Faculdade de Letras
Universidade do Porto
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Língua Portuguesa Oral

1. Exercício sobre a pronúncia de "x".

Qual é letra qual é ela
Que é no som como o camaleão
Está presente em "ciclone"
Mas também em "cicerone".
E em mais nobre ocasião
Ainda vai de cedilha
Para entrar em "colecção".

 

Qual é letra qual é ela
Que está sempre a aparecer
E nas palavras que tu escreves
Três sons pode bem ter:
"extensão", "exportação" e "extensão",
Mas também "paixão" e "mexilhão",
E com a maior "exactidão"
Ainda entra em "fixação".

 

a)
O cai_ote está ao fundo. É lá que deves dei_ar os caroços das amei_as.
b)
A Sofia trou_e o _ilofone e vai e_ercitar, enquanto o Gil vai fazer e_ercícios de Matemática para se preparar para o e_ame.
c)
Quando nos apro_imámos, sentimos logo o cheiro desagradável que vinha da li_eira.
d)
O chefe foi infle_ível. Só admite novos funcionários com alguma e_periência de trabalho e após serem aprovados num e_ame.
e)
Na se_ta vou tirar uma radiografia ao fémur, que é um osso da co_a.
f)
Ale_andre, da pró_ima vez és tu que vais engra_ar os teus sapatos.
g)
Como se pode e_plicar o deflagrar daquele incêndio? Se houvesse e_tintores no local, teria sido mais fácil e_tingui-lo no início.
h)
A senhora apresentou quei_a na polícia e e_plicou com e_actidão o que tinha acontecido.
i)
Ela precisa de au_ílio médico porque sente uma dor fi_a no tóra_.
j)
A empresa tê_til A.C.,Lda., que está em fase de grande e_pansão, abriu uma nova e_tensão destinada somente à e_portação.

 

CH ou X?

— Algumas regularidades

1. Depois de vogal oral:

a) Ch — depois de vogal oral é mais frequente o uso de Ch:
acha, achatar, achincalhar, bicho, bochecha, cachucho, fechadura.

b) X — há contudo, bastantes excepções das quais convém anotar as seguintes:
abacaxi, abexim, atarraxar, bexiga, bruxo, bruxulear, buxo, coxo, coxia, debuxo, engraxar, faxina, lagartixa, lixa, lixívia, lixo, luxação, luxo, mexer, mexilhão, mixórdia, praxe, puxar, repuxo, relaxe, rixa, roxo, taxa, vexar.

2. Depois de vogal nasal:

a) Ch — depois de an, in, on e un:
aconchego, caruncho, concha, frincha, prancha.

b) X — depois de en (exceptuando "encher" e formas respectivas):
desenxabido, enxada, enxame, enxaqueca, enxerto.

3. Depois de ditongo, de um modo geral usa-se X:
ameixa, apaixonado, baixela, caixa, bauxite, frouxo.
4. Depois de l ou r grafa-se sempre com Ch:
acolchoar, colcha, colchão, colcheia, colchete, archeiro, archote, marcha, marchetar, murcho.

2. Exercício sobre a pronúncia do ditongo "—ão" e de vibrante final de palavra.

O chão e o pão.
O chão,
O grão.
O grão, no chão.

 

O pão na mão.
O pão no chão?
Não.

 

O pão,
O pão e a mão.
A mão no pão.

 

Cecília Meireles - Ou isto ou aquilo

 

Não quero, não quero não
Ser soldado nem capitão (...)
Não quero muito do mundo
Quero saber-lhe a razão
Sentir-me dono de mim
Ao resto dizer que não.

 

Eugénio de Andrade - Aquela nuvem e outras

 

Cão que ladra não morde.
Grão a grão enche a galinha o papo.

 

Provérbios populares

 

Janeiro gear
Fevereiro chover
Março repesar
Abril espigar
Maio engrandecer
Junho ceifar
Julho debulhar
Agosto adubar
Setembro vindimar
Outubro revolver
Novembro semear
Dezembro nascer

 

Depois de o menino nascer
É tudo a crescer.

 

Recolha de provérbios populares,
Fund. Calouste Gulbenkian,
Serviço ACARTE
 
 
 

3. Sobre a pronúncia de:

— beco-becos;

— molho-molhos;

— forma - formas.

4. Audição de excerto da entrevista a António Vitorino d'Almeida - TSF

(http://tsf.sapo.pt/online/primeira/interior.asp?id_artigo=TSF110762)

— construção do "ethos" do locutor-entrevistado:


— através do que diz — valores projectados no discurso

— através da maneira como diz — elementos supra-segmentais;

— "canais não discursivos"


— imagem que o entrevistador faz do entrevistado:


— topicalização do pano de fundo informativo que preside à elaboração das questões;

— adaptação do seu discurso aos hábitos do seu auditório.

— tese fundamental defendida;


— contra-discurso.