Edição 4
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"Utilização de Software Educativo na Sala de Aula"

Resumo da Intervenção da professora Maria do Carmo- formadora do Centro de Formação de Penalva e Azurara, efectuada no colóquio: " As novas Tecnologias ao Serviço da Educação"

Maria do Carmo S. Andrade M. Novais

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Mangualde, 27 de Novembro de 2000

“Parece quase certo que o computador será utilizado amplamente na educação... mas não está claro se isto conduzirá a um sistema educacional pior ou melhor do que temos hoje.” 

(Bork, A. 1984)

“A simples presença do computador em sala de aula, assim como qualquer outra tecnologia, não assegura, por si só, melhorias na qualidade do ensino, que depende de inúmeros factores, entre os quais a qualidade do software utilizado.

Nenhuma tecnologia pode oferecer benefícios à educação escolar se transmite conteúdos falsos e ultrapassados, se utiliza métodos inadequados ou visa objectivos de escasso valor didáctico.

O conhecimento das características que tornam um software adequado ou não ao processo de ensino-aprendizagem, das modalidades de interacção que estabelece com o utilizador e da sua inter-relação com os objectivos educacionais em situações específicas de ensino, é de fundamental importância para o êxito da relação entre informática e educação.”

Brandão, E. (1997)

Com os rápidos avanços que a tecnologia tem vindo a sofrer, dando origem a computadores cada vez mais potentes e mais rápidos, assiste-se ao desenvolvimento de novas linguagens de programação e de potentes ferramentas informáticas que permitem criar, com alguma facilidade, materiais educativos com características multimédia e hipermédia, o que tem resultado numa verdadeira explosão do mercado de software educativo sobre diversas áreas disciplinares e para os vários níveis de ensino.

“O aparecimento de produtos hipermédia veio relançar a polémica em torno das potencialidades educativas do computador no ensino (...).

(...) esta nova tecnologia permite perspectivar, através da liberdade de "navegação" na informação, a possibilidade de adaptação a diferentes estilos cognitivos dos alunos (utilizadores), permitindo uma aprendizagem mais individualizada e autónoma.”

Paulo Dias, Maria João Gomes e Ana Paula Correia

Hipermédia & Educação, 1998

 Surge, então, a necessidade dos professores aprenderem a utilizar estes novos materiais nas suas actividades lectivas, tendo em atenção o papel que estes desempenham, a sua pertinência, as suas implicações educativas, e as dificuldades ao nível da interacção.

O que torna um software adequado ou não ao processo de ensino-aprendizagem?

Esta questão leva-nos primeiro à necessidade de uma exploração e análise prévia cuidadosa destes materiais "didácticos" (?) antes de pensarmos em utilizá-los com os alunos, à procura de respostas para algumas perguntas pertinentes:

Quais os objectivos do software?

Quais as estratégias didácticas utilizadas?

Que tipo de argumento trata predominantemente?

A que público está direccionado?

De que maneira explora os conteúdos?

Que problemas apresenta?

Qual o grau de interactividade que apresenta?

(...)

Utilizar Software Educativo na Sala de Aula

Porquê? 

"As Tecnologias da Informação e Comunicação disponibilizam instrumentos que contribuem para colocar o aluno no centro do processo de ensino/aprendizagem, favorecendo a sua autonomia e enriquecendo o ambiente onde a mesma se desenvolve, permitindo a exploração de situações que de outra forma, seria muito difícil ou impossível de realizar, e possibilitando aos professores e alunos a utilização de recursos poderosos, bem como a produção de materiais de qualidade muito superior aos convencionais.” 

(Freitas, 1992)

 As razões que nos levam a utilizar software educativo na sala de aula têm a ver com as mais recentes teorias da aprendizagem (ensino centralizado no aluno e aprendizagem a um ritmo próprio do aluno), o que tem sido constatado no terreno pelos vários professores que experimentaram.

Como? 

A utilização de software educativo na sala de aula passa por uma preparação prévia, tal como acontece com a utilização de qualquer outro material didáctico, e que podemos dividir em três etapas:

Selecção do software relacionado com o tema em estudo.

Avaliação da pertinência e adequação do software à sala de aula.

Planificação das actividades didácticas.

Relativamente à planificação das actividades didácticas é necessário ter vários aspectos em conta:

População alvo

Recursos materiais: software seleccionado e condições técnicas disponíveis (p. ex., tem-se verificado que 2 alunos por computador é mais eficaz do que o trabalho individual, e 3 alunos é desaconselhado por diminuir significativamente a participação do aluno com maiores dificuldades no trabalho).

Objectivos a atingir / capacidades a desenvolver

Conteúdos a abordar

Actividades

Para o professor (prévias à actividade e durante a sua realização - apoio, orientação e observação dos alunos)

Para o aluno (a exploração do software deverá ser acompanhada de material de apoio que o oriente ao longo da navegação: roteiros, guiões, fichas de trabalho, etc., de modo a permitir que o aluno saiba concretamente que objectivo deverá atingir, sem, no entanto, se sentir desorientado durante o processo de navegação)

Sugestões para a elaboração dos materiais de apoio:

Não dar indicações genéricas mas especificar claramente as tarefas a realizar.

Clarificar ao aluno o que se pretende concretamente que seja explorado.

Não dar sugestões vagas que deixem o aluno na dúvida.

Não dar grande liberdade de navegação ao aluno - o mais provável é o aluno perder-se no meio de tanta informação ou não saber o que fazer com essa liberdade.

Não dar informações ou sugestões técnicas de navegação - esse processo é praticamente intuitivo para os alunos.

Pode ser útil em algumas situações fazer uma apresentação prévia do software para explicação dos seus conteúdos e demonstração das tarefas pretendidas (para este efeito deverá ser usado um projector de vídeo).

Podemos agora apresentar alguns dos aspectos positivos e negativos que foram constatados no terreno por professores que realizaram este tipo de actividades:

Prós...

Ao contrário do que muitos pensam, não são necessários conhecimentos aprofundados de informática nem por parte dos alunos, nem por parte dos professores.

Com o recurso aos meios informáticos, é possível mostrar pormenores e aspectos (p. ex. simulações, apresentação de imagens dinâmicas para exploração de figuras, etc.) que de outra forma seria muito difícil, muito monótono ou muito demorado.

Muitos programas utilizam como estratégia meios lúdicos que aumentam o grau de motivação dos alunos.

Alguns alunos, que tradicionalmente são difíceis de motivar, participam de forma surpreendentemente activa.

Alguns alunos, com dificuldades em executar determinadas tarefas nas aulas tradicionais, apresentam maior facilidade quando utilizam os meios informáticos.

Em escolas de 1º ciclo, em que os professores têm alunos de diferentes níveis de ensino, assim como no ensino recorrente nocturno por unidades capitalizáveis, verifica-se ser uma óptima estratégia de ocupação de uns alunos enquanto o professor se ocupa dos outros.

Alunos com necessidades educativas especiais têm reagido de forma surpreendente a este tipo de actividades.

... e contras

Muitas escolas ainda não dispõem das condições tecnológicas mínimas adequadas.

O software disponível em Portugal para algumas áreas disciplinares é ainda muito reduzido, pouco versátil ou de fraca qualidade científica e/ou didáctica.

É inevitável que muitos alunos se distraiam por sítios que não são relevantes para os assuntos em estudo.

Alguns alunos, já pouco motivados para a disciplina, não se deixam afectar pela utilização dos meios informáticos, se já estiverem habituados a lidar com os mesmos.

Alguns alunos podem mostrar alguns receios no primeiro contacto com os meios informáticos.

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EXEMPLOS

1- Words Alive
2-Ratos
3-Matemática à Aventura - Contar e Ordenar

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