SONDAGEM   

Edição 4
Página

Relato de uma Actividade Netd@ys 2000

COLÓQUIO
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Com a presença de cerca de 200 professores, oriundos de todos os graus de ensino  e organizada pelo CFAE dos Concelhos de Mangualde e Penalva do Castelo, e integrado nas actividades Netdays realizou-se no dia  27 de Novembro um colóquio sobre o Tema: “As novas tecnologias ao serviço da educação”

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O director do centro de formação começou por referir que o centro teve sempre a preocupação de introduzir as novas tecnologias na formação, quer a nível de acções de formação contínua e creditada, quer em pequenas acções de sensibilização.

Esta actividade insere-se nas actividades Netdays2000 e na divulgação e promoção de actividades de formação a distância no Prof2000.
Já em 1997 se realizou uma acção de curta duração destinada a professores do 1º ciclo sobre a internet designada por Baptismo de Voo.
O Centro de Formação esteve presente desde o início, ainda no projecto Trends e agora no projecto Prof2000, que engloba cerca de 85 escolas e reúne ainda 29 Centros de Formação, a Drec e a  a Ptinovação. As escolas, para além da formação, desenvolvem um conjunto de actividades de dinamização da utilização das Novas tecnologias. O centro de formação e a comissão pedagógica apostam fortemente na formação a distância.

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O Doutor Jorge Gomes, Coordenador do Centro da Área Educativa de Viseu, procedeu à abertura formal das actividades do colóquio.
Começou por felicitar o Centro de Formação pela iniciativa e salientou a importância da aproximação entre os centros de formação e as direcções regionais e os centros de área educativa da qual podem resultar aspectos muito positivos e produtivos.
São notórias as carências de formação e de equipamentos e meios. Na região centro vai existir um esforço sério de envio de equipamentos para as escolas, estando previsto o envio de 2500 computadores até Fevereiro.
É costume dizer que estamos perante um desafio, o da escola nova, com autonomia. Que tem de ser a escola a construir uma escola de informação e do conhecimento, logo, terá de apostar na informática e nas  telecomunicações.

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Seguidamente fez a sua intervenção o Dr. Arsélio Martins* , Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária José Estevão em Aveiro e um dos primeiros formadores do projecto Trends e que se encontra também ligado à criação dos novos programas de Matemática.

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Classificando-se como um corredor de longo curso, salientou que não basta as escolas terem computadores e os professores receberem formação. Ligado ao desenvolvimento dos novos programas da área da matemática, salientou que se está agora na fase de definir tipologias informáticas para as salas de aulas normais e para os laboratórios das várias disciplinas. Tipologias de computadores e pacotes de software que suportem o sistema. Não devemos esquecer que este será um negócio de milhões que vem tornar rentável o mercado da educação. Mas o essencial são os professores, os professores devem apostar na tecnologia sabendo que a tecnologia que hoje é escolhida será obsoleta amanhã, e que o software hoje escolhido será obsoleto amanhã. Não existem soluções eternas. Nada é definitivo tudo é efémero e passageiro. Também na tecnologia é preciso ter consciência que estamos a fazer escolhas para realidades que são efémeras. O ser humano que será o ser mais frágil da natureza tem de ser formado para a sobrevivência e tem de passar por um processo de formação permanente e não apenas formação escolar. As pessoas têm de se formar toda a vida. E se a escola em si mesma não é solução, logo, os computadores também não são a solução. É importante que não aconteça aos computadores o mesmo que a outras sistemas que foram introduzidos na escola. Mas os computadores têm uma vantagem, neste momento são uma síntese de todas as tecnologias existentes e que estão ao alcance do professor, com uma linguagem acessível, amigável e cada vez mais portátil. Os computadores, se não são a solução, são parte da solução, nomeadamente se estiverem ligados ao mundo, via internet. Tal como os professores serão parte da solução
Mas existe uma questão que não tem sido bem debatida. O software também ele um grande negócio de milhões. Qual a solução? Cada escola comprar licenças por disciplina, o governo comprar pacotes de licenças que distribuiria às escolas...?. Os programas da nova   reforma indicam para cada conteúdo os recursos informáticos e o software a utilizar. Uma solução seria criar pequenas aplicações para todos os conteúdos da disciplina. Aplicações simples com movimentos e opções simples, mas eficazes para o apoio a um determinado tema, em detrimento da aquisição de ferramentas informáticas de custo elevado. E desta forma o softawre chegaria a todos os professores que o poderiam aplicar mesmo sem conhecimentos significativos.

Nenhuma equipa de peritos é capaz de encontrar a melhor solução. As melhores soluções só existem se conseguirem mobilizar os professores. Mas os professores não devem ficar à espera de uma solução imposta que depois pode não servir para o seu trabalho. Devem participar na sua implementação, no seu desenho, mesmo que não dominem as grandes ferramentas. As escolas só irão mudar se os professores mudarem. Não é possível fazer um trabalho autónomo com aulas de 45m. Os alunos têm de respirar, os professores têm de respirar, tudo está interligado. A introdução dos computadores implica alteração na avaliação  que passará a incluir relatórios de alguma dimensão e não apenas os testes. E tudo isto ao mesmo tempo. Os alunos devem aprender fazendo trabalhos, usando os instrumentos típicos do dia a dia. Ora hoje todas as profissões, desde o empregado do hipermercado, o montador de pneus, o mecânico... todas as actividades usam tecnologia e portando a introdução das novas tecnologias implica a aproximação ao dia a dia. Se a escola voltar as costas à vida é uma escola morta. E na Europa o ensino para a sobrevivência implica o ensino de competências digitais.

Sejamos claros:

Os computadores serão a solução? Não.
São parte da solução ? Sim.
As escolas sem computadores estão condenadas a morrer. Pois não percebem que a escola é um sítio de treino para enfrentar um ambiente hostil  em  que existem computadores em todos os lados. Os professores são imprescindíveis para ensinar a fazer mas os estudantes têm de fazer. E a mudança tem de ser feita ao mesmo tempo que a formação. Não se pode fazer formação primeiro e só depois a mudança. Os novos programas têm de indicar claramente onde se utilizam os computadores, onde se utiliza a tecnologia, nas suas várias formas e qual a tecnologia e o software a utilizar.

*Resumo da responsabilidade dos repórteres Ágora

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Introdução        Arsélio Martins