FORMAÇÃO TRENDS - REPENSAR O PORTUGUÊS

Trabalho de Albina Pereira - Esc. Sec.de Gondomar



 
 

1. MATERIAIS DE APOIO À ESCRITA

        1.1 A CARTA

                1.1.1 PESSOAL
                1.1.2 OFICIAL
                1.1.3 DE APRESENTAÇÃO
                1.1.4 DE RECLAMAÇÃO

        1.2 O CURRICULUM VITAE

        1.3 O INQUÉRITO

        1.4 A ACTA

        1.5 A DISSERTAÇÃO
 
 

2. DA LEITURA À ESCRITA

        2.1 O RESUMO / A SÍNTESE / A CONTRACÇÃO

                2.1.1 O RESUMO
                2.1.2 A SÍNTESE
                2.1.3 A CONTRACÇÃO
 
 
 
3. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ORAL

        3.1 GUIÃO DE ENTREVISTA

        3.2 GUIÃO DE DEBATE
 
 
 
4. FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA

        4.1 PARTICÍPIOS DUPLOS

        4.2 ARTICULADORES DE DISCURSO
 



 
 
 

 
 
 
1. MATERIAIS DE APOIO À ESCRITA
 
 

1.1 A CARTA
 
A carta é um texto cuja organização e linguagem são condicionadas pela intenção de quem comunica (remetente) com alguém que se encontra ausente (destinatário), para dar notícias, cumprimentar, fazer pedidos, reclamar, apresentar-se...

Há diferentes TIPOS DE CARTAS:

Neste trabalho debruçar-nos-emos sobre as cartas pessoais e oficiais.

As primeiras destinam-se a familiares e amigos e têm como qualidades principais:

As segundas são frequentes no mundo dos negócios, onde constituem o documento escrito mais importante. São caracterizadas pelo sentimento do útil e não só devem permitir uma comunicação eficaz como também devem deixar uma impressão favorável na pessoa que as recebe. O seu objectivo principal é obter uma reacção positiva. Para isso contribuem qualidades como:

ESTRUTURA DA CARTA

 (índice) 

 
FÓRMULAS DE USO CORRENTE


 
 

1.1.1 CARTA PESSOAL

 (índice) 

 
 
 

1.1.2 CARTA FORMAL (OFICIAL )

   Na elaboração de uma carta, devem respeitar-se os seguintes PROCEDIMENTOS:  
Sempre que for necessário passar a limpo, é importante ter em conta:  

A CARTA PESSOAL

EXEMPLO

Exmo Senhor Ferreira de Castro

Muito obrigado pelo artigo que escreveu a meu respeito no último número de "A Hora" - que tenho lido sempre com grande interesse, como leio tudo que é apaixonado e sincero.
São raras efectivamente as pessoas que em Portugal estimam os meus livros, mas essas bastam-me, quando compreendem não o que vale a minha obra necessariamente imperfeita, mas o esforço que faço para arrancar alguns farrapos ao limbo...
Creia-me sempre

Camarada muito amigo
Raul Brandão

Nespereira
Guimarães
28 de Março 1922
 

EXERCÍCIOS

1- Imagine que se encontra a passar férias num outro país e escreva uma carta a um seu familiar.

2- Chegou a hora de mostrar o quão romântico é! Redija uma carta de amor.
 
 
 
CARTA OFICIAL
 
Existem dois sistemas  a que a elaboração de uma carta oficial pode obedecer: sistema tradicional e sistema normalizado.

Qualquer dos sistemas de elaboração de cartas contém os mesmos elementos, mas apresentados de forma diferente.
 
Vejamos os seguintes exemplos:
 

SISTEMA TRADICIONAL
 
Morais & Cª
Bazar Infantil
Rua das Hortênsias, Loja 4- B
1000 Lisboa

                                                                        Manuel Pimenta
                                                                        Rua dos Clérigos, 20
                                                                        4000 Porto

                                                                                Lisboa, 1 de Abril de 1998

Exmo Senhor,

Tomamos a liberdade de apresentar a V. Sª o Exmo Sr. Fernando Monteiro, n/ cliente e muito prezado amigo, que nessa cidade se demorará algum tempo, levado pela necessidade de se submeter a um tratamento e ao mesmo tempo resolver negócios.

Vimos, por isso, rogar-lhe que tenha a bondade de lhe abrir um crédito até à quantia de 100.000$oo, a receber em parcelas ou numa só entrega, e da qual V, Sª se reembolsará sacando à vista contra a n/ firma pelas importâncias que o n/ apresentado for levantando.

Com os n/ agradecimentos e com toda a estima

De V. Sª
Muito atenciosamente
 
Morais & Cª
 
 

SISTEMA NORMALIZADO

Morais & Cª
Bazar Infantil
Rua das Hortênsias, Loja 4 - B
1000 Lisboa

                                                                           Manuel Pimenta
                                                                           Rua dos Clérigos, 20
                                                                           4000 Porto

N. Refª: 1234                                           V. Refª                                           Data: 1 de Abril de 1998
 
 

ASSUNTO: Abertura de crédito
 

Exmo Senhor,

Tomamos a liberdade...

Com os n/ agradecimentos e com toda a estima

De V. Sª
Muito atenciosamente
Morais & Cª
 
 

EXERCÍCIOS

1- Identifique, no primeiro exemplo, as partes da carta.
2- Responda à carta transcrita, utilizando o sistema normalizado.

 (índice) 



 
 
 

1.1.3 CARTA DE APRESENTAÇÃO

Uma carta de apresentação é um texto em que o destinatário pretende apresentar-se, nomeadamente para a candidatura a um emprego.

Segue a estrutura fornecida para as cartas em geral:

EXEMPLO

João da Silva
Rua da Prata, 12
1100 Lisboa

                                                                                  Lisboa, 2 de Janeiro de 1998

Exmos Senhores,

Tendo tomado conhecimento do vosso anúncio no jornal X, de 1 do corrente, para o cargo de Y na vossa empresa, venho por este meio apresentar a minha candidatura.

Tenho 27 anos, sou solteiro e tenho o serviço militar cumprido.

Possuo, como habilitações literárias, o 12º ano e, além disso, frequentei um curso de informática, possuindo conhecimentos de MS- Dos, WINDOWS, processamento de texto, folha de cálculo e base de dados.

Como experiência profissional, trabalho há quatro anos na empresa Z, onde sou funcionário administrativo, mas desejaria trabalhar na área de informática.

Tenho boa capacidade de relacionamento e encontro-me disponível para iniciar novas funções a curto prazo.

Antecipadamente, agradeço a atenção que dispensarem à minha candidatura. Aguardando resposta favorável, subscrevo-me com consideração.

De V. Exª
Atentamente
João da Silva
 

EXERCÍCIO

1- Tendo em atenção a carta apresentada como modelo, responda a um anúncio que seleccionará de um jornal à sua escolha.

 (índice) 



 
 

 
1.1.4 CARTA DE RECLAMAÇÃO
 
O acto de reclamar  reveste duas facetas: a de um direito e a de um dever. Reclama-se porque um direito nos foi retirado, mas reclama-se também porque a disciplina, a dignidade, a justiça e a moral da vida em sociedade a isso nos impelem. A reclamação é, assim, uma forma de preservação dos direitos individuais e. ao mesmo tempo, um acto de consciência colectiva. Por outro lado, o acto de reclamar pressupõe, no fundo, um juízo de valores.
Poderá ser directa ou indirecta, se feita pelo próprio ou por uma terceira pessoa, e, ainda, oral ou escrita. É especialmente desta última que nos vamos ocupar.
 
Antes de reclamar, convém verificar se há motivo (legal, profissional ou moral), se a reclamação é viável e oportuna, se ela não prejudica terceiros, se vale a pena reclamar - em caso de dúvidas consultemos pessoas esclarecidas e informemo-nos sobre a questão.

Para realizar uma reclamação, é necessário recolher os elementos necessários: informações, documentos, testemunhos... reunindo todos os elementos que possam constituir prova, com serenidade e sem precipitações, tendo presente que é melhor esperar do que fazer uma reclamação sem base ou mal feita.

Toda a reclamação deve assentar na ordem, no método e na correcção. Deste modo devemos prestar atenção especial:

Uma reclamação deve ser dirigida à entidade à qual compete julgar ou encaminhá-la convenientemente, de outro modo, é perda de tempo, desmoraliza o reclamante e beneficia terceiras pessoas, eventualmente interessadas na questão.
 

PLANO DA CARTA DE RECLAMAÇÃO

Uma reclamação apresentará, pelo menos, os pontos seguintes:

ERROS A EVITAR

Para além de saber elaborar uma reclamação, é necessário evitar deficiências que prejudicam o objectivo em vista. De entre elas destacam-se as seguintes:

EXEMPLO

Modelo de uma reclamação bem feita:
 
Exmo Sr. Administrador das Indústrias Reunidas S.A.R.L.

António Miguel dos Santos, representante em Portugal da Société Industrielle papétière et tipographique, de Bruxelas (Bélgica), com escritório na Rua de Amadis de Gaula, nº 25, em Lisboa, e telefone 556688, toma a liberdade de expor a V. Exª o seguinte:

1º- Em 12 de Abril de 1953 a sociedade "Indústrias Reunidas", de que V. EXª é muito digno Administrador, abriu concurso para os seguintes fornecimentos:

2º- A firma indicada concorreu, dentro do prazo fixado, apresentando as amostras e documentação exigida e efectuando o depósito de garantia, previsto no respectivo caderno de encargos, como prova pelos documentos juntos (Docs. números 1 e 2).

3º- Em 30 de Maio do referido ano de 1953, foram as propostas abertas na presença dos interessados, conforme consta de auto lavrado na referida data, da qual o signatário possui cópia.

4º- Em 12 de Junho do mesmo ano, foram-nos solicitados alguns informes complementares, em vossa carta nº 7.42 /53. Proc. C. P. - I, de 12 de Junho de 1953, à qual prontamente respondemos em nossa carta nº 625 / 53, de 16 do mesmo mês de Junho (Docs. números 3 e 4).

5º- Em 20 de Julho, foi o signatário informado de que o assunto estava em estudo nessa Administração e que ficaria resolvido dentro de 30 dias.

6º- Como, porém, decorridos dois meses sobre essa data, ou seja, em fins de Outubro, nada nos tivesse sido comunicado, e como o protelamento da questão nos causasse sérios prejuízos, porquanto estava imobilizado um depósito de garantia de uma centena de contos, e nos encontrávamos impossibilitados de concorrer a outros fornecimentos, enquanto essa Sociedade não resolvesse em definitivo o problema, dirigimo-nos, por carta, à vossa Administração, em 27 de Outubro de 1953 (Doc. número 5).

7º- Só cerca de quatro meses depois, isto é, em 23 de Fevereiro de 1954, nos foi comunicado, em vossa carta nº 821 /54, Proc. C. P. I., que, por motivos imprevisíveis de ordem interna, só então o assunto iria ser considerado com a maior brevidade (Doc. número 6).

8º- Acontece, porém, que, posteriormente à referida data, e sem que o concurso haja sido anulado, teve conhecimento o signatário de que a firma desta cidade, "Armazéns de Papéis", a qual nem sequer concorrera ao atrás referido concurso, tem estado a fornecer os papéis dos tipos postos a concurso em 1953, por preços manifestamente superiores aos oferecidos na proposta da Firma pelo signatário representada.

9º- Além disso, contra o que fixava a cláusula 27, do vosso caderno de encargos, não foi o signatário, até agora, avisado do resultado do concurso, nem tão-pouco convidado a levantar o depósito de garantia, imobilizado, com grave prejuízo para os seus negócios, há mais de dois anos.

Em face do exposto, e porque se afigura, ao signatário, ser-lhe devida a necessária reparação, peço a V. Exª se digne:

1º- Adjudicar, ao signatário, o fornecimento  a que se alude, visto a proposta apresentada pela Firma, de que é representante, ter sido a mais vantajosa ou

2º- Informar o signatário sobre:

Lisboa, 24 de Outubro de 1955

                                                                                    António Miguel dos Santos
 

Anexos: Seis documentos.
 
 
EXERCÍCIOS

1- A reclamação que vai ler está mal feita. Indique as suas deficiências.

Exmo Sr.,

António Manuel dos Santos, tendo, em tempos, apresentado a um concurso os seus produtos e não tendo sido dado fundamento ao assunto, e como isto é uma irregularidade, e não há o direito de fazer tal coisa, vem protestar contra semelhante abuso e pedir providências. Já diversas vezes tem reclamado verbalmente, mas sem resultado, fazendo-o agora por escrito. Embora outros se calem, o signatário vem pedir justiça, em nome dos bons princípios da moral, que V. Exª deve zelar.

Lisboa, 24 de Outubro de 1955
António Miguel dos Santos
 

2- Elabore uma reclamação, recordando um acontecimento em que tenha sentido vontade de reclamar, não a tendo realizado na altura.
 (índice)




 
 

1.2 O CURRICULUM VITAE

O curriculum vitae, do latim, significa "percurso de vida" e começa a ser referido também pela expressão currículo pessoal ou simplesmente currículo. É um documento que nos permite comunicar com os outros numa situação concreta do mundo do trabalho. Apresenta várias facetas do indivíduo, e o seu objectivo máximo é despertar o interesse pela pessoa, criar o desejo de falar com ela, querer saber mais coisas a seu respeito. Não é, portanto, um documento estático, pois veicula uma imagem forte da personalidade, capaz de agir sobre o leitor-destinatário e levá-lo a querer procurar mais informação sobre o candidato ou interveniente. É, assim, um instrumento de motivação e de sedução.

Na procura de emprego, é uma espécie de carta de apresentação, pessoal, que permite ao empregador verificar se o candidato possui ou não os requisitos pretendidos. O candidato deve valorizar as ocupações profissionais anteriores que sejam próximas daquelas para as quais se procura uma pessoa.
 

ESTILO

Na elaboração de um currículo pessoal pode utilizar-se o plural majestático (nós fizemos), a primeira pessoa do singular (eu fiz) ou a terceira pessoa do singular (ele fez). Pode ainda ser feito de forma descritiva, sob a forma de fichas.
 

PARTES DE UM CURRÍCULO

Um currículo apresenta  as partes essenciais seguintes:

Ao redigir o C.V. é sempre conveniente adaptar ao destinatário as informações que se fornecem.

Na resposta a um anúncio de emprego, escreve-se uma carta formal e objectiva do seguinte teor a que se amexa o C.V.:
 

Remetente

                                                                                  Localidade e data

Exmos Senhores,

Em resposta ao vosso anúncio publicado no jornal--, do dia --, venho por este meio candidatar-me ao lugar de --, para o qual creio preencher as condições requeridas.
Junto envio o meu "curriculum vitae", conforme o anúncio solicita.
Manifestando a minha disponibilidade para uma futura entrevista, sou

De V. Ex.as
Atentamente
(assinatura)
 
 

EXEMPLO

I- Identificação
Nome: José António Rodrigues Castro
Data de nascimento: 1-10-70
Naturalidade: S. Cosme, Gondomar
Filiação: Manuel Ferreira Castro e Adozinda Martins Rodrigues
Estado civil: solteiro
Nº do B.I.: 3425418
Morada: Rua dos Belos Ares, 15
               S. Cosme
               4420 Gondomar
Telefone: 02- 4831927

II- Formação académica
Licenciatura em Engenharia Civil, concluída em Junho de 1994, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com a classificação de 19 (dezanove) valores

III- Formação profissional
Estágio de um ano, organizado pela empresa Ramos & Lemos, realizado em 1995
Curso de formação na área de exploração de minas, com a duração de três meses, realizado no ano de 1996
Curso de Inglês, nível Avançado, no Instituto de Línguas de Gondomar, concluído em 1996

IV- Experiência profissional
De Agosto de 1994 a Dezembro de 1996 - Responsável pela elaboração de projectos na "Obrafeita"
Desde Janeiro de 1997- professor assistente na Faculdade de Engenharia do Porto

V- Outros elementos de interesse
Com carta de condução
Facilidade de comunicação e relacionamento com os colegas.

VI- Referências
Dr. Mário Cruz Machado, presidente da "Obrafeita"
 

EXERCÍCIOS

1- Redija o seu próprio currículo.

 (índice) 



 
 
 

1.3 O INQUÉRITO

Um inquérito é um estudo baseado nas respostas que um determinado número de pessoas dá a um questionário sobre um tema.
 

OBJECTIVOS

Os objectivos de um inquérito podem reduzir-se a um pequeno número:

COMO SE FAZ UM INQUÉRITO

Para preparar e realizar um inquérito devemos seguir estes passos:

ESTILO

O vocabulário deve ser simples, o que nem sempre é fácil de conseguir, pois o risco é o redactor tender para os extremos: ser demasiado culto ou demasiado "popular". Termos quantitativamente vagos, como "muitos", "bastantes", "frequentemente", são de evitar, pois cada inquirido atribuir-lhes-á um significado diferente, devendo ser substituídos por quantidades definidas. A clareza é a grande preocupação ao elaborarmos um questionário e deve ser suficiente para que a sua compreensão dispense explicações, que nunca devem ser dadas.
 

TIPOS DE QUESTÕES

Quanto ao conteúdo distinguimos duas grandes categorias:

Quanto à sua forma, também as questões se podem dividir em dois grupos: Quando a resposta é fechada, convém sempre prever a introdução de duas respostas "não sei",  "outras respostas".

Do ponto de vista da análise dos resultados, as questões fechadas são, a priori, as mais cómodas.
 

EXEMPLO

Hábitos de leitura

1- Gostas de ler?

Muito       Mais ou menos     Pouco    Nada

2- Quantos livros tens, sem contar com os livros escolares?

Nenhum     Menos de dez     De dez a vinte    Mais de vinte

3- Que tipo de livros preferes?

Aventuras   Banda desenhada   Ficção científica   Policiais    Outros
 
 
APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DE UM INQUÉRITO

EXERCÍCIOS
 
1- Escolhe 3 colegas e, com eles, procura um tema do interesse de todos (por exemplo: o tabaco, a música, o desporto,,...) sobre o qual elaborarão um inquérito a colocar à turma.

 (índice) 



 

1.4 A ACTA

A acta é o relato informativo de uma reunião.
Dela devem constar todos os factos importantes que ocorreram nessa reunião.
Logo no início de uma sessão de trabalho se deve designar o secretário, isto é, a pessoa encarregada de fazer a acta, pois deve atentamente tomar notas minuciosas sobre:

PLANO DA ACTA   
Na elaboração de uma acta, respeitar-se-ão os seguintes PROCEDIMENTOS:
  EXEMPLO

------------------------ ACTA NÚMERO TRINTA E TRÊS ------------------------
Aos vinte e um dias do mês de Setembro, do ano de mil novecentos e oitenta e nove, pelas vinte e uma horas, com a presença dos elementos da direcção da Associação ------, constituída pelos senhores -----, teve lugar a reunião periódica da mesma direcção, presidida pelo senhor vice-presidente ----, com a seguinte Ordem de Trabalhos:---------------------------------
Ponto um: Preenchimento dos documentos de Caixa; -------------------------------------------------
Ponto dois: A Casa de Chá e a Churrascaria.---------------------------------------------------------------
Aberta a sessão, foi lida a acta da reunião anterior, que depois de sofrer uma ligeira correcção gramatical, num período, foi aprovada pelo Conselho e, de seguida, assinada, em prova da conformidade.-------------------------------------------------------------------------------------------------
Na ausência do senhor presidente, assumiu a direcção da reunião o senhor vice-presidente ----, que, depois de saudar os presentes, declarou ser de interesse enviar a todos os elementos da direcção fotocópia da acta aprovada, explicando que seria um estímulo e um convite para estarem presentes em reuniões futuras aqueles que, por mero comodismo, não comparecem.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Pediu de seguida a palavra o senhor tesoureiro,---, para manifestar alguns reparos em relação à forma como estão a ser emitidos vários documentos de "caixa" que, a seu ver, deveriam ser escriturados de forma mais regulamentar, tendo-se acordado providenciar no sentido de se operarem as necessárias correcções que procuram acautelar a Associação de qualquer incómodo, em termos fiscais.-------------------------------------------------------------------------
Foi depois discutida a situação relacionada com o preenchimento dos lugares destinados à exploração da Casa de Chá e da Churrascaria, não havendo, de momento, qualquer outra perspectiva, quanto à sua ocupação, apesar de terem já surgido pretendentes, um dos quais quase chegou a comprometer-se, tendo-se gorado a sua aceitação dois dias após o contacto inicial, por factos que podem considerar-se estranhos e que a curto prazo a Associação vai tentar esclarecer.--------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a reunião, da qual se lavrou a presente acta que, depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo presidente da reunião e por mim, que a secretariei.--------------------------------------------------------------------------------------------------------
O VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO:---------------------------------------------------------------------
O SECRETÁRIO:-------------------------------------------------------------------------------------------------------
 

EXERCÍCIOS
 
1- Redija a acta de reunião da Direcção do "Clube os Melros", na qual foram realizados os actos que se seguem:

 (índice) 

 

 

1.5 A DISSERTAÇÃO

A dissertação é um estudo minucioso, uma tese ou ensaio erudito. Deriva do termo latino que significa "discussão" e emprega-se para qualquer exposição séria, tanto escrita como oral. No essencial, é uma demonstração de raciocínio com vista a informar/ convencer o leitor ou o ouvinte da validade dos argumentos. Como texto bem construído, exige o domínio de uma técnica.
 

ESTRUTURA

Deverá comportar:
 

PASSOS A SEGUIR Aconselha-se a começar pela 2ª parte (o desenvolvimento), dado que já se possui o inventário das ideias que se organizam logicamente, e se agrupam por afinidades. Depois estabelecem-se as linhas de força entre elas e marcam-se as oposições.

Um texto desta natureza deve ter em conta, com a maior acuidade, as seguintes
 

QUALIDADES:

De uma forma mais simples, deve haver dinamismo, progressão e articulação das ideias entre si.
 

REDACÇÃO

 (índice) 

 
 
 
 

2. DA LEITURA À ESCRITA
 
 

2.1 O RESUMO / A SÍNTESE / A CONTRACÇÃO
 

2.1.1 O RESUMO

O resumo é um texto que apresenta as ideias ou factos essenciais desenvolvidos num outro texto, expondo-os de um modo abreviado e respeitando a ordem pela qual surgem no texto original.
 

FASES DE PREPARAÇÃO DO RESUMO

1ª- Compreensão do texto original

2ª- Selecção e síntese das ideias fundamentais                 Exemplo de texto a suprimir: A mãe fazia, naquele dia, 35 anos.
                Exemplo do resumo: A mãe fazia anos.

3ª Construção do novo texto (resumo)
 

DEFEITOS A EVITAR NA ELABORAÇÃO DO RESUMO

EXEMPLO
 

TEXTO A RESUMIR

"Um presente muito especial"

João aguardava impacientemente que chegasse  o seu  aniversário, no início do mês de Agosto. Contava os dias, as horas e os minutos, pois sabia que ganharia um jogo electrónico, pelo qual esperava com tanta ansiedade.
O tempo passou lentamente, mas finalmente chegou o dia tão esperado. Ao acordar, olhou para o lado e junto à sua cama estava o brinquedo dos seus sonhos.
De súbito saltou da cama, deu pulos de alegria e correu para chamar o irmão e mostrar-lhe o seu presente. Os seus olhos brilhavam de satisfação quando, juntamente com o irmãozinho, começou a brincar.
Durante toda a tarde não saíram de perto do novo brinquedo. Foi só quando já estava a escurecer que se lembraram de convidar um amigo do João, que morava no mesmo prédio, para brincar com eles.
Assim que telefonou para o amigo, ele correu para o apartamento e os três brincaram até a hora do jantar.
 
Para resumir um texto desta natureza deve-se mencionar os elementos essenciais a partir dos quais a composição foi elaborada, ou seja, as personagens, o local, o tempo e factos principais da acção:

Personagens: João, o irmão e o amigo
Local: a casa de João
Tempo: início do mês de Agosto
Factos principais:

RESUMO DO TEXTO

João aguardava ansiosamente pelo dia do seu aniversário, no início do mês de Agosto, pois ganharia um jogo electrónico. Ao acordar, nesse dia, encontrou o presente. Mostrou-o ao irmão, com quem brincou  durante toda a tarde. Lembrou-se de telefonar a um amigo que morava no mesmo prédio, chamando-o para brincar também. Os 3 divertiram-se muito com o jogo até à hora do jantar.
 
Não esquecer que não se devem copiar trechos do texto de modo a construir o resumo. Ele deve nascer da compreensão do texto e reunir somente as ideias principais nele contidas.

Repare agora no seguinte
 

EXEMPLO
 
TEXTO A RESUMIR

- Fuja, fidalgo, que me perco! Fuja, que o mato e me perco!
Gonçalo Mendes Ramires correu à cancela entalada nos velhos umbrais de granito, pulou por sobre as tábuas mal pregadas, enfiou pela latada que orla o muro, numa carreira furiosa de lebre acossada! Ao fim da vinha, junto aos milheirais, uma figueira brava, densa em folham alastrara dentro de um espigueiro de granito, destelhado e desusado. Nesse esconderijo de rama e de pedra se alapou o fidalgo da Torre, arquejando. O crepúsculo descera sobre os campos, e com ele uma serenidade em que adormeciam frondes e relvas. Afoutado pelo silêncio, pelo sossego, Gonçalo abandonou o serrado abrigo, recomeçou a correr, num correr manso, na ponta das  botas brancas, sobre o chão mole das chuvadas, até ao muro da Mãe d`Água. De novo estacou, esfalfado; e, julgando entrever, longe, à orla do arvoredo, uma mancha clara, algum jornaleiro em mangas de camisa, atirou um berro ansioso:
- Ó Ricardo! Ó Manuel! Eh lá, alguém! Vai aí alguém?...
A mancha, indecisa, fundira na indecisa folhagem.

                                                         Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires
 

RESUMO DO TEXTO

Fugindo a uma ameaça (de José Casco dos Bravais, por não ter cumprido a sua palavra quanto a um contrato de arrendamento de terras), Gonçalo salta uma cancela, corre ao longo de uma vinha, esconde-se num espigueiro, a descansar, e faz nova correria, gritando pelos moços da lavoura, que julga entrever ao longe no arvoredo da sua quinta.
 

EXERCÍCIOS

1- Resuma o seguinte texto, a partir dos tópicos que lhe são fornecidos.
 

TEXTO A RESUMIR

"Processo educacional e seus objectivos"
Quando se analisa o processo educacional e se questionam os seus principais objectivos, não podemos deixar de observar a existência de dois planos diferenciados: o aspecto individual, relacionado ao comportamento do aluno; e o profissional, voltado para o despertar das suas potencialidades.
Na escola, a criança tem a oportunidade de participar de um pequeno grupo social mais complexo que o grupo familiar. Desde cedo, é função do educador tentar mostrar, por palavras e atitudes, a importância de certos fundamentos básicos da convivência social: o comportamento ético em relação aos colegas e professores, a preservação do ambiente, o respeito pelos regulamentos e também a consciencialização dos seus direitos como estudantes.
Além disso, parece-nos essencial que, uma vez observada determinada aptidão para certas actividades, o aluno seja incentivado a desenvolvê-las progressivamente. Estimular a curiosidade científica, a expressão escrita e oral, levar o aluno a pesquisar assuntos do seu interesse, entre outros, dar-lhe-ão a possibilidade de escolher uma profissão através da qual se realize.
Dessa forma, a escola estaria prestando uma colaboração indispensável para formar cidadãos preparados para conviver harmoniosamente com a comunidade e dela participar de modo efectivo, no desempenho da sua função profissional.
 

TÓPICOS PARA A ELABORAÇÃO DO RESUMO

2- Resuma um artigo de jornal ou revista cujo tema seja do seu interesse.
 
 (índice) 

 
 
2.1.2 A SÍNTESE

A Síntese é um exercício rigoroso e delicado, incompatível com a improvisação e que apela à agilidade de espírito para distinguir o essencial de um  pensamento e reconstruí-lo fielmente.
Há quem chame à síntese resumo crítico e com alguma razão, já que ela exige uma condensação de texto que dê conta das ideias do autor e da sua intenção.
É, por isso, menos vincadamente impessoal do que o resumo.
Uma síntese não pode ser confundida com uma ficha, em forma de catálogo de ideias e num estilo telegráfico. Constitui, antes, um género de texto elaborado, de dimensão reduzida, mas redigido de forma simples, clara e consistente.
 

FASES DE ELABORAÇÃO DE UMA SÍNTESE

1- A compreensão do texto

2- Plano ou reagrupamento das ideias 3- A redacção

Para além das indicações comuns à redacção do resumo, conviria acrescentar algumas, próprias da síntese.

EXEMPLO

Observe o exemplo, de acordo com os itens abaixo desenvolvidos.
 

"O conflito"

Se o conflito for a expressão da individualidade do grupo, não restam dúvidas de que nem o sector têxtil nem o sector agrícola se reconhecem nas actuais tendências da evolução da economia portuguesa. Para eles, a adesão à Comunidade está a traduzir-se no já esperado aumento de dores de cabeça.
As soluções não são fáceis. Pegando na frieza da descrição dos próprios empresários, metade das empresas têxteis devem fechar as portas o mais rápido possível, para não inviabilizarem a salvação das restantes e mesmo estas não dispõem de meios para suportar a sua quota-parte no plano de modernização do sector.
A situação da agricultura não é mais brilhante e não resistirá às novas medidas comunitárias. A agricultura portuguesa não produz de mais, mas sim de menos. Em vez de excedentes, importamos muito do que comemos. Pratica preços elevados porque carece de modernização e de produtividade. Os seus problemas só se reconhecem na "pré-História" da agricultura comunitária. Se lhe reduzem os preços e as áreas de produção, acabam com ela.
À beira das eleições, o Governo desejaria tudo menos o estalar destes conflitos. Mas de certa forma merece-os pela forma pouco séria com que recebeu algumas sugestões num passado recente. O engenheiro João Cravinho teria razões para dizer a este respeito "cá se fazem, cá se pagam".
Se a corrente liberal tivesse maior tradição em Portugal, erguer-se-iam muitas vozes a aconselhar o Estado a deixar funcionar o mercado. As boas empresas seriam salvas, as restantes iriam ao fundo. Faríamos aquilo que soubéssemos fazer melhor que os outros e a médio prazo todos lucraríamos. Mas é certo e sabido que se houvesse algum partidário desta corrente no partido do Governo que se atrevesse a abrir a boca, iria parar ao último lugar das listas para deputados pela emigração.
Mas porque os interesses eleitorais o impõem e porque, de facto, se deixarem o mercado funcionar livremente, se criarão situações sociais muito difíceis, é possível que o Governo se empenhe em conseguir um tratamento favorável para a agricultura portuguesa dentro da Comunidade e que se socorra, mais uma vez, da "herança socialista" das empresas públicas, para facilitar os créditos, pagamentos atrasados de dívidas à EDP e à Segurança Social e faça o Estado assumir parte das dívidas das empresas têxteis. Que o faça, no entanto, apenas para as que têm futuro, caso contrário, daqui a pouco tempo, voltamos ao mesmo.

                                                     Francisco Melro, Suplemento de Economia, Público, 22-7-91
 

Frases à margem do texto:

SÍNTESE

A agricultura portuguesa e o sector têxtil estão a passar um mau momento: a adesão comunitária impõe a sua adaptação que passa pelo funcionamento do mercado e este leva, segundo o autor, a encerrar metade delas e a apoiar as restantes.
Estas medidas serão lentas, devido aos problemas governativos e sociais delas decorrentes: vivemos em período eleitoral e há fortes apoios comunitários capazes de adiar a solução natural - a liberdade concorencial.
Oxalá as intervenções se verifiquem apenas nas empresas viáveis.

(80 palavras)

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2.1.3 A CONTRACÇÃO

A contracção de texto baseia-se no facto de nem todas as palavras, ideias ou unidades de significação de um texto terem igual importância; daí que seja possível miniaturizá-lo, despindo-o de todos os elementos redundantes, sem com isto alterar a ordem das ideias que deve ser obrigatoriamente respeitada.
 

O RESUMO / A SÍNTESE / A CONTRACÇÃO

Os três tipos de textos são passíveis de causar dificuldades na sua distinção.
Nos três casos, o trabalho prévio de compreensão do texto é comum:
 

            Outras semelhanças: Diferenças:

EXEMPLO

Texto-base (sublinhadas as palavras-chave e assinalados os articuladores de discurso mais importantes)

"A influência de Paris prolongava-se inevitavelmente na vida artística nacional, como lugar onde se recebia mais inspiração do que lições, pois, desde o romantismo, a aprendizagem fora secundária e sobretudo aproximativa, em desfasamento cronológico. Agora, com a individualização crescente das relações, não se tratava de aprender uma "escola", mas de entender um ritmo cultural - e foi pior. Viana jurou pelo cubismo, em 25, ao regressar de uma viagem parisiense - mas que podia ele perceber da dinâmica do cubismo? E os três ou quatro outros que regressavam de lá, por essa mesma altura, pintores ou escultores, bastou-lhes o ar da "pátria entrevada", que dez anos atrás ainda acicatara Amadeo, para os reduzir a uma prudência formal".

                                         José Augusto França, A Arte em Portugal no século XX
 

Contracção do texto-base:

A influência de Paris prolongava-se (...) na (arte) nacional, como (...) inspiração (...), desde o romantismo, (...) em desfasamento cronológico. (...) com a individualização crescente das relações (...) foi pior. Viana jurou pelo cubismo, em 25, msas (sem o assimilar devidamente). E (a) os outros (regressados de Paris) (...) bastou-lhes o art da "pátria entrevada" (...) para os reduzir a uma prudência formal.
 

CONTRACÇÃO

A influência de Paris chegava à arte nacional, sobretudo como inspiração, desde o romantismo, e com algum atraso. Com a chegada do cubismo foi pior. Viana a ele aderiu, em 25, mas sem o assimilar devidamente e aos outros regressados de Paris bastou a hostilidade do público às inovações formais para os inibir.
 

RESUMO

Os pintores portugueses imitavam a arte parisiense, desde o romantismo, sem uma aprendizagem efectiva. Com o cubismo foi pior. Os regressados de Paris, ou não o entenderam bem , ou inibiram-se com a reacção negativa do público às inovações formais.
 

SÍNTESE

O texto de Augusto França aborda a forma como os pintores portugueses têm imitado, desde o romantismo, e com atraso, a arte parisiense, sem apreendê-la. Situando-se no período cubista, o autor alude à inibição dos regressados de Paris diante da hostilidade do público e à incompreensão da dinâmica cubista por parte de Viana.
 

EXERCÍCIOS

1- Elabore o resumo, a síntese e a contracção do seguinte texto.

"Coração feliz"

Uma leve tontura, uma forte dor de cabeça, a impressão de ouvir zumbidos e o diagnóstico caseiro não tarda: "Estou com a tensão alta".
O pragmático cidadão português é assim. Sobra-lhe em experiência diária ou em conversas de vizinhança o que lhe falta em conhecimentos clínicos...
A verdade - garantem os médicos - é que ninguém consegue saber a sua pressão arterial sem a medir. Tal como é falso que o colesterol elevado seja uma doença com cura ou que o peixe gordo e o azeite façam mal ao coração.
Os exemplos não foram escolhidos ao acaso. Todos eles integram a lista de mitos identificada num inquérito realizado pela Matris, com o objectivo de "avaliar o nível de conhecimento de portugueses relativamente aos aspectos centrais que caracterizam os comportamentos de risco face às doenças e complicações de foro cardiovascular".
O estudo foi encomendado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia em conjunto com a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, no âmbito do projecto "Coração Feliz". Em matéria de más notícias não ficou por aqui.
Mais de metade dos inquiridos acredita também que a hipertensão arterial é uma doença com cura, assim como é ideia corrente que fumar sem "engolir" o fumo é menos prejudicial que fumar inalando-o. Isto a juntar ao facto de só 18% da população ouvida associar o tabagismo a eventuais doenças do coração, uma vez que a grande maioria (84%) apenas o relacionam com o cancro.
Erros e mais erros, denunciaram Manuel Carrageta e Amílcar Aleixo, presidente e representante, respectivamente, da FPC e da APMCG. Confusões que em termos de saúde pública se pagam caro, "sobretudo" - salienta Amílcar Aleixo - " se tivermos presente que em Portugal (e ao contrário do que se passa na generalidade dos outros países) a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares continua a subir".

       Mafalda Ganhão, in Expresso, 19-10-96
 
 (índice) 


 
 

3. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ORAL
 

3.1 GUIÃO DE ENTREVISTA

Uma entrevista, como o nome indica, permite apenas entrever uma personalidade. A sua missão é dizer ao leitor quem é e como é tal pessoa - transmitir um certo retrato de um indivíduo. O modo de colocar as questões condiciona a sinceridade e o interesse das respostas. Convém, assim, evitar questões que comprometam demasiado directamente o interlocutor.

Antes de realizar qualquer entrevista, é necessário seleccionar:

FASES DE ELABORAÇÃO DA ENTREVISTA

1- Os preparativos

2- O questionário

Deverás anotar as perguntas, procurando que elas sejam abertas, isto é, que evitem a resposta "sim" ou "não". Por exemplo:

3- O acto de entrevistar
 

4- A redacção

Depois da entrevista transcrita, poderás fazer alguma modificação, respeitando sempre as respostas: modificar para aclarar ou tornar algo mais compreensível; suprimir repetições desnecessárias,...
Costuma redigir-se um parágrafo final (despedida, síntese, agradecimentos).
É conveniente que mostres ao entrevistado a redacção definitiva para que ele autorize a publicação e para que, se for necessário, corrija alguma resposta que, no seu entender, não reflicta bem o que ele pretendia dizer. Assim poderás evitar possíveis reclamações.
 

EXEMPLO

"Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, Uma Aventura de Sucesso"

Começaram por escrever para os alunos que não liam. Mas os livros "Uma aventura" chegaram muito mais longe. A fórmula não é nova, mas o segredo parece estar no facto de tudo se passar entre nós, com crianças portuguesas.

Pergunta: Como é que tudo começou?

A.M.M.: Em 1982, éramos professoras de História e Português na mesma escola e começámos a preparar as aulas em conjunto. A certa altura decidimos escrever textos para os alunos com mais dificuldades.

I.A: Procurámos escrever histórias com linguagem simplificada e, especialmente, que transmitíssem a informação que queríamos fazer-lhes chegar, de forma a ir ao encontro dos seus interesses: com acção e personagens da idade do leitor.

A.M.M.: Eram histórias pequenas e apresentávamo-las aos alunos assinadas com outro nome.
Por brincadeira e também porque queríamos que eles as julgassem objectivamente, sem terem medo de dizer mal porque escritas pelas professoras. Mas, para nossa própria surpresa, elas reagiram muito bem.

I.A.: Quando demos por isso estavam a ser utilizadas por colegas nossas e uma das histórias foi mesmo usada numa prova de exame do Ministério.

Despedimo-nos das autoras, deixando-as entregues ao seu novo projecto uma "História de Descobrimentos", com piratas e corsários.

(Adaptação da entrevista de Isabel Stilwell e Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães , in Marie Claire, Setembro de 90)
 
 
EXERCÍCIO

1- Delimita as três partes (apresentação, corpo da entrevista e conclusão) presentes na entrevista que serve de exemplo.

2- Já ouviste cerrtamente falar de Carlos Tê, o autor de muitas das letras divulgadas por Rui Veloso nos seus êxitos.
Formula perguntas para estas respostas do poeta sobre "Porto Covo".

        Jornal de Notícias, Magazine, nº7, 12-7-92
 
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3.2 GUIÃO DE DEBATE

Um debate é um diálogo ordenado e metódico, dirigido por um moderador, entre várias pessoas que mantêm pontos de vista diferentes sobre um tema fixado com antecedência.
Para que esse debate seja possível, é necessário que todos os participantes estudem antecipadamente o tema a debater. Depois, e em função das posições antagónicas, organizam-se dois grupos que vão defender as suas opiniões. Deve-se então seleccionar um moderador, dois ou três observadores (que não tomarão posição quanto ao tema) e dois secretários, um de cada grupo.

O debate é constituído pelas seguintes partes:

O papel do moderador consistirá em: Será necessário escolher alguns observadores que terão a cargo as tarefas de registo: Aos dois secretários (um de cada grupo) competirá fazer o relato do decurso do debate, depois de consultadas as fichas preenchidas pelos observadores.
 

ARGUMENTAR NUM DEBATE

Quando participas num debate, tens de fixar a tua posição a favor ou contra um ponto de vista. Para isso, tens de saber argumentar.
Argumentar é expor as razões em que se fundamenta uma opinião.
 

COMO SE DEVE ARGUMENTAR

 
 (índice) 


 
 

4. FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA
 

4.1 PARTICÍPIOS DUPLOS

ESPECIFICAÇÃO: Em português há muitos verbos com duas formas de particípios: uma regular (usada com o verbo auxiliar "ter") e outra irregular (usada na voz passiva e com o verbo "estar").
 

ANÁLISE DA SITUAÇÃO LINGUÍSTICA:
 
Exemplo: O sr. Lucas já tinha juntado os elementos necessários.
               Agora elas estão juntas na mesma firma.

               Se ele não pagar a renda até ao dia 8...
               As contas do gás e da água são pagas através do banco.

Uso  da forma regular- Tenho gastado muito dinheiro; tenho inquietado muita gente.
Uso da forma irregular- O contrato foi aceite; a fortuna está gasta; o teu irmão anda descalço.

Eis agora alguns exemplos desse tipos desses verbos, seguidos 1º pela forma regular e depois pela forma irregular.

Aceitar - aceitado, aceite
Acender- acendido, aceso
Assentar- assentado, assente
Cativar - cativado, cativo
Cegar- cegado, cego
Completar- completado, completo
Corrigir- corrigido, correcto
Descalçar- descalçado, descalço
Dispersar- dispersado, disperso
Empregar- empregado, empregue
Entregar- entregado, entregue
Enxugar- enxugado, enxuto
Expulsar- expulsado, expulso
Fartar- fartado, farto
Ganhar- ganhado, ganho
Gastar- gastado, gasto
Imprimir- imprimido, impresso
Inquietar- inquietado, inquieto
Juntar- juntado, junto
 
 
EXERCÍCIOS

Completa as frases da 2ª linha com as formas irregulares dos particípios dos verbos da primeira.

1- Os calções de banho ainda não secaram.
    - A toalha está ___________

2- Quando entregarmos os documentos...
    - As encomendas são _____________ ao domicílio.

3- Oxalá a polícia prenda o criminoso!
    - O ladrão foi _____________ em flagrante.

4- O lugar tinha vagado em Outubro.
    - Agora o rés-do-chão esquerdo está ____________

5- Onde imprimiram estes convites?
    - A 1ª edição fora ___________ em 1572.

6- O sr. Morgado completará 80 anos no domingo.
    - Talvez as fichas de identificação estejam _________

7- Se os girassóis murcharem...
    - As papoilas estão ____________

8- Elegeram-no para vice-presidente da Assembleia.
    - Eles tinham sido ___________ por maioria simples.

9- Eles têm aceitado todas as reclamações.
    - Todas as nossas condições foram ___________

10- Suspendemos o fornecimento de materiais.
    - A legislação estava ______________ desde Janeiro.
 
 
 
Seleccione 5 verbos da lista fornecida e construa frases em que utilize as duas formas indicadas para cada um dos verbos.
 
 (índice) 




 

 
4.2 ARTICULADORES DE DISCURSO

ESPECIFICAÇÃO: Articuladores de discurso são palavras ou expressões (que podem ser conjunções, locuções, advérbios,...) que ajudam a explicitar e articular as ideias.

Os articuladores são usados com várias funções:
 

 
ANÁLISE DA SITUAÇÃO LINGUÍSTICA

Exemplos:
1- Todos os dias vou à praia. Ontem, por exemplo, estive lá até às 6 da tarde.
2- Gosto de viver ao ar livre. Por isso, não tenho casa.

Como facilmente reparas, no primeiro caso, a função do articulador é de exemplificar o que se disse anteriormente. No 2º caso, o  articulador serve para reforçar a ideia também expressa anteriormente.
 

EXERCÍCIOS

1- No texto seguinte estão sublinhados alguns articuladores de discurso.
    Identifica a função que cada um desempenha.

"Era uma vez um jovem que gostava de caçar. Assim, todos os dias se dirigia à floresta e lá caçava os animais que lhe apareciam pela frente. Todavia, havia uma animal que ele nunca tinha encontrado na floresta: a raposa. Efectivamente, ele nunca tinha ouvido falar em tal animal.
Certo dia, estando ele a caçar na floresta, apareceu-lhe o tal bicho, isto é, uma raposa. Ele ficou embasbacado, e não conseguiu apanhá-la. A raposa ficou muito contente e fugiu a sete pés.
Consequentemente, o jovem ficou furioso, porque acabara de perder a oportunidade de apanhar um animal desconhecido."

2- Agora chegou a tua vez de criar um texto. Inventa uma história e usa, pelo menos, 5 articuladores de discurso diferentes.
 
 (índice)