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Prof2000 e formação a distância

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Quando nos lembramos do ensino por correspondência apercebemo-nos de que a formação à distância é uma realidade com mais de uma centena de anos. E, num tempo não muito distante, podemos encontrar muitos exemplos de ensino à distância - a telescola, o ano de preparação para o ingresso à universidade (propedêutico) e mais recentemente as aulas à distância promovidas pela Universidade Aberta de apoio à profissionalização de professores.

Actualmente coexistem, mesmo, uma grande variedade de métodos de distribuição de cursos e módulos de formação à distância. E a utilização da Internet e de computadores, e mais especificamente da World Wide Web, na formação à distância, introduzem factores radicalmente novos na relação entre quem ensina e entre quem aprende. Sendo que, a evolução técnica a que se assiste hoje condiciona, ela mesma, o próprio conceito de Educação a Distância.

A Webopedia define educação a distância como: "O tipo de educação onde os estudantes trabalham em suas casas ou no seu trabalho e comunicam com a entidade formadora e entre si através de e-mail, fora electrónicos, video-conferência e ainda outras formas de comunicação baseadas na utilização de computadores" (http://www.webopedia.com -2002).

Não sendo, simplesmente, mais um modelo de educação a distância, o Programa Prof2000 é, seguramente, a maior rede nacional de formação contínua de professores à distância, baseada na utilização das novas Tecnologias de Informação e Comunicação.

O desafio lançado em 1996, pelo Projecto TRENDS (Trainning Educators Through Networks and Distributed Systems) - projecto financiado pela Comissão Europeia 1996-1998 -, de fazer formação de professores à distância utilizando computadores e a Internet a que os professores podiam aceder na sua escola ou em suas casas, foi o início de uma longa caminhada que permitiu construir uma equipa sólida, um modelo de formação inovador e um conjunto de soluções técnicas capazes de o ultrapassar.

Desde logo foram assumidos alguns pressupostos que definiram todo o desenvolvimento do projecto:

- foi assumido que não se tratava de fazer formação na utilização das TIC e da Internet, mas que seria através da sua utilização que os professores participariam em acções de formação próximas das suas áreas de docência;

- foi assumido que qualquer dispositivo de formação deveria ser desenhado de acordo com os preceitos, tidos como bons, pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua de Professores e dessa forma serem considerados para a progressão na carreira docente

- deveria ser um processo participado e protagonizado pelas organizações e pelos actores que têm responsabilidade na formação contínua de professores em Portugal e que de perto conhecem a realidade - Centros de Formação de Professores e Escolas, Formadores e Professores.

- Que cada escola, além dos requisitos técnicos mínimos, deveria indicar um professor responsável e capaz de liderar o projecto junto da sua comunidade educativa - o líder de escola.

Modelo de Formação

A formação promovida no programa Prof2000 é da responsabilidade dos Centros de Formação de Professores associados ao Programa. Todo o processo de planificação e desenvolvimento de uma acção de formação deve ter em consideração os seus destinatários e a metodologia proporcionada pelo Programa Prof2000 ao mesmo tempo que cumpre as regras previstas na legislação que regulamenta o financiamento e validade científica e pedagógica da formação contínua de professores.

É reconhecido que um dos dos principais factores de insucesso de iniciativas de formação a distância é uma certa tendência para o isolamento que esta forma de ensino provoca. De modo a reduzir esta tendência o modelo de comunicação que lhe está subjacente prevê momentos de comunicação síncrona e assíncrona que decorrem ao longo de cada uma das acções de formação.


Área abrangida pelo
Programa Prof2000

De uma forma resumida, e com algumas variantes, pode dizer-se que uma acção no Prof2000 tem a duração aproximada de 50 horas distribuídas ao longo 10 semanas. Metade deste tempo é reservado para a realização de trabalho autónomo e a realização de tarefas que vão sendo solicitadas ao longo da formação. 
Porque se trata de uma acção à distância, não requer, em regra, a presença física do formando numa sala de aula de uma escola ou de um Centro de Formação, carece, no entanto, da presença do formando na "sala de aula virtual", disponível no ambiente de formação, para sessões " presenciais" de trabalho. Estas sessões têm uma duração média de 3 horas e têm a presença do formador e dos restantes professores em formação.

O ambiente de formação disponibilizado através da Internet para cada uma das acções oferece, ao professor em formação, o acesso a todas as ferramentas de que este necessita para a sua frequência. 

Assim, o formando pode consultar os materiais de apoio à formação disponibilizados pelo formador (textos, planificações, exercícios, bibliografia, etc.), os trabalhos realizados pelos seus colegas em formação e outras informações disponibilizadas pelo Centro de Formação promotor. 

Além da consulta de informações estão também disponíveis outros serviços de comunicação que permitem ao formando interagir com os seus colegas e com o formador. A utilização do "email" e do Fórum electrónico permite a colocação de dúvidas e a partilha de opiniões entre sessões síncronas

É ainda possível a utilização da sala de reuniões para a realização de sessões de trabalho em tempo real. Finalmente os formandos dispõem de uma área individual destinada à publicação dos trabalhos realizados durante a acção de formação.

[Para uma informação mais detalhada, ver o Guia de utilização da área de formação ]
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O Papel do Líder de Escola na formação (ver painel)

As TIC e a Internet assumem-se, no contexto da Formação Contínua de Professores à Distância, como uma alternativa para os professores, sobretudo os das regiões mais periféricas, de participarem em acções de formação que não estão disponíveis no seu espaço geográfico, ou que, estando, não reúnem os requisitos necessários que as tornem suficientemente atractivas. Mas se as TIC são factor de aproximação também são factor de exclusão. A falta de competências básicas no manuseamento destas ferramentas e a falta de confiança na sua utilização são ainda factores que contribuem para que nem sempre se aproveite a oportunidade de se participar numa acção de formação à distância.

A falta de competências na utilização das TIC não pôs em causa o desenvolvimento do programa e, para isso, foi fundamental a existência do Líder de escola. Desde o início houve a preocupação de promover a autonomia técnica e pedagógica das Escolas que participam no programa. A cada Escola foi pedido que indicasse o seu professor, líder, a quem cabe garantir, tecnicamente, a participação da escola no programa. É ele também que acompanha os formandos durante o período em que ela decorre assumindo um papel de facilitador da comunicação, sempre disponível para colaborar com os colegas que dele necessitam. Por isso, o Líder de escola é visto pelos formandos, com frequência, como o elo humano desta teia de relações que se desenvolve entre o formando, os seus pares e o formador.


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