UTILIZAÇÕES DA ULTRA-SONOGRAFIA OBSTÉTRICA

 
1.Diagnóstico de gravidez:

        A identificação do saco gestacional pode se dar desde após duas a três semanas de gravidez (ou quatro a cinco semanas de idade gestacional, visto que é um costume obstétrico se acrescentar ao tempo de gravidez as duas semanas que precedem a ovulação). Para este propósito, a ecografia obstétrica por via transvaginal é a mais indicada por possibilitar uma melhor formação da imagem. Além disso, essa técnica pode assegurar o número de gestações que se estão desenvolvendo, bem como a sua localização, usualmente intra-uterina.
 

 
Fig.1 - Foto de embrião com 0,3 cm 
(técnica transvaginal): 
Gestação de 5 semanas
Fig.2 - Foto de embrião com 0,8 cm 
(técnica transvaginal): 
Gestação de 7 semanas
 
 

2. Diagnóstico da viabilidade da gravidez:

        É comum ser necessária a confirmação da viabilidade do embrião, principalmente na vigência de sangramento. Neste caso, a ecografia pode mostrar a actividade cardíaca do embrião a partir de 6 semanas quando utilizada a técnica transvaginal, ou a partir de 7 semanas, se visualizado através da parede abdominal.
 
 

Fig.3 - Foto de feto com 2,2 cm, evidenciando a
actividade cardíaca (técnica transvaginal):
Gestação de 9 semanas
 

3. Determinação da idade gestacional e do tamanho do feto:

        É importante saber que, quanto mais precoce for realizado o exame, mais precisa é a datação da gravidez. Por exemplo, realizando-se o exame até 12 semanas, a margem de erro é de até 3 dias, elevando-se para 10 dias a mais ou a menos após as 28 semanas. Essa particularidade deve-se ao facto de que os embriões apresentam taxas de crescimento inicialmente similares entre si, sendo tardias as influências da hereditariedade e do grau de nutrição da mãe e/ou do feto. É por isso que, quando realizada de maneira isolada e próxima do final da gestação, a ecografia é muito mais útil como preditora do tamanho do feto do que de sua idade gestacional propriamente dita.

        Usualmente, os cálculos da idade gestacional, do comprimento e do peso do feto são estabelecidos obtendo-se as medidas do comprimento céfalo-nádegas, do diâmetro cefálico biparietal, do comprimento do fêmur, do comprimento do úmero, da circunferência craniana e da circunferência abdominal.
 
 

 
Fig.4 - Foto de crânio com 8,6 cm de 
diâmetro cefálico biparietal: 
Gestação de 34 semanas
Fig.5 - Foto de um femur com 7,1 cm: 
Gestação de 36 semanas
 
 

4. Diagnóstico de malformações fetais:

        Certamente a principal angústia que se mistura com a emoção da geração de um bebé é a dúvida sobre a perfeição do feto que se está desenvolvendo. Com o advento da ecografia, a partir da 18ª-20ª semana de gestação, é possível fazer-se  um mapeamento completo dos órgãos fetais, identificando-se - além do clássico "cabeça-tronco-membros" - toda a constituição fetal. Identifica-se desde a anatomia do encéfalo, passando pela face, pescoço, coluna vertebral, pulmões, coração, veias e artérias, até aos órgãos intra-abdominais como estômago, fígado, vesícula biliar, baço, rins, glândulas supra-renais, intestino e bexiga, além dos órgãos sexuais externos.

        Com o advento da ecografia por via transvaginal, cada vez mais precocemente as alterações podem ser identificadas e, algumas vezes, corrigidas.
 

        Mais recentemente, a medida da translucência nucal realizada entre 10 e 13 semanas tem-se mostrado um óptimo método de avaliação no rastreio de trissomias, diagnosticando 86% dos fetos com as principais trissomias que são as dos cromossomos 13, 18 e 21. Além disso, a ecografia é utilizada como guia para a realização da amniocentese (aspiração de pequena quantidade de líquido amniótico) com o propósito de estudar o cariótipo fetal.
 

Fig. 6 - Gestação de 11 semanas: foto da medida
da translucência nucal (medida alterada: 0,4 cm)
 
5. Outros usos:

        A ecografia também é útil para a identificação da implantação placentária, do volume de líquido amniótico, na confirmação da apresentação do feto, na avaliação do bem estar fetal e no diagnóstico de alterações uterinas ou pélvicas como miomas e quistos, entre outras.
 
 

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