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3.3.3. PLANO DE TURMA - A DIMENSÃO OPERACIONAL DO PLANO

O objecto da primeira etapa de trabalho com a turma, no começo do ano lectivo, é a avaliação inicial, cujo propósito fundamental consiste em determinar as aptidões e dificuldades dos alunos nas diferentes matérias do respectivo ano de curso, procedendo simultaneamente à revisão/actualização dos resultados obtidos no ano anterior.

Para poder assumir as decisões de orientação e organização mais acertadas o professor procurará, no contexto da aula de EF (em que o ensino e aprendizagem, o desafio e a superação são uma constante) e num período relativamente alargado (4 ou 5 semanas), aperceber-se da forma como os alunos aprendem, do modo como se situam em relação ao programa previsto para o ano de escolaridade e das suas possibilidades de desenvolvimento.

Esta etapa assume uma importância particular nos anos iniciais de cada ciclo de escolaridade, face à eventualidade de um grande numero de alunos serem oriundos de escolas e de turmas diferentes o que cria a necessidade de construir um clima de relações interpessoais favorável, atenuando a excessiva heterogeneidade da turma, no que se refere ao nível de desempenho dos alunos, decorrente de currículos ou exigências diferenciadas em anos anteriores.

Ao mesmo tempo que o professor confronta os alunos com o programa do respectivo ano de escolaridade (com os ajustamentos introduzidos pelo DEF), em todas as áreas da extensão da EF, revê aprendizagens anteriores, consolida outras, relembra e/ou cria rotinas de aula, constrói um clima de aula favorável à aprendizagem. É também um período importante para melhorar a condição física dos alunos, particularmente por se seguir a um período de férias prolongado.

Em resumo, nesta etapa de trabalho o professor recolhe os dados que lhe permitem decidir sobre o modo mais eficaz de organizar a sua intervenção e a actividade dos alunos. Identifica:

- os alunos que vão precisar de maior acompanhamento, que apresentam mais dificuldades

- as matérias em que os alunos se encontram mais distantes do nível de objectivos do programa, e que deverão merecer mais atenção (no tempo e tratamento a disponibilizar)

- as capacidades motoras que merecem uma atenção especial (em alunos ou grupo de alunos)

- os aspectos críticos no tratamento das matérias e na organização da turma, etc

É também o momento em que o professor deve aferir as decisões tomadas para as grandes etapas do ano lectivo, identificar as prioridades e a forma de organização da etapa seguinte (segunda), de acordo com os objectivos estabelecidos para o ano e, com base nesses dados, colaborar nos respectivos Conselhos de Turma na elaboração do Plano Curricular da Turma.

Ao especificar/preparar cada uma das etapas, considerando as suas características genéricas (revisão/consolidação, prioritariamente novas aprendizagens, etc), a definição das prioridades e a formação de grupos deve permitir a realização do nível estabelecido para cada matéria nuclear nesse ano de curso, dedicando-se mais tempo de prática (qualitativamente) apropriada nas matérias em que o aluno revela mais dificuldades.

É a altura do professor estimar o número de unidades de ensino (conjunto de aulas com objectivos e estrutura organizativa idênticos) que progressivamente operacionaliza, decidir sobre a estratégia de composição dos grupos que lhe parece mais adequada, sobre as actividades de aprendizagem que irá propor aos seus alunos e os momentos em que pensa recolher as informações necessárias ao ajustamento do processo (avaliação).

A escolha das situações de treino/aprendizagem em cada unidade de ensino, faz-se de acordo como os objectivos definidos para a etapa e com os aspectos considerados críticos na aprendizagem dos alunos.

Sem prejuízo para os momentos formais de avaliação com propósitos adicionais, a avaliação contínua permitirá regular o grau de exigência das situações e os grupos na turma, adequando-os constantemente aos progressos e dificuldades dos alunos.

É conveniente que a etapa final do ano, permita a revisão/consolidação das matérias no nível do tratamento atingido pelo conjunto da turma, conciliando-se esta possibilidade com a apresentação de níveis mais avançados nessas matérias, ou de outras.

Interessa também oferecer, nesta altura, oportunidades acrescentadas de recuperação aos alunos com dificuldades mais significativas, procurando-se tirar partido das adaptações/aperfeiçoamentos, entretanto reveladas por esses alunos.

No final desta etapa terá lugar também a última conferência curricular, baseada nos dados recolhidos no processo de avaliação final, considerando-se o nível de cumprimento do programa, e os ajustamentos ou indicações que daí decorrem para o currículo dos alunos no próximo ano lectivo.


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