Edição 7
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Adeus ao quadro preto

Se olharmos atentamente para uma ''sala de informática'', nas nossas escolas, verificamos que nelas ainda sobrevive um intruso. Numa das quatro paredes, há um domínio cromático chocante e conflituoso com o ambiente que o rodeia. O quadro preto e seus acessórios.

Há um giz branco que se vai rompendo na superfície negra, que o tempo vai desgastando. Há um apagador que se arrasta, fazendo desaparecer para sempre tantos manuscritos: ideias, impressões, esquemas, reflexões,...

Polvilha-se as cabeças de finas camadas brancas, deposita-se partículas do saber no 'cérebro' de máquinas prodigiosas.

Este ainda é o panorama de muitas salas das nossas escolas portuguesas. O passado-presente e o futuro dos métodos de ensino e ferramentas auxiliares convivem lado a lado.
 

Uma nova ferramenta

Temos uma sala equipada com o quadro branco (Smart Board), ligado a um computador de secretária (ou um portátil, por vezes), por meio de um cabo USB. Este quadro mais parece um monitor gigante sobre o qual se visualizam os gráficos do computador projectados através de um videoprojector.
Temos quatro canetas de cor (azul, vermelho verde e preto) que, simplesmente, não escrevem… pelo menos da forma que normalmente as usamos; e um simpático apagador. Instrumentos estes que para nada servem, se o quadro não estiver em funcionamento.
Com estes acessórios "mágicos" anotamos, escrevemos, sublinhamos, desenhamos e apagamos.
A partir deste instante, o professor transforma-se num fazedor de "sombras chinesas" e, diante dos alunos, manipula a videoprojector e o ecrã táctil, pérolas da técnica informática. Nesse quadro interactivo, o professor pode mostrar documentos e comandar o computador, a partir da superfície de projecção que obedece ao seu dedo.

Podemos utilizar na aula todo o tipo de recursos multimédia (texto, imagem, som, vídeo, …), previamente seleccionados, e enviá-los instantaneamente aos alunos por correio electrónico, se assim o desejarmos, guardá-los num pasta ou até convertê-los em Jpeg, html ou pdf.

Podemos, ainda, lançar a captura de ecrã, gravar parte ou toda a sequências das sessões (áudio e vídeo) num formato próprio do software que acompanha o Smart Board.
 

O que podemos fazer na aula

Embora ainda possua poucas horas de experiência com este magnífico quadro, posso adiantar que ele substitui eficazmente o retroprojector e as transparências. É óbvio que as utilizações variam em função do tempo disponível para a preparação de cada sessão.

O Smart Board permite mobilizar rapidamente uma grande variedade de documentos em simultâneo: documentos áudio, vídeo, iconográfico, cartográfico, sem necessitarmos de requisitar uma televisão ou um leitor/gravador áudio…

Podemos digitalizar de imediato documentos (os do próprio manual da disciplina, o que permite ultrapassar também os frequentes esquecimentos do livro em casa), elaborar mapas e esquemas, manipular imagens, com o auxílio de aplicativos específicos.

Por outro lado, com a ligação à Internet na aula, podemos, de imediato, ter acesso a uma base de dados incalculável.

As aulas tornam-se mais dinâmicas, na medida em que, estando múltiplos aplicativos abertos, "saltitamos" de um documento para outro, para uma imagem, um vídeo, ouvir um documentário, ou fazer uma hiperligação a outra fonte de informação, nomeadamente, à Internet.

Croquis, esquemas podem ser elaborados a partir de fotos, de reproduções projectadas no quadro. Os alunos podem colorir com cores diferentes, apagar, guardar a foto ou apenas o esquema.

Os excertos de vídeo e áudio podem ser exibidos, colocados em modo de pausa ou até voltar atrás, se for necessário. Aproveita-se para comentar, descrever, transcrever, etc.
 

Um primeiro balanço

O impacto da utilização do quadro nos alunos ainda parece prematuro avaliar. Ainda é cedo para constatar uma eventual melhoria no nível do aluno. Contudo, o que é verdadeiramente incontestável é a mudança de atitude da turma (9º ano) perante este quadro. Verificamos que o Smart Board é muito apreciado pelos alunos que, rapidamente, entenderam o seu funcionamento. Revelam uma predisposição e ou aptidão imediata para a sua utilização. A participação espontânea subiu exponencialmente!

Constata-se que o quadro dilui drasticamente a linha de demarcação entre o professor e o aluno. E não é certamente abusivo afirmar que todos os alunos são voluntários para ir ao quadro…

Alguns pequenos inconvenientes, no entanto, devem ser apresentados: a utilização do quadro interactivo exige algum treino, mas nada que não se ultrapasse se dominarmos o computador; a posição do professor que se encontra diante do feixe luminoso do videoprojector pode incomodar, pois provoca sombra na superfície do quadro.

Apesar destes insignificantes contratempos, as vantagens revelam-se bem superiores. A mais-valia deste quadro interactivo é inquestionável.

Confesso que, neste momento, já me seria muito difícil prescindir do quadro que os alunos já apelidam de "mágico"…

A utilização desta ferramenta de apresentação pode ser uma opção intermédia aos professores que desejem guardar o benefício das aulas magistrais diante de alunos atentos, utilizando paralelamente a informática.

José Paulo Santos
Agrupamento de Escolas do Búzio
Escola EB 2.3 de Vale de Cambra
Maio 2004