Relatório de Avaliação Externa da Formação TRENDS
- 2ª FASE - Julho 1998 -


As autoras
. Rosa Maria Condesso Mangerão, licenciada em Filosofia pela Universidade de Coimbra e Mestre em Ciências da Educação, na especialidade de Formação Pessoal e Social pela Universidade de Aveiro.
É professora do 1º grupo do quadro de nomeação definitiva da Escola João Afonso de Aveiro.
Paralelamente foi directora do Centro de Formação José Pereira Tavares -Associação de Escolas do Concelho de Aveiro- e tem colaborado desde 1986 como formadora em diversas iniciativas da formação de professores dos vários graus de ensino.
. Maria Manuela Martinho Ferreira, licenciada em Ciências da Educação e Mestre em Ciências da Educação, especialidade em Educação, Desenvolvimento e Mudança Social pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
É professora nessa faculdade onde tem leccionado as disciplinas de Ciências Sociais, Sociologia da Educação.
Desde 1986 tem colaborado como formadora em diversas iniciativas de formação com professores dos vários graus de ensino
Tem participado como investigadora em diversos Projectos nacionais financiados pela JNICT e internacionais financiados pela CE.
 

I. INTRODUÇÃO
À semelhança do que se operou com a avaliação externa da 1ª fase do Processo de Formação TRENDS, o presente documento é produzido a partir da análise de conteúdo dos registos escritos contidos nos livros de ocorrências das/os 97 Formandas/os, 8 Formadores/as e 23 Lideres envolvidos nas 8 acções de formação que ocorreram durante 8 semanas nos meses de Fevereiro, Março e Abril de 1998.
De igual modo, e em continuidade com os objectivos da avaliação externa da 1ª fase, também esta procura ter em consideração, por um lado os objectivos do projecto TRENDS e, por outro, contribuir com uma análise crítica das interacções sócio-formativas entre os diferentes sujeitos e agentes da formação, por forma a identificar os seus aspectos mais bem sucedidos, os mais problemáticos, as suas rupturas e continuidades face ao início da formação, bem como sugerir pistas que possibilitem uma maior qualidade na formação.

O presente Relatório de Avaliação da 2ª fase da Formação TRENDS procura então, dar conta do processo desenvolvido:

I. do ponto de vista metodológico:
- reafirmar os pressupostos teóricos de formação subjacentes à avaliação efectuada na 1ª fase
- reafirmar as opções e considerações metodológicas de Análise de Conteúdo presentes na referida avaliação
- esclarecer algumas opções e procedimentos metodológicos decorrentes dos objectivos da avaliação desta 2ª fase, na tentativa de controlar possíveis interpretações subjectivas em presença.

II. do ponto de vista da interpretação e análise da informação escrita contida nos registos de ocorrências:
A análise e interpretação da informação está organizada, procurando relevar os aspectos mais positivos e/ou mais problemáticos, explicita ou implicitamente formulados em torno dos objectivos da formação TRENDS e das interacções sócio-formativas entre os/as diferentes actores/as da formação - formadores/as, formandos/as e lideres - , a partir da
- análise e interpretação parciais de cada acção de formação
- análise e interpretação global dos actores da formação
- análise global da formação

III. do ponto de vista dos problemas identificados
A apresentação dos problemas identificados pelos/as intervenientes nesta formação está organizada globalmente procurando dar conta dos seus mais variados aspectos.

IV. do ponto de vista das sugestões apresentadas
A apresentação das sugestões propostas pelos/as os/as intervenientes nesta formação está organizada globalmente procurando dar conta dos seus mais variados aspectos.

V. do ponto de vista da avaliação externa
Com base nos resultados decorrentes das análises efectuadas e também por referência aos resultados e sugestões da avaliação da 1ª fase, vão sendo sistematicamente elaboradas sínteses parciais onde se procuram identificar os avanços, continuidades, limitações e novos problemas
 

II. Considerações metodológicas

1. Considerações metodológicas
Embora a equipa de analistas reafirme basicamente as mesmas opções metodológicas de Análise de Conteúdo que orientaram o trabalho desenvolvido na avaliação da 1ª fase da formação TRENDS, importa esclarecer alguns procedimentos metodológicos  adoptados:

1.1. Breve referência à amostra
A amostra é constituida por 97 Formandos/as, 8 Formadores/as e 23 Lideres distribuidos desigualmente por 8 acções de formação.
 

Acção de formação
número de formandos/as
Curso 1
15
Curso 2
15
Curso 3
6
Curso 4
23
Curso 5
10
Curso 6
6
Curso 7
16
Curso 9
6
8 cursos
97

Admitimos que tal desigualdade na distribuição dos/as formandos/as poderá desencadear efeitos ao nível da avaliação parcial e global das acções de formação, uma vez que, frequentemente, o volume de registos oscila, nem sempre os/as formandos/as registam as suas opiniões, alguns/mas primam pela ausência...
Tais situações tendem, no caso das avaliações parciais, a agravar-se ou pelo menos a ser mais visíveis, sobretudo nas acções com menor número de formandos/as, podendo, por vezes, observar-se o monopólio involuntário decorrente do volume das ocorrências registadas, por parte de um número muito reduzido de participantes. No sentido de ultrapassar tais obstáculos optou-se por, sempre que consideramos necessário e oportuno, explicitar a representatividade de tais opiniões no universo considerado .
Porque a tónica mais positiva e/ou negativa das avaliações também poderá radicar em problemas semelhantes, optou-se por, sempre que possível , cruzar as avaliações dos/as diferentes intervenientes na acção a fim de validar a complexidade de pontos de vista subjacentes pela relativizaçao das conclusões parciais.

1.2. Breve referência à informação em análise

A informação em análise é relativa a 5 logbooks das 1ª, 2ª, 4ª , 6ª e 8ª semanas das diferentes acções de formação, o que significa que se baseia sobretudo nas avaliações das primeiras e das últimas etapas da formação formulada em torno de quatro campos: aprendi/ensinei, gostei mais, gostei menos, surpreendeu. No entanto, e porque o objectivo em presença não se reduz à avaliação das primeiras impressões e respectivas conclusões, mas à compreensão do processo de formação, procurou-se igualmente obter informações que ao captar a transição de um tempo ao outro, dessem conta da sua espessura, quer do ponto de vista das progressões e desenvolvimentos, quer de tensões e até rupturas.
Neste sentido, a presente avaliação procura, numa perspectiva de "pequena angular", lançar um olhar sobre as singularidades de cada acção específica e, numa perspectiva de "grande angular", olhar também as suas grandes regularidades. Sempre que possível, socorrer-nos-emos também do olhar retrospectivo para clarificar e perspectivar o futuro.
No entanto, porque se observou uma certa irregularidade no preenchimento dos registos de ocorrências nos diferentes cursos e ao nível dos diferentes intervenientes - formadores/as que não efectuaram um único registo , formandos/as e lideres que efectuam registos em todas as sessões ou só numa, ou apenas em duas sessões consecutivas...-, a dimensão sequencial que permitiria observar no tempo diacrónico o carácter quiçá positivo, negativo ou neutro dos progressos, tornou-se impraticável. Por tal facto, optámos por não atentar nessa dimensão, ao nível individual de acção de formação, excepto nos casos em que explicitamente se fazem comparações por referência "à(s) 1ª(s) sessão(ões)" ou em que alguns/mas dos/as intervenientes, referindo-se a um estado inicial de desenvolvimento face à esta formação, afirmam a sua progressão "consegui...", "aprendi a utilizar melhor...", "estou mais célere..".
2.3. Breve referência ao processo de construção de categorias e ao papel das avaliadoras

Nunca é demais tomar em consideração que nesta metodologia as avaliadoras não são sujeitos neutros no processo de análise - pressupostos de formação que se advogam, implicação profissional noutros processos de formação de professores, implicação pessoal, etc,  -, tanto mais que, agora, admitimos a possibilidade destes se apresentarem acrescidos devido a uma certa familiaridade com o objecto de estudo, à existência de representações acerca do mesmo e ao conhecimento pessoal de alguns das/os formadoras/es que, ao serem analisados individualmente, poderão ter-se constituido em lentes deformantes provocando interpretações subjectivas.

Assim, optámos por, após a leitura flutuante das respostas nos registos de ocorrências, cada elemento da equipa elaborar uma primeira proposta de categorização, a qual, depois de submetida ao confronto e discussão, no sentido de afinar critérios de julgamento, análise e interpretação dos conteúdos subjacentes aos discursos, resultou na construção de grelhas de categorias.
Estas, à semelhança do processo que ocorreu na 1ª fase, mantiveram como eixos estruturantes os 4 campos em torno dos quais foi recolhida a informação - Aprendi/ensinei, gostei mais, gostei menos e surpreendeu - e as problemáticas básicas que informavam esta avaliação - a aquisição de conhecimentos teórico-científicos e tecnológicos, a gestão e animação da formação e as respectivas interacções sociais - num compromisso flexível e aberto a toda a informação contida nos discursos das/os respondentes, mesmo dos enunciados que à partida pareciam descontextualizados daquelas preocupações. Tal procedimento permitiu, por um lado, observar algumas regularidades em torno de categorias comuns mas, também, a sua ausência e/ou a emergência de outras, muitas vezes singulares.
De igual modo, e na sequência dos procedimentos desenvolvidos anteriormente, a redacção da análise e interpretação dos registos das ocorrências foi efectuada em conjunto, no sentido de permitir um maior controlo dos factores subjectivos.

No entanto, e apesar destas precauções, não será demais reafirmar que a eventual presença de outros/as analistas poderia ter permitido a captação de outro tipo de problemáticas e uma maior explicitação das mesmas, bem como interpretações diferentes deste mesmo material.

2.4. Avaliação do processo de avaliação

Ao longo da análise e interpretação dos registos de ocorrências das/os formandas/os, formadores/as e líderes, fomos confrontadas com uma situação sui generis, pois verificou-se que as opiniões positivas e, sobretudo, no campo do "Aprendi/ensinei", assentavam na transcrição sumária dos conteúdos, descrição dos assuntos/temas abordados ou descrições pormenorizadas de procedimentos técnicos. Assim, e tendo em conta as opções metodológicas assumidas , observamos que os resultados decorrentes da sua análise e interpretação do conteúdo tendem a pender para uma sobre-avaliação quase exclusivamente positiva dos conteúdos aprendidos, pelo que esta tónica dominante poderá não corresponder com exactidão à expressão directa das opiniões dos/as diferentes intervenientes. Nesta medida, pensamos que talvez o modo, algo indefinido, como aparece formulado o campo "Aprendi/ensinei", acabe por, em grande medida, recolher mais uma topologia dos conteúdos do que os processos de aprendizagem e de ensino mobilizados e privilegiados. Deste modo, o que se nos afigura interessante dar conta não é o facto de precipitadamente podermos concluir que tudo correu bem ou muito melhor nesta fase da formação, mas sim interrogar o processo de recolha de informação para avaliação.
Com efeito, outro aspecto que se prende com a formulação dos campos em análise e que poderá merecer alguma reflexão, decorre do facto de haver, comparativamente, um muito menor volume de respostas aos campos dos "gostei menos" e "surpreendeu". Admitindo-se, que de alguma forma, este último possa aparecer diluido noutros campos, como é o caso do "gostei mais" e mesmo do "aprendi...", o mesmo não acontece com a proposta de captação dos aspectos mais críticos que, muitas vezes, eram expressos em termos de "nada" ou simplesmente em branco. Ora, sendo estes fundamentais para a melhoria da qualidade dos processos de formação, pela identificação que possibilita de aspectos problemáticos, passíveis de serem mais ou menos, prontamente, resolvidos, talvez importe pensar em alternativas capazes de complementarem este tipo de informação como seria o caso de um novo campo de "sugestões".

Finalmente, o facto mais surpreendente, prende-se com a opção metodológica de uma análise de conteúdo por curso, onde o cruzamento das avaliações dos três intervenientes permitiu captar e trazer á luz aspectos das interacções lider-formador/a- formandos/as que, tendo ficado completamente na sombra na 1ª Fase da Avaliação, nos permitiram, agora, uma compreensão mais profunda e complexa das suas intervenções e, portanto, a sua interpretação mais relativa e ao mesmo tempo mais valorativa.
 

III. Análise e interpretação da informação escrita contida nos registos de ocorrências

1. Análise e interpretação da informação escrita contida nos registos de ocorrências por acção de formação

1.1. Análise e interpretação da acção de formação 1
. os/as formandos/as
Esta acção foi frequentada por 15 formandos/as que globalmente a avaliam como francamente positiva (218 refªs) - "gostei mais" (100 refªs), "aprendi/ensinei" (93 refªs) e, também, embora com muito menor expressão, no "surpreendeu" (25 refªs) -, por oposição a 34 refªs negativas expressas na questão "gostei menos".

Numa análise mais pormenorizada desta avaliação, as/os formandas/os começaram por privilegiar as aprendizagens adquiridas, ao nível quer das competências técnicas (44 refªs) quer das adquiridas através da NET (32 refªs), registando-se um equilíbrio entre o gosto da novidade do que aprendi e a surpresa de aprender fazendo, muito se aprende através da NET..., as imensas potencialidades do que me espera... É neste contexto que surgem, ainda que escassas, referências aos lideres (4 refªs, produzidas por 3 formandos), aprendi a copiar com a ajuda do meu lider ... , o lider tem ensinado bastante a gravar as tarefas...
Em seguida, a sua atenção focaliza-se em aspectos ligados à animação da formação (51 refªs), quer ao nível dos conteúdos (20 refªs), quer ao nível do IRC (31 refªs), sendo de destacar uma nova forma de abordagem e discussão, nomeadamente discutir as soluções dos problemas para além dos problemas em si . É este carácter de discussão que atravessa as referências ao IRC (31 refªs), quer positivamente (14 refªs de 8 formandas/os) a conversa cada vez mais interessante pelos problemas postos, ... a discussão acalorada entre os formandos, o formador e o lider..., como de costume a conversa..., quer negativamente (13 refªs de 6 formandas/os) o desencontro na discussão..., o não conseguir participar na discussão das tarefas propostas... Neste sentido, apesar das opiniões se dividirem mais ou menos equitativamente, parece poder inferir-se que à novidade dos conteúdos propostos nesta acção, se aliou uma estratégia pedagógica promotora da interacção e da implicação das/os formandas/os, que no limite teve, como efeito, provocar em algumas/ns delas/es, a surpresa de se verem confrontados com novos problemas dada a impossibilidade de provar a existência de circuitos de Hamilton...
Os reflexos desta proposta de animação da formação -discussão- aparecem manifestos nas relações interpessoais (36 refªs) que a suportaram a forte comunicação e discussão entre os formandos e o formador..., a discussão cada vez mais interessante..., na surpresa perante o diálogo mantido..., e o nível dos trabalhos apresentados por colegas..., extravazando para o intercâmbio de ideias entre formandos, formador e líder..., e ainda à presença solidária de alguns formandos do outro curso... Uma das qualidades que parece estar subjacente à manutenção desta rede interpessoal é o reconhecimento por parte destas/es do carácter de proveito e aprendizagem mútua efectuado a partir da partilha e observação dos trabalhos produzidos por outrem, o que revela o desenvolvimento de qualidades humanas que, ultrapassando o indivídualismo, valorizam a cooperação, a interajuda, o trabalho colectivo.
Neste sentido, parece estar-se a assistir à construção de uma rede de relações interpessoais alargadas que não se confinando ao interior da acção de formação, nem ao momento presente, parece projectar-se futuramente como um sistema capaz de suportar a auto-formação na própria escola, que assim se constituiria num espaço alargado de formação.
Corroborando da tónica que parece caracterizar as relações interpessoais, as atitudes reveladas pelas/os formandas/os (24 refªs) são predominantemente de satisfação (17 refªs) gostei de tudo o que fiz ..., foi espectacular a comunicação de todos ao mesmo tempo..., de implicação das pesquisas que efectuei fora do horário ..., de abertura ao novo da novidade do que aprendi..., e de descoberta que eventualmente, em Matemática nem tudo é "exacto" o euler chegou à conclusão que o problema das pontes não tem solução... As dificuldades aparecendo referidas, denotam, por um lado que não foram subestimadas pelas/os formandas/os, e por outro, uma relação positiva e bem humorada com as mesmas ... das barracadas que dei..., da minha ignorância acerca destes assuntos..., errando também se vai aprendendo...
No entanto, todo este clima de abertura, informalidade e convivialidade parece também ter-se constituido num obstáculo à integração de alguns/mas formandos/as manifestado, com certa insistência, quer ao nível do IRC quer das relações interpessoais estabelecidas, deu-me a sensação que quase todos se conheciam e a conversa fechou-se dificultando a entrada dos que eram de fora..., não consigo acompanhar o ritmo de trabalho dos outros colegas porque sou muito "verde" nisto..., não gostei das sessões de IRC... Assim, aos aspectos referidos como mais negativos pelas/os formandas/os, IRC e relações entre formandas/os-formador, acrescem dificuldades de caractér técnico (10 refªs) quer ao níveis dos meios disponíveis (6 refªs) perdi várias vezes o contacto... quer das competências mobilizadas (4 refªs) nem sempre as máquinas nos entendem...
Seguidamente, destaca-se a auto-avaliação da progressão dos/as formandos/as (16 refªs), maioritariamente positiva, onde o processo de aprendizagem é tão valorizado fiz várias eulerizações, tentando escolher a melhor... procedendo deste modo sempre aprendi alguma coisa, como os resultados alcançados consegui acompanhar a discussão da tarefa que em parte que já tinha resolvido mas ainda não tinha conseguido generalizar. As auto-avaliações menos positivas são de carácter pessoal sou "verde" nisto..., sou principiante..., e referem-se a dificuldades no acompanhamento do ritmo de trabalho colectivo .
Finalmente, e pela voz de alguns/umas formandos/as, uma das mais-valias desta acção de formação, decorre do seu interesse para a nossa vida quotidiana..., da sua aplicação na vida real...

. O/a formador/a
A avaliação que este formador faz da acção é francamente positiva (11 refªs) - "Aprendi/ensinei" (7 refªs), "gostei mais" e "surpreendeu", ambas com 2 refªs- . De igual modo são feitas duas referências ao "gostei menos".
Apesar da coluna com maior volume de informação ser relativa ao aprendi/ensinei, verifica-se a partir da análise efectuada que o seu conteúdo releva à superfíce, a abordagem de conteúdos realizaram-se debates já sobre o 1º problema... e o domínio de competências técnicas os formandos apresentaram-se na discussão on line... Neste sentido, o formador surpreende-se com a facilidade com que um número significativo de formandos trabalhou no IRC... e com a disponibilidade de alguns formandos para começar a trabalhar imediatamente com a internet, embora tenham introduzido algum ruído... Parece-nos, contudo, que subjacente ao discurso do formador está uma atenção cuidada aos aspectos relacionais da formação desencadeados a partir do dispositivo implementado -o debate-, o qual reclama, desde logo, a participação activa de todos os intervenientes.
Tal não pode, na sua opinião, ser desligado do trabalho eficaz dos lideres onde destaca que a presença em massa dos formandos se fica a dever à boa informação... e bom trabalho... daqueles.
Assim, e apesar da escassa informação deste formador, parece-nos ter estado na sua mente a preocupação de não reduzir a formação ao núcleo formador-formando. Tanto assim, que o carácter de círculo e de reunião que parece congregar todos os intervenientes nesta formação, envolve também alguns formandos de cursos anteriores cuja presença solidária ... se fez sentir.

. os/as líderes
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos líderes, reduz-se aos testemunhos de apenas dois deles, que a ela se referem fazendo eco das opiniões veiculadas por formandos/as e/ou da sua própria visão acerca desta acção.
Assim, em relação ao primeiro aspecto -as opiniões veiculadas por formandos/as -, estas, centram-se em torno do IRC os formandos viram com descrédito a conversa no IRC.. chegando a considerá-la conversa de pura treta..., Nem toda a gente está para aturar determinadas intervenções que têm vindo a ser feitas...São tidas como descontextualizadas e a maioria das vezes a repisar a mesma tecla. ... Tal testemunho por parte de um lider, permite denotar a existência de relações interpessoais que foram vividas com alguma conflitualidade ao longo desta acção.
Tal situação permite ainda inferir acerca das relações entre formandos/as e lider o problema já vem desde o princípio, tenho conversado com os formandos e até lhes sugeri que o transmitissem pelas vias convenientes... onde este se assume como um ouvinte disponível, implicado na resolução de problemas e um porta-voz privilegiado mas que não nos parece neutro.
Relativamente ao segundo aspecto - a sua própria visão acerca desta acção -, este desdobra-se em duas dimensões: uma que interfere directamente com a gestão da animação da formação e com o papel do formador torna-se necessário encontrar o equilíbrio entre a utilização do IRC e outras actividades...  parecendo-nos extravasar os limites das suas competências, e outra, formulada por um outro lider, que a partir de uma experiência vivida, sugere um outro tipo de contactos entre formador e formandos a presença  esporádica de um formador numa escola (Dr. Arsélio Martins, na Martim de Freitas -Coimbra) permitiu uma experiência algo diferente com os dois formandos, pelo que, em ocasiões futuras seria interessante alguma disponibilidade dos formadores para fazerem algo de semelhante... É, sobretudo, este último testemunho que nos merece particular atenção na medida em que este lider como observador e ouvinte implicado, revela uma atenção particular às dinâmicas ocorridas no terreno e assume-se como um porta-voz privilegiado na proposta de sugestões que podem enriquecer e alargar a qualidade das relações interpessoais neste tipo de formação.
Neste sentido, importa considerar que, quando falamos de lideres, estamos em presença de uma categoria que não é homogénea, uma vez que os estilos pessoais de cada um interferem no modo como interpretam o que acontece e como agem.

. Em suma
Quando cruzamos as opiniões recolhidas pelos intervenientes nesta avaliação, verificamos que

. em primeiro lugar:
o IRC é o aspecto que é comummente referido, reunindo também o consenso no que se refere à identificação de aspectos problemáticos. No entanto, estes são referidos diferentemente, como tendo sido ruidosas para o formador; fechadas, desagradáveis e desajustadas no ritmo para alguns dos formandos, descontextualizadas, repetitivas e superficiais também para os formandos mas expressas através do lider e sobreutilizadas no conjunto das actividades para um lider. Tal polissemia permite compreender que ao significado atribuido a tais problemas subjaz uma diversidade de objectivos que alicerçam relações interpessoais heterogéneas. Considerando que o IRC é a ferramenta que aglutina os diferentes intervenientes no mesmo tempo, o que se pode inferir é que tais interpretações decorrem da natureza diferenciada dos objectivos da formação -que aliam formador-formandos/as à distância- e os objectivos de facilitação da realização -que aliam lider e formandos em presença e formador à distância-.
Estas alianças são também possíveis de aferir quando consideramos que formador e parte dos formandos avaliam positivamente este mesmo dispositivo de formação -IRC- e a estratégia implementada -debate-.

. em segundo lugar:
Atravessando o debate toda esta formação, parece poder concluir-se, pelo cruzamento do formador com os formandos/as que a discussão e o confronto se constituiram na estratégia priviliegiada de animação da formação.
Tal teve efeitos que, do nosso ponto de vista, se repercutem não apenas ao nível dos saberes aquiridos, mas, mais importante do que isso, ao nível do saber ser. Este desdobra-se na dimensão profissional -no sentido em que se operaram rupturas conceptuais- e na dimensão pessoal e social - porque se estabeleceram laços entre os diferentes intervenientes e nós de tal modo fortes, capazes de explicar a presença voluntária de antigos formandos/as.

. em terceiro lugar:
A interrogação com que ficamos diz respeito à escassez de referências quer explícitas quer implícitas ao papel assumido pelos lideres nesta formação, quer por parte dos formandos/as, quer do formandor.

1.2. Análise e interpretação da acção de formação 2
. os/as formandos/as
Esta acção foi frequentada por 15 formandos/as que globalmente a avaliam como francamente positiva (132 refªs) - "aprendi/ensinei" (54 refªs), "gostei mais" (50 refªs), e, também, embora com muito menor expressão, no "surpreendeu" (28 refªs) -, por oposição a 28 refªs negativas expressas na questão "gostei menos".

Nesta avaliação positiva, as/os formandas/os centraram a sua atenção em duas grandes categorias que se articulam: a animação da formação (77 refªs) ao nível dos conteúdos transmitidos (45 refªs), e do dispositivo pedagógico, o IRC (21 refªs) e nas aprendizagens de carácter mais tecnológico (58 refªs) adquiridas quer através da NET (42 refªs) quer de competências técnicas requeridas para tal (16 refªs).
Assim, e debruçando-nos sobre os conteúdos veículados nesta acção, observa-se que as/os formandas/os manifestam o reconhecimento da qualidade e actualidade das problemáticas abordadas gostei de dialogar sobre assuntos tão actuais e necessários para um professor que gosta de se actualizar..., reflecti sobre a manipulação da informação ... bem como dos processos accionados gostei da apresentação da história da comunicação em slides..., gostei da página que falava sobre o shock therapy..., aprendi a dialogar com espírito aberto e crítico sobre a informação que me chega às mãos...
A mesma opinião extravasa quando as/os formandas/os se referem ao IRC gostei do IRC..., gostei do debate..., gostei de constatar e trocar opiniões..., gostei da dinâmica entre todos os colegas..., o que para alguns se revelou surpreendente dado que não esperavam discussões tão plurais....
E porque subjacentes à animação da formação se desenrolam múltiplas interacções, é possível afirmar que aquela reflexão crítica parece ter sido pregnante também ao nível da relação estabelecida entre formandas/os (7 refªs) gostei da dinâmica do desenrolar das conversas..., gostei da postura crítica dos formandos..., aprendi com a participação de alguns colegas.
Face a este coro que se rege por uma opinião quase unânime acerca do carácter participado desta acção, não podemos deixar de notar a ausência de referências aos formadores que explicitamente apenas são referidos por um formando quando salienta o seu espírito humorista e bem disposto ...
No entanto, consideramos que é possível inferir dos efeitos positivos da sua influência na promoção destas interacções, quando nos confrontamos com o cariz das suas auto-avaliações (7 refªs) aprendi a dialogar com espírito aberto e crítico..., aprofundei a minha capacidade de análise dos media..., e com as atitudes (18 refªs) reveladas neste processo de formação gostei de me iniciar..., a participação dos professores foi interessante, viva e activa..., fiquei satisfeita com tempo dispendido..., pensei que ia ser uma seca e afinal estou a gostar bastante... E, como a excepção confirma a regra, não podemos deixar de referir as opiniões menos positivas emitidas por dois/duas formandos/as senti muita gente perdida no trabalho proposto..., esta primeira semana, nada me surpreendeu.... Em suma; parece poder identificar-se, do ponto de vista dos/as formandos/as, a eleição do espírito crítico como sendo o conceito estruturador desta acção.
Relativamente às aprendizagens da utilização das ferramentas, importa destacar o aprender-fazendo através da pesquisa na Internet (9 refªs), onde o caracter da surpresa se evidenciou (13 refªs) ao nível da quantidade de informação disponível a quantidade de sites propostos para consulta..., a percepção do vasto material disponível..., da qualidade e do impacto provado pela utilização deste meio surpreendeu-me a força das imagens apresentadas no "adbusters"..., a tradução do inglês para português..., a diferente forma de apresentação do jornal que leio e consulto.... E porque este aprender-fazendo requer a aquisição de competências técnicas (16 refªs) elas são igualmente avaliadas pela positiva, não se tendo assinalado qualquer constrangimento digno de registo.

Globalmente, os aspectos referidos como "gostei menos" centram-se em torno da identificação de dois grandes problemas: ao nível da aquisição de conhecimentos através da Internet, o reconhecimento de que a profusão e diversidade de informação é de tal modo grande que é necessário um imenso tempo para se procurar o que se pretende (8 refªs) são tantos os links que falta tempo para investigar..., e ao nível da animação da formação pelo IRC, a constatação de que o número de participantes era excessivo ... e por isso gerava confusão..., desordem na discussão..., catadupa de opiniões..., impedindo um diálogo lógico..., já que estava tudo a monte a fé em Deus...(9 refªs)

Não havendo qualquer referência ao lider, nem explicita nem implicitamente, será que tal se deve ao facto de não parecer ter havido problemas de ordem técnica nem tecnológica?

. os/as formadores/as
A escassez de informação directamente produzida por estes formadores apenas nos permite referir o seu trabalho como tal na transmissão dos conteúdos (10 refªs), salientando-se aqui, preocupações críticas na utilização dos media e dos recursos disponiblizados pela Internet....
Assiste-se também à expressão de uma certa humildade, quando um dos formadores, respondendo ao que gostou menos afirma, em nome dos dois, a sua perspectiva de auto-crítica a nossa incapacidade para formular tarefas mais motivantes...
Ambas as preocupações parecem ter com fonte a relação com os/as formandos/as que é avaliada como gratificante gostámos do empenhamento dos formandos e da sua "paixão" que se vai revelando nas participações e nos trablhos que vão surgindo... e gostei da postura crítica e interveniente dos formandos... Tal constatação permite inferir o grau de implicação que lhe subjaz, constituindo-se como reflexo do trabalho e da relação desenvolvida, onde  os formadores se reveem na postura dos formandos.

. os líderes
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos lideres reduz-se à expressão de um deles que se centra privilegiadamente nos formadores, avaliando seu desempenho global a partir da animação da formação e da relação com os/as formandos/as apercebi-me que os formadores da ... não têm sido nada meigos em exigência, pelo que eu me tenho apercebido quando me abeiro dos equipamentos dos formandos, mas só assim é imposta seriedade ao trabalho ...
O outro aspecto referido pelo lider respeita a desagradável surpresa com que foi confrontado chego ao fim deste bloco sem conhecimento oficial da existência do formando A... mas atenção têm estado presentes, conforme conhecimento dos formadores e têm cumprido.... Assim, aquilo que numa mera análise de superfície poderia reduzir-se a uma crítica à organização, permite que uma análise mais cuidada torne visível outras dimensões igualmente presentes na sua relação com o Centro de Formação - parece denotar-se pela sua observação o desagrado por, ao não terem sido cumpridos os procedimentos formais correntes, o seu papel ter sido desconsiderado-, com os formadores - porque evidencia a preocupação e o cuidado em assegurar a transparência dos processos- com os/as formandos/as - onde revela uma atitude de protecção e integração mas simultâneamente de controlo da assiduidade e do desempenho-.

Em suma:
Quando cruzamos as opiniões recolhidas pelos intervientes nesta avaliação verificamos que:

. em primeiro lugar:
todos os intervenientes consideram que esta acção pode ser caracterizada pela sua seriedade, empenho e implicação.

. em segundo lugar:
A partir das informações disponíveis é possível reconhecer um nódulo privilegiado que se alicerça em torno da reciprocidade entre formandos/as-formador, expressa nas linhas fundamentais que teceram esta acção de formação: ambos são unânimes na identificação da crítica como o mote de abordagem à problemática em estudo e da participação como prática instituida, onde ambos se afirmam como co-reponsáveis pela consciencialização do(s) outro(s).
Neste sentido, sendo esta acção, aparentemente de uma área específica, atinge outras dimensões de carácter pessoal e social, igualmente relevantes numa formação que se pretende integral.

. em terceiro lugar:
Parece-nos também poder concluir por uma certa coerência entre a avaliação dos/as formandos/as e a auto-avaliação dos formadores acerca do desempenho destes e referente ao modo como, com discrição e subtileza parecem ter sido bastante bem sucedidos nesta formação.

. em quarto lugar:
Um outro aspecto de convergência entre formandos/as e formadores prende-se com a identificação do IRC, como tendo sido um dos aspectos mais problemáticos desta acção.

. em quinto lugar:
Não há nenhuma referência ao lider, nem por formandos/as nem por formadores, pelo que também neste aspecto esta díade se reforça.

1.3. Análise e interpretação da acção de formação 3
. os/as formandos/as
Esta acção foi frequentada por 6 formandos/as.
Em termos globais a avaliação que os/as formandos/as fazem desta acção é positiva (29 refªs) por oposição a 13 refªs negativas, expressas na questão "gostei menos". Nesta apreciação positiva, salienta-se o desequilíbrio observado no volume de respostas face às aprendizagens adquiridas (16 refªs) e um "empate" entre o volume de respostas relativas ao que gostaram mais (13 refªs) e ao que gostaram menos (14 reªs). O volume de respostas face às surpresas vividas, é manifestamente menor (5 refªs, de 4 formandos/as)
Numa análise mais detalhada, verifica-se que é ao nível da aquisição de competências técnicas (8 refªs) aprendi a utilizar as ferramentas... e aquisição de novos conhecimentos adquiridos através da Internet (11 refªs) actualizei muitas informações... que os formandos centraram a sua atenção (19 refªs). Esta valorização das aquisições técnicas, reflectiu-se na gratificação que expressam sentir (5 refªs) quando referem o quão é útil servir-me das pesquisas via Internet..., deliciei-me com a descoberta de novas paisagens desconhecidas. Paisagens deslumbrantes! Neste sentido é possível inferir que o carácter de aprender-fazendo subjacente a estas aprendizagens se deve, no primeiro caso, à funcionalidade dos saberes proporcionados pela Internet, e no segundo caso, à fruição pessoal do/a formando/a. Concomitantemente, o que surpreendeu (3 refªs) estes/as formandos/as foi a facilidade com que podemos viajar -museus, bibliotecas, contactar com a natureza, sem sair do mesmo sítio..., encontrar tão rica e variada informação...
A reiteração daquele sentido da avaliação manifesta-se na categoria referente à atitude dos/as formandos/as (10 refªs) onde se destacam pela positiva (5 refªs) o APRENDI A APRENDER... e o saber que é muito útil, e importante estar cada vez mais actualizado... No entanto, nesta categoria são igualmente relevantes os aspectos considerados mais negativos (4 refªs) e que curiosamente se prendem com aspectos relacionados com a manipulação das ferramentas e sua utilização para quem não domina muito bem o computador foi violento..., não gostei de me encontrar sem saber onde procurar algumas orientações devido ao meu desconhecimento acerca do funcionamento da Internet...
Admitimos que a preocupação com a aquisição de competências técnicas necessárias a uma participação adequada nesta formação, ao tornar-se tão dominante, tenha acabado por secundarizar aquilo que era a razão de ser desta formação, isto é, os seus conteúdos. É nesta perspectiva que, eventualmente, se poderá compreender uma tão reduzida expressão relativa à animação da formação (7 refªs), quer ao nível dos conteúdos (4 refªs), quer do IRC (3 refªs). Também aqui as opiniões se dividem entre os/as que reconhecem o valor do conhecimento mútuo, da partilha de informações, experiências, conhecimentos, ... e os que, pelo contrário, consideram a participação algo lenta... muitos silêncios atribuidos à incapacidade dos colegas escreverem mais depressa... A análise desta expressão de descontentamento, remete-nos, uma vez mais, para o handicap sentido por estes/as formandos/as relativamente ao domínio das competências técnicas requeridas e é, exactamente neste contexto, que um/a formando/a manifesta, entre a constatação e o desapontamento, que houve quem afirmasse que tinha sido a primeira vez a usar um computador... Talvez se encontre aqui a chave para a explicação da interpretação até aqui desenvolvida.
A dicotomia presente na avaliação da animação da formação, permite-nos, igualmente, inferir acerca das relações entre formandos/as (2 refªs), que assim oscilam entre as potencialidades de trabalhar em grupo e as qualidades que aí se podem desenvolver -partilha..., conhecimento mútuo... - e o entrave em que esse mesmo grupo de pode constituir para o desenvolvimento do trabalho o IRC teve pouca discussão...
Relativamente à relação com o formador apenas há a registar 2 refªs, uma sobre a adequação dos materiais fornecidos no âmbito da acção e outra, sobre o esforço por si desenvolvido e a sua boa disposição, que aliás é, na opinião singular de um/a formando/a, extensiva à generalidade dos/as formandos/as e ao líder .

Em suma: a partir do que é dito pelos/as formandos/as, o que parece caracterizar esta acção de formação é, relativamente a si, a "obsessão com a máquina", ao formador, é a sua ausência que se destaca, quer na dimensão da transmissão dos conteúdos, quer nos processos de trabalho que implementou, e em relação ao lider, este também está ausente.
Podemos então interrogar-nos sobre o papel do lider num contexto como o presente, em que a sua ajuda era imprescindível para o sucesso da formação e dos/as formandos/as.

. o/a formador/a
Relativamente a esta formadora o que se evidencia é sobretudo a preocupação em registar o que ensinou, mais do ponto de vista dos conteúdos do que dos processos mobilizados embora tenha sido referida a utilização do debate.
Parece-nos que esta formadora se assume como o centro da formação, definindo com determinação e à partida o quê e o como, com grande incidência na orientação para a pesquisa temática na Internet... donde, o carácter de avaliação positiva dos/as formandos/as ao nível das competências técnicas a facilidade que alguns dos formandos revelam no manuseamento destes meios informáticos... e negativa no cumprimento das tarefas previstas a maioria dos formandos não consultou a área plano semanal... onde revela uma atitude de certa inflexibilidade e até de autoridade?

. os/as líderes
A apreciação que é possível efectuar dos lideres é extremamente precária na medida em que apenas 2 se referiram a ela explicitamente.
Aquela centra-se nos formadores e na animação da formação, considerando-a positivamente no que se refere à sua gestão estão a orientar bem os trabalhos avisando com tempo das tarefas a realizar ... Neste sentido, parece adivinhar-se que a acção da formadora facilitando o seu próprio trabalho e consequentemente, o dos/as formandos/as, permite uma avaliação positiva do seu próprio desempenho. Este um aspecto importante para reflectir acerca das relações lider/formador/a.
O IRC merece também a atenção deste lider na medida em que identifica tensões que podem ter condicionado a participação dos formandos no IRC devido à presença de elementos que se sentem familiarizados com o computador... para além de estarem à vontade no tratamento do tema da acção, tornou-se desmotivante e totalmente incapacitante para a única formanda que pela 1ª vez contactava com um PC. Neste sentido, o que se afigura interessante analisar é o carácter relacional que subjaz àquilo que à priori pode apenas ser considerado como efeito da inabilidade e ignorância tecnológica. Assim, a desmotivação, ao contagiar a generalidade dos/as formandos/as, e agudizar as dificuldades de carácter técnico de uma formanda a ponto de impedir a sua progressão são bem reveladoras da complexa rede de interacções grupais que ocorrem ao nível local. Este aspecto é também fulcral, uma vez que salienta a atenção e a grande preocupação com a integração de uma formanda e, por consequência, o papel de facilitador que este lider assume.

Em suma:
Quando cruzamos as avaliações dos diferentes intervenientes verificamos que:

. em primeiro lugar:
os consensos reunidos se organizam em torno de díades, sendo de destacar a díade lider-formandos/as. Neste sentido, ambos coincidem na identificação de problemas ao nível das relações interpessoais do grupo, aquando do IRC, na constatação do quão problemático pode ser a heterogeneidade dos pontos de partida ao nível das competência técnicas dos formandos/as.

. em segundo lugar:
A única excepção, que reune o acordo de formandos/as-formadora verifica-se ao nível do reconhecimento pelo gosto da pesquisa temática na Internet.

. em terceiro lugar:
a contradição parece ser o conceito que melhor caracteriza as relações que a formadora desenvolveu com os restantes intervenientes: enquanto a formadora refere positivamente o debate, lider e formandos/as consideram-no problemático, enquanto a formadora considera evidencia os conteúdos, os/as formandos/as realçam os processos, com destaque para o domínio das ferramentas...

. em quarto lugar:
As condições de partida dos formandos/as parecem ter-se constituido num obstáculo de difícil transposição para si próprios/as. Este problema, retoma do nosso ponto de vista, o debate em torno deste modelo de formação e das relações conteúdos/domínio das tecnologias.

. em quinto lugar.
a importância da díade lider-formandos/as no seu acordo acerca de uma série de aspectos comuns permite compreender o alcance da sua relação, realçando a importância do olhar do lider numa avaliação deste tipo de formação.

1.4. Análise e interpretação da acção de formação 4
. os/as formandos/as
Indubitavelmente esta acção é avaliada pela positiva (265 refªs) pelos/as 24 formandas/os que a frequentaram , distribuindo-se esta apreciação pelas categorias de "aprendi" (152 refªs), "gostei mais" (113 refªs), a que se junta o "surpreendeu" (65 refªs) e finalmente, "gostei menos" (56 refªs).
Numa análise mais pormenorizada o que ressalta como tendo tido maior impacto para os/as formandos/as foi a aquisição de novos conhecimentos através da Internet (131 refªs) aprendi a navegar ...(17 refºs), pesquisei na Net... (13 refªs), fiz pesquisa de material possível para utilização na sala de aula (13 refªs), o que subentende a aquisição de competências técnicas (50 refºs). Estas mesmas aquisições são referidas como tendo sido os ganhos mais gratificantes (44 refªs) gostei de ter encontrado uma série de informação sobre .... achei super interessante, super actual..., gostei da possibilidade de pesquisar sem ter de estar rodeada por um montão de livros e revistas..., gostei de navegar 2h na Alta Vista..., ter todo o mundo ao alcance de um simples rato..., o que aliás se vem a repercutir na surpresa manifestada (37 refªs) pela quantidade de informação disponível..., a actualidade da informação..., e pelas suas potencialidades...
Estas aprendizagens parecem ter tido efeitos ao nível da pessoa dos/as formandos/as (63 refªs) na expressão das suas atitudes (37 refªs) revelando uma relação positiva com estes processos de investigação poder saltar de tema para tema e aprender bastante..., ter acesso às informações mais variadas sobre os temas mais díspares..., gostei da novidade porque quase tudo é novo para mim..., ter oportunidade de pensar mais a fundo sobre actividades mais de acordo com os novos tempos..., deixando-se surpreender por poder pesquisar sem ter uma ideia pré-determinada, e aproveitar das sugestões ocasionais... Em suma, estas atitudes parecem ser formuladas do ponto de vista individual, e subordinadas ao princípio do "prazer", revelando abertura e disponibilidade para o imprevisto, condições indispensáveis para a estimulação de um pensamento divergente.
Embora este tipo de atitudes extravasem para a sua auto-avaliação da progressão nesta formação (26 refªs), explorei outro sites externos ao Trends, para além dos previstos..., verificamos que agora, e contrastando com a análise anterior, há uma nova preocupação ordenada pelo princípio da realidade o acesso à Net é fácil e prático mas vou ter um problema: o excesso de informação!..., aprendi a delinear objectivos precisos para poupar tempo na investigação..., e enunciada em termos mais especificamente ligados à profissão dificuldade em decidir que tema escolher e didactizar.... onde os aspectos mais negativos (12 refªs) se resumem às suas dificuldades em gerir a informação e seleccionar a vasta informação disponível para fornecer aos alunos....
Um outro reflexo positivo das aprendizagem adquiridas é revelada através da avaliação que os/as formandos/as efectuam da animação da formação (46 refªs), quer ao nível dos conteúdos (15 refªs) aprendi a planear uma aula com recurso à www..., aquisição de novos saberes..., onde a obtenção de endereços úteis e a realização de tarefas mais práticas como os produtos dos/as formandos/as consegui gravar o meu trabalho e enviá-lo..., gostei de consultar o trabalho dos colegas..., e surpreendi-me com a qualidade de alguns trabalhos... parecem ter sido relevantes. Uma das novidades aqui referidas como recurso nesta formação é o forum de mensagens e ainda o diálogo em IRC (14 refªs) onde apesar da desordem, confusão e repetição pode, pelo carácter não presencial da comunicação ajudar pessoas mais inibidas a comunicar sem estarem preocupadas com a pressão social que por vezes acontece na comunicação em presença...
É decorrente deste contexto (IRC) que um/a dos/as formandos/as sugere a preparação prévia do tema em debate... e outro/a propõe que no início de cada sessão deveria haver uma breve discussão sobre os trabalhos realizados na sessão anterior...
Neste sentido as relações interpessoais (37 refªs) subjacentes a toda esta formação salientam a relação desenvolvida entre formandos (27 refªs) onde é valorizado o trabalho de grupo pelo que favorece de conhecimentos..., contactos..., troca de impressões..., reflexões conjuntas..., obtenção de um rápido feed-back....
A relação com o formador sendo escassa, surge-nos formulada exclusivamente pela positiva e apenas por um formando, sendo a tónica posta no facto de ter sido extremamente agradável não estarmos pressionados em termos de trabalho... haver quase total liberdade de acção nas escolhas de temas, nos métodos de trabalho, na apresentação dos produtos e nos prazos... Apesar da sua singularidade, o que se nos afigura relevante inferir a partir do testemunho é a expressão visível de algo que já se vinha adivinhando ao longo da análise efectuada, acerca do papel interveniente mas discreto e não directivo que parece caracterizar a acção destas formadoras.
Também a relação com o lider é apreciada de modo positivo (3 refªs) embora sejam escassas as referências que lhe são feitas, destacando-se a sua mestria e podendo inferir-se a sua disponibilidade.
Por tudo isto se compreende a avaliação global desta acção (11 refªs) como positiva e onde já se apontam efeitos desmultiplicadores (24 refªs) significativos uma vez que se desdobram de imediato para a sala de aula e para a prática pedagógica, ao nível disciplinar aprendi a utilizar a Internet na sala de aula e com o trabalho activo dos alunos. Por isso escolhi um tema que pensei ser do seu interesse e fiz uma planificação a pensar na participação activa dos alunos..., gostei de ter encontrado  uma série de informação .... achei super interessante, super actual e quero introduzir os meus alunos a ler essa página... e numa perspectiva de interdisciplinaridade sinto-me mais à vontade para iniciar alguns trabalhos da área-escola que exijam pesquisa em rede...

. o/a formador/a
A avaliação que a formadora faz desta acção é francamente positiva (13 refªs) contra apenas uma negativa.
Neste sentido, destaca-se a animação da formação (8 refªs) ao nível do ensino de competências técnicas (5 refªs) e do IRC (2 refªs) foi positiva a não utilização constante do IRC que permitiu mais calma e uma reflexão mais cuidada dos temas em discussão... e a utilização de um novo recurso a área de mensagens foi utilizada para debate de assuntos de interesse geral... donde se pode concluir que esta formadora estava preocupada com a estrutura e organização da sua acção, diversificando as ferramentas postas à disposição dos/as formandos/as. Este aspecto é importante para reflectir o trabalho da formadora, também como "faciltadora" do trabalho dos/as formandos/as.
Daí que a sua preocupação com um dos efeitos visíveis decorrentes desta animação da formação seja o observado a propósito da avaliação da progressão dos/as formandos/as na maior autonomia dos formandos ... e ainda dos seus produtos pela variedade dos trabalhos apresentados...
Finalmente, e do ponto de vista das relações humanas, salienta-se que as indicações metodológicas longe de terem sido unilaterais se pautaram pela riqueza que a partilha proporciona. Neste sentido, reforça-se a interpretação feita anteriormente desta formadora, mais como facilitadora do que como transmissora ou orientadora.
O único aspecto negativo salientado diz respeito à sobrecarga horária semanal as semanas com duas sessões foram muito cansativas... e remete para a organização das acções.

. os/as lideres
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos lideres reduz-se ao testemunho de 3 líderes que são consensuais na avaliação positiva que fazem acerca desta acção, quer por referência às formadoras a acção ... continua bem estruturada conseguindo equilíbrio entre várias actividades..., quer por referência aos/às formandos/as o empenhamento das formandas quando de início as vi desmotivadas... Neste sentido, esta acção apresenta-se aos seus olhos como coerente, na medida em que mantém ao longo do tempo um padrão de estruturação que consideram elevado, donde se releva uma avaliação positiva do desempenho das formadoras. Esta ideia pode articular-se com a da afirmação de progressão subjacente à avaliação das formandas.
Não obstante a tónica positiva dos lideres acerca desta acção, não podemos deixar de anotar que esta assenta basicamente na avaliação de aspectos que consideramos serem da esfera de competências dos formadores, estando estes assim, a ultrapassar os limites do seu papel.
Na avaliação do desempenho das formandas por um dos lideres, salienta-se a sua capacidade de autonomia e capacidade de resposta, o que no seu entender se deve ao facto das formandas iniciarem a formação comigo duas semanas antes do início das acções. Por esse motivo são já mais autónomas e estão a desenvolver os trabalhos consoante as solicitações... A argumentação desenvolvida por este lider acerca das formandas permite-nos verificar que uma das sugestões decorrentes da avaliação da 1ª fase foi concretizada. Ao mesmo tempo permite-nos inferir dos seus efeitos ao nível do papel do lider pela sua expansão ao antecipar-se ao desencadear da formação, e também da sua relação com os formandos , onde a ajuda prévia se constitui em factor de emancipação potenciando a ultrapassagem de relações de dependência. Mas, também aqui, se manifesta o mesmo pendor avaliativo da apreciação feita às formandas.

Em suma:
Quando cruzamos as opiniões recolhidas pelos diferentes intervenientes nesta avaliação verificamos que:

. em primeiro lugar:
constitui-se uma tríade no reconhecimento da boa estruturação desta acção, pela diversidade de ferramentas utilizadas, onde o Forum de mensagens consituiu novidade, o que permitiu um clima de tranquilidade e tranquilizador, favorável ao desenvolvimento de relações interpessoais gratificantes expressos no empenho, autonomia e na qualidade dos produtos.

. em segundo lugar:
o recurso a uma variedade de ferramentas na gestão e animação da formação permite inferir da importância do trabalho do formador, uma vez que tal facilita o trabalho dos que lhe estão associados: o lider o os/as formandos/as.

. em terceiro lugar:
a díade lideres-formandos é unânime no reconhecimento da importância do papel do lider para o sucesso desta formação.

1.5. Análise e interpretação da acção de formação 5
. os/as formadores/as
Esta acção foi frequentada por 10 formandos/as que a consideram globalmente positiva - aprendei/ensinei, gostei mais, surpreendeu- (127 refªs) -, havendo apenas 20 refªs mais negativas.
Assim, num primeiro olhar destaca-se o campo das aprendizagens (77 refªs) seguida do "gostei mais" (47 refªs), salientando-se nestes, em primeiro lugar, a animação da formação (44 refªs), dos conteúdos veiculados (27 refªs) e do IRC (17 refªs), em segundo lugar, os efeitos sentidos pelos/as formandos/as (43 refªs) revelados ao nível das suas atitudes (23 refªs) e da auto-avaliação da sua progressão (20 refºs) e, finalmente, a aquisição de conhecimentos através da Net (29 refªs) e a aquisição de competências técnicas (19 refªs).
No que se refere à animação da formação destaca-se a aquisição e conhecimentos científicos (27 refªs) recordei o modernismo e o futurismo..., gostei de ver quadros de científico..., analisei textos de Camilo Pessanha e Gomes Leal..., e o debate no IRC (17 refªs) onde as opiniões se dividem entre a valorização das suas potencialidades gostei do diálogo vivo..., da discussão..., e o reconhecimento dos obstáculos que o meio encerra (6 refªs) quer em termos individuais dificuldade em participar em temas sobre os quais tenho pouca informação..., quer em termos do funcionamento de grupo não gostei do diálogo pois a certa altura tornou-se enfadonho..., sobreposição  de diálogos.... Neste sentido, os aspectos positivos do IRC são reforçados quando observamos que a descoberta de ideias tão diversas sobre um mesmo tema..., e que uma das colegas soubesse tanto de pintura. Achei óptimo!... se constituem como factor de surpresa. Parece-nos importante do ponto de vista formativo e num contexto onde a competição e o individualismo imperam, que uma formanda afirme retirar prazer e benefícios dos saberes de um/a colega. Paralelamente, inferimos que os aspectos negativos do IRC possam ter sido minorados com a presença facilitadora do lider sem a ajuda preciosa do lider teria sido impossível saber o que era pretendido... gostei da paciência do Prof. C...
Consequentemente, verifica-se uma auto-avaliação positiva da progressão de carácter científico aprofundei conhecimentos sobre o simbolismo... (8 refªs), a que acresce o volume de referências centradas na pessoa dos/as formandos/as, expressas nas suas atitudes de gratificação (10 refªs) com o contacto com a máquina ..., ao princípio tive muito receio, à medida que me ia sentindo mais à vontade comecei a sentir um certo prazer..., a pesquisa é fascinante..., gostei de andar à procura de informação... e nas suas atitudes de uma certa desilusão sinto-me limitada..., frustação por não ser rápida..., as quais parecem articular-se com a sua a auto-avaliação de progressos de ordem técnica aprendi a pesquisar com maior rapidez..., desenvolvi um método de melhor pesquisar a informação....
Assim, no que se refere à aquisição novos conhecimentos através da Net, é o prazer de aprender fazendo que se salienta (17 refªs) gostei de navegar num mar de informação..., pesquisar em vários endereços..., gostei de começar a aprender a funcionar com este meio.... e a surpresa que o meio proporcionou apreciei pinturas muito belas... Estas constatações ganham mais sentido quando se verifica que para um número significativo de formandos/as este era o 1º contacto com o computador...., e que gostei de saber que trabalhar com o computador não era uma tragédia... donde, o volume de referências à aquisição de competências técnicas (19 refªs) e à surpresa perante as capacidades de conhecimento que o computador nos pode dar..., fascinam-me as potencialidades comunicativas desta nova tecnologia...
Curiosamente, as relações com o formador quase não são referidas (2 refªs) e quando o são, as opiniões parecem dividir-se entre os esforços desenvolvidos pelo formador... e a ineficácia na comunicação não consegui perceber os objectivos do trabalho a desenvolver e da tarefa que deveria realizar...
Finalmente, não podemos deixar de referir a existência de alguma perturbação entre os/as formandos/as devida às suas condições de partida -sem formação nas ferramentas - e sem conhecimento acerca do modelo de formação implementado o facto de não estar esclarecida pelo centro de formação sobre os moldes em que esta acção decorreria..., não gostei de ter sido avisada em cima da hora..., e não estava à espera que esta acção de formação se realizasse através de computadores. Pensei que fosse em sessões presenciais... Este um aspecto a considerar na avaliação global desta acção pois pode ter condicionado, pelo menos em parte, o seu sucesso.

. os lideres
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos lideres reduz-se ao testemunho de apenas 2 deles, sendo que ambos se manifestam como avaliadores das atitudes e progressão das formandas como negativas (6 refªs de 2 lideres) devido à fraca apetência para a pesquisa na rede de temas propostos ... em alternativa recorriam demasiado à consulta livresca.. Subentende-se aqui um juízo de valor acerca das atitudes e da mentalidade atávicas e tradicionalistas que estas parecem corporizar.
Na avaliação mais negativa que outro lider efectua da formadora na gestão da animação da formação (9 refªs de um lider) com particular incidência no debate em IRC torna-se interessante observar as suas estratégias de abordagem, ora criticando sob a forma velada de sugestão, torna-se necessário encontrar o equilíbrio entre a utilização do IRC e outras actividades..., ora escudando-se na utilização do plural, assumindo-se como porta-voz legítimo dos formandos Quando os formandos permanecem no IRC, o nível de discussão tem de ser constante não se podendo assistir a penosos momentos de silêncio virtual ... ora criticando directamente o formador o fio condutor não é visível nem muito perceptível para os formandos e o lider. As tarefas não estavam claramente definidas..., revelando assim a sua posição privilegiada de observador pluriocular e mediador das relações entre formandos/as e formadora. Mas, importa também reconhecer que esta crítica coloca a questão da relação complexa que envolve os três pivots em torno dos quais se desenrola este modelo de formação. Neste sentido, a acção do/a formador/a também pode dificultar o trabalho do lider o o dos/as formandos/as.
Interessante reparar que este mesmo lider não se exclui do campo de observação registando-se a auto-avaliação da sua relação com os formandos (3 refªs de 1 lider) apesar da pressão em contrário exercida pelo lider, notou-se por parte de uma das formandas uma fraca apetência..., dei apoio na pesquisa de material... Donde, a sua implicação nesta formação pode ter várias leituras: do ponto de vista pessoal revela atitudes de persistência, vontade mobilizadora, mas que, do ponto de vista social, podem significar igualmente algum controlo e imposição e/ou também, ajuda e incentivo.
Este lider também testemunha algumas perturbações do ponto de vista da organização desta acção quando afirma que os formandos iniciaram a formação sem conhecerem minimanente os moldes em que esta iria decorrer..., sem tempo de preparação prévia dos formandos com fracos ou nulos conhecimentos informáticos... o que na sua opinião pode ter condicionado a tão referida fraca apetência para a pesquisa.

Em suma:
Apesar da ausência da avaliação da formadora, do cruzamento possível das opiniões produzidas pelos restantes intervenientes -formandos e liders- verificamos que:

. em primeiro lugar:
esta acção caracteriza-se pelo acordo entre lideres e formandos a propósito da identificação de vários campos vividos em conjunto como problemáticos,
 ao nível do formador - indefinição dos objectos da acção e falta de dinamismo ao nível do IRC -,
 ao nível dos formandos - o reconhecimento mutuo de ausência de competências técnicas -, e
 ao nível da organização uma deficiente divulgação e esclarecimento acerca desta formação.

. em segundo lugar:
Como aspecto mais bem sucedido da sua relação lider-formandos/as, salienta-se o reconhecimento da importância do lider como facilitador e coadjuvante na resolução de problemas.

1.6. Análise e interpretação da acção de formação 6
. os/as formandos/as
Embora se possa considerar que os/as formandos/as avaliam genericamente esta acção pela positiva (50 Refªs) importa relativizá-la dado que quando comparamos a distribuição do volume de referências pelo "aprendi", "gostei mais" e gostei menos" verificamos que ela é quase equitativa (27, 23, 20 respectivamente). Esta constatação ganha mais consistência quando se observa que as surpresas são ínfimas (4 refªs).
Assim, é a animação da formação (38 refªs) que começa por se destacar mais positivamente, ao nível das aprendizagens de conteúdos científicos (21 refªs) novos processos para estudar o genoma humano..., conhecer os avanços da ciência que muitas vezes não temos acesso..., da explicação dada pela formadora sobre o processo de desenvolvimento do cancro... e menos positivamente, ao nível do IRC (13 refªs) este tipo de comunicação faz perder a discussão dos temas..., a desadequação deste meio para a discussão..., uma certa balda.. embora se lhe reconheça potencialidades para trocas de informação que podem ser efectuadas em pouco tempo, entre colegas pertencentes ao mesmo grupo.
Tendo em consideração a contradição subjacente à avaliação da animação da formação importa atentar nas interacções que lhe estiveram subjacentes. Assim, ao nível das relações entre formandos/as (8 refªs) é interessante constatar que apesar do seu volume, se trata de uma expressão singular: apenas um formando se manifesta fazendo menção à sua natureza ambiente desinibido que se criou..., participação mais viva dos formandos..., já houve mais gente a falar... Curiosamente, também as referências à formadora, apesar de escassas, são efectuadas na sua maioria por este mesmo formando, (4 refªs) oscilando entre a apreciação positiva do ambiente desinibido que criou e a crítica ao facto de a formadora só nesta sessão ter chamado explcitamente os formandos calados, o que aliás pouco modificou a situação...
A aridez e ambiguidade que parece ter pautado as interacções estabelecidas nesta formação prolongam-se na expressão das atitudes vividas pelos/as formandos/as (7 refªs), onde simultâneamente se experimentou o gosto de ter começado...  e a sensação de "andar a apanhar papéis...", o gosto pela novidade global do trabalho e o stress provocado pela acumulação de actividades..., a que acresce a nossa própria perplexidade perante a manifestação de desagrado ninguém gosta de levar porrada mesmo justificada... e surpreendeu-me desagradavelmente o facto de não ter sido possível dar uma estalada em alguém... do formando já referido anteriormente. Por muito poucos dados que disponhamos para que legitimamente possamos inferir o que quer que seja ao nível das relações estabelecidas nesta acção, não podemos deixar de considerar que nem o silêncio dos/as formandos/as e formador nem a predominância e expressão agressiva do formando podem ser considerados neutros. Neste sentido, a única afirmação que se nos afigura plausível acerca desta acção é que, havendo consenso entre todos acerca da sua qualidade científica, nada é dito que faça entrever que esta se reflectiu a favor do desenvolvimento pessoal e social dos intervenientes. Com efeito, e reforçando esta inferência, quer as aprendizagens através da internet (7 refªs), quer o domínio das competências técnicas (6 refªs), não parecem ter-se constituido em qualquer problema, tanto mais que a única alusão ao lider revela uma relação de ajuda.

. os/as lideres
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos lideres reduz-se ao testemunho de apenas dois, onde um deles ao avaliar positivamente as atitudes de uma formanda apreciando a sua diligência manifesta a sua atenção ao desempenho dos/as formandos/as. Outro centra-se na avaliação diagnóstico dos/as formandos/as relativamente às competências técnicas que detinham os formandos da acção... nunca tinham tocado num teclado revelando a sua estratégia de resolução do problema ao afirmar que este já está a ter formação complementar em conjunto com um formando da A9. Neste sentido, este lider mostra-se atento às/aos formandas/os, avalia a situação e desencadeia estratégias dentro da esfera das suas competências, isto é: de facilitador.
É este mesmo lider que ao referir que andei desde 4ª feira atrás de um formando desta acção que não compareceu nessa sessão e hoje também não e não consegui contactar com ele... só tenho o telemóvel, está incontactável... vamos ver se ele não desiste. Vou tentar tudo... revela por um lado o controlo sobre a assiduidade dos/as formandos/as mas, também, a sua implicação neste projecto assumindo-se como um elo de ligação fundamental.

Em suma:
Dada a ausência da avaliação da formadora, o cruzamento possível das opiniões produzidas pelos restantes intervenientes -formandos e lideres- apenas nos permite identificar

. em primeiro lugar:
lideres e formandos/as convergem no diagnóstico mutuamente feito a propósito da ausência de competências técnicas destes

. em segundo lugar:
lideres e formandos/as convergem em relação papel do lider na importância da relação de ajuda desenvolvido por aquele.

1.7. Análise e interpretação da acção de formação 7
. os/as formandos/as
Esta acção de formação foi frequentada por 16 formandos/as que globalmente, a avaliam positivamente (247 refªs), contra apenas 48 refªs negativas e 39 "surpresas".
É a animação da formação (119 refªs) que recolhe maior volume de apreciações do ponto de vista dos conteúdos aprendidos (78 refªs) organizar quadros de referências para análises críticas do jornal escolar..., analisar a estruturas de um jornal..., reflectir sobre os conteúdos do jornal..., enquadramento do jornal, sua utilidade e função dentro da escola... e onde as pesquisas de jornais escolares..., foi o que mais gostaram (18 refªs).
Parece-nos óbvio que tais apreciações radicam intrinsecamente no meio utilizado nesta formação pelo que a aquisição de conhecimentos através da Internet (48 refªs) consultei vários jornais on-line..., fiquei com um panorama mais concreto dos vários jornais escolares que existem na Internet..., aprendi a transpôr o jornal escolar em suporte de papel para a Net..., e a mobilização das competências técnicas (35 refªs) correspondentes são também amplamente referidas (83 refªs).
Consequentemente, as surpresas manifestadas pelos/as formandos/as vão desde a quantidade de jornais tanto jornal na Internet e de terras tão longuínquas..., tanto jormal do 1º ciclo..., ao espanto pela sua qualidade os jornais podem ser bastante interessantes, mesmo os da escola primária..., existem várias publicações concretizadas por alunos e professores... as iniciativas das escolas portuguesas, temos projectos muitissimo interessantes, o jornal de Miranda do Douro..., espantou-me como num país pequeno como o nosso há uma riqueza imensa de culturas... É a natureza das surpresas reveladas que consideramos mais interessante analisar por vários motivos: constituindo os jornais escolares um verdadeiro património de escola e até mesmo um símbolo da cultura escolar, é-nos difícil compreender a estranheza dos/as formandos/as perante a qualidade e diversidade daquelas publicações. Será que um número considerável destes/as formandos/as não tem qualquer experiência próxima com os jornais da sua escola? E como é possível desconhecê-los, se há décadas, existem quase tantos jornais escolares como escolas? fiquei surpreendida... existem várias publicações concretizadas por alunos e professores... Por outro lado, e correndo o risco de podermos ser acusadas de demasiada intromissão, consideramos ser de problematizar a presença de juízos etnocentristas que denotam a valorização de uma certa cultura de classe urbana, quando ao se espantarem com a existência de professores com muita sensibilidade, bom gosto e sentido estético, mais propriamente os de Miranda do Douro..., revelam uma baixa expectativa acerca das qualidades dos professores de meios geograficamente mais afastados, ao hierarquizarem a diversidade geracional e profissional os jornais interessantes, mesmo os da escola primária... desvalorizam os professores "primários" e as capacidades das crianças mais novas. Neste sentido, a análise de conteúdo destas surpresas constituiu-se num efeito imprevisto para as analistas pelo carácter de naturalização e etnocentrismo que reflectem.
Também o IRC (41 refªs) foi objecto de menção destacando-se os aspectos que os/as formandos/as gostaram mais (16 refªs) gostei de conversar à distância sobre experiências deste género passadas nas escolas..., sentir que desta vez estava de facto a comunicar..., da troca de opiniões on-line... mas sendo referidos também um número significativo de aspectos que consideraram mais negativos (13 refªs) e que se organizam em torno de dois problemas: as dificuldades pessoais em aceder ao IRC é complicado responder em tempo real às questões postas e dar atenção ao resto do debate..., e a avaliação que efectuam do debate implementado pontos mortos..., conversa de "chacha"..., monotonia..., dispersão..., perda de tempo... Não é pois de estranhar que, ao nível das surpresas registadas estas se distribuam entre as que possibilitaram a troca de experiências..., e que a riqueza do debate tenha transformado assuntos potencialmente chatos em algo interessante.... e as que voltam a criticar a anarquia e as intervenções despropositadas .
É esta dualidade que caracteriza a avaliação da sua relação com o formador (21 refªs), onde por um lado, alguns afirmam ter gostado mais (6 refªs) do debate profundo..., da discussão gerada..., das intervenções objectivas dos formadores.., e outros/as que são bastante críticos/as (10 refªs) em relação à sua intervenção na animação deviam ter intervido mais face à dispersão..., deveriam ter mais pontos de situação..., ser mais claros e objectivos..., na gestão da formação indisponibilidade dos formadores em alterar a sessão de ..., e numa certa rigidez na fixação dos prazos para a publicação dos trabalhos.... Parece pois, poder inferir-se que o formador no desempenho do seu papel teve alguma dificuldade em se assumir como gestor da dinâmica do grupo, revelando alguma fragilidade na tomada de decisões. No entanto, a julgar pela surpresa de um formando face à participação em massa dos formandos na apresentação dos trabalhos..., e pela produção de trabalhos que nunca tinha pensado fazer...,  parecem ter sido superados os problemas iniciais relativos aos prazos e os da animação dos debates a sessão foi mais produtiva e disciplinada..., reconhendo-se que houve progressão.
Não obstante as oscilações que têm pautado as relações anteriormente referidas, importa realçar que as que ocorreram entre formandos/as (17 refªs) são todas avaliadas como tendo sido gratificantes (14 refªs) gostei do IRC..., da frontalidade com que cada colega falou das suas experiências..., a abertura por parte de todos os colegas sem receio de mostrarem as suas realidades... com o objecitvo de melhorarmos a nossa experiência pessoal e escolar..., salientando-se o facto de ninguém jogar à defesa... Assim, parece poder inferir-se um bom ambiente de trabalho que, não inviabilizando as dinâmicas de grupo, permitem compreender que o formador também as possibilitou.
Neste sentido, importa esclarecer que os problemas sentidos pelos/as formandos/as, e explicitamente referidos (5 refªs), se devem mais às dificuldades individuais decorrentes das aprendizagens das ferramentas senti-me perdida sem saber o que fazer ou dizer..., o stress de não ter nada pronto..., e não tanto aos aspectos relacionais ou dos conteúdos da formação.
Relativamente às relações com o lider (2 refªs) pode inferir-se uma relação de facilitação e familiaridade.

. o/a formador/a
A avaliação que o formador faz desta acção é francamente positiva 25 refªs), e manifesta no aprendi/ensinei (14 refªs), gostei mais (7 refªs) e surpreendeu (4 refªs).
Assim, 12 das 14 refªs do aprendi/ensinei referem-se aos conteúdos veiculados na animação da formação, sendo 2 relativas à sua articulação com as ferramentas utilizadas.
O que este formador mais parece ter apreciado (7 refªs) foram as relações desenvolvidas com as/os formandas/os a vários níveis, onde se salientam, no IRC, a participação a tempo dos intervenientes na discussão..., a troca de informações on-line..., na avaliação dos produtos alcançados pelos/as formandos/as os muitos contributos positivos para as conclusões..., os resultados alcançados pelos formandos na procura de jornais escolares publicados na Internet.... É ainda possível inferir a avaliação que o formador faz da progressão daqueles/as quando, ao referir que participaram "a tempo", parece apreciar a sua desenvoltura e capacidade de intervenção.
Esta apreciação parece ter sido muito significativa para o formador a ponto de manifestar a sua surpresa com os/as formandos/as (4 refªs), exactamente ao nível da expectativas..., da disponibilidade..., do grande empenhamento..., e dos resultados produzidos... Neste sentido, apesar dos conteúdos terem aparecido com bastante expressão, o que parece poder concluir-se é que a preocupação do formador não se reduziu à transmissão dos saberes, mas, pelo contrário, se orientou para a qualidade das relações humanas subjacentes à formação.
O caracter desta preocupação é manifesto também ao nível da auto-avaliação que o formador faz de si próprio quando refere, relativamante à 1ª sessão, a dificuldade de orientação da discussão..., a menor atenção dada às propostas de discussão avançadas quer pelos formadores quer pelos formandos..., o tempo excessivo de sessão de IRC (3 horas!!!)... Neste sentido, o que nos parece relevante é a atitude do formador onde evidencia algum desconforto pessoal o alívio do final ... mas sobretudo a capacidade de se pôr em causa.

. os/as lideres
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos lideres (4) respeita à expressão das suas opiniões acerca dos formadores e formandos/as.
Estas apresentam uma grande diversidade, desde um deles que avalia positivamente o desempenho global dos formadores apercebi-me que os formadores não têm sido nada meigos em exigências...pelo que eu me tenho apercebido quando me abeiro dos equipamentos dos formandos, mas só assim é imposta seriedade no trabalho, à opinião de outro que é mais crítico, avaliando a gestão da animação da formação no IRC parece-me que na 1ª sessão de debate se avançou pouco na questão do enquadramento do jornal na escola como a sua progressão na sexta sessão o debate parece ter voltado à estaca 0 das 1ªs sessões, com as mesmas dúvidas, as mesmas questões , as mesmas respostas  e ainda a sua organização gostei de voltar a ter apenas uma sessão com as formandas por semana. Deste modo elas puderam ler, consultar, navegar, tudo com calma e sem stress... e a semana em que houve 2 sessões de IRC foram muito stressantes para as formandas da minha escola..
Subentende-se, assim, que parte desta avaliação do formador tem por referência a própria pessoa do lider quando este refere que fiquei a conhecer a realidade das escolas representadas na acção no que toca à edicação de jornais, matéria que também me interessa dado ser um dos responsáveis pelo jornal da minha escola. O que se nos afigura interessante realçar é esta ambiguidade de papéis que o lider acumula com estatuto de formando. Daí, a natureza subjectiva das suas avaliações e a sua intromissão no ajuizar do nível dos conteúdos. Outra parte da sua avaliação decorre da sua relação com as formandas onde denota, na preocupação com o seu bem-estar, uma postura de relação implicada e atenta aos seus ritmos de aprendizagem.
Outros lideres centram-se mais na avaliação das atitudes das formandas salientando o entusiasmo e dedicação ... e o seu desempenho na pesquisa têm feito o trabalho de pesquisa e levado a cabo as tarefas sugeridas pelos formadores com bastante empenho... e no IRC alguns formandos ainda não evitam as intervenções menos oportunas e fora do contexto ... Neste sentido, os lideres evidenciam de novo uma atitude de protecção e integração, comprensível dada a sua proximidade relacional com o/as formanda/os mas, agora, também de controlo da qualidade do seu desempenho, o que, na nossa opinião, é da exclusiva esfera de competências do formador e formandos/as.
Assim, a ambiguidade e a sobreposição de papéis que matizam as avaliações e as atitudes reveladas pelos lideres permitem-nos consciencializar a heterogeneidade no desempenho do seu papel, mas, igualmente, assinalar como pertinente o questionamento da definição daquele, quer em termos do seu alcance quer das suas limitações.

Em suma:
Quando cruzamos as opiniões recolhidas pelos diferentes intervenientes nesta avaliação verificamos que:

. em primeiro lugar:
Um dos aspectos que é referido comummente por todos é a avaliação positiva das atitudes dos/as formandos/as como tendo sido de grande entusiasmo e empenhamento pessoal ao longo desta acção e os resultados dos trabalhos por eles produzidos que contrastam com a avaliação mais negativa da animação do debate no IRC como sendo pouco consistente.

. em segundo lugar:
esta acção caracteriza-se pela existência de algumas dissonâncias entre formador e formandos/as: entre o que do ponto de vista do formador eram os objectivos da acção - entre outros, a problemática dos objectivos dos Jornais Escolares - e aquilo que foi objecto de investimento dos/as formandos/as - aquisição de novos conhecimentos através da NET -, entre o que do ponto de vista do formador eram as estratégias a implementar - comparação de modelos de jornais e análise dos conteúdos e objectivos - e aquilo que foi objecto de valorização por parte dos/as formandos/as que se cifrou na constatação e num certo espírito de colecção.

. em terceiro lugar:
esta acção provocou um efeito imprevisto singular que consistiu na assumpção, por parte de um dos lideres, de um duplo papel, facilitador e formando, sendo nesta segunda qualidade que é possível identificar o seu interesse pelos conteúdos, no que converge com os interesses do formador.

. em quarto lugar:
as diferentes opiniões dos lideres realçam um aspecto importante a ter em mente nesta avaliação que se prende com a consciencialização da heterogeneidade subjacente a este grupo.

1.8. Análise e interpretação da acção de formação 9
. os/as formandos/as
Esta acção foi frequentada por 6 formandos/as tendo uma uma avaliação francamente positiva (107 refªs) havendo também 18 refªs ao "surpreendeu" e 17 refºs ao "gostei menos".
O que começa por se salientar na análise efectuada das respostas dos/as formandos/as é a avaliação da animação da formação (42 refªs) quer no que diz respeito aos conteúdos (26 refªs), onde se salienta a relevância das aprendizagens de caractér científico e pedagógico clarifiquei algumas teorias sobre a escrita..., desenvolvi o conhecimento sobre técnicas de promoção da oralidade..., a relação íntima entre o oral e o escrito, pistas para a didactica da escrita..., aprendi sobre a escrita criativa..., quer no que diz respeito ao IRC (16 refªs) embora, aqui, as opiniões balancem entre o reconhecimento do seu interesse e potencialidades gostei do debate..., da troca de informações..., apreciei o contacto com colegas sem os ver nem ouvir..., gostei de ouvir os colegas e saber que pelo IRC podemos trocar impressões sobre nós próprios... e apreciações de carácter mais negativo dificuldades inerentes à comunicação à distância, tendência para divagação..., pouca participação..., confusão geral...
Contudo, quando confrontadas com o que é referido acerca das relações entre formandos (22 refªs), não pudemos deixar de relativisar a importância das críticas anteriormente referidas. Esta nossa afirmação fundamenta-se na análise das relações entre formandos/as (22 refºs) gostei do carácter aberto da discussão e da troca de ideias e de experiências..., fui sensível à pronta disponibilidade dos formandos para a troca de ideias..., é isso mesmo que falta: um intercâmbio constante entre docentes empenhados num mesmo processo...,  das relações com a formadora (9 refªs) que orientou o debate de forma visivelmente democrática e eficaz... e surpreendeu com a sua pedalada, boa disposição..., e receptividade... . Tais avaliações articulam-se com a análise da expressão das atitudes pessoais dos/as formandos/as (7 refªs) onde se evidenciam, por um lado, as mais valias pessoais gostei de trocar impressões acerca de nós próprios..., e por outro lado, a consciência da mudança de atitudes que viviam pensava que não gostava de manter este tipo de contacto mas creio que estava enganada... e surpreendeu-me o facto de não ter ficado desiludida.. Assim, parece poder afirmar-se que esta formação, para além dos ganhos evidentes ao nível dos conteúdos, também se ganhou nas dimensões pessoais e interpessoais... Parece-nos legítimo ajuizar da relevância destas dimensões e da sua natureza, uma vez que sendo um grupo tão reduzido, e não tendo caído nem no "grupo dos/as amigas" nem no "grupo de explicandos/as", desencadeou um processo com efeitos reflexivos (6 refªs) aprendi que a escrita deve surgir como espaço lúdico na sala de aula e por isso há que estimular o aluno no sentido de o levar a escrever sobre todo o manancial de informações, troca de experiências... que melhoram sem dúvida o seu processo de ensino-aprendizagem, criando simultaneamente mecanismos de auto-suficiência... onde a alegria, o humor, o ritmo e a informalidade que estiveram de permeio aquando da sua própria formação, parecem querer transmutar-se para a sua relação com os alunos, dando a viver o vivido.
Finalmente, e como não podia deixar de ser, são referidas as aquisições de novos conhecimentos através da Net (18 refªs) e as competências técnicas (9 rfªs) sem as quais não teria sido possível a animação da formação.

. o/a formador/a
A formadora refere a preocupação na relação com os formandos de familiarização com algumas ferramentas a utilizar no forum... sendo sobretudo de destacar a auto-avaliação da sua progressão relativamente à formação anterior no domínio do IRC a primeira sessão do IRC por já não ser uma descoberta para mim decorreu de uma forma muito mais calma e foi possível utilizar o espaço com alguma utilizado... Neste sentido, parece poder-se inferir que esta formadora se inclui também como aprendiz desta formação, o que contribui, a nosso ver, para a sua inclusão no grupo como outra mas igual, que não se escuda no papel que desempenha. Assim, parece-nos que está criada uma das condições básicas para o alicerçar de um tipo de relação formador-formandos com uma tendência mais simétrica, o que não é vulgar num tipo de formação tradicional.

. os/as lideres
A perspectiva que é possível apresentar acerca dos lideres reduz-se ao testemunho de apenas dois deles, sendo que um avalia positivamente o desempenho global da formadora apercebi-me que os formadores não têm sido nada meigos em exigências...pelo que eu me tenho apercebido quando me abeiro dos equipamentos dos formandos, mas só assim é imposta seriedade no trabalho.
Outro centra-se repetidamente na avaliação das atitudes dos/as formandos/as o formando esteve um pouco desanimado... na sua avaliação diagnóstico relativamente às competências técnicas que detinham os formandos da acção... nunca tinham tocado num teclado revelando a sua estratégia de resolução do problema ao afirmar que este já está a ter formação complementar em conjunto com um formando da A6. Neste sentido, este lider mostra-se atento aos formandos, avalia a situação e desencadeia estratégias de formação dentro da esfera das suas competências, isto é: de facilitador.
Finalmente, um outro lider refere a desagradável surpresa com que foi confrontado chego ao fim deste bloco sem conhecimento oficial da existência do formando I... mas atenção têm estado presentes, conforme conhecimento dos formadores e têm cumprido.... Assim, aquilo que numa mera análise de superfície poderia reduzir-se a uma crítica à organização, permite que uma análise mais cuidada torne visível outras dimensões igualmente presentes na sua relação com o Centro de Formação - parece denotar-se pela sua observação o desagrado por ao não terem sido cumpridos os procedimentos formais correntes, o seu papel ter sido desconsiderado-, com os formadores - porque evidencia a preocupação e o cuidado em assegurar a transparência dos processos- com as/os formandas/os - onde revela por um lado uma atitude de protecção e integração mas simultâneamente de controlo da assiduidade e do desempenho-.

Em suma:
Quando cruzamos as opiniões recolhidas pelos intervenientes nesta avaliação verificamos que:

. em primeiro lugar:
todos os intervenientes consideram que esta acção se pode caracterizar por ter conseguido conciliar empenhamento, seriedade, humor e informalidade..

. em segundo lugar :
lider e formandos fazem uma avaliação positiva do trabalho da formadora, como instigadora e dinamizadora, onde o humor se constitui como um recurso. Tal permite-nos afirmar que os traços únicos da personalidade de cada formador se podem constituir num instrumento de trabalho.

. em terceiro lugar:
Os conteúdos constituem-se num elemento fulcral da convergência entre formadora e formandos: embora a formadora nunca se refira aos conteúdos da sua acção, o facto de os formandos os enfatizarem permite-nos concluir pela sua convergência, na medida em que cabe ao formador fundar a sua intervenção a partir dos conteúdos da acção.

. em quarto lugar:
É também possivel aferir do duplo papel assumido pela formandora quando, à semelhança de uma mera formanda, avalia a sua progressão no domínio das ferramentas.
 

2. Análise e interpretação global da informação escrita contida nos registos de ocorrências pelos actores da formação - lideres, formandos, formadores -

Abstraindo-nos das complexas singularidades dos diferentes processos de formação que envolveram vários núcleos de formadores/as, formandos/as e líderes em torno de acções de formação específicas, referenciamos agora o nosso olhar para a avaliação dos/as actores/as considerando-os/as como membros de grupos específicos que participam nesta formação com objectivos, motivações, interesses, papeis e estatutos partilhados intra-grupos e diferenciados inter-grupos, e como tal, mobilizando olhares convergência e divergência que nos permitem globalmente identificar as grandes regularidades/ singularidades de cada um deles.

No entanto, a abordagem a cada um destes grupos de actores/as será objecto de um tratamento desigual: no caso dos formadores/as e formandos/as faremos uma síntese global das suas avaliações (dado que as suas especificidades já foram objecto de análise no ponto 1.) enquanto que o caso dos/as lideres será sujeito a uma análise mais minuciosa (dado que a falta de referências específicas aos/às outros/as intervenientes ou às acções em que estiveram envolvidos nos impediram de uma análise parcelar e cruzada mais completa no ponto 1.)

2.1. O grupo dos/as formadores/as
O primeiro aspecto a considerar é a ausência de qualquer informação por parte de 2 formadores/as, pelo que análise e interpretação da avaliação efectuada por este grupo é apenas representativa dos restantes 6 elementos. Acresce a este facto, o de muitas acções compostas por dois formadores/as, apenas um/a deles/as manifestar as suas opiniões.
O segundo aspecto a ter em conta é a parca informação disponibilizada por este grupo. Com efeito, no conjunto das 8 semanas em que as acções decorreram e do suposto preenchimento de 5 registos de ocorrências, frequentemente, apenas o fazem com carácter de excepcionalidade (uma vez) e de economia de palavras.

A aprecição global que caracteriza a avaliação deste grupo é francamente positiva (103 refªs) quando consideramos os campos do ensinei (61 refªs), gostei mais (31 refªs) e surpreendeu (11 refªs) registando-se apenas 13 refªs a aspectos que gostaram menos.
Assim, a maioria dos/as formadores/as fazem jus ao seu papel ensinando/transmitindo os conteúdos das acções (42 refªs de 4 formadores/as, três deles/as com 9, 10, 11 refªs cada um/a) e as orientações que possibilitam a pesquisa na Internet (10 refªs de 5 formadores/as) a que se complementa uma avaliação sistemática dos formandos (41 refªs), com particular destaque para a sua prestação no IRC (14 refªs de 4 formadores/as), atitudes manifestadas (15 refªs de 4 formadores/as) e sua progressão (8 refªs de 4 formadores).
O que sobressai é o seu papel de centralidade na animação da formação, avaliada positivamente e justificada, por alguns/mas, face à maior familiaridade e maior domínio dos meios, o que lhes possibilita e permite a sua gestão mais diversificada e uma adequação ao desenrolar das acções.
Do ponto de vista da avaliação dos formandos, as apreciações são de uma maneira geral positivas e começam por se referir às suas atitudes (15 refªs de 4 formadores/as, sendo 5 delas de surpresa) disponíveis e intervenientes, que se articulam com a avaliação dos seus progressos (8 refªs de 4 formadores/as, sendo 3 delas de surpresa) e os produtos realizados. Tal permite inferir o reconhecimento da implicação daqueles/as e, por consequência, a sua legitimação como formadores/as. Assim, grande parte da sua avaliação parece pôr a tónica num desempenho de cariz mais normativo e tradicional, onde apesar da sua maior diluição, os desígnios dos/as formadores/as se cumprem pela "boa" transmissão de conteúdos, sua certificação e relação directa e imediata com os/as formandos/as.
É decorrente deste contexto que importa destacar que apenas 3 formadores/as se auto-avaliam (6 refªs), positivamente ao nível do seu desempenho na animação da formação (3 refªs de 2 formadores) e negativamente (3 refªs de 2 formadores/as) no contexto de interacção em IRC, Assim, é aquele contexto que mais parece suscitar tais possibilidades pela exposição "sem tréguas" a que obriga o/a formador/a.
É esta constatação que nos permite, em consequência, entrar em linha de conta com a experiência dos/as formadores/as com este modelo e meio de formação, uma vez que é possível aferir que os/as que revelaram maior susceptibilidade face a este meio são os/as "novatos/as", enquanto que os/as "habitués" se sentiram mais seguros e confiantes e os/as "experts" avançaram para a utilização de outros recursos. A constatação destes diferentes pontos de partida dos/as formadores/as, não deixa de ser interessante para consciencializar a heterogeneidade experiencial em presença neste grupo, e reflectir até que ponto ela é distintiva pelos efeitos sociais que poderá desencadear. Ao mesmo tempo, esta mesma constatação revaloriza o princípio do aprender-fazendo.
De igual modo e pela sua singularidade se destaca a referência de um formador à importância do lider, o que não deixa de ser interessante para reflectir o carácter de auto-centralidade que parece atravessar a avaliação da maioria dos/as formadores/as. Neste sentido, não deixa de ser também curioso, que um dos aspectos a que os/as formadores/as parecem ter sido menos sensíveis, foi à relação estabelecida entre formandos/as.

Finalmente, assumimos que as considerações anteriormente tecidas acerca dos Formadores são de carácter absolutamente precário , pelo que se torna abusivo retirar ilacções em termos da avaliação dos seus discursos.

Em suma:
Por referência à avaliação da 1ª fase importa considerar que:

. as avaliações dos/as formadores/as continuam a ser positivas e  centram-se na transmissão e avaliação da apropriação dos conhecimentos por parte dos/as formandos/as;
. embora na generalidade os/as formadores/as avaliem positivamente o seu desempenho na animação da formação e no domínio das tecnologias proporcionadas pelo meio, observa-se que alguns/mas (muito poucos) fizeram recurso de outras ferramentas disponíveis, diversificando a sua acção;
. os/as formadores/as que pela primeira vez contactam com este tipo de formação revelam o mesmo tipo de insegurança registado na 1ª fase;
. regista-se em relação à avaliação anterior dos/as formadores/as a ausência de avaliações de carácter normativo (assiduidade...);
. regista-se em relação à avaliação anterior a quase ausência de avaliação das relações entre formandos/as;
. regista-se da sua parte uma ausência quase total de referências às/aos lideres

2.2. o grupo dos/as formandos/as
O discurso dos/as formandos/as articula-se privilegiadamente em torno de três dimensões: aquisição de competências (640 refªs) técnicas (315 refªs) e de novos conhecimentos através da Net (325 refªs), a sua relação e participação na e com a animação da formação (415 refªs) e a avaliação de si próprios/as (241 refªs) relativamente às atitudes (150 refªs), progressão (74 refªs) e aos trabalhos produzidos (17 refªs).

Em relação às competências técnicas (253 refªs) o mote continua a ser "aprender fazendo" (125 refªs), sendo de assinalar que, embora em minoria, alguns/mas formandos/as, ao realçarem o gosto pelas potencialidades que o meio faculta, revelam alguma conversão dos objectivos e conteudos de algumas acções de formação e dos seus processos de animação ao diletantismo que a pesquisa proporciona. É neste sentido que, o poderia ter resultado num processo de ensino-aprendizagem integrado e global desta formação, se parece revelar, aqui e ali, instrumentalizado pela sua apropriação descontextualizada e a-crítica. Com efeito, embora o mundo que a Net lhes proporcionou tenha sido registado agravelmente, verifica-se que o caracter de surpresa foi muito menos enfatizado, pelo que o impacto destas aprendizagens, manifesto nas expressões das atitudes (150 refªs) e sentimentos positivos (73 refªs), é muito mais contido e menos retórico.
O carácter positivo destas vivências aparece também reflectido na auto-avaliação da sua progressão (74 refªs), onde se salienta a conquista de uma crescente autonomia.
Esta auto-avaliações dos/as formandos/as é compreensível se a articularmos com a análise das relações que estabeleceram com a participação na animação da formação (415 refªs). Assim, os formandos destacam dois aspectos fundamentais desta formação: os conteúdos da formação (252 refªs) e o debate em IRC (163 refªs).
Relativamente aos conteúdos da formação, é, genericamente, a sua pertinência teórica e novidade no modo como são abordados (139 refªs), que são avaliados como gratificantes (70 refªs).
Sendo a promoção do debate através do IRC referida como uma das opções metodológicas privilegiada pelos/as formadores/as, ela é avaliada de modo ambivalente. Positivamente (63 refªs), uma vez que a seu propósito salientam continuadamente a sua dimensão de comunicação e troca de opiniões à distância entre formadores/as e formandos/as. Com efeito, a dimensão da comunicação promovida através do debate, amplia as relações para além da situação concreta da formação bem como das relações estabelecidas no grupo de formandos/as que denotam a importância da ancoragem afectiva no grupo e da troca de saberes; negativamente (59 refªs), devido aos problemas que coloca a sua concretização pela exposição do seu domínio das ferramentas. Com efeito, se os formandos/as parecem rever-se no grupo (94 refªs), através da sobrevalorização das suas similitudes (58 refªs), ao mesmo tempo, o que aparece como discrepante e perturbador, são as diferenças entre si, reveladas pela existência de uma grande heterogeneidade de saberes relativos ao domínio das técnicas. Tal permite retomar a ideia já expressa de que neste tipo de formação, o domínio das tecnologias não só é um saber, como se constitui num poder e surpresa face aos saberes e progressos de alguns/mas formandos/as. Este efeito ganha destaque se atentarmos no facto dos/as formandos/as sentirem que as primeiras reuniões de IRC decorreram, em algumas acções, numa grande confusão, dado que não dispõem de indicações claras para organizar atempadamente a sua intervenção.
Emergem daqui as relações com os/as formadores/as (55 refªs), predominantemente positivas (30 refªs). A principal crítica (13 refªs) que é feita a alguns/mas formadores/as assenta na gestão da formação -horários, definição de objectivos, clarificação de estratégias, identificação dos trabalhos a realizar, etc...- sendo sugerido para alguns a assumpção de um papel como um pouco mais directivo.
Uma das dimensões que aparece no discurso dos formandos, embora com pouca expressão, é o desbobramento e aplicabilidade dos saberes e saberes-fazer recentemente adquiridos para outras dimensões da actividade docente, embora se centre, quase exclusivamente, ao nível da sala de aula, havendo apenas uma referência mais ampla ao nível da área-escola.
Em suma, parece poder afirmar-se, em termos gerais, que reina um sentimento geral de satisfação pela participação neste projecto.

. Em suma:
Por referência à avaliação da 1ª fase importa considerar que :

. as avaliações dos/as formandos/as continuam a ser positivas e centram-se na aquisição de competências técnicas, participação na animação da formação e avaliação de si.
.embora globalmente os objectivos do Projecto tenham sido cumpridos, verifica-se que nesta fase, embora em minoria, os formandos de algumas acções revelaram ter sobrevalizado a dimensão tecnológica em detrimento dos conteúdos e outras aprendizagens de carácter pessoal e social.
. enquanto na 1ª fase, a auto-avaliação das suas atitudes e progressões se caracterizava por mudanças radicais, nesta, verifica-se uma integração que se processa de modo contínuo e paulatinamente
. o grupo de formandos/as continua a ser uma referência permanente e fundamental do ponto de vista das relações pessoais e sociais
. a troca que o IRC proporciona continua a desencadear reacções opostas de prazer e desprazer, de adesão e contestação.
. nesta fase, verifica-se uma menor visibilidade dos efeitos desmultiplicadores, que surgem aqui concentrados na sala de aula resultantes de uma dimensão individual.

2.3. o grupo dos/as lideres
Este conjunto de acções foi integrado por 23 lideres que globalmente o avaliam como francamente positivo (335 refªs) - "aprendi/ensinei" (181 refªs), "gostei mais" (104 refªs), e, também, embora com muito menor expressão, o "surpreendeu" (50 refªs) -.
No entanto, não podemos deixar de salientar o expressivo número de referências negativas expressas no campo do que "gostei menos" (125 refªs). De resto, quando confrontamos os diferentes campos da avaliação verificamos que os/as lideres privilegiaram fundamentalmente dois: o do aprendi/ensinei (181 refªs) e o do gostei menos (125 refªs).
Numa análise mais pormenorizada desta avaliação, as/os lideres começaram por privilegiar a avaliação que fazem dos/as formandos/as (108 refºs) e que se articula com o ensinar (88 refªs) de competências técnicas onde o trabalho de equipa (38 refªs) é o contexto por excelência onde decorre esta aprendizagem "acompanhei e orientei os meus formandos na realização das tarefas propostas..." Neste sentido, e no desempenho específico de uma das suas funções - o ensino de competências técnicas- o/a lider, pela proximidade contextual com os/as formandos/as, desenvolve um conjunto de interacções que o/a colocam numa posição privilegiada de observador/a do seu processo de formação.
Esta atenção ao processo de aprendizagem dos/as formandos/as revela-se minuciosa e contínua, orienta-se para aspectos de avaliação que vão desde o diagnóstico inicial (13 refªs) "qualquer um destes formandos nunca ou quase nunca escreveu fosse o que fosse no computador. Isto não é grave, mas torna as coisas mais difíceis...", à avaliação da sua progressão (36 refªs) como globalmente positiva (27 refªs) "os formandos em termos técnicos estão auto-suficientes... até à surpresa com a qualidade dos produtos "o nível de alguns trabalhos publicados..." Contudo, numa análise mais fina verifica-se que os/as lideres na sua actividade avaliativa quando se orientam para a observação dos comportamentos "objectivos", instituem-nos como a face visível de condutas que têm subjacentes um conjunto de atitudes. Talvez por esta razão se compreenda a quantidade de apreciações sobre as atitudes dos/as formandos/as (54 refºs) que avaliam predominantemente de modo positivo "maior confiança...", "tanta autonomia...", "entusiasmo...", "vontade...", receptividade...", empenho...", "andar para a frente"..., "persistência"... (40 refªs). Parecem residir também nas atitudes contrárias falta de autoconfiança..., desânimo..., lentidão..., falta de autonomia..., "intolerância..." as razões determinantes para a nula ou fraca progressão dos/as formandos/as (9 refªs) os formandos têm o complexo dos computadores... aquilo que devia motivar, bloqueia", "aprendi que passadas sete semanas ainda há formandos para quem o word é o único programa no computador e que TUDO é (pretensamente!) feito no WORD.. e que "estupidamente" faltam "botões" ao WORD!!!! Tentei ensinar que o WORD é só um programa entre outros! (pela sétima vez!!!) a que acresce a falta de assiduidade de alguns.
Entrelaçadas nestas relações entre lideres e formandos/as, descobrem-se outras onde podemos identificar simultâneamente, a protecção e a ajuda e/ou a preocupação com a integração que os formandos se sintam integrados num esquema formativo e agraável e útil e isso parece que tem sido conseguido... e/ou o controlo da assiduidade e/ou "a pressão...". Podendo estas posturas ser interpretadas como sendo de sinais opostos, elas revelam igualmente, no seu conjunto, uma mesma racionalidade que denota um forte compromisso com a formação, uma implicação pessoal permanente, uma disponibilidade constante que não podemos deixar de reconhecer como sendo qualidades fundamentais que qualquer profissional da educação deve possuir, integrar ou desenvolver.
Inserido no conjunto de olhares que o/a lider lança ao/às formando/as fomos confrontadas com algo inesperado: pela primeira vez, e pelo testemunho de alguns lideres foi possível vislumbrar novas dimensões do seu trabalho até então ignoradas, que se prendem com a adopção de estratégias pessoais de ensino/aprendizagem, que ajudam a compreender a complexidade subjacente à função de facilitador/a com que vulgarmente os/as designamos. Neste sentido, assinala-se que os/as lideres, começando por desenvolver um trabalho de observação-diagnóstico dos formandos, implementam estratégias de "facilitação" executei uma ficha de orientação..., estou a dar formação acelerada..., estou a dar formação complementar... e em conjunto com outro formando.., e de avaliação dos resultados ensinei o envio de ficheiros mas isso terá de ser verificado aos olhos do lider para que este nas suas ausências "forçadas" tenha a consciência em Paz..,  as formandas já são mais autónomas porque iniciaram a sua preparação comigo antes do início das sessões... Donde, nos parece estarmos, indubitavelmente, perante a figura de um/a formador/a. Assim, é legítimo reconhecer que às funções instituidas, o/a lider acumula como funções instituintes a de formador/a especializado no campo das tecnologias inseridas em contexto. Esta constatação afigura-se-nos pertinente porque exige um repensar da complexidade e densidade dos papéis e funções do/a lider.
E porque estas ocorrem em contexto físico e humano, é interessante constatar que os/as lideres se referem pela primeira vez às condições em que decorre o seu trabalho (6 refªs) confusão inicial agravada com a presença em simultâneo de 7 formandos por três cursos..., esta semana foi um pouco violenta com o final dos cursos e o final do período... A partir destes testemunhos, ganha-se a possibilidade de captar o quotidiano de um lado até agora ignorado desta formação, que não se reduz ao espaço da sua escola e à sua relação com os/as formandos/as, mas nos permite compreender que nas suas mãos vem desaguar um conjunto de situações e problemas de carácter organizacional e burocrático que transcendendo-o, reclamam dele/a a tomada de decisões e a sua resolução no concreto e imediato. Assim, ainda que a sua intervenção não seja deliberada nem premeditada, ele/a vê-se projectado/a para uma posição nuclear que absorve e reflecte as múltiplas relações presentes e por isso lhe confere poder e centralidade.
Neste contexto, o carácter das relações que os/as lideres desenvolvem com os/as formadores/as (47 refªs) pauta-se pela mobilização de um olhar avaliador, escrutinizando a sua actividade (31 refªs) e avaliando-a quase exclusivamente pela negativa (30 refªs) quer na estrutura e organização da animação da formação (12 refªs) o fio condutor da acção não é visível para os formandos nem para o lider...., as tarefas não estavam claramente definidas...,  quer em IRC (19 refªs), há um número excessivo de sessões de IRC..., o nível de discussão é bastante baixo.... a que acresce uma avaliação das suas atitudes (8 refªs) também pouco positiva (6 refªs) porque inflexível, directiva em excesso ou não directiva, e por consequência obstaculizante do sucesso das acções. Positivamente valorizam a exigência e a seriedade de alguns/mas formadores/as, os progressos de outros/as na gestão do IRC verifica-se uma moderação mais adequada por parte dos formadores..., e na boa planificação da gestão da animação verifico que as acções em que os meus formandos estão inscritos estão a ser bem preparadas... e agora, por consequência, facilitadores/as do sucesso das acções, que o mesmo é dizer do seu trabalho e do dos/as formandos/as. Neste sentido, todo este conjunto de dados anteriormente analisado nos permite relativizar a tónica negativa colocada na sua avaliação dos/as formadores/as, na medida em que o que sobressai é a sua dependência directa em relação aqueles/as, sendo que o bom desempenho do seu trabalho se reprecute inevitavelmente em si e nos/as formandos/as.
Reforçando esta ideia, importa aqui dar conta da auto-avaliação a que bastantes lideres se sujeitam (12 refªs) quer ao nível do seu desempenho aprender, aprende-se todos os dias com as dificuldades dos formandos, com o que eles fazem , com o que é preciso descobrir para os ajudar... quer da sua progressão aprendi muito mais sobre o que é teoricamente a Internet... supreenderam-me as capacidade inimagináveis do Word... quer ainda da assumpção de um novo papel, o de formando/a aprendi que há muita informaçãopna internet sobre a sua utilização pedagógica..., algumas ideias de endereços dadas aos formandos já me foram de alguma utilidade... fazendo reverter também em seu favor mais-valias de caracter cognitivo e portanto, efeitos desmultiplicadores que supostamente se esgotavam nos/as formandos/as.
Daqui poderá emergir uma tríade - em que formadores/as, formandos/as e lideres, tornando-se ensinantes e aprendentes, lideram e são liderados- que embora movida por objectivos diferenciados se realiza fazendo jus ao aforismo "ganhamos juntos o que perdemos separados".

Em suma :
Por referência à avaliação da 1ª fase importa considerar que:

. os lideres continuam a avaliar positivamente esta acção embora se sintam agora, menos surpreendidos
. o princípio aprender-fazendo continua a subsistir e o trabalho de equipa a corporizá-lo
. na sua auto-avaliação, a dimensão dos seus progressos continua a ser uma preocupação, embora agora extravase a resolução de problemas imprevistos de carácter técnico para se alargar a dimensões cognitivas, onde se assume como mais um formando
. continua a verificar-se a manutenção de uma relação privilegiada com os formandos, que agora, de facilitador assumiu laivos de formador (para alguns).
. continua a verificar-se na sua relação com os formadores a manutenção de dimensões avaliativas dos seu desempenho, como tal subentendendo um ideal de formador.
. continua a verificar-se a manutenção de dimensões de controlo que se mesclam com as de implicação e integração na sua relação com os formandos, tendo-se desanuviado o espírito de missão que caracterizava a 1ª fase.

2.4. "Uma navegação com ventos favoráveis e algumas calmarias... "  - Conclusões
. A formação é avaliada por todos os intervenientes como francamente positiva - elemento de continuidade.
. o campo do "surpreendeu" aparece substancialmente reduzido nas avaliações de todos os intervenientes
. o tom dos discursos dos diferentes intervenientes passou de épico, enfático e apaixonado a moderado, menos retórico mas, porventura muito mais realista.
. o projecto Trends de pioneiro e insólito parece estar a transitar pacificamente para uma realidade cada vez mais familiar e próxima do contexto educativo
. todos os intervenientes se referem ao IRC como sendo a ferramenta mais polémica, objecto de contestação e adesão, de prazer e desprazer.
. Todos os intervenientes reconhecem no IRC as suas potencialidades para o desenvolvimento de relações de caracter pessoal e social mais amplas e complexas.
. todos os intervenientes consideram que um dos obstáculos a um melhor desempenho dos formandos nesta formação reside na ausência de um conhecimento mínimo sobre as ferramentas.
. todos os intervenientes referem a importancia do papel do formador como gestor da animação da formação que bem estruturada é facilitadora para o trabalho do lider e formandos, e mal estruturada é um obstáculo
. os efeitos desmultiplicadores continuam a ser referidos essencialmente por formandos e alguns lideres, assistindo-se a uma maior invisibilidade na sua expressão e uma maior concentração no contexto da sala de aula e tomando como referência apenas a pessoa do professor.
 

3. Análise global do modelo de formação
Apesar da filosofia do modelo de formação TRENDS defender a orientação para os conteúdos científico-pedagógicos das acções, o recurso às novas tecnologias da comunicação e a sua utilização como ferramenta pelos três pivots fundamentais em que assenta - formador, formandos e lideres-, o conhecimento disponível após a análise parcial das acções de formação, permite compreender que na sua implementação e desenvolvimento estiveram presentes diferentes intencionalidades por parte dos formadores, quer ao nível da abordagem dos conteúdos, quer ao nível da gestão e animação da formação, pelo que a heterogeneidade de dinâmicas interpessoais imprimidas configuraram, à semelhança de um calesdoscópio, posições relativas entre todos aqueles elementos.

Neste sentido, justifica-se esta análise global desta formação, na medida em que, se até agora a sua análise parcial nos permitiu compreender as dinâmicas locais no interior de cada acção, ou seja, o modo como a filosofia global foi apropriada e incrementada nos diferentes contextos, também permite, por essa via, e ao salientar-lhes a sua exemplaridade, transformá-la em análise global ilustrada. Por outras palavras, tal reclama que agora sejamos capazes de recontextualizar o agido localmente para o pensar globalmente (cf. Santos, 1989) identificando continuidades, transições e rupturas, alcances e limitações, as suas pluralidades e singularidades, harmonias e dissonâncias, que nos capacitam para reproblematizar e repensar este modelo de formação.
Para tal socorrer-nos-emos, por vezes, de metáforas, dado que permitem descobrir a realidade sob uma luz diferente, gerar novas hipóteses, desenvolver os aspectos implícitos da nossa experiência, com o fim de apreender o ofício do formador e a "figura de estilo" das acções de formação e portanto, avançar na compreensão das situações. E com a certeza de que, apesar do seu poder criativo, nenhuma delas pode pretender abarcar toda a complexidade inerente aos processos de formação, mas apenas captar os seus aspectos essenciais. Neste sentido, as configurações que procuramos captar a vários níveis - as acções, os/as formadores/as e os/as lideres - permitem efectuar combinações múltiplas, quer entre si, quer em si.

3.1. Captando as configurações em torno das acções de formação
Se procurarmos captar as configurações das acções de formação relativas a partir da perspectiva enquadradora dos conteúdos e o seu alcance (os efeitos da sua abordagem), observamos

. "Insondáveis mistérios" - acções de formação em que os/as formadores/as, adoptando uma abordagem crítica dos conteúdos, contribuiram para romper com esteriótipos, desafiando lógicas tradicionalmente instituidas e desencadearam, implicitamente, efeitos sociais mais amplos que permitem observar processos de auto-formação do grupo, anunciando a auto-determinação da formação no contexto de construção de uma comunidade educativa.
. "Polifonias harmoniosas" - acções de formação em que os/as formadores/as, ao conciliarem a abordagem dos conteúdos científicos com a mobilização de um espírito crítico e participativo subentendendo processos de auto-consciencialização individual e do grupo, de carácter anti-conformista, se apresentam capazes de desafiar o senso comum, condições necessárias a uma perspectiva de formação potenciadora de efeitos sociais de tipo emancipatório.
. "Espelhos de água" - acções de formação em que os/as formadores/as ao conciliarem a abordagem dos conteúdos científicos com a auto-reflexão dos mesmos, desencadearam processos de instigação e questionamento, cujos efeitos sociais situando-se mais ao nível do pequeno grupo, anunciam novas preocupações da intervenção num dos campos de acção dos formandos, a sala de aula
. "A Biblioteca da Alexandria"- acções de formação em que os/as formadores/as, sobrevalorizando a abordagem científica dos conteúdos accionaram processos sócio-pedagógicos assentes na sua transmissão e avaliação, desencadeadores de efeitos sociais centrados no indivíduo, onde as possibilidades dos meios ao permitirem um acrescimo considerável de informação não deixaram transparecer a sua apropriação crítica convertendo-se assim, em conhecimentos de tipo episódico e/ou de "fait-divers" e/ou promovendo um pensamento de tipo acumulativo.
. "Rapsódia" - acções de formação que parecendo não ter sido orientadas por um quadro teórico de referência explícito e permanente por parte dos/as formadores/as, accionaram processos assentes na intensa actividade e nas trocas, mas a-críticos que desencadearam efeitos sociais centrados no índivíduo que parecem reforçar o voluntarismo, o espontaneismo, e a manutenção de um pensamento acumulativo e que impedem o questionamento das certezas, próprias da familiaridade que os formandos têm com os objectos de estudo.

Fixando-nos agora nas dinâmicas interpessoais subjacentes às diversas acções de formação começamos por encontrar um primeiro traço distintivo entre as que se caracterizam por

- acções formação com orientação centrada no grupo - acções formação onde predominaram relações entre formandos-formadores de maior horizontalidade de estatutos e papéis, onde o formador se assumiu como animador da formaçâo e membro activo do grupo e onde as dinâmicas fundadas no próprio grupo ganharam estatuto de currículo
- acções de formação com orientação ténue para o grupo - acções de formação onde predominou a existência de ambiguidades entre as preocupações do formador com o grupo e a inconsistência do seu desempenho, que não permitiram ao grupo a ultrapassagem de um estádio espontaneista
- acções de formação com orientação para o individuo - acções de formação onde predominou a existência de relações entre formandos e formadores de maior verticalidade e portanto, mais assimétricas, sobretudo duais, onde o formador preocupado com os conteúdos se manteve exterior ao grupo e este reduzido a uma soma de indivíduos

3.2. Captando as configurações em torno dos/as formadores/as
Se agora rodarmos o caleidoscópio contra a luz e nos centrarmos na figura do formador, é possível observar que, apesar da escassez de informações directamente produzidas quer pelos formadores quer pelos formandos acerca deles e do trabalho desenvolvido, se começam por evidenciar três configurações diferentes:

- uma postura/um estilo invisível - a intervenção dos/as formadores/as não são expressamente nomeados, mas os efeitos da sua intervenção manifestam-se e inferem-se a partir das avaliações da qualidade humana das relações desenvolvidas e das aquisições de novos conhecimentos, dispersa nas apreciações de formandos e lideres
- uma postura/um estilo discretamente visível - a intervenção dos/as formadores/as é referida pelos restantes intervenientes e os seus efeitos globais também
- uma postura/um estilo visível - a intervenção dos/as formadores/as é claramente visível para e pela maioria dos intervenientes e os seus efeitos também, salientando-se a referência explícita a aspectos particulares da sua personalidade
 

Contudo, olhando com mais atenção observam-se matizes, brilhos, reflexos que iluminam sombras e tornam luminosidades opacas, permitindo compreender a presença de intencionalidades diferentes que informaram a heterogeneidade das dinâmicas implementadas pelos formadores:

- O/a provocador/a emancipatório/a - os/as formadores/as adoptando um lugar mais recondito tornam-se "invísíveis", mas accionam processos de formação que parecem ter como intento a implementação e desenvolvimento de redes complexas e alargadas de inter-acções que visam a auto-determinação dos grupos e utilizam como estratégia a provocação
- O/A Crítico/a instigador/a - os/as formadores/as adoptando um lugar mais recôndito tornam-se "invisíveis", mas accionam processos de formação que parecem ter como intenção um trabalho sistemático de deposição nas mãos dos formandos da sua própria formação, assumindo-se como animadores da formação que usam como estratégia o desenvolvimento do espírito crítico e da participação.
- O/A expert distante - os/as formadores/as adoptam um lugar central e accionam processos de formação parecendo ter como intenção a transmissão dos conhecimentos científicos e/ou técnicos necessários à pesquisa; raramente se cruzam com os/as formandos/as, mantendo uma atitude de exterioridade face ao grupo, usando como estratégia métodos de certificação da aquisição de conhecimentos
- O/A facilitador/a pragmático/a - os/as formadores/as adoptam uma posição integrada no grupo que pode ser mais discreta ou exuberante, tendo como intenção facilitar todos os conhecimentos e os meios necessários a uma apropriação activa destes por parte dos formandos, usando como estratégia a abertura ao diálogo.

3.3. Captando configurações em torno dos lideres
Finalmente o nosso olhar detem-se nas configurações em torno dos/as lideres, quando procuramos captar a sua posição e papel relativos, face aos formandos/as e formadores/as, podendo observar:

. O/A lider como vigilante - o lider desempenha o seu papel de uma forma implicada, revendo-se na realização das funções que lhe são cometidas, a que acrescenta as de avaliador de formandos e formadores
. O/A lider como aprendiz/a - o lider desempenha o seu papel de uma forma implicada, revendo-se na realização das funções que lhe são cometidas, mas inclui-se como membro do grupo de formandos, auto-avaliando os seus progressos
. O/A lider como formador/a - o lider desempenha o seu papel de uma forma implicada, mas desencadeando intencionalmente estratégias de observação diagnóstico, construção de materiais e instrumentos de facilitação da aprendizagem, avalia os progressos e os resultados nos e com os formandos.
 

IV. Identificação de campos problemáticos
A partir da análise da informação contida nos registos de ocorrências dos diferentes intervenientes , foi possível identificar os seguintes campos problemáticos:

1. Ao nível do Centro de Formação
- inscrições

- divulgação das acções
. não gostei de ter sido avisada em cima da hora do início da acção
. não estava à espera que esta acção se realizasse através de computadores. Pensei que fossem sessões presenciais
. o facto de não ter sido esclarecida pelo Centro de Formação sobre os moldes em que iria decorrer esta acção

- horários das acções de formação
. duas horas são insuficientes para se investigar
. o cansaço de suas sessões na mesma semana
. esta acção ganharia muito em qualidade se as sessões fossem quinzenais para haver mais tempo de realização dos trabalhos e leitura do material disponível
. acumulação de actividades

- organização de grupos de formandos
. o nº elevado de formandos não dá espaço para diálogos

2. Ao nível dos formadores:
- gestão e animação da formação
. o tempo gasto na elaboração dos trabalhos e redacção dos textos limita o tempo que poderia ser gasto na pesquisa de sites interessantes
. o tempo gasto na elaboração dos trabalhos e redacção dos textos limita na exploração mais concreta de algumas ferramentas da internet : grupos de discussão, e-mail..
. no início de cada sessão devia haver uma breve discussão sobre os trabalhos realizados na sessão anterior
. o ritmo do curso
. o ritmo de trabalho
. os prazos de entrega dos trabalhos. Deviam coincidir com os dias em que estamos na sala de reuniões
. ocupação das sessões presenciais

3. Ao nível do Centro de Treino
. deficiências no Centro de Treino. Houve problemas de ligação ao projecto e o referido Centro pareceu-me ineficaz - não forneceu nenhuma informação nem resolveu o problema na altura

4. Ao nível dos meios informáticos
. falhas técnicas no sistema de comunicação (interrupções, lentidão de acesso, virus, falta de som falta de ligações, incompatibilização entre html e word )- 10

- equipamento
. não dispunhamos de computadores suficientes

- espaço
só consegui trabalhar num local onde já decorria uma acção

5. Ao nível da formação TRENDS
- recolha de informação para avaliação
. não gostei de responder ao inquérito
. era recomendável achar outro modelo de avaliação semanal
 

V. SUGESTÕES
 O conjunto de sugestões que a seguir se apresenta decorre da recolha efectuada ao das informações contidas nos registos de ocorrências e procura obedecer à mesma lógica de organização que presidiu à restante análise e interpretação das partes anteriores. Assim, sugere-se :

1. Ao nível do Centro de Formação
- melhorar o processo de divulgação das acções
 . esclarecendo a modalidade em que são realizadas
 . divulgando atempadamente

- adequar os cronogramas e horários por forma a evitar concentração e sobreposição de trabalhos

- no processo de selecção dos/as formandos/as procurar que
. haja uma distribuição de pelo menos 2 formandos/as numa mesma escola*
. evitar a constituição de grupos demasiado numerosos por escola (tendo em conta que existe um lider por escola)
. evitar a constituição de grupos demasiado numerosos por acção (tendo em atenção as condicionantes do IRC)

2. Ao nível dos/as formadores/as
Sabendo que estas questões dizem respeito a qualquer formador/a em qualquer tipo de modelo de formação, sugere-se:
- gestão e animação da formação
. clarificação de objectivos**
. clarificação das tarefas e trabalhos a desenvolver**
. distribuição mais equilibrada entre os vários tipos de actividades*
. recurso mais equilibrado e diversificado das ferramentas**
. ritmo mais consentâneo com a heterogeneidade dos formandos/as*
. repensar a ocupação das sessões presenciais*
. diagnósticar as dificuldades dos/as formandos/as, consicencializando a sua heterogeneidade para adequar a organização das estratégias
. planificar sem ser rígido
. prever na planificação pequenos momentos de avaliação dos trabalhos produzidos pelos/as formandos/as, para que tenham um feed-back frequente da sua qualidade
. manter uma atitude de vigilância crítica face ao deslumbramento dos formandos/as pela informação e modos de pensamento que possam induzir uma apropriação a-crítica dos conteúdos e efeitos desmultiplicadores de carácter reprodutivo

- ao nível das dimensões pessoais e sociais dos/as formadores/as
. o/a formador/a ganhará se fizer um trabalho sobre si próprio/a no sentido de descobrir e elucidar-se acerca dos seus próprios recursos pessoais
. não enclausurar a formação no âmbito de uma abordagem restrita da cientificidade dos conteúdos, empobrecedora de uma formação que se pretende integral e integrada

- ao nível do domínio das competências técnicas
. reitera-se a sugestão da necessidade de um tempo de recuo em relação ao tempo de intervenção, para que esta se possa fazer de um modo mais consentâneo com o modelo de formador/a, recurso e gestor/a da animação da formação.

3. Ao nível do/a lider:
- continua a sugerir-se que se proceda a uma elucidação e definição conjunta e representativa de todas as partes, acerca do papel do/a lider para que não se verifiquem sobreposições de funções.

4. Ao nível do Consórcio
- avaliação da formação
. apesar das resistências encontradas subescrevemos a recolha continuada de informações acerca do processo de formação por parte de todos os intervenientes
. poderá ser importante repensar de novo a sua periodicidade
. poderá ser importante repensar a formulação dos campos a avaliar - mais uma vez sugerimos a inclusão de um campo de sugestões
. no caso de persistir a relativa falta de informações escritas nos registos de ocorrências, considera-se que será desejável proceder a uma auscultação das suas perspectivas.
. ao nível da avaliação externa
. do ponto de vista da metodologia de recolha de informação, sugere-se a manutenção da sua formulação através de campos abertos das dimensões que se pretendem avaliar
. do ponto de vista da análise sugere-se que esta seja feita por acção de formação, uma vez que permite uma maior aproximação à realidade e uma melhor compreensão das racionalidades em presença.