Teoria Microbiológica



 
 
 
 

Com o despertar e desenvolvimento da Ciência, especialmente a partir do século XIX, o conceito de Doença começa a ser tratado cada vez mais segundo uma análise objectiva, utilizando-se o método científico para o tratamento das doenças.
 
 

Até ao século XIX, foram poucos os avanços na tentativa de controlar e prevenir as populações das doenças infecciosas. Entre 500 e 300 a.C., a malária foi responsável pela elevada mortalidade verificada na Grécia, durante a Idade do Ouro. No final do século XIV, como forma de combater a lepra, procedeu-se à exclusão dos leprosos das sociedades humanas, e como tentativa de eliminar casos de Peste Negra (Peste Bubónica) efectuava-se a quarentena dos navios que atracavam em portos do Mediterrâneo.
 
 

Apesar de todos os esforços, as epidemias continuavam a prevalecer na sociedade humana, julgando-se serem devidas a influências demoníacas, à ira de Deus e a miasmas. No entanto, no século XIX, surgiram várias personalidades que contribuíram para a luta contra as epidemias.
 
 

Girolamo Fracastoro, responsável pela Teoria do Contágio, considerava a existência de vários meios de infecção, por contacto directo com o doente ou com o seu vestuário, queda de gotas e a exalação de partículas respiratórias invisíveis que eram libertadas na atmosfera.
 
 

John Snow provou que a cólera era uma doença causada a partir das águas e colocou a hipótese de que outras doenças podiam ser transmitidas ao homem de um modo semelhante. Convém realçar que Snow desconhecia que a doença era provocada por um microorganismo; simplesmente acreditava que estaria relacionada com a água.
 
 

Ignaz Semmelweis defendia que quem assistia ao parto (parteiras e médicos) devia obrigatoriamente lavar as mãos numa solução de cloreto de cálcio. A aplicação desta medida, tornou possível que a taxa de mortalidade por febre puerperal (doença relacionada com o período ocorrido após o nascimento de um filho) passasse de 120 por 1000 nascimentos para 12 por 1000 nascimentos.
 
 

Oliver Holmes, em 1843, acusou os seus colegas de transportarem a infecção de exames post- mortem e de um doente para outro, através das suas mãos não lavadas.
 
 

Em 1850, Lemuel Shattuckn publicou um relatório de reforma sanitária nos Estados Unidos, onde recomendava a constituição de conselhos de saúde locais e estaduais, um sistema de inspectores sanitários, a recolha e análise de estatísticas de saúde, estudos relativos à saúde infantil, o controlo do alcoolismo e a inclusão da medicina preventiva nas escolas médicas.
 
 

Nightingale, durante a Guerra da Crimeia (1854), encontrou os hospitais completamente desorganizados e desumanizados, onde os doentes eram tratados por pessoal sem treino especializado (enfermagem).
 
 

Torna-se importante realçar que a indicação de introduzir medidas científicas para controle das doenças era um assunto de grande controvérsia no seio da comunidade científica: Semmelweis e Holmes chegaram mesmo a ser ridicularizados pelos seus colegas; Nightingale teve que formar um corpo de 38 enfermeiras para conferir alguma ordem e humanismo ao tratamento dos feridos.
 
 

Durante as últimas décadas do século XIX, Louis Pasteur (1822-1895) e Robert Koch (1843-1910), através das suas experiências, contribuíram de um modo decisivo para o papel patogénico dos microorganismos numa doença. Assim, a comunidade científica começava agora a interessar-se pela identificação dos agentes infecciosos.
 
 

Louis Pasteur demonstrou que a fermentação era um processo dependente da acção de microorganismos (1857), assim como que a origem destes seres não seria por geração espontânea (como se acreditava na época) mas sim a partir de outros seres vivos.
 
 

Mais tarde Robert Koch, na sequência dos trabalhos de Pasteur, isolou os agentes responsáveis pela tuberculose e pela cólera asiática. Nos seus trabalhos, Koch indicou alguns postulados para demonstrar a relação causal entre um agente e uma doença:

  1. Ter que mostrar a presença do agente ou do parasita em todos os casos de doença através de isolamento em cultura pura.
  2. O agente não poder ser encontrado em casos de outras doenças.
  3. O agente isolado dever ser capaz de reproduzir a doença em animais de experiência.
  4. O agente ter que ser recuperado da doença experimentalmente produzida.

Actualmente, os estudos epidemiológicos têm permitido reconhecer alguns erros nestes postulados:

O contributo dado por todos estes cientistas levaram à aplicação de técnicas de assepsia na Medicina, ao desenvolvimento de vacinas como forma de prevenção de certas doenças, ao melhoramento da qualidade da água, à pasteurização do leite e a uma melhor utilização sanitária do ambiente. Actualmente, para além de conhecer as características de uma determinada doença infecciosa, convém também estudar os factores sociais, psicológicos e genéticos que interactuam no hospedeiro.
 
 

O agente infeccioso é um factor necessário mas não um factor suficiente para provocar uma doença!