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Os conceitos de reacção de oxidação – redução Sumário:
Reacções de oxidação – redução como troca de oxigénio
Durante muito tempo, os químicos consideraram reacções de oxidação, qualquer reacção entre o oxigénio e um elemento ou um composto. Oxidação \ Ganho de oxigénio Exemplo: Oxidação do ferro => 4 Fe (s) + 3 O2 (g) --> 2 Fe2O3 (s)
Ao processo inverso, isto é, à diminuição do teor em oxigénio de uma substância, os químicos chamaram redução. Nota: O termo redução vem do latim que significa “voltar para trás”. Redução \ Perda de oxigénio Exemplo: Obtenção do magnésio a partir do seu óxido, por reacção com o carbono => MgO (s) + C (s) --> Mg (s) + CO (g). Nota: A redução do óxido de magnésio implica a oxidação do carbono, ou seja, a oxidação e a redução são simultâneas.
Nota: Utiliza-se o termo redox como abreviatura de reacção de oxidação – redução.
Reacções de oxidação – redução como transfer=>ncia de electrões
Depois da descoberta dos electrões, os químicos chegaram à conclusão de que as reacções de oxidação – redução envolvem a transfer=>ncia de electrões de um átomo para outro.
Quando o magnésio se oxida produz-se o óxido de magnésio, que é um composto iónico. A equação que traduz esta reacção é:
2 Mg (s) + O2 (g) --> 2 MgO (s)
No decurso desta reacção, cada átomo de magnésio perde dois electrões, para formar um ião Mg2+ => 2 Mg --> 2 Mg2+ + 4 e- ( semi-reacção de oxidação), e cada molécula de oxigénio, O2, ganha quatro electrões, para formar um par de iões O2- => O2 + 4 e- --> 2 O2- (semi-reacção de redução).
Oxidação \ Processo em que há perda de electrões Redução \ Processo em que há ganho de electrões
Notas: . Reacção de oxidação – redução é uma reacção em que há transfer=>ncia de electrões. . Reacções redox também se aplicam a outras reacções em que não entra o oxigénio, Exemplos:
Mg (s) + Cl2 (g) --> MgCl2 (s) => Reacção de um metal com um não metal
Mg (s) --> Mg2+ (s) + 2 e- => semi-reacção de oxidação
Cl2 (g) + 2 e- --> 2 Cl- (s) => semi-reacção de redução
H2SO4 (aq) + Zn (s) --> ZnSO4 (s) + H2 (g) => Reacção de um metal com um ácido
2 H+ (aq) + Zn (s) --> Zn2+ (aq) + H2 (g) => equação sob a forma iónica
Zn (s) --> Zn2+ (aq) + 2 e- => semi-reacção de oxidação
2 H+ (aq) + 2 e- --> H2 (g) => semi-reacção de redução
Zn (s) + Cu2+ (aq) --> Zn2+ (aq) + Cu (s) => Reacção entre um metal e um ião de outro metal em solução Zn (s) --> Zn2+ (aq) + 2 e- => semi-reacção de oxidação
Cu2+ (aq) + 2 e- --> Cu (s) => semi-reacção de redução
Numa reacção redox há sempre uma espécie que sofre a oxidação e outra que sofre a redução. Uma espécie que se oxida cede electrões à outra espécie, reduzindo-a, por isso, à espécie que se oxida chama-se redutor ou agente redutor. Uma espécie que se reduz capta electrões da outra espécie, oxidando-a, por isso, à espécie que se reduz chama-se oxidante ou agente oxidante. Exemplos:
Uma definição mais ampla de oxidação – redução
Mais tarde, os químicos estenderam os conceitos de oxidação e redução a reacções que, formalmente, não envolviam a transfer=>ncia completa de electrões (reacções em que estão envolvidas espécies covalentes). Considere-se como exemplo a reacção entre o hidrogénio e o oxigénio: 2 H2 (g) + O2 (g) --> 2 H2O (g), neste caso não há transfer=>ncia completa de electrões.
Enquanto nas moléculas de hidrogénio e de oxigénio os electrões de ligação são igualmente compartilhados pelos dois átomos da molécula (ligação covalente apolar), na molécula de água as ligações O – H são polares, isto é, os electrões de ligação estão mais próximos do oxigénio. Pode dizer-se que houve uma transfer=>ncia parcial do electrão do hidrogénio para o oxigénio. É possível afirmar-se que o hidrogénio se oxidou, pois o seu electrão compartilhado com o oxigénio está mais longe de si do que quando o partilhava com outro átomo de hidrogénio. Do mesmo, o oxigénio reduz-se porque os electrões que formam a ligação O – H estão mais próximos do oxigénio do que quando estavam na ligação O = O.
Resumindo:
Um elemento oxida-se quando sofre uma perda total ou parcial de electrões. Um elemento reduz-se quando sofre um ganho total ou parcial de electrões.
O número de oxidação de um átomo define-se como sendo o número de electrões que esse átomo perde ou ganha na ligação iónica, ou que perderia ou ganharia se, na ligação covalente, os electrões da ligação fossem transferidos para o átomo mais electronegativo. Nos casos de ligação covalente, o número de oxidação é puramente formal, isto é, a carga é fictícia.
Notas: . O número de oxidação descreve o estado de oxidação de um átomo de um elemento, ou seja, a carga que tem em relação ao átomo neutro. . O número de oxidação representa-se pela abreviatura n.o.
Regras para determinar os números de oxidação
. O número de oxidação de um átomo de um elemento no estado livre ou fazendo parte de uma substância elementar é zero. Exemplos: Fe; C; O2; S8.
. O número de oxidação de um ião monoatómico é igual à respectiva carga. Exemplo: No cloreto de magnésio, MgCl2 (Mg2+; Cl-), o n.o. (Mg2+) = +2 e o n.o. (Cl-) = -1. Nos iões poliatómicos,
constituídos por uma única espécie de átomos, o número de oxidação é igual ao quociente entre a carga do ião e o
número de átomos que o constituem. Exemplo: n.o. (O22-) =
. A soma algébrica dos números de oxidação dos átomos numa molécula é zero.
. A soma algébrica dos números de oxidação dos átomos num ião poliatómico é igual à carga do ião.
Números de oxidação mais vulgares de alguns elementos em compostos
. Os átomos do grupo 1 (Li; Na; K; ...) da Tabela Periódica apresentam sempre o n.o. = +1.
. Os átomos do grupo 2 (Be; Mg; Ca; Sr; Ba; ...) da Tabela Periódica apresentam sempre o n.o. = +2.
. O hidrogénio apresenta o n.o. = +1, excepto nos hidretos que é -1. Exemplos: Cloreto de hidrogénio, HCl, n.o. (H) = +1; Hidreto de sódio, NaH, n.o. (H) = -1.
. O oxigénio apresenta sempre o n.o. = -2, excepto nos peróxidos, nos quais n.o. = -1, e no fluoreto de oxigénio, no qual n.o. = +2. Exemplos: Água, H2O, n.o. (O) = -2; Peróxido de hidrogénio, H2O2, n.o. (O) = -1; Fluoreto de hidrogénio, OF2, n.o. (O) = +2.
. O flúor apresenta sempre o n.o. = -1.
Podemos definir as reacções redox através dos números de oxidação. Toda a reacção redox decorre com variação dos números de oxidação de alguns átomos que nela interv=>m.
\ Um átomo oxida-se quando o seu número de oxidação aumenta. \ Um átomo reduz-se quando o seu número de oxidação diminui.
Exemplos: Cl2 (aq) + 2 I- (aq) --> 2 Cl- (aq) + I2 (aq)
O n.o. do cloro passou de 0 a -1, logo D n.o. (Cl) = -1 - 0 = -1, como o n.o. do cloro diminui, o cloro reduziu-se. O n.o. do iodo passou de -1 a 0, logo D n.o. (I) = 0 - (-1) = +1, como o n.o. do iodo aumentou, o iodo oxidou-se.
Cu (s) + 4 HNO3 (aq) --> Cu(NO3)2 (aq) + 2 NO2 (g) + 6 H2O (l)
Para os átomos do 1º membro:
n.o. (Cu) = 0; n.o. (H) = +1; n.o. (O) = -2; n.o. (N) = +5
Cálculo auxiliar: 1 ´ (+1) + 1 ´ n.o. (N) + 3 ´ (-2) = 0 <=> n.o. (N) = +5
Para os átomos do 2º membro:
n.o. (Cu) = +2; n.o. (O) = -2; n.o. (H) = +1; n.o. (N) = +5 em NO3-; n.o. (N) = +4 em NO2
Cálculos auxiliares:
Em NO3-, 1 x n.o. (N) + 3 x(-2) = -1 <=> n.o. (N) = +5; em NO2, 1 x n.o. (N) + 2 x(-2) = 0 <=> n.o. (N) = +4
O n.o. do azoto passou de +5 a +4, logo D n.o. (N) = +4 – (+5) = -1, como o n.o. do azoto diminui, o azoto reduziu-se.
O n.o. do cobre passou de 0 a +2, logo D n.o. (Cu) = +2 - 0 = +2, como o n.o. do cobre aumentou, o cobre oxidou-se.
Designa-se por oxidante a espécie que contém o átomo que se reduz, neste caso o HNO3. Designa-se por redutor a espécie que contém o átomo que se oxida, neste caso o Cu.
Reacções de dismutação ou de auto – oxidação – redução
Quando numa reacção um elemento é simultaneamente oxidado e reduzido diz-se que houve uma reacção de auto – oxidação – redução ou reacção de dismutação. Exemplo:
Evolução dos conceitos de oxidação e de redução
Força relativa de oxidantes e redutores
Æ Reacções redox são reacções em que há transfer=>ncia de electrões. Æ Uma espécie só se comporta como oxidante na presença de um redutor e vice – versa. Æ Nas reacções redox, uma espécie que cede um ou mais electrões (redutor) dá origem a outra espécie (oxidante) capaz de aceitar esse(s) electrão(ões), regenerando a primeira espécie. Estas espécies constituem um par redutor – oxidante conjugado ou par redox conjugado. Exemplo:
Examinando o que aconteceu ao zinco metálico e ao ião Cu2+ na reacção anterior, pode reconhecer-se um aspecto importante das reacções de oxidação – redução:
Zn (s) --> Zn2+ (aq) + 2 e- semi – equação de oxidação
Cu2+ (aq) + 2 e- -> Cu (s) semi – equação de redução
De cada vez que um redutor “cede” electrões forma-se um oxidante que pode “captar” electrões, na reacção em sentido contrário. Contrariamente, de cada vez que um oxidante “capta” electrões, forma-se um redutor, que pode “ceder” electrões na reacção em sentido contrário. É a partir da ideia de que os oxidantes e os redutores estão associados que surge a designação par redutor – oxidante conjugado ou par redox conjugado. Assim, para a reacção anterior os pares redox conjugados são: Zn / Zn2+ e Cu / Cu2+.
Notas: . Se em vez de par redutor – oxidante conjugado se disser par conjugado oxidante – redutor ou par conjugado de oxidação – redução, escreve-se em primeiro lugar o oxidante e depois o redutor conjugado. Exemplo: Zn2+ / Zn e Cu2+ / Cu. . O par oxidante – redutor também pode designar-se par oxi – redutor. . Par conjugado de oxidação – redução --> par de espécies químicas que se podem transformar uma na outra por perda ou ganho de electrões. . Num par conjugado de oxidação – redução, as duas espécies podem diferir em mais do que um electrão (e-).
Nas reacções redox, quanto mais forte for um oxidante mais fraco é o seu redutor conjugado e quanto mais forte é um redutor mais fraco é o seu oxidante conjugado.
Série electroquímica qualitativa
Com base em experi=>ncias os químicos compararam o poder redutor de alguns metais, bem como o poder oxidante dos respectivos iões e criaram uma classificação qualitativa de alguns pares oxidante / redutor. Existem tabelas, como a que se apresenta a seguir, que ordenam de forma crescente ou decrescente os redutores / oxidantes e que permite decidir sobre quem tem maior poder redutor / oxidante.
Nota: Também existe uma série electroquímica quantitativa.
Uma série electroquímica pode ser utilizada para prever se uma reacção redox terá ou não lugar. Assim: · Um agente oxidante pode oxidar um redutor situado abaixo de si na série electroquímica, transformando-se cada um no respectivo par conjugado. · Um agente redutor reduz um agente oxidante situado acima de si na série electroquímica, transformando-se cada um no respectivo par conjugado. · Um oxidante não tem acção sobre um redutor colocado acima de si na série electroquímica. · Um redutor não tem acção sobre um oxidante colocado abaixo de si na série electroquímica.
A corrosão é a acção destrutiva que o meio ambiente exerce sobre um metal, dando origem a problemas técnicos e económicos graves. Há dois tipos de corrosão: a corrosão seca e a corrosão húmida. A primeira é o ataque sofrido pelos metais por parte dos gases sem qualquer humidade. A segunda, a mais grave, é provocada pelos agentes dissolvidos na água, no solo ou na humidade do ar. Um dos exemplos mais evidentes é a corrosão do ferro que, em contacto com o oxigénio húmido, dá origem à ferrugem. Os óxidos de ferro hidratados que constituem a ferrugem formam uma camada porosa, que não adere à superfície do metal e que se vai soltando, ficando novamente o ferro sujeito à acção dos agentes atmosféricos. Uma maneira de proteger o ferro consiste em impedir o seu contacto com o ar, recobrindo-o de tinta ou de outros metais apropriados. Outra forma de prevenir a corrosão é a chamada protecção catódica, usada por exemplo na protecção dos cascos dos navios. Esta protecção consiste em pôr em contacto com o ferro blocos de outro metal, como por exemplo o zinco, que se oxidam mais facilmente, resguardando assim o ferro da corrosão.
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