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| Adeus ao quadro preto |
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olharmos atentamente para uma ''sala de informática'', nas nossas
escolas, verificamos que nelas ainda sobrevive um intruso. Numa
das quatro paredes, há um domínio cromático chocante e
conflituoso com o ambiente que o rodeia. O quadro preto e seus
acessórios.
Há um giz branco que se vai
rompendo na superfície negra, que o tempo vai desgastando. Há um
apagador que se arrasta, fazendo desaparecer para sempre tantos
manuscritos: ideias, impressões, esquemas, reflexões,...
Polvilha-se as cabeças de finas
camadas brancas, deposita-se partículas do saber no 'cérebro' de
máquinas prodigiosas.
Este ainda é o panorama de muitas
salas das nossas escolas portuguesas. O passado-presente e o
futuro dos métodos de ensino e ferramentas auxiliares convivem
lado a lado.
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Uma nova ferramenta |
Temos
uma sala equipada com o quadro branco (Smart Board), ligado a um
computador de secretária (ou um portátil, por vezes), por meio
de um cabo USB. Este quadro mais parece um monitor gigante sobre o
qual se visualizam os gráficos do computador projectados através
de um videoprojector.
Temos quatro canetas de cor (azul, vermelho verde e preto) que,
simplesmente, não escrevem… pelo menos da forma que normalmente
as usamos; e um simpático apagador. Instrumentos estes que para
nada servem, se o quadro não estiver em funcionamento.
Com estes acessórios "mágicos" anotamos, escrevemos,
sublinhamos, desenhamos e apagamos.
A partir deste instante, o professor transforma-se num fazedor de
"sombras chinesas" e, diante dos alunos, manipula a
videoprojector e o ecrã táctil, pérolas da técnica
informática. Nesse quadro interactivo, o professor pode mostrar
documentos e comandar o computador, a partir da superfície de
projecção que obedece ao seu dedo. |
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| Podemos
utilizar na aula todo o tipo de recursos multimédia (texto,
imagem, som, vídeo, …), previamente seleccionados, e enviá-los
instantaneamente aos alunos por correio electrónico, se assim o
desejarmos, guardá-los num pasta ou até convertê-los em Jpeg,
html ou pdf.
Podemos, ainda, lançar a captura
de ecrã, gravar parte ou toda a sequências das sessões (áudio
e vídeo) num formato próprio do software que acompanha o Smart
Board.
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| O que podemos fazer na
aula |
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Embora
ainda possua poucas horas de experiência com este
magnífico quadro, posso adiantar que ele substitui
eficazmente o retroprojector e as transparências. É
óbvio que as utilizações variam em função do tempo
disponível para a preparação de cada sessão.
O Smart Board permite
mobilizar rapidamente uma grande variedade de documentos
em simultâneo: documentos áudio, vídeo, iconográfico,
cartográfico, sem necessitarmos de requisitar uma
televisão ou um leitor/gravador áudio…
Podemos digitalizar de
imediato documentos (os do próprio manual da disciplina,
o que permite ultrapassar também os frequentes
esquecimentos do livro em casa), elaborar mapas e
esquemas, manipular imagens, com o auxílio de aplicativos
específicos. |
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| Por
outro lado, com a ligação à Internet na aula, podemos, de
imediato, ter acesso a uma base de dados incalculável.
As aulas tornam-se mais
dinâmicas, na medida em que, estando múltiplos aplicativos
abertos, "saltitamos" de um documento para outro, para
uma imagem, um vídeo, ouvir um documentário, ou fazer uma
hiperligação a outra fonte de informação, nomeadamente, à
Internet.
Croquis, esquemas podem ser
elaborados a partir de fotos, de reproduções projectadas no
quadro. Os alunos podem colorir com cores diferentes, apagar,
guardar a foto ou apenas o esquema.
Os excertos de vídeo e áudio
podem ser exibidos, colocados em modo de pausa ou até voltar
atrás, se for necessário. Aproveita-se para comentar, descrever,
transcrever, etc.
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| Um primeiro balanço |
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O
impacto da utilização do quadro nos alunos ainda parece
prematuro avaliar. Ainda é cedo para constatar uma eventual
melhoria no nível do aluno. Contudo, o que é
verdadeiramente incontestável é a mudança de atitude da
turma (9º ano) perante este quadro. Verificamos que o
Smart Board é muito apreciado pelos alunos que,
rapidamente, entenderam o seu funcionamento. Revelam uma
predisposição e ou aptidão imediata para a sua
utilização. A participação espontânea subiu
exponencialmente!
Constata-se que o quadro
dilui drasticamente a linha de demarcação entre o
professor e o aluno. E não é certamente abusivo afirmar
que todos os alunos são voluntários para ir ao quadro…
Alguns pequenos
inconvenientes, no entanto, devem ser apresentados: a
utilização do quadro interactivo exige algum treino, mas
nada que não se ultrapasse se dominarmos o computador; a
posição do professor que se encontra diante do feixe
luminoso do videoprojector pode incomodar, pois provoca
sombra na superfície do quadro. |
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| Apesar
destes insignificantes contratempos, as vantagens revelam-se bem
superiores. A mais-valia deste quadro interactivo é
inquestionável.
Confesso que, neste momento, já
me seria muito difícil prescindir do quadro que os alunos já
apelidam de "mágico"…
A utilização desta ferramenta de
apresentação pode ser uma opção intermédia aos professores
que desejem guardar o benefício das aulas magistrais diante de
alunos atentos, utilizando paralelamente a informática. |
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José Paulo Santos
Agrupamento de Escolas do Búzio
Escola EB 2.3 de Vale de Cambra
Maio 2004 |
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