| PATRIMÓNIO |
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GALERIA |
A Murtosa resulta de uma conquista da
terra ao mar. As pateiras, os fósseis e a Ria são testemunhas desse passado.
Provavelmente, 500 anos antes de Cristo, aconteceu um acidente natural que deu
origem geológica ao assoreamento progressivo do curso inferior do Vouga e à
diminuição da grande laguna.
A Murtosa situa-se numa planície, exposta aos ventos e às marés, as maiores
culpadas pela redução da ria. O seu solo era na maioria coberto por areias
movediças, pauís, terras encharcadas e lamacentas, o que ocasionou um povoamento
tardio. Se a Barra fosse encerrada e a Ria desaparecesse, com a ajuda da
poluição, os diversos canais tornar-se-iam em charcos estéreis.
Este concelho é dos mais pequenos no distrito de Aveiro, em termos de superfície
ocupada. A sua área é de 73 Km² e a sua população ronda os 10.000 habitantes,
distribuídos pelas quatro freguesias que são: a Murtosa (sede), Monte, Bunheiro
e Torreira.
A sua existência como concelho é relativamente recente e é consequência de
terras desanexadas do concelho de Estarreja. A área compreendida pelo actual
concelho fazia parte do senhorio denominado Terras de Santa Maria ou Terras da
Feira, povoadas e reedificadas no ano 990.
A constituição antropológica do povo
murtoseiro aparece ligada aos Fenícios, antigos navegadores; daí a tendência das
gentes murtoseiras em partir em busca de novos horizontes. O povoamento
permanente desta zona ter-se-ia verificado a partir do ano de 1200. A actividade
comercial e tráfico de mercadorias na Ria era tão importante que os impostos
arrecadados constituíam importante fonte de receitas.
Assim, a original freguesia da Murtosa possuía recursos mais que suficientes
para a sua auto-sobrevivência e a tão desejada independência concelhia
verificou-se a 29 de Outubro de 1926 por força e vontade da população e do
precioso contributo do Almirante Jaime Afreixo, então A Murtosa em si é um dos
concelhos com mais carência de desenvolvimento do país. Com um rudimentar
comércio e uma indústria com débil grau de desenvolvimento, caracteriza-se ainda
hoje por ser uma terra de emigrantes que, pode-se dizer, estão espalhados pelos
cinco continentes deste planeta.
Deve ser, infelizmente um dos raros concelhos sem saneamento básico nesta Europa
a que pertencemos onde a sua actividade produtiva se verifica no meio agrícola e
piscatório e de alguma forma no campo turístico.
Os emigrantes, corajosos "buscadores" de venturas vitais, são as células móveis da
existência viva da Murtosa por esse mundo fora, labutando humilde e
fervorosamente
na conquista do pão de cada dia e edificando a esperança de uma idade avançada
vivida com algum descanso económico, assim como um futuro mais risonho para os
seus descendentes.
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ACESSIBILIDADES: Pode-se chegar à Murtosa através da Auto-Estrada 1, saindo no nó de Avanca-Estarreja e tomando os acessos adjacentes pela Estrada Nacional 109; de outras proveniências através das estradas nacionais 224-2 e 327.
Lenda ou tradição
"Diz-se,
na tradição corrente, que a progenitora do grande povo da Murtosa terá sido uma
moça muito bonita, chamada Teresa Caqueja, natural de Fermelã, desterrada para
aqui em expiação de crime que a tradição não pormenoriza.
A Murtosa então, ainda sem nome, era terra de condenados ao desterro.
Sozinha entre o céu e a terra lodosa, construiu a primeira casa de tábuas, uma
arrecoleta ou recoleta na costa do Chegado, no local que ainda conserva o nome
de "Chão das Figueiras". Sobreviveu. Arroteou um pedaço de terreno, fez horta,
semeou e viveu do que colhia.
Um dia, um pescador que passava encostou o barco à borda. Encontrou a
Teresa sozinha. Falaram. Eram ambos moços. Amaram-se e casaram. Tiveram filhos.
Entre fomes e farturas cresceram e multiplicaram-se no cumprimento do mandato
genesíaco. Ele na água, pescando, arrancando o estrume para os campos. Ela
tratando da terra. Ambos na simbiose característica da nossa gente "anfíbia"
como, séculos depois, escrevia Raul Brandão."
VILAR, Jaime - Lenda ou Tradição?. Boletim da Biblioteca Municipal da
Murtosa. Murtosa: Câmara Municipal da Murtosa (1993), p.11.