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Joaquim Rodrigo, "S.M" |
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IDENTIFICAÇÃO
Autor: |
Joaquim Rodrigo (1914-1996) |
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Título: |
“S.M” (1961-
Casa Serralves) |
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TEMA E
SIGNIFICADO
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Tema:
Tal
como em outras obras deste período, o tema incide sobre o contexto político
e social do país no início da década de 60: a polícia política, a guerra
colonial, acontecimentos pontuais de reacção ao Estado Novo, tudo tratado de
forma mais ou menos velada. No caso concreto desta pintura, é retratado o
assalto ao paquete Santa Maria e, para escapar à censura, o quadro recebeu o
título de “S.M”. O episódio, ocorrido em 1961, foi protagonizado por
Henrique Galvão, que tomou de assalto o navio, declarando-o espaço português
independente do Governo, com o intuito de chamar a atenção dos media internacionais para a situação política portuguesa. O
assunto foi realmente noticiado na imprensa internacional, mas em Portugal a
informação, demasiado controlada, deu apenas a versão oficial dos
acontecimentos. Contudo, a população procurava saber mais, interpretava e
reinterpretava o que ouvia, o que se falava em voz baixa, à mesa do café,
entre amigos. É da troca de informações orais sobre o facto concreto
ocorrido e das hipóteses
interpretativas então surgidas que fala o quadro de Rodrigo: o
fundo, que
representa o mar, é verde; as letras “S.M” e a figura do barco
representam o paquete; a cabeça humana, o próprio Galvão; o pára-quedas e
as armas são alusões aos boatos que corriam sobre futuras acções de
Henrique Galvão , que previam a sua descida em qualquer parte do país para
novo assalto ao regime.
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Características formais
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Esta obra pertence ainda à fase das primeiras explorações do que
viria a ser, pouco depois, a sua linguagem pictórica. Nela se observam já as
características da pintura de Rodrigo: formas bidimensionais, de cores primárias,
em representações gráficas de pessoas, animais, objectos de uso comum,
sinais e elementos geométricos, dispostas num fundo de cor única. É
um quadro de intervenção e denúncia daquilo que os meios de informação não
podiam ou não queriam mostrar. Mas não é ousado apenas pelo tema. Também o
é pelas suas características formais e estéticas: o uso de lápis de cores
baratos, em colorações básicas (verde, azul, vermelho, amarelo) e o
grafismo esquemático, um mundo de signos como desenhos rabiscados durante uma
conversa à mesa do café. Estas imagens elementares e esquemáticas, de fácil apreensão, parecem apontar para uma comunicação de massas, daí que este quadro pode ser confrontado com o movimento da Pop Art . Mas é de notar a originalidade da obra de Rodrigo não só pelo tema, como pela atitude face à comunicação de massas. A Pop americana mantinha uma atitude moral neutra, aceitando as contradições da sociedade americana, servindo-lhe de espelho e usando os seus mecanismos de comunicação. A obra de Rodrigo é de oposição e de intervenção, não só pelo tema, como até pelos signos: eles aparecem como contraponto às imagens mecânicas ( e ideologicamente controladas pela censura) veiculadas pelos mass media em Portugal. De tudo isto ressalta a grande originalidade da obra de Joaquim Rodrigo, não só no contexto artístico nacional, como internacional.
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