Conjunção

 

Palavra invariável, pertencente a uma classe fechada de palavras que não desempenha função sintáctica na frase a que pertence e que, no caso de introduzir um grupo nominal, obriga a que esse grupo nominal apresente Caso nominativo.

Existem dois tipos de conjunções: conjunções subordinativas e conjunções coordenativas.

 

As conjunções subordinativas introduzem sempre frases, nomeadamente, frases subordinadas (veja-se a entrada sobre subordinadas comparativas para se perceber que não há excepções a esta regra).

As conjunções coordenativas, que estabelecem a ligação entre dois ou mais elementos coordenados, tanto podem introduzir frases como grupos nominais, adjectivais, verbais, preposicionais e adverbiais.

 

Conjunções subordinativas:

que (cf. Já te disse que não vou.)

quando (cf. Quando vieres, convido-a para jantar.)

porque (cf. Não vou porque tenho trabalho.)

 

Conjunções coordenativas:

e (Comi bolos e chocolates até cansar.)

ou (Ou comes a sopa ou bebes o leite!)

mas (Queria ir mas não posso.)

 

As conjunções distinguem-se ainda facilmente de outros elementos que introduzem frases subordinadas, nomeadamente, pronomes relativos: ao contrário do que acontece com os pronomes relativos (cf. 1), as conjunções (cf. 2) não têm referência e não têm função sintáctica, isto é, não preenchem o lugar de uma função sintáctica exigida pelo verbo da frase a que pertencem.

 

(1) A Eva encontrou a criança [que a Ana viu].

        (que = refere-se a criança e tem a função de complemento directo exigido pelo verbo "ver" na frase [que a Ana viu])

 

(2) A Eva disse [que a Ana conhece a criança].

       (que = não se refere a nenhuma entidade e não desempenha nenhuma função sintáctica exigida pelo verbo da frase a que pertence)

 

Ver a entrada de "preposição".

 

 

 

Locução conjuntiva

 

Sequência de duas ou mais palavras invariáveis que apresentam a distribuição e o comportamento de uma conjunção. Tal como a classe das conjunções, a classe das locuções conjuntivas é uma classe fechada.

As locuções conjuntivas podem ser locuções conjuntivas de subordinação ou locuções conjuntivas de coordenação.

 

Locuções conjuntivas:

(1) de subordinação:

logo que (temporal)

se bem que (concessiva)

 

(2) de coordenação:

por conseguinte (conclusiva)

 


 

Conjunção coordenativa

 

Conjunção que introduz um elemento coordenado. Existem também locuções conjuntivas de coordenação, isto é, sequências de duas ou mais palavras que têm a distribuição e o comportamento de conjunções coordenativas.

As conjunções coordenativas e as locuções conjuntivas de coordenação podem ser correlativas ou não correlativas. As conjunções e locuções correlativas são constituídas por dois elementos, cada um composto por uma ou mais palavras, que precedem cada um dos elementos coordenados. As não correlativas são constituídas por um elemento apenas, composto por uma ou mais palavras, que precede apenas um dos elementos coordenados não inicial.

 

As conjunções coordenativas e as locuções conjuntivas de coordenação tanto podem introduzir frases como grupos nominais, adjectivais, verbais, preposicionais e adverbiais. Embora as preposições também possam introduzir frases ou grupos nominais, as conjunções coordenativas distinguem-se facilmente das preposições:

 

(i) Ao contrário das preposições, as conjunções coordenativas podem preceder preposições (uma preposição não pode preceder outra preposição):

 

 Exemplos:

O João foi de carro [e [conjunção] de [preposição] comboio].

 

*O João foi  em [preposição]de [preposição] comboio.

 

 

(ii) Quando uma conjunção coordenativa introduz um grupo nominal, este grupo nominal apresenta Caso nominativo (ao contrário do que acontece com uma preposição, que obriga a que o grupo nominal tenha Caso oblíquo):

 

Exemplos:

O João [e [conjunção] eu [pronome caso nominativo]] vamos ao cinema.

 

*O João [e [conjunção] mim [pronome caso oblíquo]] vamos ao cinema.

 

O João deu-me o livro [a [preposição] mim [pronome caso oblíquo]].

 

*O João deu-me o livro [a [preposição] eu [pronome caso nominativo]].

 

Como critério de distinção entre uma conjunção coordenativa e uma conjunção subordinativa, é possível indicar um critério distribucional: uma conjunção coordenativa pode preceder uma conjunção subordinativa, mas o contrário não se verifica (cf. entrada de "coordenada").

 

Finalmente, as conjunções coordenativas e as locuções conjuntivas de coordenação podem ser incluídas nas seguintes classes, de acordo com o tipo de coordenação em que ocorrem: copulativa, adversativa, disjuntiva, conclusiva.

 

(1) conjunções coordenativas

 

a. não correlativas:

e (copulativa)

mas (adversativa)

 

b. correlativas:

nem... nem (copulativa)

ou... ou (disjuntiva)

 

(2) locuções conjuntivas de coordenação:

 

a. não correlativas:

por conseguinte (conclusiva)

 

b. correlativas:

não só... mas também

 

Quando são correlativas, as conjunções e locuções precedem cada um dos membros coordenados (cf. 1); quando a conjunção não é correlativa, ela nunca precede o primeiro elemento coordenado (cf. 2 a e b).

(1) Ela não bebeu [[nem o leite] [nem o café]].

 

 

 

Conjunção coordenativa copulativa

 

Conjunção que introduz um elemento coordenado a um outro elemento e que exprime uma relação de conjunção.

Esta relação significa que o que é expresso num dos elementos coordenados é compatível com o que é expresso nos restantes elementos coordenados, podendo tal compatibilidade concretizar-se numa simples adição (i) ou numa sequencialização temporal (ii).

 

Conjunções coordenativas copulativas:

a) não correlativas

e

nem

b) correlativas

nem... nem

 

Locuções conjuntivas de coordenação copulativa:

não só... mas também

não só... como (também)

 

Exemplos:

(i) [[Comi queijo] [e bebi leite]].

(ii) [[Cheguei] [,vi] [e venci]].

 

 

A tradição gramatical tem chamado também a estas conjunções "conjunções coordenativas aditivas".

 

 

 

Conjunção coordenativa adversativa

 

Conjunção que introduz um elemento coordenado a um outro elemento e com o qual estabelece uma relação de oposição ou contraste.

Esta relação exprime que, ao contrário do que seria esperado dado o nosso conhecimento do mundo, o facto de se verificar o que é expresso no primeiro elemento coordenado não impede que se verifique o que é expresso no segundo elemento coordenado (i).

 

Conjunções coordenativas adversativas:

mas

porém

todavia

contudo

 

Locução conjuntiva de coordenação adversativa:

no entanto

 

Exemplo:

(i) [[A Maria não estudou] [mas passou no exame]].

 

 

 

Conjunção coordenativa disjuntiva

 

Conjunção que introduz um elemento coordenado a um outro elemento e com o qual estabelece uma relação de disjunção.

Esta relação significa que as situações expressas nos elementos coordenados são apresentadas como alternativas. Essas alternativas podem excluir-se mutuamente, caso em que temos uma disjunção exclusiva (i), ou podem não se excluir, caso em que temos uma disjunção inclusiva (ii).

 

Conjunções coordenativas disjuntivas:

a) não correlativas

ou

 

b) correlativas

ou... ou

quer... quer

seja... seja

ora... ora

 

Exemplos:

(i) Lá em casa comes [[ou arroz] [ou salada]]. (= se comeres arroz não comes salada e vice-versa)

(ii) Lá em casa comes [[quer arroz] [quer salada]]. (= se comeres arroz, isso não impede que comas salada e vice-versa)

 

A tradição gramatical tem também chamado a estas conjunções "conjunções coordenativas alternativas".

 

 

Conjunções coordenativas conclusivas

 

Conjunção que introduz um elemento coordenado a um outro elemento e com o qual estabelece uma relação de condição-consequência.

Esta relação de condição-consequência significa que o que é expresso em um dos elementos coordenado é / pode ser causa ou condição para a situação expressa no outro elemento coordenado (i).

 

Conjunções coordenativas conclusivas:

e

pois

portanto

logo

assim

 

Locuções conjuntivas de coordenação conclusivas:

por conseguinte

por consequência

por isso

 

Exemplo:

(i) [[Não estudes] [e verás]].

 

A tradição gramatical costuma também mencionar as conjunções coordenativas explicativas, que, nesta classificação e segundo a definição aqui apresentada, se encontram integradas no conjunto das conjunções coordenativas conclusivas.

 


 

Conjunção subordinativa

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada. Existem também locuções conjuntivas de subordinação, isto é, sequências de duas ou mais palavras que têm a distribuição e o comportamento de conjunções subordinativas.

As conjunções subordinativas podem introduzir frases subordinadas substantivas completivas ou frases subordinadas adverbiais. As locuções conjuntivas de subordinação ocorrem apenas como introdutores de frases subordinadas adverbiais.

As conjunções e locuções que introduzem subordinadas adverbiais podem pertencer às seguintes subclasses: causal, final, temporal, concessiva, condicional, comparativa ou consecutiva.

 

Como critério de distinção entre uma conjunção subordinativa e uma conjunção coordenativa, é possível indicar um critério distribucional: uma conjunção coordenativa pode preceder uma conjunção subordinativa, mas o contrário não se verifica (i).

 

(1) Conjunções subordinativas:

- completivas:

que

- adverbiais:

que (causal)

quando (temporal)

 

(2) Locuções conjuntivas de subordinação:

- adverbiais:

visto que (causal)

para que (final)

ainda que (concessiva)

 

Exemplos:

(i) Sei que ele telefonou e que a Maria falou com ele.

(ii)*Sei que ele telefonou que e a Maria falou com ele.

 

 

 

Conjunção subordinativa completiva

 

Conjunção que introduz frases subordinadas completivas. São conjunções subordinativas completivas "que", de acordo com os exemplos (i) a (iii), "se" (iv) e "para" (v) (ver nota 1).

 

Exemplos:

(i) O porteiro disse que já tinhas saído.

(ii) É óbvio que não esperava a tua visita.

(iii) É uma pena que sejas tão antiquado.

[iv] Perguntei se querias sair.

(v) O guarda disse para nos afastarmos.

 

1. Note-se que "para", em frases completivas como (i), é uma conjunção, uma vez que não pode co-ocorrer com outra conjunção, conforme (ii).

Exemplos:

(i) O João disse [para] fechar a porta.

(ii) *O João disse [para que] fechasse a porta.

 

 

 

Conjunção subordinativa causal

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada causal, dependendo dela o modo verbal (i), bem como o carácter finito ou não finito da subordinada (ii).

Existem também locuções conjuntivas de subordinação causal, dependendo também delas o modo verbal e o carácter finito ou não finito da subordinada.

 

Conjunções subordinativas causais:

a) introduzem subordinadas finitas e exigem indicativo

porque

como

que

 

b) introduzem subordinadas não finitas e exigem infinitivo

visto

dado

 

Locuções conjuntivas de subordinação causal:

a) introduzem subordinadas finitas e exigem indicativo

pois que

uma vez que

visto que

já que

dado que

 

Exemplos:

(i) Não vou à praia visto que está a chover.

(ii) Não vou à praia visto estar a chover.

 

 

 

Conjunção subordinativa final

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada final, dependendo dela o modo verbal, bem como o carácter finito ou não finito da subordinada (i).

Existem também locuções conjuntivas de subordinação final, dependendo também delas o modo verbal e o carácter finito ou não finito da subordinada.

 

Conjunções subordinativas finais:

- introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

que

 

Locuções conjuntivas de subordinação final:

- introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

para que

a fim de que

de modo a que

de maneira a que

 

Exemplo:

(i) Os pais alugaram uma casa grande, para que a família se juntasse toda nas férias.

 

 

 

Conjunção subordinativa temporal

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada temporal, dependendo dela o modo verbal ((i), (ii)), bem como o carácter finito ou não finito da subordinada.

Existem também locuções conjuntivas de subordinação temporal, dependendo também delas o modo verbal e o carácter finito ou não finito da subordinada.

 

Conjunções subordinativas temporais:

- introduzem subordinadas finitas e seleccionam indicativo com tempo passado e presente ou conjuntivo, no caso de se tratar de tempo futuro

quando

mal

enquanto

apenas

 

Locuções conjuntivas de subordinação temporais:

 

a) introduzem subordinadas finitas e exigem indicativo

agora que

desde que

 

b) introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

antes que

 

c) introduzem subordinadas finitas e seleccionam indicativo com tempo passado e presente ou conjuntivo, no caso de se tratar de tempo futuro

assim que

logo que

depois que

até que

sempre que

todas as vezes que

cada vez que

 

d) introduzem subordinadas infinitivas

antes de

depois de

 

Exemplos:

(i) Ele ia à praia todos os dias quando vivia no Rio de Janeiro.

(ii) Vou sair antes que me telefonem outra vez.

(iii) Vou sair antes de os teus convidados chegarem.

 

 

 

Conjunção subordinativa concessiva

 

Conjunção que introduz frases subordinadas concessivas, dependendo dela o modo verbal (i), bem como o carácter finito ou não finito da subordinada (ii).

Existem também locuções conjuntivas de subordinação concessiva, dependendo também delas o modo verbal e o carácter finito ou não finito da subordinada.

 

Conjunções subordinativas concessivas:

 

a) introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

embora

conquanto

que

 

b) introduzem subordinadas não finitas e exigem infinitivo

malgrado

 

 

Locuções conjuntivas de subordinação concessiva:

 

a) introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

ainda que

mesmo que

mesmo se

posto que

(se) bem que

nem que

por mais que

por menos que

 

b) introduzem subordinadas não finitas e exigem infinitivo

não obstante

 

Exemplos:

(i) Vou à praia, embora esteja a chover.

(ii) Não obstante estar a chover, vou à praia.

 

 

 

Conjunção subordinativa condicional

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada condicional, dependendo dela o modo verbal ((i), (ii)), bem como o carácter finito ou não finito da subordinada.

Existem ainda locuções conjuntivas de subordinação condicional, dependendo também delas o modo verbal e o carácter finito ou não finito da subordinada.

 

Conjunções subordinativas condicionais:

 

a) introduzem subordinadas finitas e admitem indicativo ou conjuntivo

se

 

b) introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

caso

 

Locuções conjuntivas de subordinação condicional:

 

a) introduzem subordinadas finitas e exigem conjuntivo

desde que

contanto que

salvo se

a menos que

a não ser que

 

Exemplos:

(i) Se estás contente, sorri.

(ii) Caso o encontres, dá-lhe um abraço por mim.

 

 

 

Conjunção subordinativa comparativa

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada comparativa (i).

Existem também locuções conjuntivas de subordinação comparativa.

 

Conjunções subordinativas comparativas:

que

do que

qual (depois de "tal")

quanto (depois de "tanto")

como

 

Locuções conjuntivas de subordinação comparativa:

assim como

bem como

como se

que nem

 

Exemplo:

(i) O João fala melhor inglês do que a Maria fala espanhol.

 

 

 

Conjunção subordinativa consecutiva

 

Conjunção que introduz uma frase subordinada consecutiva (i).

 

Conjunção subordinativa consecutiva:

-introduz uma subordinada finita

que

 

Exemplo:

(i) O bolo estava tão bom que não sobrou nem uma migalha.