - 1 a dividir pela distância focal da lente - por exemplo, com uma lente de 50mm, se usarmos tempos de exposição abaixo de 1/50s é normal que a foto fique tremida.

Existem centenas de lentes com as mais diversas distâncias focais - fixas e zooms (com distância focal variável). As normais (50mm) são indicadas para a maior parte das situações. As teleobjectivas (por exemplo 85mm, ou 135mm) são indicadas para retratos, havendo ainda com maior ampliação (300mm, 400mm, etc...) indicadas para fotografar desporto e vida animal. As grande angulares (20mm e 28mm por exemplo) devido à sua grande cobertura são especialmente indicadas para fotografar paisagens e arquitectura.

Nas 3 primeiras fotos que se seguem usei 3 lentes diferentes para fotografar a mesma cena, sem sair do mesmo lugar. É claramente visivel a aproximação de uma lente para a seguinte. A última foto mostra como fica um re-enquadramento da primeira foto (tirada com a grande angular) para se obter a mesma amplição que se obtem com a teleobjectiva.




Curta focal (objectiva de grande angular - 20mm)
Esta lente tem uma cobertura (ângulo de visão) de quase 90 graus.


Normal (objectiva normal - 50mm)
Ângulo de cobertura quase igual ao da visão humana.


Longa focal (teleobjectiva - 85mm)
Mesmo sem ser uma grande tele, já tem uma aproximação razoável.


Curta focal com enquadramento da longa focal
Este exemplo serve para mostrar que uma grande ampliação de uma lentre
com distância focal menor não substitui lentes com focais maiores.
É claramente visivel a perda de definição devido à grande
ampliação que foi necessário fazer para se obter o mesmo enquadramento
da lente de 85mm com a lente de 20mm.
ÓPTICA - PERSPECTIVA

Uma lente com distância focal de 50mm é chamada de NORMAL pois o seu ângulo de cobertura é muito parecido com o da visão humana. Qualquer lente com mais de 50mm é chamada de TELEOBJECTIVA. Lentes com menos do que 50mm são chamadas de GRANDES ANGULARES. Nota: estes valores são apenas válidos quando se usam máquinas que usem filme de 35mm (a maior parte das máquina são deste tipo) - para médio, grande formato e APS ou valores variam.

Um efeito de óptica causado pela diferentes distâncias focais das objectivas é a mudança da perspectiva. Quando usamos uma lente normal a perspectiva é parecida com aquela a que estamos habituados a ver com os nossos próprios olhos. No entanto, ao usar-mos uma teleobjectiva existe uma compressão da perspectiva - parece que as coisa ficaram mais próximas umas das outras. Inversamente quando usamos uma lente de grande angular, as coisas parecem ficar mais distânciadas umas das outras do que o normal.

Para exemplificar este fenómeno, fotografei com 3 lentes diferentes, tentando manter o mesmo enquadramento em todas elas, ou seja, quando usei a tele tive que recuar e quando usei a grande angular avancei. É claramente visivel a diferença de perspectiva de uma lente para as outras, basta olhar para a distância aparente entre as colunas.




Longa focal (teleobjectiva - 85mm)
A perspectiva foi comprimida - as colunas parecem
mais juntas do que realmente estão.

















Curta focal (objectiva de grande angular - 20mm)
As colunas parecem bastante mais afastadas do que
realmente estão. Note-se ainda a distorção
causada por lentes de tão grande angular
(a primeira coluna parece estar torta)


Normal (objectiva normal - 50mm)
Perspectiva quase igual à da visão humana.
FILTRO POLARIZADOR

Um filtro é básicamente um bocado de vidro ou plástico, tratado das mais diversas maneiras, que se coloca à frente da lente para alterar a luz que chega ao filme. É assim possivel criar os mais diversos efeitos, pois existem dezenas de filtros diferentes.

Um dos filtros mais uteis, tanto para fotografia a preto e branco, como a cores, é o POLARIZADOR. Um polarizador corta a componente da luz que venha com uma certa polarização em relação a lente - a componente que é cortada é alteravel rodando o filtro na lente. Chamo à atenção que existem dois tipos de polarizadores, os LINEARES e os CIRCULARES (a olho nú são praticamente indestinguíveis). O primeiro (linear) embora mais barato, não é o mais indicado para a máquinas automáticas modernas, pois pode baralhar os sistemas de autofocus e medição de luz. Os circulares funcionam correctamente em qualquer máquina.

O resultado disto é que um polarizador corta reflexos causados por superfícies brilhantes, ou seja, passa a ser possivel fotografar melhor através de vidros, água, etc... A quantidade de reflexos cortados depende do angulo que a lente faz com a fonte de luz, o melhor resultado é obtido quando esse ângulo é de 90 graus.

Um dos efeitos interessanres do uso de um filtro polarizador é que devido ao corte dos reflexos (nas folhas da árvores, metais, etc...) as cores das fotos normalmente ficam mais saturadas, incluindo o céu que normalmente fica com uma tonalidade de azul mais forte (ou mais negro quando se fotografa a preto e branco).

Quando fotografei as imagens que se seguem, tinha acabado de chover, estando assim o chão completamente molhado. O efeito do polarizador foi cortar o reflexo do sol na água que estava nas pedras, deixando ver aquelas que eram pretas na sua cor normal.




Sem polarizador


Com polarizador
Apenas os reflexos foram removidos, o resto da foto manteve-se
inalterada. Chamo à atenção que for necessário
compensar o corte de luz causado pelo polarizador (entre 1 e 2 stops)

FILTROS COLORIDOS

Um filtro é básicamente um bocado de vidro ou plástico, tratado das mais diversas maneiras, que se coloca à frente da lente para alterar a luz que chega ao filme. É assim possivel criar os mais diversos efeitos, pois existem dezenas de filtros diferentes.

Existem filtros com quase todas as cores que possamos imaginar. O efeitos dos filtros de cor na fotografia a preto e branco é não deixarem passar a componente da luz correspondente, intensificando assim a componente oposta. Por exemplo, um filtro vermelho não deixa passar a cor vermelha, mas intensifica os verdes e azuis.

Destes filtros os mais práticos são o amarelo e o vermelho (ou o intermédio - laranja) pois para além de escurecerem os azuis (prático para aumentar a definição do ceu e separa-lo das nuvens, tornando-o mais dramático) aumentam o contraste das fotos. Um filtro vermelho conjugado com um filtro polarizador torna o ceu completamente preto.

 

http://www.fotopt.net/tecnica/laboratorio.asp 

 

Fotografia:

Não é fácil aprender os “segredos” da fotografia. A informação é, muitas vezes, difícil de encontrar e os melhores livros e cursos são bastante caros. Resolvi, por isso, aproveitar o meu esforço pessoal de aprendizagem e colocar à disposição de todos uma introdução às principais técnicas de fotografia

 

Exposição

O mais importante para captar boas imagens numa película fotográfica não é ter o equipamento mais caro e mais moderno. Aquilo que realmente importa é saber usar a máquina fotográfica, seja ela qual for, com uma estética apurada e dominando as técnicas necessárias para que o filme receba a luz necessária para obter o resultado pretendido.

Princípios básicos

Apesar de hoje em dia quase todas as máquinas possuírem um modo automático, é fundamental que qualquer fotógrafo perceba aquilo que a máquina está a fazer para que a possa corrigir sempre que necessário. Mesmo as máquinas mais sofisticadas se enganam em certas condições de iluminação e só dominando a exposição do filme à luz se pode determinar o aspecto de cada fotografia.

Mas dominar a exposição não significa conseguir a exposição “objectivamente correcta”. Isso não existe. Expor correctamente é apenas obter o resultado que o fotógrafo pretendia, seja ele qual for. Ao determinar as variáveis da exposição podemos fazer escolhas conscientes que alteram completamente o aspecto final da fotografia. Por exemplo, fotografamos uma planície alentejana sob um céu limpo com um tom médio de azul e queremos que o céu fique exactamente com essa cor. Se o filme for menos exposto do que o necessário (subexposição), o céu vai ficar mais escuro do que vimos na realidade; se o filme receber mais luz do que a necessária (sobrexposição), o céu vai ficar mais claro.

 

Abertura e tempo de exposição

Para se tirar uma fotografia é preciso definir  a quantidade de luz que se deixa passar para o filme e o tempo durante o qual essa luz passa. Estas são as duas variáveis que determinam a exposição e designam-se abertura do diafragma e tempo de exposição. A abertura refere-se à quantidade de luz que passa num dado instante para o filme, o tempo de exposição expressa o tempo durante o qual o filme recebe essa quantidade de luz. Podemos obter a mesma exposição com diferentes combinações de abertura e tempo de exposição: se se aumentar a abertura pode-se expor durante menos tempo e vice-versa.

Quer a abertura quer o tempo de exposição são expressas em escalas logarítmicas, nas quais cada ponto da escala deixa passar metade da luz do que o seguinte. O tempo de exposição é expressa em segundos e fracções de segundo que correspondem ao tempo durante o qual o obturador abre para deixar passar a luz para o filme. A maior parte das máquinas fotográficas permite utilizar os seguintes tempos de exposição: 1 segundo, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, 1/30, 1/60, 1/125, 1/250, 1/500 e 1/1000 de segundo. Estes tempos de exposição são usualmente apresentadas de forma abreviada, mostrando apenas o denominador da fracção (1, 2, 4, 8, 16, 30, 60, 125, 250, 500 e 1000).

Tempos de exposição

Nikon FE2 – selector do tempo de exposição.

A abertura é expressa pela relação entre a distância focal da objectiva e o diâmetro da abertura do diafragma que deixa entrar a luz. Assim, uma objectiva de 50mm que deixe passar a luz por uma abertura de 25mm de diâmetro tem um abertura igual à distância focal (f) a dividir por 2, ou seja f /2. Frequentemente, representa-se a abertura apenas pelo denominador desta fracção, apresentando-se neste caso o número 2 para se referir esta abertura. Compreende-se assim facilmente que, quanto menor for o número da abertura, mais luz passa através da objectiva. É comum encontrar escalas de abertura com os seguintes valores: 2, 2.8, 4, 5.6, 8, 11, 16 e 22. Também nesta escala cada valor deixa passar metade da luz do que o precedente, pelo que se pode fazer uma tabela de conjugações de abertura e tempo de exposiçãopara se obter exactamente a mesma exposição:

 

Tempo de exposição

1/2

1/4

1/8

1/16

1/30

1/60

1/125

1/250

1/500

1/1000

Abertura

32

22

16

11

8

5.6

4

2.8

2

1.4

 

Profundidade de campo

Mas não é indiferente escolher qualquer uma destas combinações. Por um lado, é preciso escolher cuidadosamente o tempo de exposição, de forma a “congelar” o movimento daquilo que se está a fotografar ou, pelo contrário, deixar que esse movimento se veja na fotografia. Por outro, a abertura que se escolher determina a profundidade de campo, a distância à frente e atrás do plano de focagem em que os objectos ficam razoavelmente focados.

A profundidade de campo é inversamente proporcional em relação à abertura. Quanto maior for a abertura, menor será a profundidade de campo e vice-versa. Muitos fotógrafos amadores deixam-se confundir porque uma “abertura maior” significa ter um número de abertura menor. Por exemplo, com uma abertura de 1.4 a profundidade de campo é muito menor do que aquela que se obtém com uma abertura de 11.

A escolha da profundidade é uma das opções mais importantes quando se define a abertura e o tempo durante o qual que se expõe um fotograma. Por exemplo, quando se fotografa uma pessoa podemos querer isolá-la do fundo, usando a menor profundidade de campo possível. Pelo contrário, ao fotografar uma paisagem grandiosa podemos querer que tudo o que vemos fique focado, desde os objectos mais próximos até ao infinito, para o que devemos usar a maior profundidade de campo possível. Mas atenção, porque quanto menor for a abertura, mais tempo se terá que expor a película e maior será o risco de tremer a fotografia. Para que isso não aconteça, podemos usar um bom tripé ou seguir a regra simples segundo a qual é possível obter fotografias nítidas segurando a máquina com as mãos desde que se use um tempo de exposição igual ou inferior ao inverso da distância focal da objectiva (em milímetros). Assim, poderemos segurar à mão tranquilamente uma máquina com uma objectiva de 50mm desde que o tempo de exposição seja no máximo de 1/50 de segundo ou, usando o ponto da escala mais próximo, 1/60.

 

Sensibilidade do filme

Para além das variáveis de exposição que se controlam para cada fotografia (a abertura e o tempo de exposição) também temos que considerar a sensibilidade do filme que está na máquina. A emulsão de um filme fotográfico pode ser mais ou menos sensível à luz, necessitando por isso de uma maior ou menor exposição.

A sensibilidade das películas é expressa numa escala ISO (anteriormente designada ASA). Também esta escala é logarítmica, pelo que um filme com uma sensibilidade de 400 ISO precisa de metade da luz do que um rolo de 200 ISO para produzir a mesma exposição. Usando filmes mais sensíveis (mais “rápidos”) podemos usar menores aberturas para obter maiores profundidades de campo. Mas na fotografia nada se obtém de graça. Quanto maior for a sensibilidade de um filme menor será a sua definição e mais grão terá a fotografia. A menor definição e o grão serão tanto mais visíveis quanto mais se ampliar a imagem.

A gama de filmes disponíveis em quase todas as lojas de fotografia abarca as seguintes sensibilidades: 25, 50, 100, 200, 400 e 800 ISO. Também se encontram filmes com valores intermédios de sensibilidade, por exemplo 160 ISO (2/3 de ponto mais rápido do que um filme de 100 ISO). Mas a sensibilidade de cada filme é apenas um indicador da exposição para a qual um filme foi concebido. Pode-se escolher na máquina outro índice de exposição que não a sensibilidade indicada para o filme. Se as condições de iluminação o exigirem, e não tivermos um filme mais rápido connosco, podemos “puxar” qualquer rolo em até 2 pontos, ou seja, por exemplo, podemos fotografar com um rolo de 200 ISO como se ele fosse de 400 ou 800 ISO (regulando manualmente o índice de exposição da máquina). Também esta facilidade tem o seu preço e obteremos fotografias com mais grão e maior contraste. Mas atenção, para que um rolo “puxado” seja correctamente revelado temos que informar o laboratório do índice que utilizámos para o expor.

Utilizar o fotómetro

Para podermos escolher o tempo de exposição e a abertura com que vamos tirar uma fotografia temos que poder medir a luz existente. É para isso que todas as máquinas que hoje se vendem estão equipadas com um fotómetro mais ou menos sofisticado, com base no qual sugerem (ou escolhem, em modo automático) uma determinada exposição.

Só se pode utilizar adequadamente um fotómetro se se perceber o que ele faz. E o que qualquer fotómetro faz é simplesmente indicar a exposição correcta no caso de estarmos a fotografar um cartão cinzento que reflecte 18% da luz que nele incide, o tom médio perfeito. Comprovar isto é muito simples, basta seleccionar o modo de exposição automática, colocar frente à máquina, cobrindo todo o enquadramento, uma folha cinzenta e fotografar. Em seguida fotografa-se uma folha branca e depois uma folha preta. Depois de revelado o filme, pode-se constatar que a máquina fez com que as três folhas parecessem iguais: expondo correctamente a cinzenta, subexpondo a branca e sobrexpondo a preta.

Como nem tudo o que podemos querer fotografar é cinzento, nem reflecte 18% da luz, precisamos de saber interpretar a informação que nos é fornecida para tomar decisões correctas de exposição. Os fotómetros medem a luz que é reflectida pelos objectos que estão dentro do enquadramento, dando frequentemente uma ponderação de 60% ou 75% da leitura ao círculo central do visor. Como uma superfície branca reflecte mais luz do que uma área escura, temos que tomar isso em consideração quando tomarmos decisões baseadas na leitura da luz reflectida. Por exemplo, se fotografarmos uma paisagem coberta de neve branca não podemos utilizar simplesmente a exposição sugerida, porque obteríamos uma neve cinzenta na fotografia. Temos que compensar essa leitura aumentando um ponto a abertura ou o tempo de exposição. Da mesma forma, se quisermos que uma fotografia tirada depois do pôr do Sol capte a atmosfera escura que se vê temos diminuir em cerca de um ponto a exposição sugerida.

Uma forma simples de obter uma exposição correcta é fazer a leitura de exposição apontando para algo que se queira que fique registado como tom médio e que esteja a receber a mesma luz do que o assunto que vamos fotografar. Por exemplo, para fotografar uma paisagem com iluminação uniforme podemos fazer a leitura de exposição apontando para as erva verde do chão, um exemplo clássico de tom médio, após o que podemos enquadrar e fotografar. Como a palma da nossa mão é cerca de um ponto mais clara do que o cinzento de 18%, quando não houver um tom médio que se possa utilizar podemos colocar a nossa mão à frente da objectiva (desde que receba a mesma luz do que o assunto a fotografar) bastando depois aumentar em um ponto a exposição sugerida, aumentando a abertura ou o tempo de exposição.

Há uma situação em que se pode dispensar o fotómetro. Quando fotografamos algo que esteja a receber a luz directa do Sol num dia sem nuvens, um tempo de exposição igual ao inverso da sensibilidade da película para uma abertura de f/16 resulta numa exposição que capta as tonalidades tal como se vêem. Por exemplo, utilizando um filme com uma sensibilidade de 100 ISO podemos utilizar uma exposição de 1/125 (o ponto mais próximo de 1/100 na escala de tempos de exposição) para uma abertura de f/16 ou qualquer exposição equivalente: 1/250 para f/11, 1/500 para f/8 ou 1/60 para f/22.

 

Amplitude tonal

Os nossos olhos conseguem distinguir muito mais diferenças de tonalidade do que qualquer filme. Conseguimos olhar para um pôr do Sol sobre o horizonte distinguindo desde o Sol brilhante até aos detalhes do chão já na penumbra. Nenhum filme tem uma amplitude tonal que se compare à dos nossos olhos, que se estima que seja entre 12 e 13 pontos de exposição. Temos que saber que um filme negativo tem um amplitude de 7 pontos de exposição e um filme de diapositivos de apenas 5 pontos.

Este conceito de amplitude tonal é útil para percebermos que quando fotografamos um diapositivo só se conseguirão distinguir as tonalidades até 2 ½ pontos acima e abaixo da exposição escolhida. Tudo o que estiver acima desse intervalo será retratado como branco e o que estiver abaixo como preto. Só tendo isto em conta podemos decidir quais os tons que queremos que se possam distinguir e quais aqueles que são dispensáveis. Por exemplo, cheguei um dia a Burano, uma pequena ilha junto a Veneza, já depois do pôr do Sol. O céu encoberto estava muito mais luminoso do que as belas casas da ilha, mas como dificilmente lá voltaria era uma oportunidade fotográfica a não perder. Medi a luz e defini a exposição considerando apenas as casas, reenquadrei e fotografei, sabendo que conseguiria captar as cores vivas das casas mas que o céu surgiria como um fundo branco, sem textura.

Uma forma de visualizar a gama tonal que um filme de diapositivo pode registar é recorrer ao quadro seguinte:

+ 2 ½ pontos: branco puro

+ 2 pontos: muito claro

+ 1 ½ pontos: mais claro

+ 1 ponto: claro

+ ½ ponto: levemente claro

Valor da exposição: tom médio

- ½ ponto: levemente escuro

- 1 ponto: escuro

- 1 ½ pontos: mais escuro

- 2 pontos: muito escuro

- 2 ½ pontos: negro puro

Quem tiver uma máquina fotográfica com medição pontual (spot) pode medir o ponto mais escuro daquilo que vai fotografar e o mais claro. Se a diferença de exposição entre os dois pontos for superior à amplitude tonal do filme que estiver a utilizar vai ter que optar entre perder detalhe nas sombras ou nas partes mais claras da imagem. Sabendo isto podemos determinar com grande exactidão o aspecto final de cada fotografia que tiramos.

 

Equipamento

Muitos fotógrafos tendem a ficar fanáticos do equipamento. “Que fotografias fantásticas eu faria com uma 600mm f/2.8” ou “tenho que trocar as minhas objectivas todas por umas novas com estabilização de imagem” são delírios que se podem ouvir com frequência junto de apaixonados pela fotografia. Mas sucumbir à tentação de comprar todas as máquinas, objectivas e filtros disponíveis é algo que está acima de quase todas as bolsas e que, sejamos realistas, está longe de ser necessário. Uma máquina razoável, um conjunto de objectivas que abarque as principais distâncias focais, alguns filtros e um bom tripé chegam (e muitas vezes sobram) para realizar o talento da maior parte dos fotógrafos amadores.

 

Máquinas fotográficas

Quase todas as máquinas reflex para filme de 35mm actualmente à venda oferecem uma qualidade razoável. Desde as mais modernas câmaras com focagem automática até sólidos modelos mais antigos que se encontram no mercado de usados, com qualquer uma se podem tirar belas fotografias. Afinal, o corpo de uma máquina é apenas uma caixa que não deixa entrar luz senão quando se quer e pelo tempo que se escolher.

As máquinas reflex são largamente preferíveis em relação às compactas, porque permitem ver no visor exactamente aquilo que se vai fotografar, podem usar várias objectivas e admitem quase sempre a regulação manual dos parâmetros de exposição. Isso não quer dizer que um pequena compacta não seja muito útil para tirar fotografias de aniversários ou para alguma viagem em que o espaço escasseie. Algumas dessas máquinas têm excelentes objectivas com boas aberturas máximas. Por exemplo, a Olympus mju-II tem uma objectiva de 35mm f/2.8 com uma excelente qualidade óptica e pesa pouco mais de 200 gramas...

Uma escolha importante a fazer ao ponderar a compra de uma máquina é a quantidade de ajudas electrónicas que se quer ter: focagem manual ou automática, medição de luz ponderada ao centro ou matricial. Uma máquina como a Nikon F5 simplifica muito o trabalho do fotógrafo porque tem uma focagem ultra-rápida e até distingue as cores do que se vai fotografar, acertando (dizem) em 99% das sugestões de exposição. Mas estas características pagam-se caro e se são muito importantes para um fotojornalista, que tem que aproveitar cada oportunidade de fotografia que surge num instante, já serão menos cruciais para um amador com tempo que queira compor calmamente a sua fotografia.

Se já tiver uma máquina reflex use-a bem antes de pensar em comprar outra. Mas, se vai mesmo comprar uma máquina, saiba que opções é o que não falta. As marcas com maior quota de mercado, a Nikon e a Canon, oferecem uma excelente qualidade e uma enorme variedade mas também se fazem pagar (e bem) pela imagem de marca. Outros fabricantes, como a Minolta ou a Pentax, oferecem uma qualidade semelhante por menos dinheiro. Mas se quiser comprar uma máquina usada com mais de dez anos é melhor escolher entre os modelos da Nikon e da Canon: terá mais acessórios ainda disponíveis e as probabilidades de conseguir resolver alguma avaria são maiores. Mesmo no mercado de usados, os corpos Nikon são bastante mais caros, mas uma F2, F3, FM2n ou FE2 em bom estado vale bem o dinheiro que custa. A Canon tem o atractivo de ter também produzido boas máquinas fotográficas nos anos 70 e 80, como a excelente F1 ou as boas AE1 ou AT1, que se conseguem por um preço mais moderado uma vez que a marca mudou o sistema de montagem das objectivas quando investiu na focagem automática.

Nikon FE2

Nikon FE2 – uma sólida máquina clássica dos anos 80 que continua
actual, tal como a Nikon FM2n, que ainda se fabrica e vende.

Há recursos que devemos exigir à nossa máquina: fotómetro, possibilidade de escolha manual da abertura e do tempo de exposição, compensação da exposição automática, previsão da profundidade de campo e uma boa gama de tempos de exposição, pelo menos entre os 4 segundos e 1/1000 de segundo. Para além destas características, é também útil dispor de medição através das lentes (TTL) para o flash, de medição de luz pontual (spot) e da possibilidade de trocar os écrans de focagem. A focagem automática tornou-se muito comum, mas quem não quiser tirar fotografias de acção ou de animais em movimento pode dispensar esse recurso.

 

Objectivas

Cada objectiva é definida pela sua distância focal e pela sua abertura máxima. A distância focal (expressa em milímetros) determina o ângulo que é coberto pela objectiva, a “ampliação”. Uma distância focal mais curta inclui um ângulo maior no enquadramento, uma distância focal mais longa amplia o que se está a ver, reduzindo o ângulo de cobertura. A abertura máxima corresponde à quantidade máxima de luz pode passar através da objectiva. Assim, quanto maior for a abertura máxima, menor será o tempo durante o qual se deverá expor a película com a mesma luz . Considera-se que uma objectiva é rápida se tiver uma abertura máxima maior ou igual a 2.8 e lenta se essa abertura for igual ou inferior a 5.6.

Actualmente, o tipo mais comum de objectivas são as chamadas zoom, que cobrem um intervalo de distâncias focais. A objectiva zoom mais vulgar deve ser a 35-80mm, que cobre todas as distâncias focais entre os 35mm e os 80mm. Até aos anos 90, este tipo de objectivas oferecia uma qualidade óptica muito inferior à que se obtinha com objectivas de apenas uma distância focal. Hoje já não é assim e podem-se comprar excelentes objectivas zoom. No entanto, proliferam no mercado produtos baratos que sacrificam a qualidade óptica e, sobretudo, a abertura máxima. A qualidade paga-se e basta ver a diferença de preço entre um zoom 80-200mm f/2.8 e outro 80-200mm f/4-5.6...

A escolha de uma objectiva não se resume a distância focais e aberturas máximas. Antes de mais, temos que decidir se preferimos ter um sistema de focagem manual ou automática. Se optarmos pela focagem automática, podemos ainda ponderar a hipótese de comprar uma das novas objectivas com estabilização electrónica da imagem (IS – Image Stabilisation da Canon ou VR – Vibration Reduction da Nikon), sistema que permite quebrar a regra já referida segundo a qual não se deve segurar à mão a máquina para tempos de exposição superiores ao inverso da distância focal da objectiva. Com uma objectiva de 300mm equipada com este sistema pode-se fotografar com nitidez com exposições de até 1/30 de segundo. Sem a estabilização, qualquer exposição mais longa que 1/300 resultaria numa redução visível da nitidez.

Para uma distância focal igual à diagonal do filme, a perspectiva é igual à da nossa visão. Em filmes de 35mm (onde cada fotograma tem 24mm x 36mm), essa distância “normal” é de 43,27mm. Por convenção, chamam-se “normais” à objectivas entre 50 e 60mm. Abaixo desse intervalo temos as grandes angulares, que expandem a perspectiva, e acima as teleobjectivas, que comprimem a perspectiva. Antes da era dos zooms, cada corpo de máquina costumava vir com um objectiva de 50mm razoavelmente rápida (f/1.8 ou mesmo f/1.4), mas hoje em dia o mais comum é recebermos com uma máquina nova uma objectiva zoom 35-80mm. Por se fabricarem em grandes quantidades há muito tempo, as objectivas “normais” de distância focal fixa costumam ter uma qualidade óptica extraordinária, pelo que é de lamentar que sejam muitas vezes menosprezadas.

Em espaços apertados ou para transmitir a vastidão de uma paisagem é necessária uma grande angular, seja uma objectiva de 20, 24, 28 ou 35mm ou um zoom que chegue a essas distâncias focais. Mas esta atractiva gama de distâncias focais coloca problemas de composição precisamente por incluir tanta coisa: às vezes as fotografias perdem “vida” por não se perceber o que o fotógrafo quer mostrar. São, por isso, necessários cuidados redobrados com o enquadramento e a composição de cada imagem. Uma característica importante das grandes angulares consiste na ampliação das distâncias aparentes entre os objectos próximos e afastados, alterando a perspectiva, o que pode ser utilizado para composições fortemente tridimensionais.

A primeira objectiva adicional que muitos fotógrafos amadores compram é uma teleobjectiva curta, geralmente um zoom 80-200mm ou 70-210mm. São objectivas relativamente baratas e que permitem uma maior selectividade no enquadramento. Reduzem também as distâncias aparentes entre os objectos, comprimindo a perspectiva, sendo adequadas para quase todos tipos de fotografia, incluindo a de natureza.

As boas teleobjectivas acima dos 300mm custam caro mas são uma necessidade para quem quiser fotografar pequenos mamíferos, pássaros ou animais selvagens a uma distância segura. Uma solução de compromisso mais económica costuma ser comprar um zoom que chegue aos 300mm. O problema é que estas objectivas são geralmente lentas, com aberturas máximas iguais ou superiores a f/5.6, mas mesmo assim conseguem captar belas imagens.

Uma forma popular de aumentar a distância focal das objectivas é utilizar um teleconversor, um conjunto adicional de lentes que multiplicam por 1.4, por 2 ou mesmo por 3 a distância focal das objectivas. O problema destes dispositivos é que reduzem a qualidade óptica da imagem e multiplicam pela mesma razão a abertura máxima. Os teleconversores foram concebidos para aumentar de forma flexível a distância focal de teleobjectivas longas e rápidas. Por exemplo, uma objectiva de 300mm com a abertura máxima de f/2.8 torna-se, com um conversor de 2x, numa 600mm com uma abertura máxima de f/5.6. Usar um teleconversor num zoom lento é pouco aconselhável: uma objectiva 70-300mm f/4-5.6 com um conversor de 2x também atinge os 600mm, mas com uma abertura máxima de f/11!

Outra tendência recente é a construção de objectivas zoom que abarcam desde a grande angular até à teleobjectiva. Encontram-se com agora facilidade objectivas 28-200mm ou mesmo 28-300mm. Uma gama tão grande de distâncias focais é conseguida à custa da abertura máxima e da qualidade óptica. Para além disso, quem dependa de apenas uma objectiva está sujeito a que ela se avarie arruinando a meio uma sessão fotográfica...

 

Tripés

Para obtermos uma grande profundidade de campo ou fotografarmos com pouca luz temos que expor o filme durante mais tempo. Se quisermos segurar a máquina à mão seremos obrigados a utilizar um filme muito rápido, com menor nitidez e muito “grão”. Com um bom tripé podemos quebrar este ciclo vicioso, pois permite-nos expor durante vários segundos, se necessário, e assim usar o melhor filme, com mais definição e menos “grão”. É verdade que andar com um tripé atrás não é propriamente um ideal de comodidade, mas os resultados compensam, pois para além de permitir exposições mais longas, uma tripé “obriga-nos” a compor a imagem com mais cuidado e dá-nos a possibilidade de ajustar pequenos detalhes minuciosamente.

Nem todos os tripés são, obviamente, iguais. Pouco se pode esperar de um frágil tripé de plástico, barato mas incapaz de garantir uma sustentação solida à máquina e pouco prático de manusear. Um tripé sólido de alumínio (ou fibra de carbono) é um excelente investimento na qualidade das fotografias. Fabricantes como a Gitzo ou a Manfrotto oferecem gamas completas, com preços relativamente razoáveis (sobretudo no caso da Manfrotto).

Quando falamos de tripé estamos apenas a referir-nos às três pernas de sustentação, pois em produtos de qualidade podemos escolher a cabeça onde se fixa a máquina em separado. Basicamente, há dois tipos de cabeça – de bola ou com controlos separados para cada um dos três planos de movimento (inclinação horizontal, vertical e rotação). As cabeças de bola permitem movimentos muito rápidos em qualquer plano, pelo que são especialmente adequadas para fotografar alvos em movimento. As cabeças com três planos de movimento permitem composições mais minuciosas. A escolha entre estes dois tipos de cabeça é uma opção pessoal, em função dos assuntos que se pretenda fotografar, mas em qualquer dos casos é muito conveniente que tenha um sistema de libertação rápida, para fixar e libertar a câmara sem que seja necessário estar sempre a aparafusá-la.

Filmes

Quem queira fotografar a cores pode escolher entre dois tipos de filme: negativos e diapositivos (slides). Os negativos têm uma maior amplitude tonal e permitem obter provas impressas rapidamente e de forma económica. Os diapositivos têm, contudo, uma enorme vantagem: apresentam exactamente o que o fotógrafo captou, sem intermediários, compensações de cor ou erros de impressão. Olhando para um slide podemos ver se a exposição foi a pretendida, se focagem foi adequada e se as cores têm uma boa saturação, examinando um negativo pouco se consegue concluir.. Os filmes diapositivos lentos (50 ISO) oferecem ainda uma definição extraordinária, o que os torna na escolha de muitos fotógrafos.

Quanto menor for a sensibilidade de um filme, maior será a definição que oferece, pelo que convirá utilizar o rolo mais lento utilizável em cada situação. Mas tudo é relativo e, por vezes, pode-se utilizar um filme com grão para alterar o aspecto da imagem, dando textura, por exemplo, à neve. Em diapositivos, o Fuji Velvia (de 50 ISO) parece liderar as escolhas profissionais, seguido pelo Fuji Provia 100F e pela gama Kodachrome. Em negativos, os Kodak Portra 160VC e NC disputam com o Fuji Reala o máximo de definição, mas há vários filmes até aos 400 ISO com uma definição razoável e cores realistas.

A fotografia a preto-e-branco, com o seu aspecto intemporal, continua a atrair muitos interessados que, por vezes, esbarram nas dificuldades da revelação em casa ou no custo de a mandar fazer num bom laboratório. Os filmes a preto-e-branco cromogénios vieram amenizar esses “inconvenientes”, pois revelam-se através do mesmo processo que os filmes a cores. Quer o Ilford XP2 Super quer o Kodak T-Max 400CN oferecem excelentes resultados, apesar de não terem a mesma longevidade que um filme monocromático convencional. É frequente, contudo, que os laboratórios menos cuidadosos façam a impressão das provas em papel para fotografia a cores, apresentando resultados confrangedores. É que as impressões devem ser feitas em papel monocromático, o que permite obter excelente definição e contraste. Os filmes para preto-e-branco clássico continuam disponíveis na maior parte das lojas de fotografia, sendo de recomendar as linhas Delta da Ilford, T-Max da Kodak e APX da AGFA (o AGFA APX 25 ISO é especialmente interessante, pois tem uma definição extraordinária e muito pouco grão).

 

Filtros

Utilizam-se filtros para alterar a imagem que é captada, tornando-a artificial ou, pelo contrário, mais fiel ao que o fotógrafo viu com os seus próprios olhos. É fácil cair em imagens artificias de gosto duvidoso com os chamados filtros de “efeitos especiais”, pelo que vale mais a pena que nos centremos nos filtros que alteram a imagem sem a adulterar.

Provavelmente o filtro mais utilizado é o polarizador, um filtro circular que se roda para eliminar uma determinada polaridade de luz. Consegue-se assim atenuar (ou mesmo eliminar) reflexos em superfícies não metálicas e acentuar o azul do céu. Mas deve-se usar com cautela, pois é muito fácil escurecer em excesso o azul do céu, tornando-o artificial. O polarizador é também muito útil para fotografar paisagens naturais, pois ao eliminar os reflexos luminosos das folhas das plantas faz com que a sua cor se veja com mais intensidade. Encontram-se à venda polarizadores lineares e circulares, mas em máquinas com focagem automática só se devem usar estes últimos.

Os nossos olhos ignoram com facilidade pequenas diferenças na cor da luz existente a que os filmes são muito sensíveis. Por exemplo, um dia encoberto tem uma luz fria, azulada, e a iluminação artificial tende para o vermelho. Os filtros de correcção de cor permitem corrigir estes efeitos facilmente, estando disponíveis em diversas intensidades. Vale a pena ter, pelo menos, o filtro âmbar de aquecimento mais suave (o 81A) para os dias nublados. Caso fotografe frequentemente com luz artificial de incandescência, um filtro 82A (ou B) será também um acessório indispensável para tornar mais realistas as imagens.

Na fotografia a preto-e-branco o filtro de longe mais útil é o vermelho. Em paisagens atenua a neblina e escurece o céu, salientando o recorte das nuvens; no retrato de pessoas disfarça pequenas imperfeições da pele, favorecendo os “modelos”. Os outros filtros para fotografia monocromática (verdes, azuis, amarelos...) parecem-me úteis menos frequentemente, mas o seu funcionamento é muito simples: tornam mais claras as coisas da sua cor e mais escuros os objectos de cores complementares.

Outros filtros que vale a pena experimentar são os graduados de densidade neutra. Permitem, por exemplo, fotografar um céu brilhante sem perder os detalhes do chão, escurecendo o céu, reduzindo dessa forma a amplitude tonal da cena aos limites do filme.

 

Composição

O domínio das técnicas fotográficas é apenas uma ferramenta ao serviço da estética. Saber controlar a exposição, escolher a máquina, a objectiva e, eventualmente, o filtro é apenas o início de uma boa fotografia. O que distingue um grande fotógrafo de um mero curioso é a capacidade para ver coisas que não são evidentes, para ordenar a realidade de forma a transmitir emoções.

 

Enquadramento

Uma imagem com demasiados pontos de interesse acaba por não atrair a atenção para nenhum. Por isso uma composição simples é muitas vezes mais eficaz para transmitir uma ideia ou sensação do que uma panorâmica confusa que mostra tudo sem realçar nada. A selecção consciente daquilo que se vai incluir numa fotografia é um passo fundamental para obter um bom resultado. Um fotógrafo tem que ser capaz de articular aquilo que quer mostrar. Se não conseguir explicar porque quer tirar uma determinada fotografia mais vale pensar melhor e escolher outro enquadramento.

Depois de definir com exactidão o que se vai fotografar, é preciso escolher a máquina, o filme e a objectiva. Alguns assuntos ficam melhor a preto-e-branco, para outros a cor é fundamental e é preciso um filme que a reproduza fielmente. A escolha da objectiva também é importante, pois determina a perspectiva da fotografia: as objectivas de grande angular aumentam as distâncias aparentes e as teleobjectivas reduzem-nas. Em seguida, há que escolher o local a partir do qual se fotografa. Qual será o melhor ponto de vista, ao nível dos olhos, da cintura ou junto ao chão? Nas películas de 35mm podemos ainda escolher a orientação da imagem, na horizontal ou na vertical. Apesar de ser mais fácil fotografar com a imagem horizontal, todos os comandos da máquina foram feitos a pensar nessa posição, vale muitas vezes a pena experimentar a outra opção, pois o ambiente da fotografia resulta muito diferente.

Por último, é preciso posicionar os objectos dentro do rectângulo. Muitas vezes, a primeira tendência é colocar aquilo que vai fotografar ao centro. É onde as máquinas modernas têm o sensor de focagem automática e é a composição mais simples, puramente descritiva. Mas uma fotografia viva não se limita a descrever, interpreta, pelo que devem ser exploradas outras hipóteses de posicionamento. Uma pista geralmente útil consiste em colocar as linhas da imagem sobre linhas imaginárias que dividem a fotografia em três partes horizontais e verticais. A linha do horizonte, por exemplo, pode ser colocada sobre a linha que delimita o terço superior ou inferior do enquadramento, e não ao meio. Um posicionamento assimétrico do assunto obriga a olhar ao longo da fotografia e contribui para que quem vê sinta aquilo que o fotógrafo quis mostrar.

A regra dos terços – Colocar as linhas da imagem ao longo das linhas imaginárias
que dividem o enquadramento em três partes horizontais e verticais pode ser
um bom ponto de partida mas não deve limitar a imaginação do fotógrafo.

 

Iluminação

Mesmo com as melhores técnicas, qualquer fotografia limita-se a captar luz num filme. A luz é a matéria prima essencial da fotografia e sem boa iluminação não há uma boa imagem. Um fotógrafo deve aprender a conhecer e interpretar a luz: a sua cor, a sua direccionalidade e o seu carácter. Fotografar é pintar com luz numa tela química.

A direcção da luz resulta da sua posição em relação ao fotógrafo e ao assunto. Quando a origem da luz se localiza por trás da objectiva, temos uma situação de iluminação frontal, que reduz as sombras do que se está a fotografar e reduz a noção de tridimensionalidade. Permite, contudo, uma excelente reprodução de cores vivas. Se a luz surge por trás do assunto da fotografia estamos numa situação de contra-luz. O fotógrafo pode regular a exposição de forma a captar os detalhes que ficam na sombra ou, pelo contrário, reduzir o objecto a uma silhueta contra um fundo expressivo. A iluminação pode ainda ser lateral, o que acentua a noção de volume e pode dar textura, através das sombras, a superfícies como a areia ou a neve.

Independentemente do local de onde provenha, a luz pode atingir os objectos de forma dura, desenhando sombras de contornos precisos, ou difusa, quase não se distinguindo sombras. Este carácter da luz influencia também o ambiente retratado, tal como a cor da própria luz. Antes do nascer do Sol ou quando o céu está encoberto, a cor dominante é azul. É uma luz fria, muito eficaz para fotografias que queiram transmitir sensações de isolamento e angústia. Logo após o nascer do Sol e ao fim do dia a luz é quente, de dominante próxima do vermelho. Muitas vezes a neblina torna especialmente visível a tonalidade da luz, criando ambientes envolventes e misteriosos.

A luz está sempre a mudar. A paciência é uma virtude frequentemente recompensada quando as nuvens deixam passar um raio de Sol para iluminar precisamente a árvore que queríamos fotografar ou quando diferentes tipos de iluminação dentro do enquadramento produzem contrastes inesperados. A única solução é estar atento e pronto para captar qualquer a imagem única num instante fugaz.

 

Trabalhar um assunto

Quando um local ou objecto parece interessante, um erro comum é fotografá-lo rapidamente e passar ao próximo. As boas fotografias exigem tempo e esforço. Há que explorar diversos ângulos, diferentes iluminações. Porque não experimentar várias objectivas diferentes, reinterpretando o assunto. Muitas vezes é preciso esperar pela luz certa, a expressão facial irrepetível ou o acontecimento inesperado para conseguir uma fotografia excepcional.

É natural que, enquanto esses momentos únicos não chegam, muitos metros de filme sejam expostos. É essa a sorte dos laboratórios de fotografia e temos que nos resignar a essa contingência. Mas a composição cuidada, a utilização de um tripé sólido, boas técnicas fotográficas e um conhecimento profundo do assunto que se quer fotografar são requisitos que ajudam a aumentar o número de fotografias muito boas. Mesmo assim, quando a oportunidade surgir, não devemos poupar nos rolos de filme. Afinal são muito mais baratos do que todas as máquinas, objectivas, tripés e filtros que já comprámos...

Texto © 1997-2001 Rui Grilo

http://www.manuelgrilo.com/rui/fotografia/

 

 

 

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