| "Campos malhados de verde.
Salpicos de tons amarelos a fazer contraste. O planalto
Mirandês alonga-se ... Poucos tons mas definidos. As folhas
dos sobreiros e dos carrascos desafiam o tempo, o seu verde
escuro é sempre. Um rebanho aproxima-se. Os més dos
cordeirinhos dizem ao Planalto que há paz!" |
| TELMO FERRAZ, 1955 |
É assim que ainda se conserva
esta região bordada pelos vales profundos dos rios Douro e Sabor. A
água que corre, apressada, nestes vales não quis subir ao Planalto
e com a pouca que vem do céu, ditou que desde sempre aqui se
praticasse uma agricultura extensiva de sequeiro.
O isolamento contribui para que
se criassem e se mantivessem, nesta região, hábitos e costumes que
fazem dela uma das regiões mais ricas de Portugal. Podíamos falar
da língua, do artesanato, da música, das danças, da riqueza
natural, das pessoas, mas, vamos falar da gastronomia. A cozinha é
o centro da casa no nordeste transmontano.
Em todo o Planalto Mirandês, a nomenclatura gastronómica é um verdadeiro tesouro enciclopédico, basta lembrar a tenra e suculenta “Posta Mirandesa”, as cascas com bulho, as migas (sopas) da segada, a salada de merugem ou regato, o folar com carne, os doces económicos, as rosquilhas e todo um conjunto riquíssimo e variado de manjares vindos desta terra sã e afável.
Embora, “cada roca tem seu fuso e cada terra tem seu uso”, como é costume dizer o povo, todo este património gastronómico tem bastantes aspectos em comum: sabor e fartura... são os que mais se salientam.
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