HISTÓRIA DA GEOGRAFIA

por: António Cruz

Considerada por alguns como uma das mais antigas disciplinas académicas, a geografia surgiu na Antiga Grécia, sendo no começo chamada de história natural ou filosofia natural.

Grande parte do mundo ocidental conhecido era dominada pelos gregos, em especial o leste do Mediterrâneo. Sempre interessados em descobrir novos territórios de domínio e actuação comercial, era fundamental que conhecessem o ambiente físico e os fenómenos naturais. O céu claro do Mediterrâneo facilitava a vida dos navegantes gregos, sempre atentos às características dos ventos, importantes para a sua navegação em termos de velocidade e segurança. Sobre tais experiências, os gregos deixaram para as futuras gerações escritos que contavam a sua vivência geográfica. Estudos feitos acerca do rio Nilo, no Egipto, detalhavam, entre outras coisas, o seu período de cheia anual.

No século IV a.C., os gregos observavam o planeta como um todo. Através de estudos filosóficos e observações astronómicas, Aristóteles foi o primeiro a receber crédito ao conceituar a Terra como uma esfera. Na sua especulação sobre o formato da Terra, Estrabão escreveu uma obra de 17 volumes, 'Geographique', onde descrevia as suas próprias experiências do mundo - da Galíza e Bretanha para a Índia, e do Mar Negro à Etiópia. Apesar de alguns erros e omissões na sua obra, Estrabão acabou por se tornar o pai da geografia regional.

Com o colapso do Império Romano, os grandes herdeiros da geografia grega foram os árabes. Muitos trabalhos foram traduzidos do grego para o árabe. Ocorreram, no entanto, a partir daí, algumas regressões: após o ano de 900 d.C., as indicações de latitude e longitude já não apareciam  nos mapas. No entanto, os árabes acabaram por recuperar e aprofundar o estudo da geografia, e já no século XII, Al-Idrisi apresentaria um sofisticado sistema de classificação climática. Nas suas viagens à África e à Ásia, outro explorador árabe, Ibn Battuta, encontrou a evidência concreta de que, ao contrário do que afirmara Aristóteles, as regiões quentes do mundo eram perfeitamente habitáveis.

Já no século XV, viajantes como Bartolomeu Dias e Cristóvão Colombo redescobririam o interesse pela exploração, pela descrição geográfica e pela cartografia. A confirmação do formato global da Terra veio quinze anos mais tarde, numa  viagem de circunavegação realizada pelo navegador português Fernando Magalhães, permitindo uma maior precisão das medidas e observações.

Grandes nomes se empenharam no estudo das várias áreas da geografia. A geografia social, por exemplo, recebeu a dedicação de nomes como Goethe, Kant, e Montesquieu, preocupados em estabelecer no seu estudo a relação entre a humanidade e o meio ambiente. A geografia recebeu novas subdivisões, entre as quais, a geografia antropológica e a geografia política.

Por volta do século XIX, surgia a Escola Alemã, apresentando o determinismo, que suportava a ideia de que o clima era capaz de estimular ou não a força física e o desenvolvimento intelectual das pessoas. Assim, afirmava que nas zonas temperadas a civilização teria um desenvolvimento mais elevado do que nas quentes e húmidas zonas tropicais. Já nos anos 30, a Escola Francesa lançava o possibilismo, que afirmava que as pessoas poderiam determinar o seu desenvolvimento a partir do seu ambiente físico, ou seja, a sua escolha, determinaria a extensão do seu avanço cultural.

Chegaram os anos 60 com todas as suas revoluções, e, o desejo de fazer da geografia um estudo mais científico, e mais aceite como disciplina, levaram à adopção da estatística como recurso de apoio. No final da década, duas novas técnicas, de importância para a geografia começavam a ser desenvolvidas: o computador electrónico e o satélite, dando nova ênfase à disciplina.

Retirado: Enciclopédia Geográfica-ATR - cd rom

 

ESTRABÃO

(n.c. 63 a.C. - m.c. 24 d.C.)

Geógrafo e historiador grego, nasceu em Amaseia, Pontus (agora Amasya, Turquia). Estrabão começou seus estudos com Aristodemus e em 44 a.C. foi para Roma estudar com Tyrannion, ex-professor de Cícero. Antes de deixar Roma ele concluiu a sua monumental obra de 43 volumes intitulada 'Esboço Histórico' da qual só sobraram pedaços. Em 31 a.C. Estrabão começou as suas viagens na Europa, Ásia e África, tendo viajado quase todo o mundo conhecido da época. Voltou a Roma em 17 d.C. e escreveu o seu mais importante trabalho de 17 volumes intitulado 'Geographique' (ou Geografia). Esta foi a primeira vez que surgiu a palavra Geografia. Os volumes parecem mais o que hoje conhecemos como guias e eram escritos para uso militar. Esta obra é o principal documento daquela época conservado inteiro (com excepção de partes do volume sete) até os dias de hoje.

Retirado: Enciclopédia Geográfica-ATR - cd rom

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ERATÓSTHENES

(n.c. 276 a.C. - m.c. 196 a.C.)

Matemático, astrónomo, geógrafo e poeta grego, nasceu em Cyrene (agora Shahhat, Líbia). Em 240 a.C. tornou-se bibliotecário-chefe da Biblioteca de Alexandria, ficando responsável na sua época pelo maior acervo sobre o conhecimento humano até à sua data. Eratósthenes é mais conhecido hoje pelo seu preciso cálculo da circunferência da Terra (erro de menos de 5%) numa época em que não se acreditava que a Terra seria redonda. Para chegar a tais cálculos Eratósthenes empregou os seus conhecimentos de astronomia para determinar a diferença de inclinação dos raios solares entre Assuão e Alexandria no Egipto. Tendo notado que a imagem da sombra de uma torre de igual altura em Assuão e Alexandria tinha diferentes comprimentos numa mesma hora do dia,  chegou à conclusão que a Terra era redonda e que a diferença de inclinação dos raios solares entre os dois lugares era de 5 graus e doze minutos, o que corresponde à quinquagésima parte da circunferência terrestre. De seguida mediu a distância à superfície terrestre entre Assuão e Alexandria e multiplicou-a por 50, obtendo assim um valor de 42000Km para o perímetro terrestre.O pequeno erro por excesso de 2000Km deve-se apenas ao facto de Assuão e Alexandria não estarem no mesmo meridiano,o que na época era impossível de determinar com rigor. O seu mais importante trabalho foi um tratado sistemático sobre geografia; após ficar cego com quase 80 anos  suicidou-se por inanição.

Retirado: Enciclopédia Geográfica-ATR - cd rom

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PTOLOMEU

(também Claudius Ptolomaeus)

(c. 100-70 d.C.)

Astrónomo e matemático grego, viveu em Alexandria, Egipto e era cidadão romano. O seu primeiro trabalho e o mais importante foi o 'Almagesti' (Grande Obra), traduzido para o árabe 500 anos depois. Nesta obra ele propunha o sistema de geocentrismo o qual descrevia a Terra no centro do universo com o sol, planetas e as estrelas rodando em círculos ao seu redor. Este trabalho de Ptolomeu influenciou o pensamento astronómico durante mais de mil e quinhentos anos até ser substituído pela teoria heliocêntrica de Copérnico. Para a geografia a sua mais importante obra foi 'A Geografia', uma tentativa de cartografar o mundo conhecido da época, que listava latitudes e longitudes de locais importantes acompanhadas de mapas e uma descrição de técnicas de cartografia. Nesta compilação Ptolomeu agregou dados seus e de Hiparco, Estrabão e Marinus de Tiro. Mesmo com informações imprecisas este trabalho foi a principal ferramenta de orientação geográfica até o fim do renascimento.

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HUMBOLDT, FRIEDRICH W. H. ALEXANDER VON

(n. 14/9/1769 - m. 6/5/1859)

Geógrafo, naturalista e explorador alemão, nasceu em Berlim, e foi mais conhecido pelas suas contribuições na geologia, climatologia e oceanografia. Ainda jovem Humboldt foi apresentado a um grupo de intelectuais (entre os quais Moses Mendelssohn) pelo seu tutor. Em 1879  foi para a Universidade de Gottingen, onde estudou arqueologia, física e filosofia. O seu interesse por botânica e explorações foi intensificado ao conhecer Georg Forster, que acabara de voltar de uma viagem ao redor do mundo com o famoso Capitão James Cook. Após um ano Humboldt largou Gottingen para estudar geologia com A.G. Werner na escola de minas de Freiburg e depois tornou-se inspector de minas do governo da Prússia. Uma farta herança de sua mãe  permitiu que se dedicasse aos seus interesses pela exploração científica.

Em 1799, Humboldt explorou durante 5 anos a América Latina, visitando países como Equador, Colômbia, Venezuela, México e Peru, além de parte da bacia amazónica. Durante esta viagem ele colectou muitos dados sobre clima, fauna, flora, astronomia, geologia e sobre o campo magnético da Terra. Durante a sua estadia no Peru fez precisas medições sobre uma corrente fria descoberta por ele que veio a ser chamada pelo seu nome e hoje é mais conhecida como Corrente do Peru. Após uma breve estadia nos Estados Unidos da América foi morar em Paris onde ficou até 1827, período durante o qual escreveu uma obra de 23 volumes com as descobertas feitas na viagem. Em 1827 viajou para Berlim e foi nomeado assessor do rei da Prússia. Em 1829 por convite do Czar russo Nicolau I viajou aos Montes Urais e Sibéria para fazer estudos geológicos e fisiográficos.

O resto da sua vida foi dedicada a escrever a sua principal obra intitulada 'Kosmos' na tentativa abrangente de descrever o universo como um todo e mostrar que tudo era interrelacionado. Humboldt foi o primeiro a cartografar  isotérmicas (linhas que unem pontos geográficos com a mesma temperatura), impulsionando assim o estudo da climatologia.

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RITTER, KARL

(n. 1779 - m.1859)

(também Carl Ritter)

Geógrafo alemão, conhecido como fundador da geografia moderna. Ritter mostrou ao mundo o princípio da relação entre a superfície da Terra e a natureza e os seres humanos.  Era defensor constante do uso de todas as ciências para o estudo da geografia. Foi professor de geografia na Universidade de Berlim de 1820 até à sua morte; o seu mais importante trabalho, 'Die Erdkunde' (Ciência da Terra, 19 volumes, 1817-1859), enfatizava a influência dos fenómenos físicos na actividade humana.

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RATZEL, FRIEDRICH

(n. 30/8/1844 - m. 9/8/1904)

Geógrafo e etnólogo alemão fundador da geografia política moderna (ou geopolítica), o estudo da influência do ambiente na política de uma nação ou sociedade. Dele originou-se o conceito de 'espaço vivo' (Lebensraum), que se preocupa com a relação de grupos humanos com os espaços do seu ambiente. Ele leccionou na Universidade de Munique entre 1875 e 1886, e desta data até sua morte foi professor de geografia da Universidade de Leipzig. O seu conceito de 'espaço vivo' foi depois usado pelo Partido Nacional Socialista (Nazista) para justificar a expansão germânica e a anexação de territórios que precedeu a segunda guerra mundial.

Retirado: Enciclopédia Geográfica-ATR - cd rom

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