Trabalho de Albina Pereira - Esc. Sec.de Gondomar
1. MATERIAIS DE APOIO À ESCRITA
1.1.1 PESSOAL
1.1.2 OFICIAL
1.1.3 DE APRESENTAÇÃO
1.1.4 DE RECLAMAÇÃO
2.1 O RESUMO / A SÍNTESE / A CONTRACÇÃO
2.1.1 O RESUMO
2.1.2 A SÍNTESE
2.1.3 A CONTRACÇÃO
3. TÉCNICAS
DE COMUNICAÇÃO ORAL
3.2
GUIÃO DE DEBATE
4. FUNCIONAMENTO
DA LÍNGUA
1.1 A CARTA
A carta é um texto cuja organização
e linguagem são condicionadas pela intenção de quem
comunica (remetente) com alguém que se encontra ausente (destinatário),
para dar notícias, cumprimentar, fazer pedidos, reclamar, apresentar-se...
Há diferentes TIPOS DE CARTAS:
As primeiras destinam-se a familiares e amigos e têm como qualidades principais:
ESTRUTURA DA CARTA
1.1.1 CARTA PESSOAL
1.1.2 CARTA FORMAL (OFICIAL )
A CARTA PESSOAL
EXEMPLO
Exmo Senhor Ferreira de Castro
Muito obrigado pelo artigo que escreveu a meu respeito
no último número de "A Hora" - que tenho lido sempre com
grande interesse, como leio tudo que é apaixonado e sincero.
São raras efectivamente as pessoas que em Portugal
estimam os meus livros, mas essas bastam-me, quando compreendem não
o que vale a minha obra necessariamente imperfeita, mas o esforço
que faço para arrancar alguns farrapos ao limbo...
Creia-me sempre
Nespereira
Guimarães
28 de Março 1922
EXERCÍCIOS
1- Imagine que se encontra a passar férias num outro país e escreva uma carta a um seu familiar.
2- Chegou a hora de mostrar o quão romântico
é! Redija uma carta de amor.
CARTA OFICIAL
Existem dois sistemas a que a elaboração
de uma carta oficial pode obedecer: sistema tradicional e sistema normalizado.
Qualquer dos sistemas de elaboração de cartas
contém os mesmos elementos, mas apresentados de forma diferente.
Vejamos os seguintes exemplos:
SISTEMA TRADICIONAL
Morais & Cª
Bazar Infantil
Rua das Hortênsias, Loja 4- B
1000 Lisboa
Manuel Pimenta
Rua dos Clérigos, 20
4000 Porto
Exmo Senhor,
Tomamos a liberdade de apresentar a V. Sª o Exmo Sr. Fernando Monteiro, n/ cliente e muito prezado amigo, que nessa cidade se demorará algum tempo, levado pela necessidade de se submeter a um tratamento e ao mesmo tempo resolver negócios.
Vimos, por isso, rogar-lhe que tenha a bondade de lhe abrir um crédito até à quantia de 100.000$oo, a receber em parcelas ou numa só entrega, e da qual V, Sª se reembolsará sacando à vista contra a n/ firma pelas importâncias que o n/ apresentado for levantando.
Com os n/ agradecimentos e com toda a estima
SISTEMA NORMALIZADO
Morais & Cª
Bazar Infantil
Rua das Hortênsias, Loja 4 - B
1000 Lisboa
Manuel Pimenta
Rua dos Clérigos, 20
4000 Porto
N. Refª: 1234
V. Refª
Data: 1 de Abril de 1998
ASSUNTO: Abertura de crédito
Exmo Senhor,
Tomamos a liberdade...
Com os n/ agradecimentos e com toda a estima
EXERCÍCIOS
1- Identifique, no primeiro exemplo, as partes da carta.
2- Responda à carta transcrita, utilizando o sistema
normalizado.
(índice)
1.1.3 CARTA DE APRESENTAÇÃO
Uma carta de apresentação é um texto em que o destinatário pretende apresentar-se, nomeadamente para a candidatura a um emprego.
Segue a estrutura fornecida para as cartas em geral:
João da Silva
Rua da Prata, 12
1100 Lisboa
Exmos Senhores,
Tendo tomado conhecimento do vosso anúncio no jornal X, de 1 do corrente, para o cargo de Y na vossa empresa, venho por este meio apresentar a minha candidatura.
Tenho 27 anos, sou solteiro e tenho o serviço militar cumprido.
Possuo, como habilitações literárias, o 12º ano e, além disso, frequentei um curso de informática, possuindo conhecimentos de MS- Dos, WINDOWS, processamento de texto, folha de cálculo e base de dados.
Como experiência profissional, trabalho há quatro anos na empresa Z, onde sou funcionário administrativo, mas desejaria trabalhar na área de informática.
Tenho boa capacidade de relacionamento e encontro-me disponível para iniciar novas funções a curto prazo.
Antecipadamente, agradeço a atenção que dispensarem à minha candidatura. Aguardando resposta favorável, subscrevo-me com consideração.
EXERCÍCIO
1- Tendo em atenção a carta apresentada como modelo, responda a um anúncio que seleccionará de um jornal à sua escolha.
(índice)
1.1.4 CARTA DE RECLAMAÇÃO
O acto de reclamar reveste duas facetas: a de um
direito e a de um dever. Reclama-se porque um direito nos foi retirado,
mas reclama-se também porque a disciplina, a dignidade, a justiça
e a moral da vida em sociedade a isso nos impelem. A reclamação
é, assim, uma forma de preservação dos direitos individuais
e. ao mesmo tempo, um acto de consciência colectiva. Por outro lado,
o acto de reclamar pressupõe, no fundo, um juízo de valores.
Poderá ser directa ou indirecta, se feita pelo
próprio ou por uma terceira pessoa, e, ainda, oral ou escrita. É
especialmente desta última que nos vamos ocupar.
Antes de reclamar, convém verificar se há
motivo (legal, profissional ou moral), se a reclamação é
viável e oportuna, se ela não prejudica terceiros, se vale
a pena reclamar - em caso de dúvidas consultemos pessoas esclarecidas
e informemo-nos sobre a questão.
Para realizar uma reclamação, é necessário recolher os elementos necessários: informações, documentos, testemunhos... reunindo todos os elementos que possam constituir prova, com serenidade e sem precipitações, tendo presente que é melhor esperar do que fazer uma reclamação sem base ou mal feita.
Toda a reclamação deve assentar na ordem, no método e na correcção. Deste modo devemos prestar atenção especial:
PLANO DA CARTA DE RECLAMAÇÃO
Uma reclamação apresentará, pelo menos, os pontos seguintes:
ERROS A EVITAR
Para além de saber elaborar uma reclamação, é necessário evitar deficiências que prejudicam o objectivo em vista. De entre elas destacam-se as seguintes:
Modelo de uma reclamação bem feita:
Exmo Sr. Administrador das Indústrias Reunidas
S.A.R.L.
António Miguel dos Santos, representante em Portugal da Société Industrielle papétière et tipographique, de Bruxelas (Bélgica), com escritório na Rua de Amadis de Gaula, nº 25, em Lisboa, e telefone 556688, toma a liberdade de expor a V. Exª o seguinte:
1º- Em 12 de Abril de 1953 a sociedade "Indústrias Reunidas", de que V. EXª é muito digno Administrador, abriu concurso para os seguintes fornecimentos:
3º- Em 30 de Maio do referido ano de 1953, foram as propostas abertas na presença dos interessados, conforme consta de auto lavrado na referida data, da qual o signatário possui cópia.
4º- Em 12 de Junho do mesmo ano, foram-nos solicitados alguns informes complementares, em vossa carta nº 7.42 /53. Proc. C. P. - I, de 12 de Junho de 1953, à qual prontamente respondemos em nossa carta nº 625 / 53, de 16 do mesmo mês de Junho (Docs. números 3 e 4).
5º- Em 20 de Julho, foi o signatário informado de que o assunto estava em estudo nessa Administração e que ficaria resolvido dentro de 30 dias.
6º- Como, porém, decorridos dois meses sobre essa data, ou seja, em fins de Outubro, nada nos tivesse sido comunicado, e como o protelamento da questão nos causasse sérios prejuízos, porquanto estava imobilizado um depósito de garantia de uma centena de contos, e nos encontrávamos impossibilitados de concorrer a outros fornecimentos, enquanto essa Sociedade não resolvesse em definitivo o problema, dirigimo-nos, por carta, à vossa Administração, em 27 de Outubro de 1953 (Doc. número 5).
7º- Só cerca de quatro meses depois, isto é, em 23 de Fevereiro de 1954, nos foi comunicado, em vossa carta nº 821 /54, Proc. C. P. I., que, por motivos imprevisíveis de ordem interna, só então o assunto iria ser considerado com a maior brevidade (Doc. número 6).
8º- Acontece, porém, que, posteriormente à referida data, e sem que o concurso haja sido anulado, teve conhecimento o signatário de que a firma desta cidade, "Armazéns de Papéis", a qual nem sequer concorrera ao atrás referido concurso, tem estado a fornecer os papéis dos tipos postos a concurso em 1953, por preços manifestamente superiores aos oferecidos na proposta da Firma pelo signatário representada.
9º- Além disso, contra o que fixava a cláusula 27, do vosso caderno de encargos, não foi o signatário, até agora, avisado do resultado do concurso, nem tão-pouco convidado a levantar o depósito de garantia, imobilizado, com grave prejuízo para os seus negócios, há mais de dois anos.
Em face do exposto, e porque se afigura, ao signatário, ser-lhe devida a necessária reparação, peço a V. Exª se digne:
1º- Adjudicar, ao signatário, o fornecimento a que se alude, visto a proposta apresentada pela Firma, de que é representante, ter sido a mais vantajosa ou
2º- Informar o signatário sobre:
António Miguel dos Santos
Anexos: Seis documentos.
EXERCÍCIOS
1- A reclamação que vai ler está mal feita. Indique as suas deficiências.
Exmo Sr.,
António Manuel dos Santos, tendo, em tempos, apresentado a um concurso os seus produtos e não tendo sido dado fundamento ao assunto, e como isto é uma irregularidade, e não há o direito de fazer tal coisa, vem protestar contra semelhante abuso e pedir providências. Já diversas vezes tem reclamado verbalmente, mas sem resultado, fazendo-o agora por escrito. Embora outros se calem, o signatário vem pedir justiça, em nome dos bons princípios da moral, que V. Exª deve zelar.
2- Elabore uma reclamação, recordando um
acontecimento em que tenha sentido vontade de reclamar, não a tendo
realizado na altura.
(índice)
1.2 O CURRICULUM VITAE
O curriculum vitae, do latim, significa "percurso de vida" e começa a ser referido também pela expressão currículo pessoal ou simplesmente currículo. É um documento que nos permite comunicar com os outros numa situação concreta do mundo do trabalho. Apresenta várias facetas do indivíduo, e o seu objectivo máximo é despertar o interesse pela pessoa, criar o desejo de falar com ela, querer saber mais coisas a seu respeito. Não é, portanto, um documento estático, pois veicula uma imagem forte da personalidade, capaz de agir sobre o leitor-destinatário e levá-lo a querer procurar mais informação sobre o candidato ou interveniente. É, assim, um instrumento de motivação e de sedução.
Na procura de emprego, é uma espécie de
carta de apresentação, pessoal, que permite ao empregador
verificar se o candidato possui ou não os requisitos pretendidos.
O candidato deve valorizar as ocupações profissionais anteriores
que sejam próximas daquelas para as quais se procura uma pessoa.
ESTILO
Na elaboração de um currículo pessoal
pode utilizar-se o plural majestático (nós fizemos), a primeira
pessoa do singular (eu fiz) ou a terceira pessoa do singular (ele fez).
Pode ainda ser feito de forma descritiva, sob a forma de fichas.
PARTES DE UM CURRÍCULO
Um currículo apresenta as partes essenciais seguintes:
Na resposta a um anúncio de emprego, escreve-se
uma carta formal e objectiva do seguinte teor a que se amexa o C.V.:
Remetente
Exmos Senhores,
Em resposta ao vosso anúncio publicado no jornal--,
do dia --, venho por este meio candidatar-me ao lugar de --, para o qual
creio preencher as condições requeridas.
Junto envio o meu "curriculum vitae", conforme o anúncio
solicita.
Manifestando a minha disponibilidade para uma futura
entrevista, sou
EXEMPLO
I- Identificação
Nome: José António Rodrigues Castro
Data de nascimento: 1-10-70
Naturalidade: S. Cosme, Gondomar
Filiação: Manuel Ferreira Castro e Adozinda
Martins Rodrigues
Estado civil: solteiro
Nº do B.I.: 3425418
Morada: Rua dos Belos Ares, 15
S. Cosme
4420 Gondomar
Telefone: 02- 4831927
II- Formação académica
Licenciatura em Engenharia Civil, concluída em
Junho de 1994, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com
a classificação de 19 (dezanove) valores
III- Formação profissional
Estágio de um ano, organizado pela empresa Ramos
& Lemos, realizado em 1995
Curso de formação na área de exploração
de minas, com a duração de três meses, realizado no
ano de 1996
Curso de Inglês, nível Avançado,
no Instituto de Línguas de Gondomar, concluído em 1996
IV- Experiência profissional
De Agosto de 1994 a Dezembro de 1996 - Responsável
pela elaboração de projectos na "Obrafeita"
Desde Janeiro de 1997- professor assistente na Faculdade
de Engenharia do Porto
V- Outros elementos de interesse
Com carta de condução
Facilidade de comunicação e relacionamento
com os colegas.
VI- Referências
Dr. Mário Cruz Machado, presidente da "Obrafeita"
EXERCÍCIOS
1- Redija o seu próprio currículo.
(índice)
1.3 O INQUÉRITO
Um inquérito é um estudo baseado nas respostas
que um determinado número de pessoas dá a um questionário
sobre um tema.
OBJECTIVOS
Os objectivos de um inquérito podem reduzir-se a um pequeno número:
Para preparar e realizar um inquérito devemos seguir estes passos:
O vocabulário deve ser simples, o que nem sempre
é fácil de conseguir, pois o risco é o redactor tender
para os extremos: ser demasiado culto ou demasiado "popular". Termos quantitativamente
vagos, como "muitos", "bastantes", "frequentemente", são de evitar,
pois cada inquirido atribuir-lhes-á um significado diferente, devendo
ser substituídos por quantidades definidas. A clareza é a
grande preocupação ao elaborarmos um questionário
e deve ser suficiente para que a sua compreensão dispense explicações,
que nunca devem ser dadas.
TIPOS DE QUESTÕES
Quanto ao conteúdo distinguimos duas grandes categorias:
Do ponto de vista da análise dos resultados, as
questões fechadas são, a priori, as mais cómodas.
EXEMPLO
Hábitos de leitura
1- Gostas de ler?
Muito Mais ou menos Pouco Nada
2- Quantos livros tens, sem contar com os livros escolares?
Nenhum Menos de dez De dez a vinte Mais de vinte
3- Que tipo de livros preferes?
Aventuras Banda desenhada Ficção
científica Policiais Outros
APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DE UM INQUÉRITO
(índice)
1.4 A ACTA
A acta é o relato informativo de uma reunião.
Dela devem constar todos os factos importantes que ocorreram
nessa reunião.
Logo no início de uma sessão de trabalho
se deve designar o secretário, isto é, a pessoa encarregada
de fazer a acta, pois deve atentamente tomar notas minuciosas sobre:
------------------------ ACTA NÚMERO TRINTA E TRÊS
------------------------
Aos vinte e um dias do mês de Setembro, do ano
de mil novecentos e oitenta e nove, pelas vinte e uma horas, com a presença
dos elementos da direcção da Associação ------,
constituída pelos senhores -----, teve lugar a reunião periódica
da mesma direcção, presidida pelo senhor vice-presidente
----, com a seguinte Ordem de Trabalhos:---------------------------------
Ponto um: Preenchimento dos documentos de Caixa; -------------------------------------------------
Ponto dois: A Casa de Chá e a Churrascaria.---------------------------------------------------------------
Aberta a sessão, foi lida a acta da reunião
anterior, que depois de sofrer uma ligeira correcção gramatical,
num período, foi aprovada pelo Conselho e, de seguida, assinada,
em prova da conformidade.-------------------------------------------------------------------------------------------------
Na ausência do senhor presidente, assumiu a direcção
da reunião o senhor vice-presidente ----, que, depois de saudar
os presentes, declarou ser de interesse enviar a todos os elementos da
direcção fotocópia da acta aprovada, explicando que
seria um estímulo e um convite para estarem presentes em reuniões
futuras aqueles que, por mero comodismo, não comparecem.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Pediu de seguida a palavra o senhor tesoureiro,---, para
manifestar alguns reparos em relação à forma como
estão a ser emitidos vários documentos de "caixa" que, a
seu ver, deveriam ser escriturados de forma mais regulamentar, tendo-se
acordado providenciar no sentido de se operarem as necessárias correcções
que procuram acautelar a Associação de qualquer incómodo,
em termos fiscais.-------------------------------------------------------------------------
Foi depois discutida a situação relacionada
com o preenchimento dos lugares destinados à exploração
da Casa de Chá e da Churrascaria, não havendo, de momento,
qualquer outra perspectiva, quanto à sua ocupação,
apesar de terem já surgido pretendentes, um dos quais quase chegou
a comprometer-se, tendo-se gorado a sua aceitação dois dias
após o contacto inicial, por factos que podem considerar-se estranhos
e que a curto prazo a Associação vai tentar esclarecer.--------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a reunião,
da qual se lavrou a presente acta que, depois de lida e aprovada, vai ser
assinada pelo presidente da reunião e por mim, que a secretariei.--------------------------------------------------------------------------------------------------------
O VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO:---------------------------------------------------------------------
O SECRETÁRIO:-------------------------------------------------------------------------------------------------------
EXERCÍCIOS
1- Redija a acta de reunião da Direcção
do "Clube os Melros", na qual foram realizados os actos que se seguem:
1.5 A DISSERTAÇÃO
A dissertação é um estudo minucioso,
uma tese ou ensaio erudito. Deriva do termo latino que significa "discussão"
e emprega-se para qualquer exposição séria, tanto
escrita como oral. No essencial, é uma demonstração
de raciocínio com vista a informar/ convencer o leitor ou o ouvinte
da validade dos argumentos. Como texto bem construído, exige o domínio
de uma técnica.
ESTRUTURA
Deverá comportar:
Um texto desta natureza deve ter em conta, com a maior
acuidade, as seguintes
QUALIDADES:
REDACÇÃO
2. DA LEITURA À ESCRITA
2.1 O RESUMO / A SÍNTESE / A CONTRACÇÃO
2.1.1 O RESUMO
O resumo é um texto que apresenta as ideias ou
factos essenciais desenvolvidos num outro texto, expondo-os de um modo
abreviado e respeitando a ordem pela qual surgem no texto original.
FASES DE PREPARAÇÃO DO RESUMO
1ª- Compreensão do texto original
3ª Construção do novo texto (resumo)
DEFEITOS A EVITAR NA ELABORAÇÃO DO RESUMO
EXEMPLO
TEXTO A RESUMIR
"Um presente muito especial"
João aguardava impacientemente que chegasse
o seu aniversário, no início do mês de Agosto.
Contava os dias, as horas e os minutos, pois sabia que ganharia um jogo
electrónico, pelo qual esperava com tanta ansiedade.
O tempo passou lentamente, mas finalmente chegou o dia
tão esperado. Ao acordar, olhou para o lado e junto à sua
cama estava o brinquedo dos seus sonhos.
De súbito saltou da cama, deu pulos de alegria
e correu para chamar o irmão e mostrar-lhe o seu presente. Os seus
olhos brilhavam de satisfação quando, juntamente com o irmãozinho,
começou a brincar.
Durante toda a tarde não saíram de perto
do novo brinquedo. Foi só quando já estava a escurecer que
se lembraram de convidar um amigo do João, que morava no mesmo prédio,
para brincar com eles.
Assim que telefonou para o amigo, ele correu para o apartamento
e os três brincaram até a hora do jantar.
Para resumir um texto desta natureza deve-se mencionar
os elementos essenciais a partir dos quais a composição foi
elaborada, ou seja, as personagens, o local, o tempo e factos principais
da acção:
Personagens: João, o irmão e o amigo
Local: a casa de João
Tempo: início do mês de Agosto
Factos principais:
RESUMO DO TEXTO
João aguardava ansiosamente pelo dia do seu aniversário,
no início do mês de Agosto, pois ganharia um jogo electrónico.
Ao acordar, nesse dia, encontrou o presente. Mostrou-o ao irmão,
com quem brincou durante toda a tarde. Lembrou-se de telefonar a
um amigo que morava no mesmo prédio, chamando-o para brincar também.
Os 3 divertiram-se muito com o jogo até à hora do jantar.
Não esquecer que não se devem copiar trechos
do texto de modo a construir o resumo. Ele deve nascer da compreensão
do texto e reunir somente as ideias principais nele contidas.
Repare agora no seguinte
EXEMPLO
TEXTO A RESUMIR
- Fuja, fidalgo, que me perco! Fuja, que o mato e me perco!
Gonçalo Mendes Ramires correu à cancela
entalada nos velhos umbrais de granito, pulou por sobre as tábuas
mal pregadas, enfiou pela latada que orla o muro, numa carreira furiosa
de lebre acossada! Ao fim da vinha, junto aos milheirais, uma figueira
brava, densa em folham alastrara dentro de um espigueiro de granito, destelhado
e desusado. Nesse esconderijo de rama e de pedra se alapou o fidalgo da
Torre, arquejando. O crepúsculo descera sobre os campos, e com ele
uma serenidade em que adormeciam frondes e relvas. Afoutado pelo silêncio,
pelo sossego, Gonçalo abandonou o serrado abrigo, recomeçou
a correr, num correr manso, na ponta das botas brancas, sobre o chão
mole das chuvadas, até ao muro da Mãe d`Água. De novo
estacou, esfalfado; e, julgando entrever, longe, à orla do arvoredo,
uma mancha clara, algum jornaleiro em mangas de camisa, atirou um berro
ansioso:
- Ó Ricardo! Ó Manuel! Eh lá, alguém!
Vai aí alguém?...
A mancha, indecisa, fundira na indecisa folhagem.
RESUMO DO TEXTO
Fugindo a uma ameaça (de José Casco dos
Bravais, por não ter cumprido a sua palavra quanto a um contrato
de arrendamento de terras), Gonçalo salta uma cancela, corre ao
longo de uma vinha, esconde-se num espigueiro, a descansar, e faz nova
correria, gritando pelos moços da lavoura, que julga entrever ao
longe no arvoredo da sua quinta.
EXERCÍCIOS
1- Resuma o seguinte texto, a partir dos tópicos
que lhe são fornecidos.
TEXTO A RESUMIR
"Processo educacional e seus objectivos"
Quando se analisa o processo educacional e se questionam
os seus principais objectivos, não podemos deixar de observar a
existência de dois planos diferenciados: o aspecto individual, relacionado
ao comportamento do aluno; e o profissional, voltado para o despertar das
suas potencialidades.
Na escola, a criança tem a oportunidade de participar
de um pequeno grupo social mais complexo que o grupo familiar. Desde cedo,
é função do educador tentar mostrar, por palavras
e atitudes, a importância de certos fundamentos básicos da
convivência social: o comportamento ético em relação
aos colegas e professores, a preservação do ambiente, o respeito
pelos regulamentos e também a consciencialização dos
seus direitos como estudantes.
Além disso, parece-nos essencial que, uma vez
observada determinada aptidão para certas actividades, o aluno seja
incentivado a desenvolvê-las progressivamente. Estimular a curiosidade
científica, a expressão escrita e oral, levar o aluno a pesquisar
assuntos do seu interesse, entre outros, dar-lhe-ão a possibilidade
de escolher uma profissão através da qual se realize.
Dessa forma, a escola estaria prestando uma colaboração
indispensável para formar cidadãos preparados para conviver
harmoniosamente com a comunidade e dela participar de modo efectivo, no
desempenho da sua função profissional.
TÓPICOS PARA A ELABORAÇÃO DO RESUMO
2.1.2 A SÍNTESE
A Síntese é um exercício rigoroso
e delicado, incompatível com a improvisação e que
apela à agilidade de espírito para distinguir o essencial
de um pensamento e reconstruí-lo fielmente.
Há quem chame à síntese resumo crítico
e com alguma razão, já que ela exige uma condensação
de texto que dê conta das ideias do autor e da sua intenção.
É, por isso, menos vincadamente impessoal do que
o resumo.
Uma síntese não pode ser confundida com
uma ficha, em forma de catálogo de ideias e num estilo telegráfico.
Constitui, antes, um género de texto elaborado, de dimensão
reduzida, mas redigido de forma simples, clara e consistente.
FASES DE ELABORAÇÃO DE UMA SÍNTESE
1- A compreensão do texto
Para além das indicações comuns à redacção do resumo, conviria acrescentar algumas, próprias da síntese.
b) Há que garantir fidelidade aos textos, evitando, ao tratar-se de vários textos, a aproximação tendenciosa, a simetria abusiva, as oposições forçadas e as divergências exageradas. Respeitemos o pensamento de cada autor;
c) A concisão é muito importante, não ultrapassando o número de palavras pedido. Eliminemos o que não é pertinente, embora seja interessante e até original. O que é acessório, próprio de uma época ou visão, não deve ser retido;
d) A clareza, a precisão e a elegância são aqui rainhas. Tenhamos cuidado com as frases demasiado longas e pouco claras.
EXEMPLO
Observe o exemplo, de acordo com os itens abaixo desenvolvidos.
"O conflito"
Se o conflito for a expressão da individualidade
do grupo, não restam dúvidas de que nem o sector têxtil
nem o sector agrícola se reconhecem nas actuais tendências
da evolução da economia portuguesa. Para eles, a adesão
à Comunidade está a traduzir-se no já esperado aumento
de dores de cabeça.
As soluções não são fáceis.
Pegando na frieza da descrição dos próprios empresários,
metade das empresas têxteis devem fechar as portas o mais rápido
possível, para não inviabilizarem a salvação
das restantes e mesmo estas não dispõem de meios para suportar
a sua quota-parte no plano de modernização do sector.
A situação da agricultura não é
mais brilhante e não resistirá às novas medidas comunitárias.
A agricultura portuguesa não produz de mais, mas sim de menos. Em
vez de excedentes, importamos muito do que comemos. Pratica preços
elevados porque carece de modernização e de produtividade.
Os seus problemas só se reconhecem na "pré-História"
da agricultura comunitária. Se lhe reduzem os preços e as
áreas de produção, acabam com ela.
À beira das eleições, o Governo
desejaria tudo menos o estalar destes conflitos. Mas de certa forma merece-os
pela forma pouco séria com que recebeu algumas sugestões
num passado recente. O engenheiro João Cravinho teria razões
para dizer a este respeito "cá se fazem, cá se pagam".
Se a corrente liberal tivesse maior tradição
em Portugal, erguer-se-iam muitas vozes a aconselhar o Estado a deixar
funcionar o mercado. As boas empresas seriam salvas, as restantes iriam
ao fundo. Faríamos aquilo que soubéssemos fazer melhor que
os outros e a médio prazo todos lucraríamos. Mas é
certo e sabido que se houvesse algum partidário desta corrente no
partido do Governo que se atrevesse a abrir a boca, iria parar ao último
lugar das listas para deputados pela emigração.
Mas porque os interesses eleitorais o impõem e
porque, de facto, se deixarem o mercado funcionar livremente, se criarão
situações sociais muito difíceis, é possível
que o Governo se empenhe em conseguir um tratamento favorável para
a agricultura portuguesa dentro da Comunidade e que se socorra, mais uma
vez, da "herança socialista" das empresas públicas, para
facilitar os créditos, pagamentos atrasados de dívidas à
EDP e à Segurança Social e faça o Estado assumir parte
das dívidas das empresas têxteis. Que o faça, no entanto,
apenas para as que têm futuro, caso contrário, daqui a pouco
tempo, voltamos ao mesmo.
Frases à margem do texto:
SÍNTESE
A agricultura portuguesa e o sector têxtil estão
a passar um mau momento: a adesão comunitária impõe
a sua adaptação que passa pelo funcionamento do mercado e
este leva, segundo o autor, a encerrar metade delas e a apoiar as restantes.
Estas medidas serão lentas, devido aos problemas
governativos e sociais delas decorrentes: vivemos em período eleitoral
e há fortes apoios comunitários capazes de adiar a solução
natural - a liberdade concorencial.
Oxalá as intervenções se verifiquem
apenas nas empresas viáveis.
(80 palavras)
(índice)
2.1.3 A CONTRACÇÃO
A contracção de texto baseia-se no facto
de nem todas as palavras, ideias ou unidades de significação
de um texto terem igual importância; daí que seja possível
miniaturizá-lo, despindo-o de todos os elementos redundantes, sem
com isto alterar a ordem das ideias que deve ser obrigatoriamente respeitada.
O RESUMO / A SÍNTESE / A CONTRACÇÃO
Os três tipos de textos são passíveis
de causar dificuldades na sua distinção.
Nos três casos, o trabalho prévio de compreensão
do texto é comum:
EXEMPLO
Texto-base (sublinhadas as palavras-chave e assinalados os articuladores de discurso mais importantes)
"A influência de Paris prolongava-se inevitavelmente na vida artística nacional, como lugar onde se recebia mais inspiração do que lições, pois, desde o romantismo, a aprendizagem fora secundária e sobretudo aproximativa, em desfasamento cronológico. Agora, com a individualização crescente das relações, não se tratava de aprender uma "escola", mas de entender um ritmo cultural - e foi pior. Viana jurou pelo cubismo, em 25, ao regressar de uma viagem parisiense - mas que podia ele perceber da dinâmica do cubismo? E os três ou quatro outros que regressavam de lá, por essa mesma altura, pintores ou escultores, bastou-lhes o ar da "pátria entrevada", que dez anos atrás ainda acicatara Amadeo, para os reduzir a uma prudência formal".
Contracção do texto-base:
A influência de Paris prolongava-se (...) na (arte)
nacional, como (...) inspiração (...), desde o romantismo,
(...) em desfasamento cronológico. (...) com a individualização
crescente das relações (...) foi pior. Viana jurou pelo cubismo,
em 25, msas (sem o assimilar devidamente). E (a) os outros (regressados
de Paris) (...) bastou-lhes o art da "pátria entrevada" (...) para
os reduzir a uma prudência formal.
CONTRACÇÃO
A influência de Paris chegava à arte nacional,
sobretudo como inspiração, desde o romantismo, e com algum
atraso. Com a chegada do cubismo foi pior. Viana a ele aderiu, em 25, mas
sem o assimilar devidamente e aos outros regressados de Paris bastou a
hostilidade do público às inovações formais
para os inibir.
RESUMO
Os pintores portugueses imitavam a arte parisiense, desde
o romantismo, sem uma aprendizagem efectiva. Com o cubismo foi pior. Os
regressados de Paris, ou não o entenderam bem , ou inibiram-se com
a reacção negativa do público às inovações
formais.
SÍNTESE
O texto de Augusto França aborda a forma como os
pintores portugueses têm imitado, desde o romantismo, e com atraso,
a arte parisiense, sem apreendê-la. Situando-se no período
cubista, o autor alude à inibição dos regressados
de Paris diante da hostilidade do público e à incompreensão
da dinâmica cubista por parte de Viana.
EXERCÍCIOS
1- Elabore o resumo, a síntese e a contracção do seguinte texto.
"Coração feliz"
Uma leve tontura, uma forte dor de cabeça, a impressão
de ouvir zumbidos e o diagnóstico caseiro não tarda: "Estou
com a tensão alta".
O pragmático cidadão português é
assim. Sobra-lhe em experiência diária ou em conversas de
vizinhança o que lhe falta em conhecimentos clínicos...
A verdade - garantem os médicos - é que
ninguém consegue saber a sua pressão arterial sem a medir.
Tal como é falso que o colesterol elevado seja uma doença
com cura ou que o peixe gordo e o azeite façam mal ao coração.
Os exemplos não foram escolhidos ao acaso. Todos
eles integram a lista de mitos identificada num inquérito realizado
pela Matris, com o objectivo de "avaliar o nível de conhecimento
de portugueses relativamente aos aspectos centrais que caracterizam os
comportamentos de risco face às doenças e complicações
de foro cardiovascular".
O estudo foi encomendado pela Fundação
Portuguesa de Cardiologia em conjunto com a Associação Portuguesa
dos Médicos de Clínica Geral, no âmbito do projecto
"Coração Feliz". Em matéria de más notícias
não ficou por aqui.
Mais de metade dos inquiridos acredita também
que a hipertensão arterial é uma doença com cura,
assim como é ideia corrente que fumar sem "engolir" o fumo é
menos prejudicial que fumar inalando-o. Isto a juntar ao facto de só
18% da população ouvida associar o tabagismo a eventuais
doenças do coração, uma vez que a grande maioria (84%)
apenas o relacionam com o cancro.
Erros e mais erros, denunciaram Manuel Carrageta e Amílcar
Aleixo, presidente e representante, respectivamente, da FPC e da APMCG.
Confusões que em termos de saúde pública se pagam
caro, "sobretudo" - salienta Amílcar Aleixo - " se tivermos presente
que em Portugal (e ao contrário do que se passa na generalidade
dos outros países) a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares
continua a subir".
3. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO
ORAL
3.1 GUIÃO DE ENTREVISTA
Uma entrevista, como o nome indica, permite apenas entrever uma personalidade. A sua missão é dizer ao leitor quem é e como é tal pessoa - transmitir um certo retrato de um indivíduo. O modo de colocar as questões condiciona a sinceridade e o interesse das respostas. Convém, assim, evitar questões que comprometam demasiado directamente o interlocutor.
Antes de realizar qualquer entrevista, é necessário seleccionar:
FASES DE ELABORAÇÃO DA ENTREVISTA
1- Os preparativos
2- O questionário
Deverás anotar as perguntas, procurando que elas sejam abertas, isto é, que evitem a resposta "sim" ou "não". Por exemplo:
3- O acto de entrevistar
Admitem-se novas perguntas quando a resposta exige alguma
clarificação ou aprofundamento.
Deverão ser registadas exactamente como o entrevistado respondeu. Se as puderes gravar, será mais fácil.
4- A redacção
Depois da entrevista transcrita, poderás fazer
alguma modificação, respeitando sempre as respostas: modificar
para aclarar ou tornar algo mais compreensível; suprimir repetições
desnecessárias,...
Costuma redigir-se um parágrafo final (despedida,
síntese, agradecimentos).
É conveniente que mostres ao entrevistado a redacção
definitiva para que ele autorize a publicação e para que,
se for necessário, corrija alguma resposta que, no seu entender,
não reflicta bem o que ele pretendia dizer. Assim poderás
evitar possíveis reclamações.
EXEMPLO
"Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, Uma Aventura de Sucesso"
Começaram por escrever para os alunos que não liam. Mas os livros "Uma aventura" chegaram muito mais longe. A fórmula não é nova, mas o segredo parece estar no facto de tudo se passar entre nós, com crianças portuguesas.
Pergunta: Como é que tudo começou?
A.M.M.: Em 1982, éramos professoras de História e Português na mesma escola e começámos a preparar as aulas em conjunto. A certa altura decidimos escrever textos para os alunos com mais dificuldades.
I.A: Procurámos escrever histórias com linguagem simplificada e, especialmente, que transmitíssem a informação que queríamos fazer-lhes chegar, de forma a ir ao encontro dos seus interesses: com acção e personagens da idade do leitor.
A.M.M.: Eram histórias pequenas e apresentávamo-las
aos alunos assinadas com outro nome.
Por brincadeira e também porque queríamos
que eles as julgassem objectivamente, sem terem medo de dizer mal porque
escritas pelas professoras. Mas, para nossa própria surpresa, elas
reagiram muito bem.
I.A.: Quando demos por isso estavam a ser utilizadas por colegas nossas e uma das histórias foi mesmo usada numa prova de exame do Ministério.
Despedimo-nos das autoras, deixando-as entregues ao seu novo projecto uma "História de Descobrimentos", com piratas e corsários.
(Adaptação da entrevista de Isabel Stilwell e Isabel Alçada
e Ana Maria Magalhães , in Marie Claire, Setembro de 90)
EXERCÍCIO
1- Delimita as três partes (apresentação, corpo da entrevista e conclusão) presentes na entrevista que serve de exemplo.
2- Já ouviste cerrtamente falar de Carlos Tê,
o autor de muitas das letras divulgadas por Rui Veloso nos seus êxitos.
Formula perguntas para estas respostas do poeta sobre
"Porto Covo".
3.2 GUIÃO DE DEBATE
Um debate é um diálogo ordenado e metódico,
dirigido por um moderador, entre várias pessoas que mantêm
pontos de vista diferentes sobre um tema fixado com antecedência.
Para que esse debate seja possível, é necessário
que todos os participantes estudem antecipadamente o tema a debater. Depois,
e em função das posições antagónicas,
organizam-se dois grupos que vão defender as suas opiniões.
Deve-se então seleccionar um moderador, dois ou três observadores
(que não tomarão posição quanto ao tema) e
dois secretários, um de cada grupo.
O debate é constituído pelas seguintes partes:
ARGUMENTAR NUM DEBATE
Quando participas num debate, tens de fixar a tua posição
a favor ou contra um ponto de vista. Para isso, tens de saber argumentar.
Argumentar é expor as razões em que se
fundamenta uma opinião.
COMO SE DEVE ARGUMENTAR
4. FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA
4.1 PARTICÍPIOS DUPLOS
ESPECIFICAÇÃO: Em português há
muitos verbos com duas formas de particípios: uma regular (usada
com o verbo auxiliar "ter") e outra irregular (usada na voz passiva e com
o verbo "estar").
ANÁLISE DA SITUAÇÃO LINGUÍSTICA:
Exemplo: O sr. Lucas já tinha juntado os elementos
necessários.
Agora elas estão juntas na mesma firma.
Se ele não pagar a renda até ao dia 8...
As contas do gás e da água são pagas através
do banco.
Uso da forma regular- Tenho gastado muito dinheiro;
tenho inquietado muita gente.
Uso da forma irregular- O contrato foi aceite; a fortuna
está gasta; o teu irmão anda descalço.
Eis agora alguns exemplos desse tipos desses verbos, seguidos 1º pela forma regular e depois pela forma irregular.
Aceitar - aceitado, aceite
Acender- acendido, aceso
Assentar- assentado, assente
Cativar - cativado, cativo
Cegar- cegado, cego
Completar- completado, completo
Corrigir- corrigido, correcto
Descalçar- descalçado, descalço
Dispersar- dispersado, disperso
Empregar- empregado, empregue
Entregar- entregado, entregue
Enxugar- enxugado, enxuto
Expulsar- expulsado, expulso
Fartar- fartado, farto
Ganhar- ganhado, ganho
Gastar- gastado, gasto
Imprimir- imprimido, impresso
Inquietar- inquietado, inquieto
Juntar- juntado, junto
EXERCÍCIOS
Completa as frases da 2ª linha com as formas irregulares dos particípios dos verbos da primeira.
1- Os calções de banho ainda não
secaram.
- A toalha está ___________
2- Quando entregarmos os documentos...
- As encomendas são _____________
ao domicílio.
3- Oxalá a polícia prenda o criminoso!
- O ladrão foi _____________
em flagrante.
4- O lugar tinha vagado em Outubro.
- Agora o rés-do-chão
esquerdo está ____________
5- Onde imprimiram estes convites?
- A 1ª edição fora
___________ em 1572.
6- O sr. Morgado completará 80 anos no domingo.
- Talvez as fichas de identificação
estejam _________
7- Se os girassóis murcharem...
- As papoilas estão ____________
8- Elegeram-no para vice-presidente da Assembleia.
- Eles tinham sido ___________ por
maioria simples.
9- Eles têm aceitado todas as reclamações.
- Todas as nossas condições
foram ___________
10- Suspendemos o fornecimento de materiais.
- A legislação estava
______________ desde Janeiro.
Seleccione 5 verbos da lista fornecida e construa frases
em que utilize as duas formas indicadas para cada um dos verbos.
(índice)
4.2 ARTICULADORES DE DISCURSO
ESPECIFICAÇÃO: Articuladores de discurso são palavras ou expressões (que podem ser conjunções, locuções, advérbios,...) que ajudam a explicitar e articular as ideias.
Os articuladores são usados com várias funções:
Exemplos:
1- Todos os dias vou à praia. Ontem, por exemplo,
estive lá até às 6 da tarde.
2- Gosto de viver ao ar livre. Por isso, não tenho
casa.
Como facilmente reparas, no primeiro caso, a função
do articulador é de exemplificar o que se disse anteriormente. No
2º caso, o articulador serve para reforçar a ideia também
expressa anteriormente.
EXERCÍCIOS
1- No texto seguinte estão sublinhados alguns articuladores
de discurso.
Identifica a função
que cada um desempenha.
"Era uma vez um jovem que gostava de caçar. Assim,
todos os dias se dirigia à floresta e lá caçava os
animais que lhe apareciam pela frente. Todavia, havia uma animal que ele
nunca tinha encontrado na floresta: a raposa. Efectivamente, ele nunca
tinha ouvido falar em tal animal.
Certo dia, estando ele a caçar na floresta, apareceu-lhe
o tal bicho, isto é, uma raposa. Ele ficou embasbacado, e não
conseguiu apanhá-la. A raposa ficou muito contente e fugiu a sete
pés.
Consequentemente, o jovem ficou furioso, porque acabara
de perder a oportunidade de apanhar um animal desconhecido."
2- Agora chegou a tua vez de criar um texto. Inventa uma
história e usa, pelo menos, 5 articuladores de discurso diferentes.
(índice)