Ulisses vivia numa ilha grega que se chamava
Ítaca, com a sua mulher Penélope e o seu filho Telémaco. Era um rei
diferente, que gostava de caçar e conversar com o seu povo.
De espírito irrequieto e aventureiro, quando estava em casa só
pensava em ir ao encontro de aventuras, do desconhecido pois o que o
entusiasmava era
o mar... só o mar... o mar...o só mar
Quando o príncipe Páris raptou a bela
rainha Helena de Tróia, Ulisses não quis ir para a guerra e fingiu estar
louco para não ir. Mas....lá foi com os seus guerreiros, pensando
alegremente que iam ter uma vitória fácil e, em breve, regressariam ao
reino.
Dez anos sem os Gregos verem a Pátria, a
família... já ninguém sabia suportar a saudade, o esforço de
manter um cerco durante tanto tempo. Aquilo não podia continuar assim!
Ulisses teve a ideia de
construir um enorme cavalo de pau, assente num estrado com rodas para se
poder deslocar. Dentro da barriga do cavalo esconderam-se alguns homens. O
cavalo foi deixado, como oferta, às portas da cidade de Tróia. Os
outros Gregos fingiram que se retiravam.
Passados 4 dias, os Troianos convenceram-se que os Gregos tinham mesmo
partido. Abriram, devagarinho, as portas da cidade e levaram para o meio
da praça o cavalo, começando a festejar a vitória.
Durante a madrugada, quando os Troianos estavam a descansar, os Gregos
saíram de dentro do cavalo, abriram as portas da cidade aos
companheiros e destruíram, completamente, Tróia.
Cheios de saudades os Gregos meteram-se nos barcos e dirigiram-se
para as suas terras. (Ulisses) reuniu-se
com quarenta valentes marinheiros e lá foram num belo navio em direcção a Ítaca...Agora
em pleno mar, Ulisses só pensa em regressar á pátria...
Os deuses,
furiosos, intervieram sob a forma de uma estranha corrente submarina que
os ia levando para onde eles não queriam ir.
Começaram a avistar terra: era uma
ilha onde o navio calmamente aportou.
Mas havia entre eles um que era mais forte do que todos
...mais cruel do que
todos... mais bravo do que todos
e que era o terror de todos.
Chamava-se Polifemo e tinha um mau génio horrível, zangava-se por tudo e
por nada e depois dava murros para a
esquerda murros para
a direita..."
Depois de frustrarem as intenções que
Polifemo tinha de comer os homens, conseguiram fugir da gruta, agarrados
às barrigas das ovelhas, depois de terem cegado o gigante.
A viagem de Ulisses continuou e aportaram na
ilha da
Eólia. Foram bem recebidos e o rei ofereceu-lhes um saco feito de pele de
boi onde tinha metido todos os ventos do mundo à excepção de Zéfiro, a
brisa suave. Mas avisou-o do grande perigo que seria se alguém abrisse o
saco pois os ventos soltar-se-iam....
Os marinheiros, curiosos por saber o que o
saco continha, abriram-no às escondidas de Ulisses.
os ventos...revolveram os mares
agitaram as nuvens revolveram os mares
agitaram as nuvens espalharam a chuva
acenderam a terrível tempestade e Ulisses acordou
no meio da maior confusão de que jamais houve memória!
Cansado e desiludido, Ulisses chegou a uma
nova ilha. Estranhou não ver os seus marinheiros mas encontrou Euríloco:
soube então que naquela ilha vivia uma lindíssima feiticeira, Circe, que
ao dar de beber aos homens um licor, os transformava em animais e os
marinheiros eram agora...porcos!
" Em porcos os melhores marinheiros da Grécia? Os meus queridos
companheiros? Isto é uma afronta que tem de ser vingada...."
A deusa Minerva deu-lhe a erva da vida
que o livraria da má sorte. Depois de muito tempo e do arrependimento de
Circe seguiu os seus conselhos: dirigir-se á ilha dos Infernos e
falar com Tirésias, o profeta que lhe daria novas da sua família.
Falou-lhe também do perigo de ouvir os cânticos das sereias....
E lá foram eles,
"entre onda e onda, em
azul e verde, de contente coração".
Nesta ilha apenas havia desolação e as
sombras, as almas vagueando...
Cérbero, o cão de três cabeças, o cão que dorme com os olhos abertos,
guarda a gruta. Ulisses apenas comunica com as sombras a quem oferecer
carne de uma ovelha negra que Circe lhe dera.
E vê a mãe que ele ainda imaginava
viva e lhe fala dos perigos que ameaçam a sua família e do estratagema que
Penélope arranjara para adiar os seus pretendentes: de noite desmancha a
teia que tece durante o dia.
E vê Tirésias que lhe confirma a confusão
que reina em Ítaca.
E vê Tântalo, um homem que fora cruel em
vida e que agora cumpre o seu castigo: metido numa lagoa, quando vai beber
a água escoa-se; quando tenta apanhar os frutos ao seu alcance eles escapam-se-lhe.
E vê Sísifo, que fora um rei desumano e
cujo castigo era empurrar um rochedo que rolava constantemente.
Incapaz de suportar tanta desolação,
Ulisses e os marinheiros afastaram-se daquele lugar.
Aproximando-se do mar
das Sereias os marinheiros quiseram colocar cera nos seus ouvidos mas
Ulisses, teimoso, não o permitiu e insistiu em ser amarrado a um mastro.
"Quero
ouvir o canto das sereias. Dizem que elas encantam os marinheiros com a
sua bela voz e eu quero sentir esse encantamento."
Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
E o cântico chorava suavíssimo,
violentíssimo, vindo de dentro da sondas, de dentro das cores, de dentro
do vento. E Ulisses sofria pavorosamente.
E os marinheiros continuavam a remar,
a
remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a
remar...
No final Ulisses
parecia um velho, cheio de sangue e suor.
E continuam e passam junto de dois enormes
rochedos
um era como enorme
boca
e outro como tremenda mão
e houve um naufrágio
e ficou só, único sobrevivente do
último naufrágio.
Desmaia e perde a
memória quando alcança as praias de uma nova ilha.
É recebido por Nausica,
a filha do rei Alcino e da rainha Arete. Está na Córcira, a terra dos
Feácios. depois de contar a sua história parte para Ìtaca.
Os marinheiros depositam-no adormecido numa
praia e partem. Quando acorda, entristecido por se encontrar de novo
sozinho, vê Minerva que lhe diz estar na sua terra.
Transforma-o num "mendigo roto, velho e triste em quem ninguém
reconheceria o valente, belo e manhoso Ulisses".
Na casa de Eumeu encontra Telémaco e
revela-lhe quem é. Estabelecem um plano.
De manhã é reconhecido pelos seu velho
cão, Argus que morre de emoção e por Euricleia que, ao lavar os pés
daquele mendigo reconheceu uma estranha e profunda cicatriz que só Ulisses
tinha...
Com a ajuda de Telémaco derrota os
pretendentes de Penélope... perante um povo entusiasmado, um
Telémaco orgulhoso e Penélope que o abraçava para nunca mais deixar...