FICHA DE COMPREENSÃO ESCRITA

Lê com muita atenção o texto e responde às perguntas.

O GALO E A RAPOSA

O dia rompera havia pouco e o galo cantava, empoleirado no tronco de uma árvore, saudando o sol alegremente. Na folhagem, as gotinhas de orvalho caído durante a noite semelhavam pequeninos diamantes arrancados ao arco-íris, tão lindas as cores que ela despedia quando a luz as atravessava. Em baixo, na relva, pastavam coelhos bravos, e cabritos saltavam, a balir pelas mães.
O galo voltou a cantar, desafiando os passarinhos, que principiavam as suas tarefas de todos os dias. Subitamente, os coelhos e os cabritos fugiram do pasto, assustados, e uma bela raposa apareceu debaixo da árvore onde o galo se encontrava.
- Bom dia, primo galo - cumprimentou ela com toda a cortesia. - Então que se faz?
- Vai-se andando, vai-se andando, prima raposa - respondeu o galo lá de cima, admirado de tanta amabilidade. - E a prima, como está?
- Radiante! Tenho uma novidade tão boa para dar a toda a bicharada, que não pude passar sem vir procurá-lo logo de manhã, para lha contar.
- Então, que é ? – perguntou o galo, desconfiado.
- É que os bichos, todos reunidos anteontem em conselho, decidiram que daqui para o futuro não haja mais animais que se odeiem e se comam uns aos outros. De hoje em diante, todos nós vamos ser amigos e vamos viver em perfeita paz.
- Muito me conta, prima raposa. Até parece mentira!
- Mas é verdade, uma esplêndida verdade.
E ansiosa por chegar ao fim do seu plano, sentindo crescer água na boca à vista do primo galo, tão apetitoso para o seu almoço, a raposa ajuntou:
- Fiquei tão contente com isto, que até venho convidá-lo para darmos um passeio aí pelos campos. Está uma manhã tão boa e um sol tão lindo...
O galo sentiu uma grande vontade de rir, mas conteve-se e estendeu o pescoço na direcção do caminho que se avistava dali, como se estivesse a ver qualquer coisa muito importante.
- O que está a ver, primo galo? - indagou ela cautelosa.
- Nada de importância. Um grupo de caçadores que se aproxima daqui com uma matilha de cães.
Se a raposa pudesse mudar de cor, certamente tinha empalidecido. Franziu o focinho num sorriso amarelo e disse com a voz alterada:
- Visto o primo não querer vir ao passeio, vou eu sozinha.
- Então agora, que os amigos cães estão a chegar é que se vai embora? Tem medo deles, mesmo depois do acordo de que me falou?!
- Eu nunca me dei bem com eles, primo, e ninguém me garante que esses amigos já conheçam o acordo...
E a raposa deitou a correr, sem mesmo olhar para trás, enquanto o galo se ria às gargalhadas no seu poleiro e dizia:
- Coitada da prima raposa! Caiu na ratoeira que me queria armar!