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| WebQuest para a aula |
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Resumo
Uma WebQuest é um sub-site estruturado para uma aprendizagem de um
tema, utilizando as potencialidades da Internet. Normalmente, trata-se
de um desafio orientado que promove a colaboração dos alunos em
grupo.
Neste texto apresenta-se as componentes da WebQuest (aqui denominada
de websurf), incluindo a componente ajuda que auxilia o trabalho
autónomo do aluno e a componente método com indicações para o
professor aplicar na aula. Traça-se um paralelismo entre o que ocorre
na aula e na estrutura de uma WebSurf, advogando as suas
potencialidades para uma utilização em contexto educativo. A
construção do site da WebSurf necessita de seguir a estrutura
predeterminada, discriminando-se algumas sugestões para aperfeiçoar
o seu design.
Finalmente, apresenta-se uma listagem de WebSurf em língua
portuguesa, disponível na Internet, para aplicar na aula. Outras
indicações para a utilização e a construção de uma WebSurf,
encontram-se em
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/tec_educ/websurf/teoria/prof.htm. |
| 1. Introdução |
Os professores têm vindo a reconhecer as potencialidades dos
hiperdocumentos para a aprendizagem, principalmente porque "o uso
da calculadora e do computador possibilitam o desenvolvimento de um
trabalho participativo, onde se leva a cabo actividade matemática
rica e estimulante" (Ponte et al. 1997:92). De algum modo,
"as características estruturais e funcionais do hipertexto
mimetizam a estrutura e o funcionamento da mente humana"
(Carvalho, 1999: 83). Por outro lado, os programas curriculares
incentivam a utilização de texto, imagem e vídeo, quer como
conteúdo curricular, quer como suporte didáctico de conteúdos
curriculares. Recentemente, também indicam o computador como um
material didáctico (DEB, 2001), sendo considerado "quase
obrigatório" na disciplina de matemática (DES, 1997:12).
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| 2. WebQuest, Aventuras na Web, Desafios na Web, WebSurf |
Apesar de existirem muitos
sites e/ou pages com material para a aula,
muitas vezes possuem uma estrutura pouco orientada para um contexto
educativo e/ou pedagógico. Desde 1995, surge a WebQuest, como uma
proposta de estrutura para um site educativo, idealizado por Bernie
Dodge e Tom March, no âmbito da disciplina "Interdisciplinary
Teaching with Tecnology", na qual pretendiam desenvolver
experiências de aprendizagem que envolvessem múltiplos alunos e
múltiplas tecnologias.
"Uma WebQuest é uma actividade orientada para a pesquisa em que
toda ou quase toda a informação com que os estudantes interagem se
encontra na Internet" (Dodge, 1995). Trata-se de um site onde a
actividade proposta aparece ordenada pelas componentes essenciais da
WebQuest: introdução, tarefa, processo, recursos, avaliação e
conclusão.
Existem outras denominações em língua portuguesa para este tipo de
instrumento educativo. , tais como "Aventuras na Web" ou
"Desafios na Web" (CCNUE, s/ data; ESES, s/ data; IIE, s/
data). A expressão WebQuest, pela sua aparente etimologia em língua
portuguesa, parece induzir a ideia, errónea, de questionário
utilizando a Web. Para promover uma melhor compreensão deste
conceito, propõe-se a utilização do termo WebSurf. Ao associar
Web
a Surf reforça-se a ideia de sucesso na navegação com a perícia de
encontrar e desfrutar da melhor onda.
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| 3. O que é uma WebSurf ? |
| Uma WebSurf é um desafio educativo sobre um tema para a pesquisa
orientada de informação (textos, imagens, animações e
interacções diversas), utilizando as funcionalidades da Internet
(tais como, pesquisa, fórum, e-mail ou vídeo-conferência). Uma
WebSurf é um site com uma estrutura adaptada à actividade educativa
e inclui sugestões essenciais a um trabalho autónomo dos alunos. É
constituída pelas componentes introdução, tarefa, processo,
recursos, avaliação e conclusão (tal como uma WebQuest) incluindo
ainda as componentes ajuda, extensão e método (ver figura 1). |
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É aconselhável que as componentes processo e recursos estejam
juntas, bem como conclusão e extensão. Deste modo, facilita-se a
navegação do aluno ao diminuir para cinco o número das principais
opções de navegação: Introdução; Tarefa; Processo+Recursos;
Avaliação; Conclusão+Extensão.
A ajuda pode ser dispensada no caso de a WebSurf ser concebida pelo
professor que a aplica na sua sala de aula, substituindo a
informação escrita com o seu apoio presencial. No entanto,
aconselha-se a sua inclusão na WebSurf para maximizar o trabalho
autónomo do aluno, independentemente de ser ou não acompanhado pelo
professor que a construiu. Os instrumentos (guiões) a incluir na
ajuda devem referir-se à previsíveis dificuldades dos alunos,
promover a rentabilização de um trabalho ou auxiliar a concretizar
as actividades inerentes. De acordo com a metodologia prevista em cada
WebSurf, apresentam-se alguns exemplos de guiões para os alunos que a
WebSurf pode incluir: Utilizar um pesquisador; Comunicar com um
e-mail; Utilizar um software específico; Compreender o modo e a forma
da avaliação e/ou da auto-avaliação; Incrementar o trabalho em
grupo; Dinamizar uma apresentação oral; Preencher o template (um
modelo do Word com texto que oriente a busca e o registo da
informações pertinentes).
Qualquer professor tem algumas naturais dificuldades ao querer
implementar nas suas aulas uma WebSurf encontrada na Internet. Seria
bastante útil poder contar com sugestões ou informações na WebSurf. Por este motivo, sugere-se a inclusão da
componente método. Os tópicos a referir aqui passam pela
descrição da comunicação e dos recursos envolvidos. Uma WebSurf
pressupõe uma comunicação síncrona e presencial entre os alunos
e/ou o professor na sala de aula, podendo também recorrer a uma
comunicação assíncrona e não presencial (tais como, e-mail,
fórum). Com uma duração de uma ou mais horas, a WebSurf pode ser
utilizada num contexto curricular de uma disciplina, numa actividade
autónoma ou numa actividade lúdica. As estratégias podem sugerir
que o aluno trabalhe autonomamente, em pequenos grupos, sozinhos ou
acompanhados por um professor. Caso seja prevista para uma
implementação na sala de aula, a WebSurf deve explicitar os diversos
materiais (papel, calculadora, livros, jornais, …) e as suas
utilizações em contexto dentro ou fora da sala de aula.
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4. A WebSurf e a aula |
Uma aula ocorre num tempo
limitado, com recursos limitados, com
intervenientes previstos e sobre uma temática pré-estabelecida. A
estrutura das componentes de uma WebSurf permitem estabelecer um
paralelismo entre o que acontece numa aula normal e numa aula com a
utilização de
uma WebSurf (ver figura 2).
Talvez sejam estas semelhanças que permitem reconhecer numa WebSurf
algumas potencialidades para que seja considerada como um verdadeiro
instrumento educativo. No entanto, e como acontece com outros sites,
não basta existir na Internet para que se reconheça a sua qualidade.
Deverá o professor conhecer muito bem uma WebSurf para que
possa concluir sobre as suas características vantajosas para ser aplicável na
sua aula. É um esforço suplementar em comparação aos outros
materiais educativos que está habituado a utilizar na aula, como um
livro escolar que antes de ser adoptado por uma escola passa por um
crivo crítico de especialistas. |
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5. Utilizar uma WebSurf na sala de aula |
A metodologia da implementação de uma WebSurf na aula depende da
experiência profissional do professor. Exige que ele execute uma
essencial avaliação diagnóstica de diversas condicionantes
envolvidas no seu específico contexto educativo:
- Verificação da disponibilidade dos computadores com ligação à
Internet;
- Verificação da disponibilidade dos materiais essenciais à aula
(calculadoras, livros didácticos, projector de vídeo, papel,
acetatos, retroprojector, …);
- Conhecimentos do professor e dos alunos na utilização do
computador, periféricos, softwares (Word, …) e da Internet
(pages,
e-mail, pesquisadores, …);
- Comportamento dos alunos;
- Desempenhos dos seus alunos na aprendizagem (nomeadamente, os
conhecimentos pré-requeridos);
- Exploração da WebSurf (nomeadamente, verificar links e realizar as
tarefas previstas para os alunos para prever as dificuldades,
reacções e necessidades);
- Reconhecimento das limitações da WebSurf (nomeadamente, qualidade
da navegação, links externos escassos ou excessivos ou desadequados,
abrangência ou profundidade no currículo);
- Definição os objectivos gerais e específicos (tais como,
pesquisar informação, desenvolver competências em trabalho de
grupo, resolver problemas, …);
- Determinação da parte do currículo a ser desenvolvido na
actividade;
- Determinação do tempo necessário para implementar a WebSurf;
- Definição da gestão dos alunos na aula (individual, pares ou em
grupos);
- Determinação das actividades para os alunos, nos espaços e nas
aulas;
- Definição e gestão das actividades do professor, nos espaços e
nas aulas;
- Previsão de potencialidades ou constrangimentos, dos alunos, do
tempo ou de outros recursos.
Na primeira aula o professor deverá apresentar aos alunos,
resumidamente, em que consiste a WebSurf e o que se pretende ser
desenvolvido pelos alunos (nomeadamente, o significado das componentes
e o tempo atribuído a esta actividade);
No decorrer das aulas, o professor promove a autonomia dos alunos,
auxilia a resolução de procedimentos e orienta as actividades.
Sugere-se que o produto final (cartaz, panfleto, relatório, discurso,
…) inclua uma apresentação oral.
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| 6. O design da WebSurf auxilia a aprendizagem |
O professor pode facilmente produzir uma WebSurf e alojá-la na
Internet. Precisa apenas de conhecer os indispensáveis procedimentos
de construção e alojamento de sites e alguns critérios de design.
As características mais aconselháveis para o design de interface
devem incentivar a observação, a leitura, a comunicação e a
investigação. Assim, na construção do design da WebSurf devem
organizar-se os objectos visuais de modo a facilitar a tomada de
decisão, com o intuito de melhorar a aprendizagem do aluno
utilizador.
Para fazer uma WebSurf, começa-se por descriminar o tema, o espaço e o
tempo para a sua aplicação. De seguida, pesquisa-se na Internet as
pages e sites mais pertinentes que possam servir como recursos para os
alunos. Realiza-se uma selecção dos links (de um a dez) mais
adequados para as condições determinadas pela metodologia (ver
capítulo anterior).
No site "WebQuest" (Carvalho, 2002) e no site "WebQuest
aprendendo na Internet" (Futuro, S/ data) encontram-se preciosas
informações em português para construir uma WebSurf com qualidade.
Em língua inglesa, devem ser visitadas as excelentes pages dos
autores das WebQuest, Dodge (2002) e March (1998), onde encontrará
reflexões, explicações detalhadas para a construção de uma
WebSurf e uma listagem de links para WebSurf em diferentes temas (a
maioria em língua inglesa).
Uma WebSurf é um sub-site com um design distinto do site onde está
alojada. Cada componente (ou grupo de componentes) deve ser uma page
individual para facilitar a navegação e o acesso à informação. De
algum modo, as opções do menu devem representar a estrutura deste
sub-site, apresentando permanentemente todos os links necessários em
cada uma das suas pages. No entanto, é conveniente que a componente
método tenha um link apenas na homepage da WebSurf (a introdução) e
a componente extensão tenha um link (ou esteja incluída) apenas na
page da conclusão.
Para maximizar a interacção, a produção do site deve reflectir
sobre as necessidades informativas dos utilizadores (alunos e/ou
professores), os conteúdos da temática a explorar, a navegação
orientada, a celeridade e acessibilidade da estrutura de software, bem
como a referência e divulgação das pages.
Quando navega num hiperdocumento, o utilizador espera encontrar:
"uma apresentação ordenada, limpa e pouco confusa; uma
indicação óbvia do que está a ser mostrado e do que deve fazer com
ele; que a informação surja num local certo; uma indicação clara
do que se relaciona com o quê (cabeçalhos, dados, instruções,
opções, etc.); uma linguagem clara e simples" (Fernandes et
al., 1996 Apud Galitz, 1989).
Todas as pages da WebSurf devem assumir o mesmo design de
interface,
nomeadamente: o menu com as componentes da WebSurf; títulos
destacados; forte contraste de cores de letras e fundo; ícone
(logótipo) no final de cada page para voltar ao topo; cores
homogéneas, com negrito para evidenciar algo; não utilização de
som prolongado; tipo de letra sem serifa (p.e. Verdana); sublinhados
exclusivamente para links; ocupação de 80% da largura do explorador;
links externos abrem em outra janela; parcimónia e pertinência de
imagens; inclusão de informações complementares em cada page
(endereço electrónico do próprio site, data, nome do site, nomes e
e-mail dos autores).
Na fase final, deve proceder-se à avaliação on-line do site pela
observação e questionação de utilizadores, pertencentes ao
universo dos destinatários. Logo de seguida, o produtor (webmaster)
da WebSurf deverá mostrar-lhes que fica agradavelmente agradecido com
as sugestões de alteração surgidas.
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| 7. Conclusões |
As características de uma
WebSurf sugerem algumas potencialidades
educativas que aliciam a sua utilização em contexto de sala de aula.
Favorece a integração das competências dos alunos relativas à
utilização da tecnologia (Internet), à aprendizagem de conceitos
curriculares e a actividades de pesquisa de informação e
comunicação.
De algum modo, pode ser traçado um paralelismo entre a estrutura
conceptual e de navegação de uma WebSurf com a estrutura sequencial
e da utilização dos recursos de uma aula numa sala. Donde, produzir uma WebSurf é similar à planificação de um tema
curricular.
A implementação de uma WebSurf na sala de aula exige que o professor
preveja a metodologia oportuna e adequada, incluindo os conhecimentos,
os comportamentos e os recursos necessários.
Existem algumas WebSurf disponíveis na Internet. Contudo, e com
alguma facilidade, o professor pode construir a sua própria WebSurf.
È uma tarefa relativamente fácil, tendo apenas de ter alguns
cuidados com o design para que a sua utilização seja mais eficiente.
A WebSurf é mais um instrumento educativo que o professor pode
aceder. Compete-lhe ser o dinamizador da inovação, promovendo
criatividade e cooperação na aprendizagem. |
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Alcino Simões
alcinosimoes@yahoo.com
Esc. 2,3,S Dr Daniel de Matos de V. N. Poiares
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