Apresentamos alguns textos de apoio relativamente à conceptualização dos termos "Comunicação" e "Informação", sem que, nos entanto, deixemos passar a oportunidade de podermos explicitar um pouco o nosso pensamento relativamente a esta questão.

Assim, e olhando à etimologias dois dois termos (Comunicar e Informar), vemos que "Comunicar" significa tornar comum; tornar conhecido; transmitir; unir. E vemos que "Informar" assume a singnificação de dar forma a; avisar; instruir; enformar.

Podemos inciar a nossa reflexão pelas definições anteriores e logo aí encontramos grandes diferenças nesses dois termos que tão teimosamente andam ligados hoje em dia. "Comunicar pressupõe e exige o tornar comum, a transmissão, a emissão às massas da Sociedade - a Comunidade. Esta comunicação tem por objectivo massificar o conjunto de pessoas a quem se dirige. A posse desse conhecimento torna as pessoas iguais entre si: identifica-as como membros de uma "elite".

A difusão é uma necessidade para a Comunicação. O "Broadcasting" é a sua forma primacial para chegar a todos os que fazem parte dessa comunidade, que tanto pode ser um grupo de alunos de uma turma, como um continente inteiro.

 

No tocante à Informação, o processo é algo diverso, muito embora crie alguma confusão em relação ao conceito anterior, pois o cidadão comum sente que os produtos conseguidos por qualquer um dos processos se confunde.

Informar pressupõe a posse de dados pertinentes e que se pretendem partilhar com outras pessoas, de forma que fiquem instruídas e enformadas com esses dados.

Assim, a informação já não terá como objecto a massificação de uma sociedade, mas, antes, a "educação da sociedade". O tornar comum, próprio da Comunicação, assume o papel de formação no caso presente.

Este processo de "enformar", de dar forma a, exige a existência de pré-requisitos no destinatário. Daí que o papel da informação se centre numa formação contínua dos cidadãos, num esclarecimento dos membros activos das comunidades. É exactamente aqui que reside o cerne da questão da nossa reflexão:

"Sabendo que a Informação é, antes de mais, FORMAÇÃO, será que hoje há informação ou apenas comunicação?"

Apetece questionar:

Haverá informação ou apenas "junk-comunicação" na sociedade em que vivemos?

Haverá dados pertinentes nas informações que nos chegam?

Os destinatários terão adquirido competências necessárias e suficientes para se poderem apropriar dos dados?

 

Comunicação:

Em 1935, um destacado filósofo americano, Keneth Burke, quis publicar um livro sobre comunicação e sugeriu ao seu editor que a obra se chamasse Treatise on Communication (Tratado sobre Comunicação). O editor entrou em pânico e proibiu o título, por recear que os leitores pensassem que o livro era sobre linhas de telefone.

A história de Burke representa um curioso exemplo de dificuldade de comunicação na concepção do que significa a palavra "comunicar".

Um dos pioneiros do estudo desta área, Charles Cooley, observou, em 1909, que a comunicação é "o mecanismo através do qual existem e se desenvolvem as relações humanas". A definição de Cooley é de uma lucidez espantosa, porque remete para a noção de que o acto de comunicar é uma das formas fundamentais da existência.

Tudo o que é vida é comunicação, porque implica necessariamente o transporte de ideias e objectos de um ponto para o outro. O sangue transporta oxigénio para as células, e, ao fazê-lo, está a comunicar. Mas a definição de comunicação foi, ao longo dos anos, registando uma crescente precisão. Se no tempo de Burke se entendia que comunicar era um processo técnico, hoje esse conceito evoluiu num sentido diferente.

É certo que a palavra comunicação está ainda associada ao transporte de objectos físicos, mas, em geral, ela já é entendida sobretudo como sendo o transporte de ideias e emoções expressas através de um código.

Ou seja, comunicar significa essencialmente transmitir sentidos, casuais ou intencionais, de um ponto para o outro.(...) Não é possível localizar a origem da comunicação enquanto transmissão intencional de sentidos por parte de seres humanos.

Os primeiros actos comunicativos foram, sem dúvida, gestos e expressões, e só mais tarde, de uma forma misteriosa apareceu a língua. Há quem sugira que tudo começou quando os antepassados do Homo Sapiens criaram as primeiras palavras ao imitar sons naturais como o ladrar de cães ou o ribombar dos trovões.

Mas uma outra teoria admite que as palavras nasceram dos sons que os primitivos emitiam para acompanhar cânticos ou celebra acontecimentos.

Na verdade, ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Talvez todas estas circunstâncias, e outras ainda, tenham actuado em conjunto para criar a língua, que acabou por se transformar na pedra basilar da comunicação humana.

Comunicar é sobretudo significar, através de qualquer meio. Durante milénios isso quis dizer que o acto de comunicação se limitou aos sinais sonoros, visuais e sensoriais emitidos pelo corpo humano. Mas houve uma altura em que o homem entendeu que este era um meio demasiado limitado para comunicar e precisou de alternativa. Ele quis ir mais longe e, para ultrapassar barreiras da distância inventou aquilo a que mais tarde Marshall McLuhan designaria por "extensões dos sentidos".

O tambor transformou-se numa extensão da fala, e os sinais de fumo numa extensão dos gestos. Nasceu assim a comunicação de massas... Com a evolução técnica, essas extensões transformaram-se numa panóplia de meios de difusão de comunicação maciça, que culminou com a invenção da televisão. À medida que os novos meios iam emergindo, o homem foi ficando cada vez mais fascinado e aterrado. Cada "extensão" trazia em si um mundo de promessas e um inferno de ameaças. Os meios de comunicação de massas nasceram para libertar, mas continham o gérmen da opressão, e esta sua ambivalência assustou os que pararam para pensar no assunto. O receio cresceu paralelamente ao aumento do poder de cada meio, e parece ter-se transformado numa obsessão incontrolada.

SANTOS, José Rodrigues dos - O que é Comunicação. Lisboa, Difusão Cultural, 1992 - pp 9-11.

Informação:

A informação tanto pode designar um elemento particular de conhecimento ou de análise como o conjunto das instituições que, numa determinada sociedade presidem à difusão colectiva das notícias que interessam aos seus membros.

A- Os diferentes empregos da palavra informação

O termo informação é utilizado em vários sentidos. Pode falar-se de uma informação de política internacional, da política francesa da informação, da necessidade de informação dos cidadãos. Devemos confessar que, por vezes, chega a parecer impossível encontrar a unidade dos diversos sentidos. A fim de evitar escolher arbitrariamente um ou outro dos possíveis significados do termo informação, convém, segundo julgamos, chamar a atenção para dois equívocos.

O primeiro equívoco está relacionado com o facto de a mesma palavra designar simultaneamente um conteúdo e o modo como esse conteúdo pode ser transmitido. Com efeito na primeira acepção, a informação exprime um elemento particular de conhecimento ou de apreciação acessível a qualquer pessoa, seja qual for a forma que revista. Neste caso, o termo informação interpreta-se no sentido de notícia. É independente do seu modo de transmissão e de difusão e só secundariamente se caracteriza pelo seu grau de inteligibilidade. Mas, informação, numa segunda acepção tão corrente como a primeira, é também o conjunto de equipamentos que, num dado momento e numa dada sociedade, permitem a difusão dos diversos elementos de conhecimento e análise, mercê de uma técnica industrial.

A informação é um modo de tratamento e de difusão: a imprensa, a rádio e a televisão. Entendida neste sentido, a informação designa aquilo a que os anglo-saxões chamam habitualmente os mass media e que, pela nossa parte, denominaremos por empresas de difusão, expressão certamente menos ambígua que a de comunicação de massa. As técnicas modernas de difusão, quer as da imprensa, quer as que asseguram a retransmissão do som e da imagem, são na verdade geridas por empresas cuja expansão está ligada ao fenómeno industrial. Graças a elas, a informação é doravante difundida a um auditório vasto, segundo uma técnica especificamente industrial. Embora distintos, os dois sentidos da palavra informação estão relacionados.

As informações definidas como elementos de conhecimento ou notícias, são elaboradas de modo apropriado por técnicas que permitem uma difusão mais ou menos ampla. Além disso, são sujeitas a um certo tratamento, a uma certa depuração que nos levam por vezes a imaginar que sem estas técnicas não existiriam. A informação moderna é indissoluvelmente fundo e forma, conteúdo e modo de expressão e de transmissão desse conteúdo.

O segundo equívoco resulta da circunstância de a mesma palavra designar, por um lado, uma realidade social constituída pelo conjunto da imprensa escrita, da radiodifusão, da televisão e do cinema ou, se se preferir, um autêntico fenómeno de civilização e, por outro, o conjunto de atitudes e convicções colectivas que aquela realidade suscita.

A informação é, em primeiro lugar, a realidade composta pelas organizações que poderíamos convencionar designar por empresas de difusão. Mas é também a expressão de uma necessidade colectiva que, a exemplo de outras necessidades de "ultrapassagem", se torna irreprimível à medida que vai sendo satisfeita. E é, finalmente, uma exigência colectiva, considerada mais ou menos legítima pelas diversas doutrinas e ideologias políticas. Constituindo por si própria um factor de transformação da sociedade, a informação inclui-se no números dos objectivos colectivos que são alvo de debate político e de discussão filosófica. De resto, a evolução acelerada das suas técnicas de difusão torna ainda mais urgente a reflexão sobre a sua finalidade essencial. Trata-se de determinar quais os objectivos que se poderão atribuir à informação. Por outras palavras, convém esclarecer, para cada época e para cada lugar, o emprego que os políticos, ou fazem realmente, das técnicas postas à sua disposição. Assim, a televisão, instrumento de difusão de informação, não a serve da mesma maneira na União Soviética ou nos Estados Unidos.

Igualmente, podemos desde já ter a certeza que os diversos tipos de sociedade não utilizarão de modo idêntico as técnicas das videocassetes ou dos satélites de telecomunicações. A informação é, portanto, um facto social complexo. Traduz uma realidade para a qual concorrem ao mesmo tempo determinados elementos de conhecimento ou de cultura e um certo estádio da tecnologia da informação colectiva. Além disso, exprime a vontade das sociedades de se transformarem a si próprias e simultaneamente visarem objectivos tidos por legítimos.

A informação surge assim implantada de três modos diferentes numa sociedade. Em primeiro lugar influencia o que poderíamos denominar por enquadramento cultural da sociedade, quer dizer, o conjunto das ideias recebidas, aceites e divulgadas, não deixando estas, no entanto, de a influenciar por sua vez.

Em seguida, a informação depende, num dado momento, do desenvolvimento da sua tecnologia: neste aspecto, a era industrial começou com a imprensa de grande tiragem dos últimos anos do séc. XIX e prolonga-se nos nossos dias com a expansão da radiodifusão e da televisão. Por fim, a informação exprime uma vontade propriamente colectiva: desta vontade depende a situação dos grandes orgãos de informação do público. Com efeito, estes estão sujeitos a regimes de propriedade de gestão e de controlo que variam consideravelmente de país para país e até por vezes dentro do mesmo país.

A informação está subordinada aos fins, objectivos e valores destas vastas organizações, assim como às suas possibilidade e limites. Os diferentes sentidos da palavra informação são, pois, muito distintos.

Há, em primeiro lugar, a informação entendida como conteúdo: este varia consideravelmente consoante as épocas e as sociedades. Em segundo lugar, a informação designa um certo equipamento em meios de difusão: estes estão ligados ao fenómeno industrial e à vontade colectiva.

Em seguida, a informação exprime uma necessidade colectiva que também muda apreciavelmente conforme as circunstâncias.

Finalmente, a informação constitui tema de debates sobre a necessidade e a maneira de a organizar: as modalidades de organização das empresas de jornais, rádio televisão ou cinema oferecem motivo para polémicas em todo o mundo e são frequentemente objecto de debate político e ideológico. (...)

CAZENEUVE, Jean - (Dir.) Guia Alfabético das Comunicações de Massas Lisboa, edições 70, Col. Lexis, 1976