Falsas crenças a respeito da descrição:
— tipologia subsidiária, incrustrada na sequência argumentativa, explicativa, narrativa
— sem princípio nem fim
— despersonalização
— ornamento
O papel incontornável da descrição:
— lugar onde o leitor encontra instruções que lhe permitem levantar hipóteses interpretativas
— a descrição dá um retrato do descritor
Descrever consiste em apresentar um olhar particular sobre o mundo, fazendo existir os seres e as coisas pelo facto de serem nomeados e localizados espacial e temporalmente e ainda por lhe serem atribuidas qualidades que os singularizam.
Três operações contitutivas da descrição:
— nomear (taxinomias, inventários, listas)
— localizar / situar (determinar o lugar que ocupa um ser no espaço e no tempo
— qualificar (completação da actividade de nomeação)
Actividade descritiva:
— finalidade: modo de organização não arbitrário
— modo de construção textual/procedimento discursivo: modo de organização livre.
Caracterização antinómica relativamente à narração:
— Descritivo
|
— Narrativo
|
|---|
Géneros (exemplos):
— catálogo de vendas
— memória descritiva de um projecto arquitectónico
— manual escolar
— anúncio de oferta de emprego
— carta de amor
— reportagem
— palavras cruzadas
— livro de anatomia
— programa de festas
— menu
— manual de instruções
— enciclopédia
— anúncio publicitário
Endechas a
Bárbara escrava
Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.
Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.
Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.
Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.
Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.
Luís de Camões

1. Construa uma descrição com base nesta imagem.
1.1. Imagine o contexto situacional.
1.2. Invente uma finalidade comunicativa.

2. Proceda a uma descrição desta imagem, explorando o fenómeno da analogia.