.....O Meio


História | Caracterização | Vocabulário regional
 
História
A Gafanha da Nazaré é uma terra nova, de colonização recente, nascida da simbiose duna-ria e do binómio agricultura-pesca. Quase desde a origem está ligada à "Terra Nova dos Bacalhaus" pela pesca longínqua e pela construção naval.
 
Gafanha da Nazaré
A vila da Gafanha da Nazaré entre o céu e a ria

 
Muitas hipóteses se discutem sobre a eventual origem do nome Gafanha. Desde Leite de Vasconcellos, citado por Orlando Ribeiro, para quem "Gafanha seria na origem um nome zoológico, ou aparentado com ...o gafanhoto", até ao mais recente Monsenhor Gaspar, quase adepto duma origem alatinada, para quem Galafanea significaria terra de água, passando pelas propostas geo-económicas de João Vieira Resende, segundo o qual Gafanha seria terra de junco, cortado com a gadanha, o que parece incontestável é que a origem destas terras ribeirinhas se deve mais a factores agro-pastoris do que piscatórios.

Com a reforma dos forais de Mouzinho da Silveira, e com o liberalismo, as pertenças administrativas, bem como a importância económica destes aerais herbáceos vão-se definindo. Exceptuando a Vagueira, freguesia da Senhora da Boa Hora, que ficou para Vagos, toda a península das Gafanhas é, desde meados do séc. XIX pertença do concelho de Ílhavo. A de Aquém, pertença da freguesia de S. Salvador, como a da Boa Vista, estão situadas na margem do braço da ria que desemboca na zona do Soalhal, junto à Vista Alegre. As três restantes chamam-se presentemente Gafanha da Nazaré, da Encarnação e do Carmo.

 

Caracterização
A freguesia da Gafanha da Nazaré ocupa uma área de 1565 ha para uma população de 11 638 habitantes (Censos/91). A sua população dedica-se essencialmente a actividades relacionadas com a pesca e indústrias transformadoras, construção / reparação naval e comércio. Nesta freguesia encontra-se instalado o maior porto pesqueiro do País e também um porto industrial e outro comercial de grande importância para a economia nacional. Fica aqui o Km 0 do I.P.5, a maior via de acesso à Europa. Está a 3 Km de Aveiro (capital de distrito) e a 5 Km da sede de concelho. Todos estes factores fizeram com que a Gafanha da Nazaré se transformasse nos últimos anos de uma localidade rural num centro urbano.

Uma banda de música e um grupo etnográfico representam a vila, que o é desde 1969. Podem citar-se também as principais instituições de solidariedade social: Centro Social Paroquial de apoio a idosos, Clube Stella Maris - apostolado do mar, Obra da Providência, Grupo Caritas e Fundação Prior Sardo.

Há um Centro Cultural e dois Pavilhões Gimnodesportivos. A Rádio Terra Nova serve a região e o concelho, a Cooperativa Cultural e Recreativa, bem como a ADIG - Associação para Defesa dos Interesses da Gafanha da Nazaré complementam outras instituições nos aspectos etnoculturais.

 A nível escolar, esta freguesia dispõe de 7 Escolas pré-primárias, 5 Escolas do 1º ciclo, 1 Escola do 2º e 3º ciclos (a nossa) e 1 Escola Secundária. Possui ainda vários Centros de Apoio aos Tempos Livres e de Jardins de Infância particulares.


 Localização da Gafanha da Nazaré
 
Vocabulário regional
As gentes da Gafanha utilizam um linguajar próprio. Pode consultar, em jeito de dicionário, alguns vocábulos e expressões regionais existentes ainda hoje:
 
A B C D E F G H I J L M N O P Q R S T U V X Z

 

A 
 
ABUZACAR-SE, v.r. - sentar-se refasteladamente

ACAÇAR, v.tr. - caçar

À CARREIRA, loc. - a correr

AIDO, s.m. - quintal

ALMÁRIO, s.m. - armário

ALONSA, adj. - parvo, tolo

AMANDAR, v.tr. - mandar, atirar

À MODA, loc. - pronto, preparado

A MODE, loc. - quase, parecido

AMOLATADO, adj. - amolgado

APEAR, v.int. - ter pé

APEIRAR, v.tr. - começar a acender

APOISAR, v.tr. - pousar, colocar

ARRUNHAR, v.int. - ruir, desmoronar-se

ASSALGALHAR, v.int. - comer meia-ração, quebrar o jejum

Alfabeto
B 
 
BANDUINA, adj. - hipócrita, vagabundo

BASQUILHA, s.f. - bofetada

BICAS, s.f. - agulhas de pinheiro

BILHARACO, s.m. - filhó

BORDA, s.f. - a ria cheia ou vaza e não a margem dela

 

C 
 
CALDEAR, v.tr. - misturar

CASINHA, s.f. - casa de banho

CHAPAR, v.tr. - atirar-se ao chão

CHINCAR, v.tr. - tocar levemente

COR, s.f. - marcador

Alfabeto
D 
 
DE CAMINHO, loc. - depressa

DE FORÇA, loc. - a grande velocidade

DESALSSERVADO, adj. - cabeça no ar

DESINTOADO, adj. - a correr sem dar conta de possíveis obstáculos

 

E 
 
ENCALDEIRAR, v.int. - prestes a chover

ESPENICAR, v.int. - picar, morder

ESPINCHAR, v.tr. - salpicar

ESLABAÇADO, adj. - aguado

ESTORCEGAR, v.tr. - torcer

ESTREME, adj. - simples

ESFOLDRILHAR, v.tr. - remexer

Alfabeto
F 
 
FAININHA, adj. - bonito, vistoso

FEITURIA, s.f. - feitio, confecção

FRACA, s.f. - mulher de mau porte

FRANÇA, s.f. - ramos de pinheiro

 

G 
 
GADAGEM, s.f. - garotada, grupo de garotos endiabrados

GARROA, s.f. - o mesmo que garroada, chuvada forte e inesperada

GOVERNAR-SE, v.r. - fazer compras

 

H 
 
HOME, s.m. - usado em frases imperativas, mesmo que o receptor seja feminino.
Alfabeto
I 
 
INVERTER, v.tr. - verter, entornar

 

 
J 
 
-

 

L 
 
LABACHEIRA, s.f. - charco resultante da acumulação da água das chuvas

LANCÃO, adv. - puxão brusco, sacão

 

M 
 
MAIS EU, loc. - comigo

MANGAR, v.tr. - fazer troça

MARJAVANTE, adj. - maroto

MESTRE, s.m. - pedreiro

Alfabeto
N 
 
NASSA, s.m. - pequeno saco de rede para apanhar peixe

 

 
O 
 
-

 

P 
 
PATANECO, s.m. - livro de banda desenhada ou desenhos animados

PEZUNHOS, s.m. - pés (sentido depreciativo)

 

Q 
 
QUINQUELHARICE, s.f. - utensílio velho sem préstimo
Alfabeto
R 
 
RAIO MALINO, int. - raio maligno! garoto! atrevido!

REDOIRO, s.m. - pau com que se limpam as cinzas do forno

REGUEIRÃO, s.m. - parte mais funda da ria, onde a água corre com mais força

 

S 
 
SIMPRINHAS, adj. - simplório, idiota

SOMBRA, s.f. - guarda-chuva

SURRIBAR, v.tr. - cavar fundo

 

T 
 
TRABUCO, s.m. - ruído forte e inesperado
Alfabeto
 
U 
 
-

 

 
V 
 
-

 

X 
 
XINXA, s.f. - rede de pesca de arrasto na ria

 

Z 
 
ZAGAIA, s.f. - aparelho usado na pesca do bacalhau

ZANGALHAR, v.tr. - abanar, sacudir

Alfabeto
 
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