O Tempo e o Sujeito
em A Ordem Natural das Coisas de António Lobo Antunes

Ana Cristina Sousa Martins
Faculdade de Letras do Porto
Abril, 1999

Resumo:

Na dissertação em referência centro a minha análise na dissecação das virtualidades enunciativas activadas no processo de representação produtiva do tempo e do próprio sujeito que o pensa e enuncia.

Começo por reflectir sobre a essencialidade do discurso ficcional, literário ou não literário, recorrendo a nomes como Searle, K. Hamburger e G. Reyes, no sentido de deixar assente o âmbito enunciativo-ficcional em que integro o meu estudo. Passo de seguida à apresentação, comprovação e operacionalização do carácter exclusivo de um tipo de referenciação fictiva preconizada por K. Buhler – deixis "am phantasma" – deixando a claro dois veios fulcrais de análise do discurso activado nestes moldes: (1) o efeito de emergência de um sujeito enunciador em atitude de locução tensa, radicado, porém em coordenadas enunciativas inactuais; (2) o Presente e as formas aspectuais concorrentes na referenciação de uma imobilidade temporal. Neste enquandramento, o passo seguinte é analisar as estratégias enunciativas potenciadoras de: (1) efeitos de recriação de novas coordenadas; (2) homogeneização temporal ; (3) ilusão do domínio do tempo. Os instrumentos de análise situam-se, portanto, no âmbito da referência temporal, aspecto, modalidade e textualidade. O estudo termina com o apuramento da funcionalidade cognitiva destes procedimentos discursivos, o que redunda numa tentativa de interpretação do romance, sempre à luz da exploração dos recursos enunciativos da língua.

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