Início | Letras & Letras | A Morgada de Romariz | Quando Camilo Comprou um Burro | Camiliana |Casa Museu | Amor de Perdição | Memórias de uma Família | A Queda de um Anjo
História de Seide S. Miguel
É o grande romancista do Romantismo português (Romance de um Homem Rico, 1861), experimentando também as novas técnicas da escola realista com
intuitos jocosos (Eusébio Macário, 1879) e num texto de final de carreira que é um dos seus mais belos romances: A Brasileira de Prazins, 1882.
Casa de S. Miguel de Seide onde Camilo viveu e se suicidou em 1890
Magistral nos lances arrebatados e místicos da paixão exacerbada
e dos laços familiares conflituosos (O Retrato de Ricardina, 1868), assim
como na sátira social (A Queda dum Anjo, 1866) e na autocrítica,
nomeadamente literária, é figura dominante nas nossas Letras.
Quando, à meia-noite, o Alma negra entrava em casa pela porta do quintal, encontrou a mulher ainda de joelhos diante da estampa do Bom Jesus do Monte. Ao
lado dela estavam duas filhas a rezar também, a tiritar, embrulhadas numa manta esburacada, aquecendo as mãos com o bafo.
O Melro mandou deitar as filhas, e foi à loja contar à mulher, lívida e trémula, como o Zeferino morreu sem ele pôr para isso prego nem estopa.
Ela pôs as mãos com transporte e disse que fora milagre do Bom Jesus; que estivera três horas de joelhos diante da sua divina imagem. O marido objectava
contra o milagre - que o compadre não lhe dava a casa, visto que não fora ele quem vindimara o Zeferino; e a mulher - que levasse o demo a casa; que eles
tinham vivido até então na choupana alugada e que o Bom Jesus os havia de ajudar.
Ao outro dia, o Joaquim Melro convenceu-se do milagre, quando o compadre, depois de lhe ouvir contar a morte do pedreiro, lhe disse:
- Enfim, você ganha a casa, compadre, porque mátava Zéférino, se os outros não matam ele, hem?

Início | Letras & Letras | A Morgada de Romariz | Quando Camilo Comprou um Burro | Camiliana |Casa Museu | Amor de Perdição | Memórias de uma Família | A Queda de um Anjo