O GRANDE DIA
Escolhe a opção certa para cada questão.
Trrriiiim!!!
O Miguel abriu um olho, depois o outro e, de um salto, sentou-se na cama.
Tinha chegado o grande dia, aquele com que andava a sonhar havia já alguns meses. Ia duas semanas para Londres frequentar um curso de Verão, mas desta vez sozinho, sem a mãe atrás dele, sempre cheia de cuidados como se ele tivesse ainda três anos. Quais três! Treze, e muito espigados!
Bem que lhe custara convencê-la a deixá-lo embarcar naquela aventura! Mas tanto lhe moera o juízo, tantas promessas fizera de ir e voltar inteiro que a mãe acabara por ceder.
E pronto! Ali estava ele sentado na cama, a olhar para os ponteiros do despertador, sem saber se havia de ir acordá-la. É que o avião era à uma e dez da tarde e os ponteiros marcavam apenas seis e meia da manhã...
O Ricardo, que ia também frequentar o mesmo curso, já devia estar igualmente acordado àquela hora, mas achou que era melhor não telefonar ainda.
Resolveu levantar-se e ir inspeccionar uma vez mais o saco que a mãe lhe preparara na véspera e no qual ele conseguira ainda encafuar, amassando a roupa toda, uma série de coisas que considerava "absolutamente indispensáveis": uma lanterna de bolso, dois Tio Patinhas e amendoins para os esquilos. Levava também o Game Boy, mas esse ia numa bolsa presa à cintura.
Pé ante pé, foi espreitar à porta do quarto da mãe, mas esta dormia ainda serenamente. Encolheu os ombros, desanimado e, metendo-se outra vez na cama, pôs-se a fazer planos para aquelas duas semanas que tinha pela frente. Acabou por adormecer de novo e só acordou às dez horas, quando a mãe o veio chamar.
O resto da manhã passou rapidamente, por entre inúmeras verificações do conteúdo do saco e outros tantos telefonemas do Ricardo, que se sentia tão entusiasmado como ele.
Quando chegou finalmente a hora da partida para o aeroporto, o Miguel despediu-se da mãe, que voltou a fazer-lhe uma série de recomendações e, sem paciência para esperar pelo elevador, desceu dois a dois os degraus da escada. À porta de casa estava já o irmão mais velho do Ricardo, ao volante do carro, e o próprio Ricardo que, com um sorriso de orelha a orelha, parecia ter o dedo colado à campainha da porta.
Manuela Ribeiro, Um Rapto em Londres