Edição 2 
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Escola Secundária Tomás Pelayo

um projecto para educar e integrar


Com início em 30 de Setembro de 1999, decorre até 10 de Junho de 2000 a Fase 1 do Programa 15-18 na Escola Secundária Tomás Pelayo, em Santo Tirso.
Confrontada com a hipótese de implementar este novo projecto de trabalho, esta Escola quis responder às necessidades de muitos jovens da área em que se insere, as quais se relacionam com o grande número de indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos que se encontram empregados na indústria têxtil e do vestuário. A entrada precoce no mundo laboral, o baixo grau de escolaridade e os baixos requisitos de qualificação profissional, condicionam, por um lado as aspirações individuais desses jovens, e por outro, o desenvolvimento a nível de uma importante área para a economia nacional. De facto, experiências anteriores de Ensino Recorrente Nocturno, demonstram a vontade de uma larga camada de jovens ascender profissionalmente, elevando o seu nível de habilitações literárias. No entanto, nem sempre este tipo de Ensino teve a capacidade de responder directamente a necessidades relacionadas com a integração na vida activa, não dando resposta a necessidades de qualificação profissional, e não promovendo, assim, a melhoria do tecido social e económico da região.
Concluindo: necessidade de abranger um grande número de jovens ansiosos por se incluírem na actividade laboral da região, respondendo às suas expectativas a nível de promoção de níveis de escolaridade mais elevados e, principalmente, direccionados para áreas de emprego de interesse local, são os princípios motivadores do arranque deste novo projecto, o qual permite adquirir competências como Empregado Administrativo (Curso de Empregado Administrativo).
Na presente fase encontram-se envolvidos catorze alunos, todos com o 6º ano de escolaridade.
O plano curricular inclui nesta 1ª Fase, além das disciplinas e áreas incluídas na lei, a disciplina de Inglês como Língua Estrangeira a leccionar e, dentro da área técnica, Introdução à Actividade Económica, Relações Interpessoais e Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho. De modo a garantir a ligação com a actividade prática, foram executados protocolos com a Associação Industrial e Comercial de Santo Tirso, a Câmara Municipal de Santo Tirso e a Gestirso-Gabinete de Contabilidade,Lda.
Procura-se, portanto, habilitar os jovens que frequentem com aproveitamento este curso, a desempenhar funções de âmbito administrativo, relacionadas com as actividades económicas da região, nomeadamente no que se refere à contabilidade de empresas.
Esta escola promoveu a divulgação deste curso junto de outras escolas, nomeadamente através de encontro onde foram fornecidas todas as informações possíveis, incluindo os programas de cada disciplina e área a leccionar, tendo sido identificada a professora Paula Valdrez como coordenadora pedagógica do projecto.
 

 

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O ENSINO RECORRENTE SEUC


O Ensino Recorrente é uma oferta educativa de Segunda oportunidade frequentado por adultos em regime pós-laboral ou por jovens não abrangidos pela escolaridade obrigatória. Pode ainda caracterizar-se este tipo de ensino como um ensino modular onde são previstas equivalências ajustadas por um modelo - despacho 59/SEED
Na escola S/3 Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves é oferecida esta modalidade de ensino para o 3º Ciclo em regimes diurno e nocturno.
Reflectir sobre a forma ou o sucesso do ensino recorrente e tarefa que tem de se desdobrar nos regimes anteriormente referidos:

Regime nocturno: existe há mais tempo na escola e afigura-se como oportunidade para os alunos mais interessados. A maior parte dos alunos requer estatuto de trabalhador-estudante e quando inquiridos sobre os motivos da frequência escolar é vulgar obter como resposta a necessidade de progredir na carreira ou a tentativa de com mais habilitações conseguir um melhor emprego. É pois uma motivação que assegura um conjunto de alunos empenhados e que tentam avançar a um ritmo imposto por eles próprios. Nesse sentido, pedindo a ajuda do professor e estudando também de forma autónoma, vão requerendo exames e é visível a felicidade, quando vão progredindo e avançando nos módulos propostos em cada disciplina.
Também é certo que esta visão é um tanto optimista pois há também um número razoável de alunos que não consegue aguentar o ritmo diário de após um dia de trabalho se seguir um serão de frequência escolar e pura e simplesmente desistem. Daí, é frequente, começar o ano lectivo com muitos mais alunos do que quando encerra.
Quanto ao sucesso escolar, digamos que o grupo que frequenta este regime com certa assiduidade, acaba o curso.
É importante referir que neste tipo de ensino o companheirismo entre os alunos é muito grande e este facto assegura a superação dos momentos de fracasso ou de indecisão. Também considero aqui que o papel professor é muito importante, pois a proximidade que faz do professor um explicador, faz também dele um amigo;

Regime diurno: é frequentado por jovens com 16 anos ou pouco mais. Estes alunos têm dificuldade em perceber o regime modular onde se inserem e a responsabilidade de serem eles a estudar de forma autónoma. A maioria requer a presença do professor em todos os momentos da aula o que se torna difícil quando no mesmo espaço funcionam grupos de alunos em unidades diferentes. Como é impossível ao professor desdobrar-se em vários grupos, a maioria das vezes os alunos esperam passivamente (ou não) pelo professor nada fazendo entretanto.
Também é muito alta a taxa de absentismo e com o regime de faltas que o despacho 36/99 e a circular conjunta DEB/DES n.º 4/99 impõe, muitos alunos perdem o ano e perdem também o direito à frequência no ano lectivo seguinte. Outros simplesmente anulam a matrícula.
No regime diurno o insucesso é preocupante e elevado. Penso que as mudanças que se avizinham na proposta do novo modelo poderá trazer benefícios a estes alunos desde que os programas das disciplinas sejam, motivadores e as actividades práticas sejam uma tónica.

Em conclusão:
pode dizer-se que os pressupostos que nortearam a criação deste tipo de ensino de Segunda oportunidade são efectivamente interessantes mas a prática e o trabalho em programas pouco aliciantes e muito teóricos levam a um elevado número de alunos desistentes, por ser difícil alcançar o sucesso escolar;
por outro lado a criação de um regime não presencial e de blocos de aulas de apoio não trouxe benefícios. Os alunos na maioria não optam pelo regime não presencial e as aulas de apoio praticamente não têm frequência. Creio que se ganharia bastante mais se este espaço fosse um tempo de prática de experimentação ou até de aula normal das várias disciplinas.

Maria Eduarda Oliveira
Assessora do Ensino Recorrente
Maio de 2000