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As Tecnologias de Informação e Comunicação numa perspectiva integradora e transversal |
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Há um mal-estar
visível e crescente em relação à educação em Portugal que
existe também à escala mundial, ou pelo menos nos países ditos
desenvolvidos (Nóvoa, 1993). No nosso caso específico, este
constrangimento prende-se com inúmeros factores, sociais ou
institucionais, sobejamente documentados na literatura e nos
média, cujas razões são variadas.
Nomeamos, a título de exemplo, os
desajustes dos desenhos curriculares, por vezes apelidados de
"currículo pronto-a-vestir de tamanho único"
(Formosinho, 1992), e a inadequação da escola ao progresso
tecnológico e às exigências do mercado de trabalho.
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Uma vista de olhos pela literatura
da especialidade documenta sobejamente esta asserção, dado que,
actualmente, todas as preocupações se dirigem para a Educação
para a empregabilidade e a profissionalidade, de uma
"juventude aprendente, num mundo inundado de informação e
de tecnologia mal interiorizada" (Figueiredo, 1999), onde é
desejável que os nossos alunos desenvolvam saberes e
competências que lhes permitam uma autonomia de sucesso com vista
a uma integração social, senão plena, pelo menos satisfatória.
Uma outra questão prende-se com a
necessidade de tornar os nossos alunos mais reflexivos e dotados
de uma metacognição justa sobre as suas competências e
capacidades (Cosme e Trindade, 2001). Neste aspecto assume
particular relevância o conceito de aprender a aprender, no qual
as novas competências transversais, desenvolvidas nas diversas
áreas disciplinares e o uso das tecnologias em contextos
educativos, têm uma influência preponderante. |
A fase user
friendly das tecnologias |
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Actualmente, pelas oportunidades
oferecidas fora e dentro da escola, considera-se que os jovens
estão na fase user friendly das tecnologias. Passa a ser
uma obrigatoriedade todos os intervenientes no processo de
ensino/aprendizagem alcançarem a destreza e a fluência
tecnológica necessárias para favorecer aprendizagens nestes
contextos (Papert, 1993). |
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Ribeiro (2000) refere que a Internet
nem sempre é tida como recurso didáctico eficaz, razão pela
qual importa rebater as potencialidades que oferece e a sua
utilização eficaz.
Nesta ordem de ideias, e em
relação às tecnologias em geral, António Moreira diz que,
"Aqueles que se opõem à utilização das tecnologias com
as crianças fazem-no no pressuposto de que tais tecnologias são
desadequadas em termos de desenvolvimento, que os benefícios
educativos não foram ainda cientificamente provados, que o
enfoque se mantém, erradamente, no
edu-tainment e que a tecnologia tem sido integrada em
detrimento da música, da arte, do desporto, etc…"
(Moreira, A.; 2002, p. 10) |
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A formação de professores na área das TIC é fundamental
No entanto, como grande parte dos
responsáveis a nível académico, também este professor
considera que a formação de professores nesta área é fulcral
para uma inserção capaz e rentável das TIC no contexto
educativo.
Com efeito, na sociedade da
informação a formação nesta área estende-se a professores e
agentes educativos de todos os graus de ensino, sendo o objectivo
subjacente o de organizar comunidades de aprendizagem, com o apoio
deste suporte, para estimular actividades educativas inovadoras e
autónomas.
Como afirma Paulo Dias,
| "As tecnologias de
informação são mais do que um simples meio de contacto
e transporte de informação, para se apresentarem como o
instrumento para a aprendizagem e a construção
colaborativa do conhecimento, desenvolvendo assim novas
formas para o modo como os alunos aprendem e também novos
contextos para a realização das tarefas online"
(Dias, P.; 2003). |
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A integração das TIC em contexto educativo promove
melhores desempenhos
Alguns autores preconizam, em
diversos estudos, que os aprendentes que fazem ou complementam a
sua aprendizagem em ambientes em que as TIC são um recurso
suplementar e/ou em ambientes virtuais obtêm maior cultura
informática, habilidade no manuseio dos computadores, mais
rotinas de interacção, virtual ou não, e melhores desempenhos.
São maiores os hábitos de convivialidade e o facto de se
aprender com os outros e, muitas vezes, para os outros, estimula a
colaboração. |
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Estes ambientes promovem o
desenvolvimento e discernimento dos aprendentes, na medida em que
estes adquirem novos conceitos, se expõem e aos seus pontos de
vista e constroem grupos colaborativos a partir do suporte social
virtual (Tickner, 2002). Esta situação viabiliza a expansão da
competência de pesquisa, consequente espírito crítico e
criatividade e o desenvolvimento de novas capacidades bem como a
integração transversal e continuada das TIC no contexto da
educação . |
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Uma reflexão sobre os projectos
desenvolvidos no contexto português leva-nos a concluir que o
fundamental numa aula com recurso às TIC não é o meio
tecnológico mas as novas atitudes que se promovem (DAPP, 2002).
Daí que seja fundamental não fazer das TIC uma utilização que
prolongue estratégias de transmissão de saberes, mas
utilizá-las por forma a mudar hábitos no acto de aprender e
enriquecer competências dos aprendentes.
Quanto ao professor, este é
interveniente e observador do processo. Não se limita a ensinar e
a verificar à posteriori o que o aluno sabe ou não. Obtém
literacia informática, adquirindo novas competências já
recomendadas no "Currículo Básico em TIC para
professores" (DAPP, 2002) e acompanha o aluno. Numa
perspectiva construtivista ajuda o aluno "aqui e agora"
na construção da sua aprendizagem (Moreira, 2002; Pedro e
Moreira, 2003).
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(continua) -- |
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Fernanda Reis Mota
freismota@yahoo.com.br
Escola Secundária de Anadia
Maria de Fátima Flores
mfflores@prof2000.pt
Escola Secundária de Anadia
Maria José Loureiro
zeloureiro@prof2000.pt
Centro de Competência Nónio da Universidade de Aveiro
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Bibliografia
(Ver página 3) -- |
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