Edição 7
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(continuação)

Estratégias de utilização das TIC em contexto escolar

Uma vista de olhos pelos programas da educação básica e secundária permite constatar que a inserção das TIC na educação constitui uma das preocupações primordiais da escola actual tanto ao nível dos objectivos como ao nível dos conteúdos, estratégias e domínios de referência. Esta preocupação tem todo o sentido, uma vez que, assim, a escola será obrigada a repensar as TIC, fazendo-se a sua integração não como objecto de estudo em si, mas como recurso para a realização e consolidação das aprendizagens. Ou seja, tal como afirmou recentemente o Ministro da Educação, David Justino, é importante fazer com que o aluno se aproprie das TIC, mas sobretudo fazer com que se produza educação através dessa apropriação.

Pensando na concretização da aprendizagem com recurso ao computador, interessa pensar como devem ser planeadas as actividades para a sua rentabilização e para uma mudança, de facto, das interacções dos alunos entre si, com estes média, com o professor, e até mesmo com a aprendizagem e com a escola. O que acontece na escola portuguesa, de um modo geral, é que pode haver salas equipadas com um número de computadores suficiente para permitir uma utilização dos mesmos em pares ou grupos de 3 alunos. Essa é considerada a situação ideal uma vez que permite uma utilização mais próxima do meio informático sendo os aprendentes convidados a tomarem uma atitude interveniente, a todos os níveis, podendo e devendo ser-lhes solicitadas actividades que os levem a desenvolver a sua autonomia, a sua capacidade metacognitiva e consequentes decisões sobre a própria aprendizagem. 

Referimo-nos aqui a utilizações do computador para a realização de tarefas de aprendizagem, do tipo caça ao tesouro ou webquest, por um lado, e para o trabalho autónomo do género do desenvolvimento de portfólios ou resolução de exercícios, por outro.

Mas mesmo considerando as escolas que possuem um número limitado de computadores, ou um único ligado à Internet, como é o caso de muitas escolas do 1º ciclo do ensino básico, é possível fazer uma utilização do computador em que o aluno participa efectivamente. 

Para mencionar apenas alguns exemplos, é possível estabelecer um intercâmbio virtual em que, cada dia, um aluno diferente digita e envia a mensagem de correio electrónico aos correspondentes não presenciais. Pode considerar-se igualmente a situação em que estão a ser resolvidos exercícios num computador ligado a um projector de dados. Também aqui, um aluno, sempre diferente, no sentido de levar todos à participação, resolve exercícios ou desenvolve a tarefa em causa, eventualmente com o contributo dos colegas, servindo o computador como proposta aliciante para a resolução dos problemas e o projector como elemento aglutinador da atenção. Trata-se, neste caso específico, de um recurso que permite actividades mais envolventes e motivadoras aos olhos dos alunos. Para além disso o computador ligado ao projector assume o aspecto dum quadro mais colorido, mais atraente mais convidativo.

O que interessa fundamentalmente é planificar actividades e projectos nas quais o aluno intervenha activamente, estabelecendo novas relações com o saber. O computador e a Internet não asseguram, por si sós, a inovação. Devem tender a criar a necessidade de trabalhar para determinado fim - aprendizagem situada, contextualizada (Jacobs, 2003) - e com os outros, em novas situações de partilha e aquisição do saber - comunidades virtuais do conhecimento - de maneira a que se possa verificar uma integração efectiva e continuada das TIC na escola.

 
Fernanda Reis Mota
freismota@yahoo.com.br
Escola Secundária de Anadia

Maria de Fátima Flores
mfflores@prof2000.pt
Escola Secundária de Anadia

Maria José Loureiro
zeloureiro@prof2000.pt
Centro de Competência Nónio da Universidade de Aveiro


Bibliografia

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