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SESSÃO 2 - PLANO SEMANAL
 
1 - OBJECTIVOS

Esta sessão tem como objectivo a apresentação de alguns dos principais modelos pedagógicos subjacentes ao Ensino a Distância, com vista à sua posterior aplicação em contextos reais de aprendizagem. Assim, com base na apresentação das principais teorias pedagógicas da actualidade, com especial relevo para o construtivismo, será possível iniciar um debate contextualizado acerca das principais características pedagógicas potenciadas pelos ambientes de Ensino a Distância, tendo em vista os diversos tipos de actividades que neles podem ser implementadas.

 
2 - CONTEÚDOS


Modelos PEDAGÓGICOS DE ENSINO A DISTÂNCIA

TEORIAS DA APRENDIZAGEM
A aprendizagem é um termo que numa primeira impressão parece simples de definir. Mas sob o ponto de vista filosófico e psicológico a sua definição tem sofrido alterações significativas ao longo dos séculos. Atendendo a que o reconhecimento da psicologia como ciência surgiu em finais do século 19, a presente panorâmica das fontes de informação concentra-se apenas nas teorias da aprendizagem que se manifestaram dominantes a partir desta data. São elas o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo. A primeira está associada à psicologia do comportamento e as restantes à psicologia cognitiva. O construtivismo é uma evolução do cognitivismo. 

BEHAVIORISMO
O behaviorismo é uma teoria da aprendizagem que se centra em comportamentos observáveis e ignora as actividades mentais. O behaviorismo baseia-se nas mudanças de comportamento observáveis. Um dado modelo de comportamento é repetido até que o mesmo se torne automático. Os behavioristas definem aprendizagem como a aquisição de novos comportamentos. No modelo behaviorista, os indivíduos reagem reflexivamente ao ambiente. Os processos cognitivos são ignorados. Certas respostas podem ser condicionadas reforçando o comportamento desejado com um estímulo. 

A teoria behaviorista concentra-se no estudo dos comportamentos que podem ser observados a partir das reacções do indivíduo a estímulos do meio ambiente. A mente é vista como uma caixa negra porque responde a estímulos que podem ser observáveis, ignorando totalmente a possibilidade de ocorrência de processos mentais. Consoante a resposta dada pelo aprendiz esteja certa ou errada, é-lhe fornecido um reforço positivo ou negativo. O objectivo é aumentar a probabilidade de ocorrência da resposta desejada no futuro. Assim, para o behaviorismo o conhecimento é visto como  dado e absoluto, isto é, existe na realidade exterior e universalmente aceite. A aprendizagem é um processo passivo, sem interesse pelos processos mentais que ocorrem no aprendiz. 

COGNITIVISMO
O cognitivismo baseia-se nos processos mentais subjacentes ao comportamento. As mudanças no comportamento são observadas e utilizadas como indicadores do que está a acontecer na mente do aprendiz. Contrariamente ao behaviorismo que considera que o comportamento é uma resposta mecânica à sujeição de estímulos, ou seja, a aprendizagem é determinada pelo meio ambiente e o organismo humano adapta-se às circunstâncias do meio, os cognitivistas interessaram-se por descobrir o que se passa dentro do cérebro humano e modelar os processos mentais que ocorrem durante a aprendizagem. Segundo eles, à semelhança do computador, a mente humana é um processador de informação, isto é, recebe, interpreta, armazena e recupera ou utiliza informação quando necessita dela.

Embora para a teoria cognitivista os processos mentais que ocorrem no aprendiz sejam o objecto de estudo principal, o conhecimento continua a ser visto como dado e absoluto, tal como acontece com o behaviorismo; a aprendizagem é o processo que cria na memória representações simbólicas da realidade exterior. Outro aspecto importante associado ao cognitivismo, derivado da teoria cognitiva de Piaget, é o respeito pelo estádio de desenvolvimento intelectual dos alunos, garantindo que as estruturas cognitivas destes estão preparadas para a aquisição de novos conhecimentos. 

CONSTRUTIVISMO
O construtivismo baseia-se na premissa de que todos nós construímos a nossa perspectiva do mundo, através da experiência individual e de acordo com determinado esquema (estrutura mental do conhecimento que um indivíduo possui; o esquema encontra-se em reajustamento constante: um indivíduo ajusta o seu esquema mental para incorporar novas experiências e atribuir significado à nova informação).

O construtivismo é uma filosofia de aprendizagem que se baseia na premissa de que nós construímos o nosso próprio conhecimento do mundo em que vivemos, reflectindo nas nossas experiências pessoais. Cada um de nós gera regras e modelos mentais, e utiliza-os para interpretar e atribuir significado às suas próprias experiências. A aprendizagem consiste, por isso, no processo de ajustamento dos nossos modelos mentais à acomodação de novas experiências.

A aprendizagem construtivista baseia-se numa participação activa dos alunos na resolução de problemas e na exercitação do pensamento crítico, relativamente às actividades que acham relevantes e atraentes. Eles estão a construir o próprio conhecimento, testando ideias e aproximações baseadas no conhecimento que possuem e na experiência, aplicando-as a situações novas e integrando o novo conhecimento no pré-existente.

A premissa fundamental do construtivismo é que o aluno constrói activamente o próprio conhecimento. Em vez de absorver simplesmente as ideias transmitidas pelo professor ou resultantes da prática repetitiva, o aluno é colocado a criar e a desenvolver as próprias ideias. 

Os construtivistas vêem a aprendizagem como o resultado de uma construção mental. Os alunos aprendem combinando a nova informação com a que já conhecem. A aprendizagem é também influenciada pelo contexto, atitudes e valores do aluno. O conceito chave do construtivismo é que a aprendizagem é um processo activo de criação, não de aquisição, do conhecimento. Embora existam muitas outras definições desta teoria, também conhecida pela segunda revolução cognitiva, todas elas partilham um conjunto de princípios básicos: 

  • O conhecimento é construído activamente pelo aluno; não é transmitido.

  • A aprendizagem é, simultaneamente, um processo activo e reflexivo.

  • A interpretação que o aluno faz da nova experiência é influenciada pelo seu conhecimento prévio.

  • As interacções sociais introduzem perspectivas múltiplas na aprendizagem.

  • A aprendizagem requer a compreensão do todo, assim como das partes, e estas deverão ser entendidas no contexto do todo. A aprendizagem deve, por isso, centrar-se em contextos e não em factos isolados.

A essência do construtivismo é, pois, construir o seu próprio conhecimento, o qual é visto como relativo (nada é absoluto, varia de pessoa para pessoa) e falível (nada pode ser assumido como garantido). Um outro conceito importante do construtivismo é o suporte (scaffolding) – processo de guiar o aluno do que é presentemente conhecido para aquilo a conhecer. De acordo com Vygotsky, os alunos sentem dificuldades na resolução de problemas devido a três categorias de carências: 

  • Aptidões que o aluno não é capaz de desempenhar.

  • Aptidões que o aluno poderá ser capaz de desempenhar.

  • Aptidões que o aluno é capaz de desempenhar com ajuda.

Esta última categoria é aquela que Vygotsky designa por Zona de Desenvolvimento Próxima – área de exploração cognitiva para a qual o aluno está preparado cognitivamente. Assim, o suporte permite aos alunos desempenharem tarefas que normalmente estariam aquém das suas capacidades sem a ajuda guiada. 

APRECIAÇÃO PEDAGÓGICA DAS TEORIAS DA APRENDIZAGEM
O behaviorismo e o cognitivismo vêem o conhecimento como absoluto (imposto socialmente, universalmente aceite e existente na realidade exterior) e transmissível. Esta visão objectivista do conhecimento orienta a aprendizagem para um processo passivo, em que a realidade exterior é interpretada de forma convergente por todos os alunos: os behavioristas dizem que a aprendizagem consiste nas respostas do aluno a factores externos e existentes no meio ambiente; os cognitivistas afirmam que a aprendizagem consiste na representação simbólica da realidade exterior que o aluno projecta na sua mente. Por isso o foco pedagógico incide, para os behavioristas, na aplicação de estímulos e reforços adequados enquanto, para os cognitivistas incide na manipulação do processo mental que o aluno deve seguir.

O construtivismo apresenta uma visão do conhecimento diferente da visão exposta pelo behaviorismo e pelo cognitivismo. Para o construtivismo o conhecimento é uma construção pessoal que se realiza através do processo de aprendizagem. O conhecimento não pode ser transmitido de uma pessoa para outra, ele é (re)construído por cada pessoa. Cada aluno interpreta a realidade exterior baseando-se na sua experiência pessoal. Reflectindo na experiência individual, o aluno ajusta os seus modelos mentais para interrelacionar a nova informação com o seu conhecimento prévio. Desta forma, a realidade exterior é internamente controlada pelo aluno. Ele cria a sua própria interpretação da realidade com base na estrutura cognitiva que possui. Consequentemente, o objectivo principal da pedagogia é fomentar e orientar o processo mental que o aluno segue na interpretação da realidade.

CONSTRUTIVISMO – TEORIA DA APRENDIZAGEM ADEQUADA A AMBIENTES DE APRENDIZAGEM ORIENTADOS PARA A INTERNET
O objectivo actual da educação é preparar os jovens para as competências exigidas pela sociedade da informação e do conhecimento (trabalho em equipa, saber seleccionar, pesquisar, relacionar entre si e sintetizar informação, espírito crítico e capacidade de iniciativa na resolução de problemas). Nesta perspectiva, o construtivismo apresenta-se como a teoria da aprendizagem que melhor se adequa aos objectivos gerais da instrução.

Os avanços técnicos recentes, particularmente a Internet e a World Wide Web, permitiram que a instrução seja concebida numa perspectiva construtivista. O hipertexto e a hipermédia possibilitam o desenho da instrução num formato não linear, permitindo diversificar as estratégias de aprendizagem, adaptá-las às necessidades educativas e envolvê-las em contextos cognitivos e sócio-culturais.

MODELOS PEDAGÓGICOS
Tendo em atenção o que atrás foi referido, verifica-se que no caso concreto da implementação de um Sistema de Ensino a Distância, devem ser seleccionadas as teorias pedagógicas mais adequadas ao ambiente de formação. Embora seja aconselhável o recurso às teorias do tipo construtivista, baseadas em metodologias predominantemente activas, muitos ambientes de Ensino a Distância ainda se baseiam em ideias behavioristas e cognitivistas.  O processo de selecção do tipo de teoria pedagógica mais adequada a um determinado ambiente de Ensino a Distância assume uma importância fundamental, tendo grandes implicações na definição do modelo pedagógico que se pretende implementar. Assim, um dos principais objectivos de qualquer sistema de formação é proporcionar condições para que os formandos possam adquirir novos conhecimentos e, consequentemente, possam aplicá-los na sua prática profissional. No entanto, estes objectivos podem ser atingidos de forma mais ou menos eficaz, dependendo em grande parte das estratégias pedagógicas utilizadas pelo formador durante o processo de formação. Neste contexto, assumem especial importância os modelos pedagógicos, os quais se encontram descritos na figura seguinte:

Os modelos pedagógicos tradicionais, normalmente designados por Modelos Centrados no Formador, têm como objectivo principal uma mera transferência de informação do formador para o formando, recorrendo à utilização de métodos expositivos. O formando comporta-se de forma absolutamente passiva, enquanto que o formador possui todo o controlo sobre o processo de formação e sobre o próprio ritmo da aprendizagem.

Por outro lado, nos Modelos Pedagógicos Centrados no Formando, toda a informação recebida é submetida a um processo de interpretação, conducente à construção de novas formas de conhecimento. O formando aprende ao seu próprio ritmo, interpretando os factos com base na sua experiência pessoal. O formador actua como um facilitador e orientador do processo de aprendizagem, proporcionando meios para o desenvolvimento de novas competências nos formandos. 

O outro modelo pedagógico, vulgarmente designado por Modelo Centrado no Grupo, baseia-se na implementação de ambientes de trabalho colaborativo, nos quais o conhecimento é construído com base na interacção entre todos os elementos do grupo de trabalho. Este modelo revela-se bastante adequado em contextos orientados para a pesquisa e para a resolução de situações problemáticas, onde o objectivo é apelar à criatividade dos formandos, no sentido de resolver situações com algum grau de complexidade. O formador tem como função facilitar a troca de informação e de conhecimento entre os formandos, intervindo nos debates e providenciando para que todos os formandos interajam mutuamente. Este modelo tende a ser adoptado progressivamente pelas mais variadas instituições de ensino e formação, visto que para além de atingir todos os objectivos propostos pelos modelos anteriores, desenvolve nos formandos uma maior criatividade, uma maior atitude crítica, fortalecendo o espírito de grupo e desenvolvendo capacidades de comunicação interpessoal.

A figura seguinte mostra de forma resumida o modo como os diversos modelos pedagógicos usados no Ensino a Distância se relacionam com os diversos tipos de teorias seleccionadas.

 

 
3 - ACTIVIDADES DA ACÇÃO
 
3.1 - ACTIVIDADES PRESENCIAIS
 

Entre na ÁREA DA ACÇÃO - LIVRO DE PONTO de modo a que possa registar a sua presença nesta sessão. As presenças deverão ser registadas hora-a-hora, durante os seguintes períodos: 18H30 - 19H00, 19H30 - 19H45 e 20H30 - 20H45.

Os formandos deverão preencher o INQUÉRITO DE AVALIAÇÃO INICIAL, localizado na área da AVALIAÇÃO. Este inquérito será enviado automaticamente para o e-mail do formador.

Seguidamente aceda à SALA DE REUNIÕES (FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO – SALA DE REUNIÕES), onde poderá contactar com o formador e com os restantes formandos inscritos na acção. Nesta área poderá esclarecer eventuais dúvidas e participar no desenvolvimento das seguintes actividades:

Numa primeira fase terá lugar um debate na sala de reuniões da acção acerca dos seguintes temas:

  • Análise dos principais modelos de concepção e desenvolvimento de projectos de Ensino a Distância.

  • Análise dos principais modelos pedagógicos do Ensino a Distância.

Numa segunda fase, os formandos elaborarão uma aplicação dinâmica destinada à gestão de utilizadores, com vista a adquirir conhecimentos acerca da construção de páginas do tipo ASP (Active Server Pages). Para isso, os formandos deverão ter instalado no seu computador o software Macromedia Dreamweaver MX 2004, bem como o Microsoft Access. Os documentos de apoio à parte prática serão disponibilizados durante a sessão, nos MATERIAIS DA ACÇÃO. Para a leitura destes documentos, os formandos deverão ter instalado no seu computador o Acrobat Reader.

 
3.2 - ACTIVIDADES NÃO PRESENCIAIS


Os formandos deverão efectuar actividades de pesquisa na Internet, com vista à referenciação de sites que contenham informação relevante acerca dos seguintes modelos de concepção e desenvolvimento de sistemas de Ensino a Distância: modelo de Dick e Carey, modelo de Kemp, Morrison e Ross, modelo genérico ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation, Evaluation) e modelo de Smith e Ragan. Para além disso, os formandos deverão introduzir no CATÁLOGO da acção uma breve descrição dos sites consultados. Toda a informação recolhida pelos formandos será utilizada na elaboração do trabalho teórico a propor durante a sessão 3.

Os formandos devem publicar a sua PÁGINA PESSOAL na área da acção, de acordo com os procedimentos indicados no documento publicado nos MATERIAIS DA ACÇÃO.
 

 

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