Licenciada em Ciências
Histórico-Filosóficas, é Professora do Ensino Técnico, Preparatório e
Secundário (1965-1973), tradutora, tem vasta colaboração em jornais e
revistas literárias. Dirigiu o Departamento de Programas Infantis e
Juvenis da Radiotelevisão Portuguesa (1975-1986).
A par da sua actividade
poética, desenvolve um importante trabalho pedagógico no âmbito da
educação literária infantil e publicou vários livros para a infância e
juventude incluindo poesia, contos, teatro, novelas e adaptação de
clássicos. Ainda no âmbito da actividade dirigida à infância, foi
directora da revista Pais, entre 1990 e 1993.
Trabalha actualmente na
Provedoria de Justiça, onde tem uma linha directa de atendimento às
crianças.
Tem trabalhado em parceria
com António Torrado em vários livros, assim como em programas de
televisão. Tem trabalhado também com Carlos Correia e Natércia Rocha, na
colecção juvenil "Mistério", da Editorial Caminho.
A sua obra para a infância,
que conta no total mais de 70 títulos, é caracterizada pelo humor e pela
poesia, procurando alertar os jovens para os mais simples pormenores do
quotidiano. Porque todas as coisas têm uma história para contar. O
enquadramento da criança no contexto familiar – com especial destaque para
as relações com os avós – e as possibilidades de descoberta do mundo pelos
mais jovens, são temas recorrentes nos seus textos.
A sua narrativa possui um
estilo muito característico, conseguido através da actualização da memória
de antigas oralidades, criando no leitor um envolvimento real e mágico ao
longo do desenrolar das histórias.
Como poeta, Maria Alberta
Menéres tem reflectido sobre a realidade de uma subjectividade feminina,
modulada numa linguagem depurada e de grande riqueza rítmica. Está
representada em várias antologias nacionais e estrangeiras de poesia
portuguesa.
É responsável por duas
obras de referência no panorama literário contemporâneo: a versão para
português actual da famosa Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto e a
organização, com Ernesto de Melo e Castro, da Antologia da Novíssima
Poesia Portuguesa (com três edições nas décadas de 50/60) e da sua
actualização, em 1979: Antologia da Poesia Portuguesa 1940-1977.
Maria Alberta Menéres é
habitualmente associada a um conjunto de escritores dos quais fazem parte,
entre outros, Ruy Belo, Herberto Helder, João Rui de Sousa, Pedro Tamen,
Cristovam Pavia, Ernesto de Melo e Castro, e Fernando Echevarría. Este
grupo de poetas, contemporâneos do polémico surrealismo português,
procurava um maior rigor e contenção expressivos, dando assim início às
primeiras tentativas de uma poesia concreta ou experimental.
Em 1961 é publicada a Antologia
Surrealista do Cadáver Esquisito, com a organização de Mário Cesariny e a
colaboração, ainda que ocasional, de Herberto Helder.
O surrealismo português correu
sempre o risco de transformar a arbitrariedade das imagens numa imaginação
excedente ou transformar o «funcionamento real do pensamento» em
prolixidade, sendo sugerido por vários autores, entre os quais João Gaspar
Simões, que na poesia de Mário Cesariny ou Alexandre O'Neill existia mais
lirismo do que surrealismo. No final da década de 50 esta situação
particular era frequentemente considerada como um mal-entendido, atingindo
o seu período máximo de crise quando surgiram duas novas propostas
de linguagem decorrentes da publicação de Poesia 61.
Enquanto isso, também o surrealismo
não deixou de ir ao encontro de uma exploração da linguagem que
serviu igualmente para abrir caminho em direcção a uma poesia
experimental.
Podemos aproximar Herberto Helder
de um conjunto de poetas que nasceram entre 1928 e 1934, tais como:
Fernando Echevarría, Jorge de Amorim, Pedro Tamen, Cristovam Pavia, Maria
Alberta Menéres, João Rui de Sousa, Ernesto de Melo e Castro, Ruy Belo,
entre outros.
Desde muito cedo que gosta de
histórias : "Lembro-me que, quando criança, como era muito
raro estar doente, de vez em quando dizia para os meus pais: "Amanhã faz
de conta que estou doente! Quero canja e que me contem histórias todo o
dia!"
António Torrado escreveu em O
Bosque Mínimo: "A versatilidade criadora de Maria Alberta Menéres é
inesgotável. Nos seus livros de poesia, de teatro, de ficção, nas suas
obras de intervenção pedagógica, no seu livro "O Poeta faz-se aos 10
anos", marco indispensável de assunção do acto pedagógico como acto
poético, Maria Alberta Menéres não se poupa como escritora, não se
resguarda de ser poeta."
Obra
Infantil Conversas com Versos (poesia). Lisboa: Afrodite, 1968, 2ª ed. 1970. Figuras Figuronas (poesia). Lisboa: Portugália, 1969; Plátano, 2ª
ed. 1977. O Poeta faz-se aos Dez Anos. Lisboa: Assírio & Alvim, 1974; Porto:
Asa, 3ª ed. 1997. Ulisses. Lisboa: Cabra Cega, 1972; Porto: Asa, 20ª ed. 1996. A Pedra Azul da Imaginação (poesia). Lisboa: Plátano 1975. Um + Um = Dois Amigos. Lisboa: Plátano, 2ª ed. 1976. Lengalenga do Vento. Lisboa: Plátano Editora, 1976. A Chave Verde ou os meus Irmãos. S.l.: Eixo, 1977. Hoje Há Palhaços (com António Torrado). Lisboa: Plátano, 1977. E Pronto ! Lisboa: Plátano, 1977. Primeira Aventura no País do João. (B.D. de Pedro Massano, 1977). Semana Sim, Semana Sim. Lisboa: Plátano, 1979. Um Peixe no Ar (poesia). Lisboa: Plátano, 1980. O Ouriço-Cacheiro Espreitou Três Vezes. Porto: Asa, 1981; 5ª ed. O que é que Aconteceu na Terra dos Procópios? Lisboa: Moraes
Editores, 1980. A Água que Bebemos (B.D. de Artur Correia). Lisboa: Caminho, 1981;
Sismet, 5ª ed, 1985. O Livro das Sete Cores (poesia, com António Torrado). Lisboa:
Moraes Editores, 1983. O Tritão Centenário. Lisboa: Dom Quixote, 1984. Esta Palavra Concelho (B.D. de Artur Correia). Lisboa: Sismet,
1984. Histórias em Ponto de Contar (com António Torrado, sobre desenhos
de Amadeo de Souza-Cardoso ) Lisboa: Comunicação, 1984. Dez Dedos Dez Segredos. Lisboa: Ed. Latina, 1985; Porto: Asa, 3ª
ed. 1995. Aventuras da Engrácia. Porto: Asa, 1985; 3ª ed. O Sétimo Descarrilamento (com Carlos Correia). Lisboa: O Jornal,
1985. O Retrato em Escadinha. Lisboa: Livros Horizonte, 1985. Este Concelho de Oeiras (B.D. de Artur Correia). Lisboa: Sismet,
1985. Colecção 1001 Detectives, com Natércia Rocha e Carlos Correia: O Mistério do Falcão Azul. Lisboa: Caminho, 1987; 3ª ed. 1992. O Mistério do Carburador Salgado. Lisboa: Caminho, 1987. O Mistério do Poço da Morte. Lisboa: Caminho, 1988; 2ª ed. 1990. O Mistério das Bonecas Holandesas. Lisboa: Caminho, 1988; 2ª ed.
1991. O Mistério do Nevão Assombrado. Lisboa: Caminho, 1989; 2ª ed. 1991. O Mistério da Marioneta Assassina. Lisboa: Caminho, 1989. O Mistério da Carruagem 013. Lisboa: Caminho, 1989; 2ª ed. 1992. O Mistério das Portas Mal Fechadas. Lisboa: Caminho, 1990. O Mistério do Bota d'Ouro. Lisboa: Caminho, 1990. O Mistério do Motorista Chinês. Lisboa: Caminho, 1990. O Mistério do Crime Mais-Que-Perfeito. Lisboa: Caminho, 1991. O Mistério do Passageiro das Peúgas Amarelas. Lisboa: Caminho,
1991. O Mistério das Galinhas Espavoridas. Lisboa: Caminho, 1991. O Mistério das Motas Sepultadas. Lisboa: Caminho, 1992. O Mistério da Ruiva Ifigénia. Lisboa: Caminho, 1992. Corre, Corre, Pintainho. Lisboa: Plátano, 1988. À Beira do Lago dos Encantos. (teatro) Lisboa: Rolim, 1988; Porto:
Asa, 2ª ed., 1996. Um Camaleão na Gaveta. Lisboa: Plátano, 1988. Uma História em Quadradinhos (com António Torrado). Porto: Asa,
1988, 2ª ed.1992. Histórias de Tempo Vai, Tempo Vem. Lisboa: Desabrochar, 1988; 5ª
ed. Histórias e Canções em Quatro Estações (coord. e colab. - 4 vols.
Livro/cassette). Lisboa: Lisboa Editora/Polygram, 1988; 2ª ed.
1989. Quem faz hoje anos? Lisboa: Círculo de Leitores/Caminho, 1988, 2ª
ed. 1996. A Galinha Poedeira. Porto: Desabrochar, 1989; 3ª ed. A Porquinha Asseada. Porto: Desabrochar, 1989; 3ª ed. O Coelho Comilão. Porto: Desabrochar, 1989; 3ª ed. O Cão Pastor. Porto: Desabrochar, 1989; 3ª ed. O Meu Livro de Natal. Porto: Desabrochar, 1991; 3ª ed. No Coração do Trevo (poesia). Lisboa: Verbo, 1992. Uma Palmada na Testa. Lisboa: Verbo, 1993; 2ª ed. 1996. Pêra Perinha. Coimbra: Arnado, 1993. A Gaveta das Histórias. Lisboa: Bertrand, 1995. Sigam a Borboleta! Lisboa: Bertrand, 1996.
Poesia Intervalo (1952) Cântico de Barro. Lisboa: Portugália Editora, 1954. A Palavra Imperceptível. Lisboa: s.n., 1955. Oração de Páscoa. (1958). Água Memória. Fundão: Jornal do Fundão, 1960. Poesias Escolhidas. Covilhã: Edições Pedras Brancas, 1962. A Pegada do Yeti. Lisboa: Moraes, 1962. Os Mosquitos de Suburna. Edições Pedras Brancas, 1967. O Robot Sensível. Lisboa: Plátano Editora, 1978. O Jogo dos Silêncios. Lisboa: Hugin Editores, 1996.
Ensaio O Que É Imaginação. Lisboa: Difusão Cultural, 1993.