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                Praxíteles, Hermes e Dionísio

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Identificação

 

 

Hermes e Dionísio, de , séc. IV a.C. ( Cópia romana do original grego). Tem 2,15 m de altura

Destinava-se ao Templo de Hera, em Olímpia

 

 

Autor

 

 

 

 

Praxíteles

 

Contexto histórico-cultural

 

 

Na segunda metade do séc. IV a. C, os sofistas - filósofos humanistas cujo método consistia na argumentação por sofismas, isto é, raciocínios formulados com o propósito de induzir em erro - lançam as bases de uma nova concepção ideológica  e espalham o cepticismo em relação ao saber absoluto Trata-se de uma época de crítica aos mitos, tradições e convenções que vai dar preferência aos deuses jovens e impulsivos, em detrimento dos deuses grandiosos e magestáticos. Após um período de subordinação da escultura à arquitectura, nos finais do século, a escultura adquire a sua autonomia.

Análise técnica e formal

 

 

 

 

 

 

 

Material e Técnica

Mármore branco de Paros, com cerca de 2,15 m de altura.

É  cinzelado com muita delicadeza e técnica aperfeiçoada. 

 A obra é constituída por várias peças esculpidas separadamente, e bem entalhadas entre si; a parte posterior não foi acabada de cinzelar.

 

Análise formal:

 Escultura de vulto redondo, epresenta um jovem nu, encostado a um tronco de árvore, que segura um menino seminu no braço esquerdo. O tronco da árvore serve de suporte para as duas figuras e permite o contraposto em que está esculpido o corpo de Hermes : o peso do corpo é suportado por uma perna, enquanto a outra está em posição de descanso, o que acentua o movimento em S, que a posição da cabeça reforça. Esta sinuosidade é característica das esculturas da época.  A anatomia do corpo do homem é musculada e a cabeça representa 1/8 da altura total, segundo o cânone de Lisipo. É nítida uma certa sensualidade, mas também alguma ingenuidade. Como todas as esculturas, esta também era pintada..

 

Análise temática (iconográfica)

 

 

 

 

 

 

 

Tema representado:

 O jovem é Hermes, um dos deuses gregos, filho de Zeus e da ninfa Maia. É o mensageiro dos deuses, patrono dos viajantes e dos ladrões, deus do comércio, dos atletas, das artes liberais e das belas-artes. Simpático e astuto é também mentiroso, pelo que parece mais humano que divino. Foi incumbido de  levar Dionísio, o menino, filho de Zeus e de Sémele, às ninfas de Nisa para que cuidem da criança e a protejam da ira de Hera. Então, é-lhe ensinado o cultivo da vinha e a feitura do vinho e daí que um dos seus símbolos seja um cacho de uvas. Por isso vários autores consideram que no braço direito de Hermes, hoje mutilado, teria um cacho de uvas.

 

Leitura de significados:

A obra enquadra-se nos valores estéticos do momento, inspirando-se na paixão pela beleza humana e tomando o homem como medida de todas as coisas. Aos sentimentos religiosos  e patrióticos, Praxíteles contrapõe um deus olímpico, jovial, humanizado: pela pose e pela interacção emocional que estabelece com a criança, com quem brinca.

A obra de Praxíteles representa o  conceito ideal e intelectual de beleza e do prazer (o culto do ethos) que atingia nesta altura a sua máxima expressão. Para além do estrito prazer visual que desperta, Hermes encerra o desejo e a volúpia no cacho de uvas (mutilado) - símbolo do prazer - que Dionísio  não alcança.

 

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