Faculdade de Letras
Universidade do Porto
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Língua Portuguesa Escrita

Outras Escritas 1

"A linguagem poética não é um uso linguístico entre outros, mas linguagem simplesmente (sem adjectivos): é a realização de todas as possibilidades da linguagem como tal.

(...)

A poesia não é, como muitas vezes se diz, um «desvio» relativamente à linguagem «corrente» (entendido como o «normal» da linguagem); em rigor, é a linguagem «corrente» que representa um desvio face à totalidade da linguagem. Isto é válido também para outras modalidades do «uso linguístico» (por exemplo a linguagem científica): com efeito, estas modalidades são o resultado, em cada caso, de uma drástica redução funcional da linguagem como tal, coincidindo esta com a linguagem da poesia.

(...)

Como a linguagem, também a poesia ignora a distinção entre o verdadeiro e o falso e entre a existência e a inexistência: tanto a linguagem como a poesia são «anteriores» (prévios) a tais distinções. Por outro lado, a poesia, como a linguagem, é apreensão do universal no individual, objectivação dos conteúdos intuitivos da consciência. A linguagem absoluta é, portanto, poesia". (...)

 

COSERIU, Eugénio 1977

El Hombre y su Lenguaje, Madird, Editorial Gredos: estudios de teoria y metodologia linguística. (tradução livre)

Exercício 1

Eu fugi

Tu cavaste

Ele deu às canetas

Nós pirámo-nos

Vós destes o fora

Eles deram à sola.

 

VASCONCELOS, José Carlos

 

Construa estrofes similares recorrendo a outros verbos de base.

Exercício 2

HOMEM
 
INSOFRIDO TEMÍVEL ADAMADO PURO SAGAZ INTELIGENTÍSSIMO MODESTO RARO CORDIAL EFICIENTE CRITERIOSO EQUILIBRADO RUDE VIRTUOSO MESQUINHO CORAJOSO VELHO RONCEIRO ALTIVO ROTUNDO VIL INCAPAZ TRABALHADOR IRRECUPERÁVEL CATITA POPULAR ELOQUENTE MASCARADO FARROUPILHA GORDO HILARIANTE PREGUIÇOSO HIEROMÂNTICO MALÉVOLO INFANTIL SINISTRO INOCENTE RIDÍCULO ATRASADO SOERGUIDO DELEITÁVEL ROMÂNTICO MARRÃO HOSTIL INCRÍVEL SERENO HIANTE ONANISTA ABOMINÁVEL RESSENTIDO PLANIFICADO AMARGURADO EGOCÊNTRICO CAPACÍSSIMO MORDAZ PALERMA MALCRIADO PONDEROSO VOLÚVEL INDECENTE ATARANTADO BILTRE EMBIRRENTO FUGITIVO SORRIDENTE COBARDE MINUCIOSO ATENTO JÚLIO PANCRÁCIO CLANDESTINO GUEDELHUDO ALBINO MARICAS OPORTUNISTA GENTIL OBSCURO FALACIOSO MÁRTIR MASOQUISTA DESTRAVADO AGITADOR ROÍDO PODEROSÍSSIMO CULTÍSSIMO ATRAPALHADO PONTO MIRABOLANTE BONITO LINDO IRRESISTÍVEL PESADO ARROGANTE DEMAGÓGICO ESBODEGADO ÁSPERO VIRIL PROLIXO AFÁVEL TREPIDANTE RECHONCHUDO GASPAR MAVIOSO MACACÃO ESFOMEADO ESPANCADO BRUTO RASCA PALAVROSO ZEZINHO IMPOLUTO MAGNÂNIMO INCERTO INSEGURÍSSIMO BONDOSO GOSMA IMPOTENTE COISA BANANA VIDRINHO CONFIDENTE PELUDO BESTA BARAFUNDOSO GAGO ATILADO ACINTOSO GAROTO ERRADÍSSIMO INSINUANTE MELÍFLUO ARRAPAZADO SOLERTE HIPOCONDRÍACO MALANDRECO DESOPILANTE MOLE MOTEJADOR ACANALHADO TROCA-TINTAS ESPINAFRADO CONTUNDENTE SANTINHO SOTURNO ABANDALHADO IMPECÁVEL MISERICORDIOSO VOLUPTUOSO AMANCEBADO TIGRINO HOSPITALEIRO IMPANTE PRESTÁVEL MOROSO LAMBAREIRO SURDO FAQUISTA AMORUDO BEIJOQUEIRO DELAMBIDO SOEZ PRESENTE PRAZENTEIRO BIGODUDO ESPARVOADO VALENTE SACRIPANTA RALHADOR FERIDO EXPULSO IDIOTA MORALISTA MAU NÃO-TE-RALES AMORDAÇADO MEDONHO COLABORANTE INSENSATO CRAVA VUKGAR CIUMENTO TACHISTA GASTO IMIRALÃO IDOSO IDEALISTA INFUNDIOSO ALDRABÃO RACISTA MENINO LADRADOR POBRE-DIABO ENJOADO BAJULADOR VORAZ ALARMISTA INCOMPREENDIDO VÍTIMA CONTENTE ADULADO BRUTALIZADO COITADINHO FARTO PROGRAMADO IMBECIL CHOCARREIRO INAMOVÍVEL...

 

O'NEILL, Alexandre 1972 — Entre a Cortina e a Vidraça

 

Componha um texto "adjectival" para uma destas entidades:

— Portugal

— família

— futebol

Exercício 3

A coisa pouco concreta, acrescenta-lhe etecétera.

 

A mulher e a sardinha, tanto faz grande, como pequenina.

 

Ao mesmo tempo não pode ser, trabalhar e enriquecer.

 

Devagar se vai ao longe também, mas já não se encontra ninguém.

 

Em terra de cegos quem tem olho é naturalmente zarolho.

 

Quem muito sofre dos calos, não se mete onde possam pisá-los.

 

Se a coisa é para não avançar, faz-se um inquérito parlamentar.

 

Se chove no Verão e faz sol no Inverno, a culpa é do governo.

 

Se sabes como se pede o subsídio comunitário, jé tens espírito de empresário.

 

 

LOURENÇO, TomásProvérbios Pós-Modernos, Âncora Ediora.

 

Invente os seus próprios provérbios "pós-modernos".